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Méthode de Galerkin non standard

om o dealbar do século XVI chegaram os novos ideais humanistas a Portugal e, com eles, as inovações técnicas e artísticas aliadas à renovação mental e cultural porque neste período “os costumes mudam, isto é, a maneira de viver, mas também as de pensar e de acreditar”197. Deste modo, o convento não pôde ficar alheio a esta nova corrente, nem aos novos preceitos, pois mantinha profícuas ligações com o seu homónimo de Benfica, em Lisboa, e com o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha, que nesta época sofriam algumas alterações que demonstravam a adesão ao novo estilo. Os contactos com a cidade de Coimbra, possuindo belos exemplares das marcas renascentistas e pela qual passaram os mais consagrados artistas da renovação clássica, tais como Chanterenne, Ruão e Hodart, devem também ter exercido influência na sua congénere aveirense. Na realidade, do que resta na igreja do extinto convento salta à vista do observador as partes do classicismo humanista e do maneirismo, quer o tímido pós-Tridentino, como o desenvolvido seiscentista, bem evidentes na actual estrutura do templo e nas suas capelas laterais. Esta corrente parece ter sido tão profunda que algumas capelas foram construídas sob o modelo renascentista, mas outras evidenciam já claramente a traça maneirista, não se podendo dissociar do extenso período desta última corrente artística os sessenta anos de dominação espanhola a que estivemos sujeitos, representando a "longa supremacia do maneirismo", nas palavras de Jorge Henriques Pais da Silva198.

Porventura poder-se-á perguntar por vestígios manuelinos que não se encontram actualmente no conjunto: a terem existido ter-se-ão perdido com a demolição das dependências conventuais, mas não seriam de grande exuberância e labor, senão Rangel

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FAURE, Paul – O renascimento. Lisboa. Publicações Europa-América. 1998. 3ª edição. p. 130.

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SILVA, Jorge Henriques Pais Da – Estudos sobre o Maneirismo. edição póstuma organizada e coordenada por SILVA, Ana Júlia Pais da e PEREIRA, Fernando António Batista. Lisboa. Editorial Estampa. 1983. p. 183.

de Quadros teria chamado a atenção para tal facto aquando das suas descrições. Por outro lado teremos de ter presente que a construção do edifício monacal se arrastou por todo o século XV e que estamos perante um edifício pertença de uma ordem religiosa mendicante. Apesar do seu moroso levantamento ter-se arrastado por um período em que vigorava a arte manuelina, esta desenvolve-se entre dois períodos artísticos: o gótico final pré-manuelino e o renascimento e se poderemos afirmar que o manuelino é um gótico final, o inverso já não é correcto porque muitas obras de uma fase final do gótico, desligadas do flamejante, seguiram um esquema ornamental simplista, afastando-se do manuelino e até daquele gótico flamejante imanado da Batalha, mantendo, ainda assim, a base estrutural projectada pelo estilo gótico. Devido igualmente às alterações que o conjunto foi sofrendo é natural não se encontrar as decorações típicas goticizantes, ao qual D. Manuel emprestou o nome, mas apresentarem-se as novas soluções estruturais da renascença que imediatamente deram lugar às manifestações maneiristas, pois “entre as soluções do gótico e do manuelino que se prolongam e a formalização algo precoce da experiência maneirista tem sido difícil recortar e periodizar um Renascimento português na arquitectura...”199.

Capela do Santíssimo Sacramento

estrutura medieval de três naves começou a ser alterada com a edificação de uma capela no braço do transepto do lado da Epístola, instituída por um navegador de nome João de Albuquerque, ao qual já aludimos. Este, juntamente com a sua esposa, D. Helena Pereira, fez, ainda em vida, um contrato com os frades pregadores desta, então, vila de Aveiro a 24 de Agosto do ano de 1477200. Conquanto um documento manuscrito por nós compulsado antecipa a data do contrato para 20 de Agosto do mesmo ano201. Por este contrato o Senhor de Angeja, termo de Aveiro, deixava aos religiosos uma quinta em Canelas, com todas as suas rendas e casais, e a marinha do Puxadouro. Por seu turno, os frades obrigavam-se à

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MARKL, Dagoberto – O Renascimento. História da Arte em Portugal. Vol. VI. Lisboa. Alfa. 1986. p. 32.

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QUADROS, José Rangel de – Aveiro. Apontamentos Históricos. Vol. IV... p. 63.

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A.U.C. – Convento de S. Domingos de Aveiro. Livro de Lembranças de Missas. III/1ª D/15/2/2. fl. 11

construção e reparação da capela e a entregar ao Convento de S. Francisco de Coimbra 400 reis anualmente: 250 por missa cantada por alma de seus pais que aí estavam sepultados e 150 de esmola202. No entanto, os pregadores tiveram muita dificuldade em possuir a citada quinta porque Jorge Moniz, que foi posteriormente Senhor de Angeja e que herdou este morgado pela morte de Henrique de Albuquerque, que por seu turno já o tinha herdado pela morte de seu pai, João de Albuquerque, afirmou que "…Erao Res Regengos eda croa ecomo taes os nao podia dar Joao de Albuquerque Aeste mosteiro…"203. Por conseguinte, após grande demanda, O Venturoso “…deuLicença para este mosteiro poderter E Possuir Estas benfeitorias…”204. De seguida o cenóbio processou D. Catarina Henriques, nora de João de Albuquerque, para reaver o que lhe era de direito, sendo ela condenada e ainda conseguiu readquirir os bens que estavam na posse de “…Dona Leanor Pereira molher que foi de Jorge munis…”205.

Esta contenda só teve resolução no final do ano de 1510 como se pode constatar nas datas dos referidos documentos. Só a partir deste desenredo é que a construção da capela se poderia encetar e, além das datas que balizam este litígio, as colunas que suportam o arco da capela têm inscritas as datas de 1550 e 1559. Estas devem corresponder ao período que mediou a construção desde o seu início até à finalização, mas, se assim é, consideramos que a decisão para elevar a capela e comprazer o contrato foi demasiado morosa.

Esta capela que actualmente é denominada do Santíssimo Sacramento, teve outras invocações: inicialmente era chamada da Anunciação206, todavia o Padre Frey Thomé dos Reis, em 1613, no Livro de Lembranças de Missas, afirma que esta capela primeiramente "…Se chamaua da Saudaçao deSanta maria…"207, e nesse ano, 1613, já

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QUADROS, José Rangel de – Aveiro. Apontamentos Históricos. Vol. IV... p. 64 e A.U.C. – Convento de S. Domingos de Aveiro. Livro de Lembranças de Missas. III/1ª D/15/2/2. fl. 11. Doc. II, em apêndice.

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A.U.C. – Convento de S. Domingos de Aveiro. Livro de Lembranças de Missas. III/1ª D/15/2/2. fl. 12 v. Doc. IV, em apêndice.

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A.U.C. – Convento de S. Domingos de Aveiro. Livro de Lembranças de Missas. III/1ª D/15/2/2. 13. Doc. IV, em apêndice.

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A.U.C. – Convento de S. Domingos de Aveiro. Livro de Lembranças de Missas. III/1ª D/15/2/2. fl. 13 e 13 v. Doc. IV, em apêndice.

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GONÇALVES, António Nogueira – Inventário Artístico de Portugal... p. 109 e GASPAR, João Gonçalves – Catedral de Aveiro. História e arte... p. 20.

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A.U.C. – Convento de S. Domingos de Aveiro. Livro de Lembranças de Missas. III/1ª D/15/2/2. fl. 11. Doc. IV, em apêndice.

era intitulada “…de Jeshus…”208; no ano de 1702 ainda desfrutava desta invocação, como se pode verificar pelo contrato assinado entre os monges deste convento e o entalhador portuense António Gomes para a execução do retábulo e de outras obras em talha para esta capela209. Isto contraria, assim, a afirmação de João Gonçalves Gaspar que nos inícios do século XVIII esta capela possuía a invocação do Santo Cristo. Apesar de remeter para a mesma figura religiosa a denominação invocatória é diferente, contudo é possível que mais tarde, talvez ainda em setecentos, tivesse tomado aquela última denominação devido a ter-se tornado sede de uma irmandade com este nome. De 1900 até 1976 foi denominada de Senhor dos Passos210, todavia a capela continua actualmente a ser muito conhecida pelo nome do seu instituidor.

Estruturalmente apresenta um esquema rectangular e possui um grande arco de entrada de volta perfeita. A decoração é sóbria, mas tipicamente renascentista: dez singelos querubins animam a parte exterior do arco e o intradorso é dividido em vinte e quatro pequenos caixotões, verificando-se o jogo de alternância de lisos e outros preenchidos com ornamentação vegetalista e floral da renascença, sendo o do centro maior e também liso. O arco é escorado por duas pilastras de fuste decorado com motivos dependurados e têm na face interior uma coluna adossada: esta é estriada nos dois terços superiores por arestas vivas, está assente numa pequena base e a encimá-la possui um capitel coríntio. Este conjunto suporta um elegante e destacado entablamento e é suportado por um pedestal movimentado e com ornamentação idêntica à referida nas pilastras.

O tecto poderia ser em abóbada de berço (encontra-se tapado pelo trabalho de talha de início de setecentos, do qual em capítulo próprio falaremos) porque todas as outras capelas possuem este tipo de cobertura e esta foi a que deu o mote para a orgânica estrutural das seguintes. Além disto era perfeitamente natural este tipo de cobertura, porque além de se harmonizar melhor com a arco de entrada era um tipo de abóbada querida ao renascimento. Contudo, se assim fosse, então, a abóbada teria de ser, necessariamente, mais alta que as abóbadas das outras capelas laterais, devido à

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A.U.C. – Convento de S. Domingos de Aveiro. Livro de Lembranças de Missas. III/1ª D/15/2/2. fl. 11. Doc. IV, em apêndice.

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BRANDÃO, Domingos Pinho – Talha Dourada, ensemblagem e pintura na cidade e na diocese do

Porto. Documentação dos séculos XV e XVII. Porto. Distribuidora Sólivros de Portugal. 1984. Vol. II. pp.

altura quer do retábulo quer do tecto em talha. No entanto é mais plausível que o tecto fosse direito, pois existem muitas grandes obras desta época com tectos desta estrutura, quer em Portugal como em Itália. É mais lógica a ideia de esta capela ser imitada pelas seguintes alterando apenas o tipo de cobertura para uma abóbada de berço, do que as subsequentes capelas sofressem um rebaixamento na estrutura abobadada. A capela que está defronte, dedicada a Nossa Senhora do Rosário, também possui uma cobertura em madeira, não permitindo uma comparação ao nível da estrutura de cobertura lítica.

Na parede fronteira ao arco existe uma porta que na nossa opinião será da mesma época da construção da capela. A corroborar a nossa ideia está a semelhança e a simetria que ela faz com a Porta das Graças situada na Capela de Nossa Senhora do Rosário e, segundo João Gonçalves Gaspar, esta última porta foi refeita na segunda metade do século XVI, enquanto datou a capela apenas do século seguinte211. Embora a datação da capela seja uma opinião muito discutível a verdade é que elas, portas e capelas, são iguais e o estilo renascentista é bem caracterizado por fortes simetrias, o que nos leva a crer que a Porta das Graças terá sido realmente refeita na data proposta por João Gonçalves Gaspar e a porta da capela do Santíssimo Sacramento rasgada aquando da sua construção.

Devido às muitas obras que este templo foi sofrendo, principalmente após a vitória dos liberais, a qual foi exuberantemente celebrada pelos aveirenses porque esta cidade esteve sempre ao lado dos exércitos de D. Pedro IV, muitos elementos importantes para a memória do conjunto enquanto instituição monacal foram-se diluindo na incúria e ignorância e é neste contexto que as descrições de Rangel de Quadros se revestem de uma importância cada vez mais capital. É pela sua mão que conhecemos duas sepulturas doadas nesta capela que passamos a inscrever o seu registo:

Aqui jas Afo D.es a quem este mosto

deu sepa 212

e próximo da porta simétrica à das Graças havia outra com a seguinte inscrição:

211

GASPAR, João Gonçalves – Catedral de Aveiro. História e arte... pp. 24-25.

212

Sepoltura de fr.co dueS branco: Faleceo na era d: MDXXXUIII 213

Capela do Senhor dos Passos

capela construída a seguir, na nossa opinião, foi a, denominada actualmente, de Senhor dos Passos devido à imagem que lá é guardada e que saiu da oficina do escultor portuense Teixeira Lopes, nos inícios do século XX214. Até 1976 foi dedicada ao Santíssimo Sacramento e como se constata houve uma inversão da invocação com a capela anterior que lhe é contígua.

António Nogueira Gonçalves atribui a construção desta capela ao século XVII215, no entanto esta ideia é refutada por vários autores que a antecipam para 1560216. Sustentam a sua opinião na inscrição que a ombreira da janela, que está hoje se encontra tapada, possuía. Não cremos que aquela data se refira à feitura da janela ou a um restauro ou reconstituição da mesma, mas, sim, a uma obra mais vasta como a execução de toda a capela. A data estaria muito mais de acordo com as datas propostas para a capela anteriormente descrita e, desta forma, seria bem mais lógico o período de dez anos para a concepção das duas capelas, sendo, provavelmente, uma construção levantada em conjunto. Rangel de Quadros na descrição desta capela compara-a com outra da mesma invocação na desaparecida igreja da Vera Cruz, “o que me leva a crêr que é obra da mesma época, isto é do segundo meado do século XVI”217. O certo é que esta capela a par de toda a sua linguagem ornamental integra-se muito mais nos cânones de uma renascença madura que nos maneiristas da segunda metade de quinhentos.

Apresenta estrutura rectangular e o vão da entrada é ligeiramente mais pequeno

213

QUADROS, José Rangel de – Aveiro. Apontamentos Históricos. Vol. IV... p. 26.

214

GASPAR, João Gonçalves – Catedral de Aveiro. História e arte... p. 20.

215

GONÇALVES, António Nogueira – Inventário Artístico de Portugal... p. 110.

216

GASPAR, João Gonçalves – Catedral de Aveiro. História e arte... p. 20 e NEVES, Amaro – Aveiro.

História e Arte. Aveiro. ADERAV. 1984. p. 79 e NEVES, Amaro e SEMEDO, Énio – Aveiro do Vouga ao Buçaco. Lisboa. Editorial Presença. 1989. p. 63.

que a estrutura parietal. Possui, tal como a anterior, um arco de volta perfeita mais ascético, mas transmitindo maior solidez. O arco é rematado por uma chave consoliforme e o intradorso é dividido em dezassete pequenos caixotões, alternando os lisos com decorados. Estes são animados por graciosos rosetões, todos diferentes. O arco assenta num destacado entablamento que está apoiado, por sua vez, em duas simples pilastras estriadas com arestas vivas nos dois terços superiores e caneladas no restante. Na face interior das pilastras encontram-se motivos geométricos piramidais (na zona superior e inferior) e dois florões ao centro. Estas robustas pilastras assentam em dois pedestais ornamentados, na face exterior, com motivos dependurados tipicamente renascentistas e motivos geométricos, mais propriamente um losango, nas almofadas interiores denotando já um muito tímido maneirismo.

Esta capela comunica com as subsequentes através de duas portas existentes nas paredes laterais imediatamente a seguir ao arco. A porta da esquerda deve ter sido realizada na altura da execução da capela para comunicar com a do Santíssimo Sacramento, mas a da direita deve ter sido aberta quando se executou a capela seguinte. Também não está fora de questão as portas terem sido rasgadas quando as capelas estavam já todas erectas, o que remeteria a sua abertura para o século XVII, mas inclinamo-nos para a primeira hipótese, até porque aquando deste levantamento já existiam capela laterais intercomunicantes, como é o caso do templo de São Francisco em Évora.

As paredes laterais são animadas por um friso que parte das pilastras da entrada e é interrompido na parede fronteira ao arco. Aqui estão duas esguias pilastras com duplo capitel sobreposto e com o entablamento desenhado que, apesar de ligado ao já referido friso que se estende por toda a capela, está totalmente desarmonizado. Na verdade estas duas pilastras, coroadas por dois fogaréus, não se integram no conjunto, sendo muito possível que tenham sido um acrescento posterior. O friso que corre ao longo das paredes deixa entrever uns ligeiros relevos dependurados renascentistas, mas que muito mal se notam e apresenta um certo movimento que corresponde e acompanha as nervuras dos caixotões da abóbada, isto é, os arcos torais que arrancam daquele. A abóbada é em berço e está dividida em quatro fiadas de seis caixotões. O conjunto apresenta grande solidez e, por outro lado, transmite uma singela beleza e uma subtil calmia num todo bastante harmonioso, com excepção feita às supracitadas pilastras, de gosto duvidoso, da parede do fundo.

arco cruzeiro, como tal a estrutura medieval do templo ficou muito desvirtuada e só voltaria a ter equilíbrio aquando da construção das capelas fronteiras às descritas, ou seja, no lado do Evangelho.

Capela de Nossa Senhora do Rosário

capela construída posteriormente, na nossa opinião, poderá levantar alguma polémica, mas arriscamos em afirmar que foi a denominada, no nosso tempo, por Nossa Senhora do Rosário, invocação tributária da bela imagem estofada maneirista218 que está no trono do retábulo rococó, que em capítulo próprio falaremos, e que outrora deveria estar no anterior que deu lugar ao presente.

A construção desta capela tem sido datada do século XVII219, após o levantamento das quatro capelas do lado da Epístola, mas acreditamos que a sua edificação se fez na centúria anterior. Em primeiro lugar não achamos lógico que se efectuassem primeiro as quatro capelas da Epístola e depois as quatro fronteiras porque, como as construções dependiam do aspecto económico, os frades corriam o risco de o templo ficar assimétrico ou só muito tempo depois poderem conferir-lhe o devido equilíbrio. Em segundo porque esta capela foi construída no lugar do transepto medieval e como a capela do Santíssimo Sacramento já estava erecta era muito mais correcto, quer arquitectónica e estruturalmente, como a nível estilístico, a edificação desta para conferir equilíbrio, estética, unidade e dignidade. Além disto sabemos que as capelas da Epístola dedicadas, hoje em dia, à Nossa Senhora da Visitação e a S. Jacinto foram levantadas nos finais do século XVI e princípios do século seguinte. Por outro lado sobre a Porta das Graças, inserida na controversa capela, estava inscrita a data de 1569220, mas infelizmente hoje já não é visível. Esta data estaria, assim, dentro de uma corrente lógica que a seguir às duas capelas já descritas, edificadas sensivelmente entre 1550 e 1560, se construísse esta por volta de 1569 e talvez a capela que lhe fica

218

Esta escultura maneirista em madeira é anterior à obra de talha e pintura, as quais analisaremos nos capítulos próprios.

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GONÇALVES, António Nogueira – Inventário Artístico de Portugal... p. 110 e GASPAR, João Gonçalves – Catedral de Aveiro. História e arte... p. 24.

contígua dentro da mesma linha de pensamento. Esta fundamentação utilizada para a datação desta capela é completamente similar à diligenciada para a capela do Senhor dos Passos e as datas inscritas em locais muito próximos fortalece a nossa ideia. Mais tarde, no final do século, construir-se-iam as outras duas da Epístola, na medida em que ambas foram instituídas pela mesma pessoa, O Abade de Ribeirão, o que aprofundaremos quando estivermos a tratar delas. Para apoiar a nossa ideia existia uma lápide, que também já desapareceu, referida pelo nosso mais directo apoio que possuía a seguinte inscrição: "SPA DE MIGVEL FRZ MERCADOR E D SVA MOLHER ANTONIA FRZ E DE SEOS ERDEIROS E DESCTS HERA DE 1572 ANNOS 221

Se a capela estivesse terminada em 1569, data da Porta das Graças, é bastante plausível a compra da sepultura nesta capela três anos mais tarde. Mas outras lápides desapareceram, contudo ainda é possível conhecer a inscrição de mais duas, a primeira estava junto da porta que comunica com a capela contígua:

SP.A DE MANVEL ANDRE ERMITAO

DA EGREIA 222

Ainda se poderia encontrar uma outra com um epitáfio bem mais desenvolto:

SEPVLTVRA PROPRIA DE D. CATHARINA CORREA RAN

GEL DE QVADROS EVEIGA

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QUADROS, José Rangel de – Aveiro. Apontamentos Históricos. Vol. IV... p. 33.

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FILHA DE ANTONIO RANGEL DEQVADROS E VEIGA E D. ANNA DA VEIGA CARDOSO

DALBERGARIA NASCEU EM 20 DE IVLHO DE 1660 E FALECEV EM 20 DE MAIO

DE 1774

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Estilisticamente a capela é igual à do Santíssimo Sacramento: possui um arco de volta perfeita com fecho tipo lambrequim, no qual está inscrito o monograma "A M" entrelaçados e desenhados com grande delicadeza; é animado por dez querubins e o intradorso é dividido por vinte e um pequenos caixotões, numa sequência alternada de lisos e preenchidos, por rosetões todos diferentes. O arco é escorado em duas pilastras