III.1 Proposition d’une nouvelle architecture de sécurité
III.1.1 Méthode dynamique de distribution de clés
Mesmo que os trabalhos de Rowthorn e Wells (1987) e Rowthorn e Ramaswamy (1997, 1999) tenham fornecido as linhas gerais da discussão sobre
41 Imposto este que, para Bresser-Pereira (2008, p.57), deveria ter a sua dosagem cuidadosamente ―calibrada‖ para compensar as diferenças entre a taxa de câmbio de mercado, isto é, aquela que equilibraria as contas externas de forma intertemporal, e a taxa de câmbio compatível com o desenvolvimento da indústria manufatureira. Além disso, os recursos financeiros provenientes da entrada dos recursos oriundos desta fonte de tributação não deveriam ser internalizados no país, para que a entrada de recursos não provoque a reapreciação da moeda local.
42 Seria o caso da China, que para o autor se enquadraria no ―conceito ampliado de doença holandesa‖.
43 O autor também aponta uma série de outros fatores que contribuiriam para a sobre-apreciação cambial, além da doença holandesa: (i) a maior rentabilidade dos investimentos nos países em desenvolvimento, que atrairia capitais externos em excesso; (ii) a proposta de ―aprofundamento financeiro‖, isto é, elevação dos juros para captação de capitais externos; (iii) as políticas de ―populismo cambial‖; (iv) a tentação de usar o câmbio para controlar a inflação; (v) a política de crescimento com poupança externa preconizada pelos países ricos (Bresser-Pereira 2008, p. 50- 51).
desindustrialização, não há consenso na literatura sobre como definir este conceito nem tampouco como medi-lo adequadamente.
Um dos motivos desta dificuldade, em nossa visão, está ligado à inadequação do termo ―desindustrialização‖ para tratar do fenômeno econômico originalmente analisado pelo modelo RWR, isto é, a tendência a redução da participação do emprego industrial em economias desenvolvidas industrializadas na medida em que se eleva a renda per capita. De fato, o termo ―desindustrialização‖ traz uma conotação negativa e é intuitivamente associado, entre outras coisas, a uma regressão tecnológico-evolutiva das economias ou a uma destruição de seu parque industrial – o que não corresponde à verdade, ao menos nos casos das economias norte-americana e da Europa Ocidental.
A inadequação do termo é fonte de tamanha confusão na literatura que tem levado vários autores a empregar adjetivos que o qualifiquem: desindustrialização positiva, negativa, relativa, absoluta, declinante, prematura, precoce, etc. Isto porque a ―desindustrialização‖ a qual se refere o modelo RWR representa, na verdade, um aprofundamento do processo de industrialização, ou seja, o seu estágio mais avançado. Não obstante este inconveniente, aqueles que desejam investigar um fenômeno econômico distinto, relacionado a uma involução do processo de desenvolvimento das economias ou a um crescimento sub-ótimo do setor industrial, precisam se limitar ao emprego da mesma palavra.
À luz deste problema, sugerimos reservar na literatura econômica o termo ―pós-industrialização‖ para caracterizar o processo de perda de importância relativa da indústria devido a fatores endógenos ao crescimento econômico, como o diferencial de crescimento da produtividade entre indústria e serviços, a alteração na elasticidade-renda da demanda de produtos industriais, a existência de um crescimento poupador de mão de obra, a queda dos preços relativos industriais, etc. – os quais, em conjunto, devem resultar numa participação menor da indústria no PIB.
Por outro lado, acreditamos que faria sentido empregar o termo ―desindustrialização‖ para caracterizar uma situação na qual o encolhimento da indústria, seja ele relativo ou absoluto, ocorre pela ação de fatores exógenos ao crescimento econômico, como a sobrevalorização cambial, a doença holandesa, a perda de competitividade devido à elevação e/ou rigidez dos custos de produção,
etc. Acreditamos que, com isso, boa parte dos problemas de terminologia poderiam ser equacionados. Ao pesquisador, portanto, ficaria a tarefa de saber se uma economia verifica um aprofundamento da industrialização e caminha para uma situação pós-industrial ou, por outro lado, verifica um declínio persistente deste setor, num processo de desindustrialização que a levaria a um estágio pré- industrial de desenvolvimento.
Com relação à forma de mensuração, geralmente a desindustrialização é medida pela participação do emprego industrial no emprego total e do produto industrial no PIB. Em nosso caso, adotaremos a participação da indústria no PIB como indicador principal da ―desindustrialização‖, por uma série de motivos. Primeiramente porque, na prática, este é o indicador eleito pelo policy maker como sendo alvo prioritário de seu monitoramento e cuja queda mais o preocupa. Em segundo lugar, porque, em nossa avaliação, o monitoramento exclusivo da variável emprego poderia gerar inconsistências de interpretação, como expusemos anteriormente. Por outro lado, o monitoramento de duas variáveis (emprego e produto industriais) não resolve necessariamente o problema e, na verdade, pode mesmo levar a diagnósticos contraditórios.
Por último, embora Rowthorn e Wells (1987) e Rowthorn e Ramaswamy (1997, 1999) manifestem a predileção pela variável emprego é importante deixar claro que os autores não descartam como indicador da ―desindustrialização‖ a participação da indústria no PIB. De fato, como se pode verificar nos trabalho destes autores, o característico ―U invertido‖ se aplica igualmente para o caso do produto industrial tanto quanto do emprego.
A escolha dos autores pelo indicador de emprego, segundo nossa leitura, seria devido a suspeita dos mesmos de que a redução da elasticidade-renda poderia ser compensada pelo aumento da demanda causada pela redução dos preços relativos industriais – o que poderia fragilizar uma explicação da desindustrialização pela via da demanda a la Clark (1957). Contudo, a tese da compensação entre estes dois efeitos não pode ser demonstrada de forma teórica, a priori, mas apenas de forma empírica, isto é, submetendo esta controvérsia às conclusões de uma análise econométrica. Assim, acreditamos que descartar, já de saída, os movimentos que ocorrem no lado da demanda
como fonte do encolhimento relativo da indústria poderia representar um viés de pesquisa.