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Chapitre 3 : Sondeur de canal UWB

4.2 Méthodes d’estimations Hautes Résolution

4.2.1 Méthode d’estimation utilisée : MUSIC

Com a posse de Dilma Roussef, em primeiro de janeiro de 2011, Antonio Palocci (PT- SP) trilhava novamente seu caminho para a Esplanada dos Ministérios. Palocci, que ocupara o posto de Ministro da Fazenda durante mais de três anos no governo Lula, havia perdido a função após revelação da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, num dos episódios mais célebres do escândalo do Mensalão.

Desde que deixara os quadros do Executivo, em 2006, Palocci cumprira seu mandato como Deputado Federal, até 2010, ano em que atuou na campanha eleitoral da então candidata Dilma. Após a vitória da petista, foi incumbido da coordenação da equipe de transição do governo; a tarefa lhe valeu o convite da presidente eleita para ocupar o segundo gabinete mais importante do Executivo: o Ministério da Casa Civil.

A situação de Palocci começa a mudar no dia 15 de maio de 2011. Neste dia, a Folha de S. Paulo publica a matéria de capa “Palocci multiplica patrimônio por 20 em 4 anos”, em que revela que o então ministro havia adquirido, em 2010, um imóvel no bairro dos Jardins, em São Paulo, cujo valor de compra era de R$ 6,6 milhões.

Ainda de acordo com o jornal, outro imóvel, um escritório avaliado em R$ 882 mil, já havia sido adquirido pelo titular da Casa Civil em 2009. Juntas, as aquisições – ambas quitadas – fizeram o patrimônio de Palocci saltar de um valor declarado de R$ 375 mil em 2006, para quase R$ 7,5 milhões em 2010.

No mesmo período, sempre de acordo com a Folha, os rendimentos recebidos por Palocci como Deputado Federal somaram R$ 974 mil. Na reportagem, também é afirmado que o apartamento de luxo havia sido comprado diretamente na construtora e pago em duas parcelas, a primeira de R$ 3,6 milhões e a segunda de R$ 3 milhões; a taxa de condomínio atingia o patamar de R$ 3.800 ao mês.

As duas propriedades estavam registradas em nome da Projeto Consultoria Financeira, empresa criada por Palocci em 2006 e na qual ele atuara prestando consultoria, paralelamente ao desempenho das funções de deputado.

Desde o momento da revelação, o Ministro da Casa Civil alegou que o dinheiro necessário para compra dos imóveis viera da receita obtida com sua empresa de consultoria. Questionado sobre quem seriam seus clientes e qual o faturamento de seu negócio, Palocci se recusou terminantemente a revelar qualquer dado, afirmando que seus contratos incluíam cláusulas de confidencialidade. Segundo ele, todas as suas posses haviam sido declaradas à Comissão de Ética da Presidência da República e, ao assumir o cargo de ministro, o objeto da Projeto fora alterado para “Administradora de Imóveis”, afim de evitar conflito de interesse com sua atuação ministerial.

Nos dias que se seguiram, surgem notícias de setores pedindo explicações mais detalhadas dos ganhos do ministro, sobretudo por parte da oposição e de entidades de classe. Palocci se limita a reafirmar sua versão dos fatos, chegando a declarar, em nota a parlamentares, que seus ganhos se justificavam porque “ex-ministro tem muito valor no mercado”.

O caso ganharia novo fôlego com a segunda denuncia da Folha, em 20 de maio, de que a empresa de Palocci faturara R$ 20 milhões só em 2010, ano em que “ele era deputado federal e atuou como principal coordenador da campanha de Dilma Roussef à Presidência da República”.

Para o jornal, o valor recebido pela empresa é discrepante em relação ao faturamento de 2006, que fora de R$ 160 mil, e ao porte da companhia: “O faturamento da empresa de Antônio Palocci está no mesmo patamar do das maiores consultorias econômicas do país, empresas com dezenas de funcionários, especializados em diferentes áreas” e, ainda, “Profissionais que estão ou já trabalharam em consultorias econômicas nunca ouviram falar da atuação da empresa de Palocci. O ministro não revela o tamanho de sua equipe”, afirma a Folha, sem citar os profissionais consultados.

No dia seguinte, 21 de maio, novo desdobramento: desta vez, a Folha noticia que, dos R$ 20 milhões faturados pela Projeto em 2010, R$ 10 milhões foram recebidos em novembro

e dezembro, quando Dilma já havia sido eleita e Palocci era seu coordenador de transição. Tratando desta denúncia, o jornal declararia que “Palocci tinha poder para acessar dados reservados e planos de investimento do Governo Federal” e “um coordenador de transição pode solicitar qualquer documento do governo”, afirmações em que se subentendia a referência a tráfico de influência e enriquecimento ilícito.

Com a multiplicação das denúncias, Palocci fica cada vez mais pressionado. Como ainda contasse com o apoio de Dilma até este momento, várias foram as manobras políticas levadas a termo para evitar a convocação do ministro para depor no Congresso Nacional.

Entretanto, as denúncias começam a se empilhar: a destinação de recursos do orçamento para uma empresa privada ligada à cunhada de Palocci, autorizada por ele enquanto ainda era deputado; a suposta utilização de um servidor contratado com verba de gabinete para atividades da empresa de consultoria; a prestação de serviços da Projeto à WTorre, uma companhia privada que possuía negócios com fundos públicos de pensão e Petrobras; e a declaração em juízo da Caixa Econômica Federal, responsabilizando pela primeira vez diretamente o ministro pela quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo.

Dia a dia a posição de Palocci se enfraquece. Pipocam nos veículos declarações de políticos da oposição e da base aliada sugerindo que o ministro deixe o cargo. O Ministério Público do Distrito Federal e o Procurador Geral da República decidem investigar o caso.

Já no começo de junho, torna-se claro que a situação do ministro é insustentável: a executiva do PT pressiona Palocci a declarar as empresas para as quais prestara serviço e o valor dos contratos. O ministro chega a conceder entrevista à Folha e à TV Globo, mas não fornece mais explicações que as já dadas anteriormente.

Por fim, comunicada por assessores de que as revelações contra Palocci começam a corroer a credibilidade de seu governo, Dilma Rousseff demite o ministro em 08 de junho, cinco meses e sete dias após sua posse. O cargo passa a ser ocupado pela senadora petista Gleise Hoffmann.

Nos dias que se seguem, a Folha noticia que o Procurador Geral da República, Rogério Gurgel, arquivara todos os pedidos de investigação interpostos contra Antonio Palocci, por entender que não houve qualquer indício concreto de crime financeiro ou desvio de conduta.