constant ou variable
Chapitre 2 : Mesures de champs et identification inverseidentification inverse
1.4 Méthode de la grille
Um problema muito comum nas aulas de Educação Física são os alunos e alunas não gostarem ou não participarem da aula, pois, pela estrutura da aula, sentem-se frustrados ou expostos ao ridículo. E essa é uma preocupação que todos os professores e professoras devem ter: possibilitar a seus alunos e alunas vivências agradáveis, não beneficiando apenas os mais habilidosos ou mais capazes; o professor e professora devem oportunizar vivências a todos e todas, respeitando seus limites e necessidades.
O professor de Educação Física deve problematizar as atividades para que os alunos possam construir suas próprias soluções a partir de experiências motoras próprias, não existindo padrões a serem alcançados, ou ainda equiparação entre os alunos. Deve-se buscar a idéia de superação individual dos problemas (MOREIRA, E., 2004, p. 24).
O docente e a docente devem aproveitar as diferenças ou características individuais de cada aluno e aluna, porém, sem dar supremacia a uma ou a outra, mas fazer com que se complementem, mostrando para o grupo que todos são igualmente importantes, buscando promover dessa forma atitudes de respeito, cooperação e solidariedade (MOREIRA, E., 2004). E foi justamente isso que tentamos fazer.
Propus para eles e elas que fizéssemos uma experiência com dança. Para a primeira atividade proposta, era necessário que fosse algo fácil, que eles e elas facilmente pudessem e aceitassem fazer, pois era para muitos a primeira vez que tinham contato com dança e precisávamos saber como eles reagiriam frente à dança. Resolvi então, apoiado no que os PCNs (1998) relatam sobre as atividades rítmicas e expressivas, fazer uma brincadeira cantada, uma cantiga folclórica, bem conhecida por todos nós, chamada escravos de Jó.
Na sua forma mais tradicional, é uma brincadeira cantada, segundo a tradição, brincada por monges, e incorporada à cultura infantil. Os objetos, passados de mão em mão em uma roda de pessoas em volta de uma mesa ou sentadas no chão, giram sempre para a direita de quem está na roda. Enquanto passam o objeto, os participantes cantam uma canção (JOÃO, 2001).
Primeiramente, cantamos a música, pois mesmo sendo uma cantiga infantil muito conhecida, alguns alunos ainda não a conheciam. É interessante afirmar que, por se tratar de uma música bem antiga que sofreu ao longo do tempo algumas modificações, pode haver algumas variações de palavras, pode ser que outras pessoas a conheçam com palavras diferentes; contudo, irei transcrever a música como eu e os alunos e alunas cantamos e utilizamos na aula. A música é assim:
Escravos de Jó jogavam caxangá Tira, põe, deixa ficar
Guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá Guerreiros com guerreiros fazem zigue-zigue-zá
Cantamos a música várias vezes até que todas as crianças aprendessem a canção. Após esse momento inicial, sentamos todos nós em roda, inclusive eu, tiramos um dos calçados do pé (que seria o objeto a ser passado) e começamos a aprender a forma de passar o objeto. Os calçados deveriam ser passados sempre para a direita e deixados à frente do colega ao lado. Depois, acrescentamos a essa passagem o ritmo da música e começamos a
conhecer as variações de movimento em cada parte da música, e por fim, tentamos o processo todo.
Para ficar mais fácil a compreensão dos movimentos da música, iremos tentar descrever como são as variações dos movimentos em cada parte dela. No primeiro verso (escravos de Jó jogavam caxangá), os calçados eram simplesmente passados de um aluno ou aluna para o que estivesse ao seu lado direito. No segundo verso, cada um levanta do chão o calçado que estava a sua frente no (tira), em seguida no (põe), colocava-o de volta no chão e no (deixa ficar), simplesmente deixava o calçado parado. Já no terceiro verso, na primeira parte (guerreiros com guerreiros), os calçados eram passados normalmente, a exemplo do primeiro verso. E na segunda parte (fazem zigue-zigue-zá), os calçados iam e vinham nas mãos de cada um sem serem deixados no chão. E por fim, o quarto verso repetia o terceiro, sendo que ao final da música no (zá), os calçados eram deixados à frente do colega ou da colega ao lado.
Alguns alunos e alunas de determinadas salas, principalmente os menores, apresentaram dificuldade em compreender as movimentações e equacioná-las ao ritmo da música. Alguns alunos ou alunas não passavam o calçado e ficavam com muitos ao seu redor; alguns passavam rapidamente, deixando o colega ao lado “sobrecarregado” de calçados; alguns, na hora em que tinham que tirar ou colocar o calçado no chão, não faziam ou passavam para o colega. Em parte, esses problemas são fruto do número alto de crianças por classe e também pela falta de concentração. Constantemente, eles e elas ficavam com “brincadeirinhas”, o que prejudicava a atividade.
Em relação à participação, eles e elas ficaram meio receosos, principalmente os alunos e alunas das terceiras e quartas séries. Algumas alunas não quiseram participar, e já com os meninos, o número dos que não se sentiram contemplados pela atividade foi maior. Mesmo eu insistindo para que participassem e experimentassem a atividade, muitos não participaram.
Tendo em vista os dados obtidos anteriormente, na segunda atividade de dança, pedi para que os alunos e alunas imaginassem que estavam dentro de uma redoma transparente, e aí então, deveriam no ritmo da música tocar com as mãos em todas as partes dessa redoma. Primeiramente, coloquei uma música infantil orquestrada chamada “Vendo Nuvens”, que é uma música bem calma. Em seguida, coloquei uma música clássica chamada “Eine Kleine Nachtmusic” (Pequeno Serão Musical) K. 525-1º Movimento de Wolfgang Amadeus Mozart, e para terminar, um samba bem conhecido chamado “Coisinha do Pai” de
Jorge Aragão, Almir Guineto e Luiz Carlos da Vila. No começo da atividade, a exemplo da anterior, eles e elas se dispersaram um pouco, ficaram com “brincadeirinhas”; contudo, depois de algum tempo, começaram a fazer a atividade de forma mais comprometida e a fruição do movimento ficou melhor. No tocante à participação nessa atividade, ela foi um pouco maior; quase todas as meninas participaram; entretanto, a resistência entre os meninos ainda estava grande.
Nessa última atividade, notei que em vários momentos eles associavam o que estavam fazendo a músicas de funk, como a “dança do quadrado”; constantemente, alguns alunos e alunas faziam essa dança ao invés da atividade proposta, sendo necessário que eu interviesse para eles e elas voltarem para atividade. Quando tocamos o samba, percebi que alguns meninos vieram dançar. Um outro dado interessante foi que os alunos e alunas, principalmente da primeira série, mas não somente eles, não se prendiam à redoma; faziam movimentações mais amplas e ficavam imitando movimentos estereotipados. Por exemplo, quando escutávamos a música clássica, eles ficavam na ponta dos pés, colocavam as mãos cruzadas sobre a cabeça e giravam. Já outras crianças ficavam imitando um maestro, inclusive um aluno pegou um pequeno galho do chão e imitava o maestro e o galho era a batuta.
Após a atividade, reuni os alunos e alunas e começamos a conversar sobre o que fizemos. Perguntei o que eles e elas acharam da atividade. Os alunos e alunas relataram que gostaram muito, que foi muito divertido e que é bom dançar. Entretanto, a fala de um aluno foi bem interessante, pois, quando fizemos a sondagem inicial, ele falou claramente que nunca dançou porque dança era coisa de menina, que ele não era menina e que não ia dançar. Mas, quando fizemos a roda cantada Escravos de Jó, talvez pelo fato de não considerar como dança, ele mesmo, sem eu pedir, foi fazer a atividade, gostou e, por isso, fez também a outra. Ele relatou que nunca havia dançado, mas que aquele tipo de dança que fizemos era legal, que não era coisa de mulher, que homem também podia fazer e que agora ia começar a dançar.
3.1.1.1.3. AS EXPERIÊNCIAS DOS ALUNOS E ALUNAS COMO PONTO DE