3 Théorie - Modélisation du risque
3.3 Méthode de sélections des variables tarifaires
Quando há alguma gravação procuro sempre ouvi-la para ter uma ideia mais rápida do que é na realidade a música; quando não há gravação (que é cinquenta por cento das vezes ou mais, porque na percussão acabamos por estrear muitas obras e muita coisa não está gravada), procuro fazer um pouco de análise – superficial – em termos estruturais, porque a maior parte das vezes as obras são de análise tão complicada que quase se torna impossível fazer uma abordagem pormenorizada. Vou isolando estruturas (melódicas, rítmicas, harmónicas) mas é muito diferente analisar música contemporânea e música tonal – aí sabemos para onde as coisas vão; quando se trata de música atonal e música muito actual, há tantos sistemas de composição que se torna complicado encontrar soluções de análise.
Sempre que posso tento falar com o compositor, tenho tido esse privilégio.
Na música de câmara, como é construída a interpretação?
Depende dos grupos, quando se trata do Remix há um maestro e aí ficamos um pouco limitados, podes fazer a tua interpretação mas sempre dentro de um certo limite. Em grupos mais abertos, tipo o Drumming ou o Interpercussão aqui da Universidade, já é possível cada um pôr mais de si; apesar de haver um responsável (Miguel Bernart) não há tanto aquela separação músicos/maestro.
No Interpercussão, como sou o director musical é onde ponho mais em prática as minhas ideias – claro que estou sempre aberto à forma como os outros músicos vêm as obras e às suas ideias.
Quando toca a solo, toca de memória?
Sempre que possível sim.
Como se prepara?
Depende das obras… podem ser aprendidas muscularmente ou auditivamente (em termos intelectuais). Há obras, não necessariamente a totalidade de cada obra, em que a abordagem analítica é tão difícil que a peça acaba por ser memorizada à força de trabalho e de repetição (que não considero o melhor método mas na falta de capacidade analítica é a solução possível). Quando é possível analisar é mais fácil fazer uma memorização mais conhecedora (o que se está a tocar do que quando a memorização é só muscular) – essa é preferível e ideal.
O maior problema tem a ver com o facto das obras para percussão serem muito recentes: a primeira obra para percussão solo é da década de sessenta – isso faz com que tudo o que se faz seja muito novo e muito complicado, porque há uma tendência actual de fazer música muito complicada.
O percussionista mais como performer do que intérprete
Isso deve-se também às características do instrumento – implica muito envolvimento do corpo, o movimento e a parte visual dos instrumentos (por vezes temos de tocar com um setup enorme), tudo isto já faz o espectáculo.
Nós fazemos concertos de música contemporânea em que o público adere devido a essa componente cénica. Para além disso, os percussionistas não têm o peso da tradição histórica, e estão mais à vontade para integrar outros elementos de performance nos concertos, que não o tradicional “sentar e tocar”. O uso de luzes e imagens, a parte teatral é muito usada pela percussão – a música teatral tem uma grande ligação à percussão – isso acaba por nos dar desinibições que outros músicos não possuem.
É possível ensinar a interpretar?
É possível dar indicações e muito mais quando se trata de música tonal (música que as pessoas dominam) e tem uma tradição por trás e sabe-se o seu estilo, a forma de a interpretar; depois pode pôr-se mais ou menos de nós, tocar mais dentro do estilo ou mais fora do estilo, mas há determinadas regras… Quando se trata de música atonal (dentro da música contemporânea) não há tantas regras por isso, ajudo os alunos a construir a sua própria interpretação.
Estratégias para ensinar a interpretar…
Dou-lhes imagens, histórias – às vezes uma história por detrás de uma música pode ajudar muito. Mas, trabalho com eles muito à base de imagens que em conjunto com as histórias ajudam a criar um fio condutor no decorrer da música.
Em relação à análise
Acho que os alunos já perceberam que se aprende muito mais depressa uma obra (seja ela qual for) quando se consegue fazer esse tipo de análise e isolar os vários padrões e motivos, de forma a facilitar a memorização e ter um conhecimento mais profundo da peça de modo a articular tudo – se não se conhece torna-se mais complicado.
Sobre a última pergunta
Eu poria o conhecimento estrutural da obra como primeiro lugar, bem como a imaginação. As outras (capacidade de memorização, domínio técnico do instrumento, boa leitura à primeira vista) são instrumentos para se aprender a obra mas, não são instrumentos para se interpretar a obra – podemos ter um bom domínio técnico do instrumento e não interpretar a obra, simplesmente tocar; podemos ter uma boa capacidade de memorização, que ajuda a decorar a obra, mas não quer dizer que a saibamos interpretar. A boa leitura à primeira vista ajuda a aprender a obra mais rapidamente e a capacidade de tocar a mesma passagem de diferentes formas é também uma maneira de se conhecer melhor o que se está a fazer, mas não necessariamente interpretar melhor.
Sobre as gravações (como fazer a triagem das boas e más)
Ter duas gravações é muito raro por isso é difícil fazer comparações.
Para fazer uma avaliação, antes de mais vejo se a obra está minimamente tocada de acordo com o que está escrito na partitura – notas, ritmos, etc. (muitas vezes acontece não estar de acordo); se está tudo e há correspondência com os vários momentos da obra – tensão, relaxamento, articulação das várias partes da obra, se isto foi conseguido, então decido se é uma boa interpretação.