• Aucun résultat trouvé

Méthode de mesure et d’analyse pour l’obtention des 3 paramètres

3. Analyse des mesures spectroscopiques et  stratégies de diagnostic optique

3.5. Résolution du problème inverse : le diagnostic optique

3.5.3. Méthode de mesure et d’analyse pour l’obtention des 3 paramètres

para uma interacção comunicativa. O modo tradicional mais conhecido de estimular a interacção, proveniente do jornalismo impresso, é o espaço das “Cartas ao Director”. O modelo desta forma de participação é muito simples: os leitores escrevem cartas como resposta ou reacção a mensagens dos media, que são posteriormente editadas e publicadas numa secção destinada a esse fim. Ora, um modelo assim entendido é, no essencial, uma forma de comunicação reactiva, a menos que os jornalistas, ou outros leitores, respondam à mensagem inicial. O mesmo princípio aplica-se às formas tradicionais de participação, usadas nos formatos radiofónicos e televisivos convencionais.

Foi, assim, um modelo distinto que surgiu quando as novas tecnologias associa- das à Internet vieram assumir-se, claramente, como suportes que permitem ampliar a níveis inéditos as opções de interactividade no jornalismo. Importa, contudo, es- tabelecer desde já uma distinção essencial no que se refere à qualidade do uso deste meio: entende-se a Internet não como “megafone” ou “caixa de ressonância” da voz dos seus públicos, mas antes como meio – como espaço – de interacção e de interco- nexões, estabelecidas sob o princípio da conversação. Na essência encontrar-se-á, ao fim e ao cabo, o mesmo ideal que sempre atravessou o jornalismo; como escreve Witt (2004:51), “os jornalistas têm, e tiveram sempre, objectivos louváveis que pretendem atingir. Pretendem garantir que a voz do público é ouvida e que nem toda a comu- nicação é de cima para baixo; que todas as comunidades, mesmo as marginalizadas, são ouvidas, e que as ideias vindas do centro são tão ouvidas como as que chegam dos extremos”.

É a partir deste espaço e destes ideais que poderá emergir um novo tipo de jor- nalismo, o jornalismo interactivo. Seguimos a descrição que Jan Schaffer propõe e, que, em si mesma, constitui todo um programa de renovação das práticas jornalísti- cas. Refere-se a novas definições de notícia, a ser construída da base para o topo e a novas formas de envolver o público, de usar a tecnologia e de interagir com a co- munidade. “Um jornalismo que alcance não apenas o ruído das nossas comunidades mas também os silêncios. As notícias que não vão ver espalhadas por todos os outros jornais da cidade. E a informação que liga os pontos e dá sentido ao que acontece nas suas comunidades, não apenas ontem, mas ao longo do tempo” (Schaffer, 2001). No essencial, em vez de notícias unidimensionais e monológicas, o jornalismo passaria a ser composto por muitas mais vozes e perspectivas (multivoiced), tornadas “audíveis” pela interacção permitida pelas novas ferramentas tecnológicas (Heinonen, 1999:82). Por sua vez, no espaço deixado vazio entre estas vozes distintas, é decisiva uma nova função do jornalista, que alguns autores designam por “facilitação” (Rosenberry, 2005:62). A partir dela, o jornalista deverá preencher os espaços vazios (os missing

links) de autoridade e de organização sistemática, que enfraquecem os modelos cibe-

rutópicos– marcados pela total liberdade e autonomia do cidadão comum. Trata-se,

no fundo, da revalorização das funções de enquadramento (framing) e da contextua- lização das vozes soltas e dispersas presentes nas notícias “do dia”. Como descrevem Kovach e Rosenstiel (2001:48), “na medida em que os cidadãos encontram um fluxo cada vez maior de dados, têm maior necessidade – e não menos – de fontes dedicadas a verificar essa informação, sublinhando o que é importante conhecer e eliminando o que não é. O papel da imprensa nesta nova era passou a ser trabalhar para responder à questão ‘onde está o importante?’ A verificação e a síntese tornaram-se a espinha dorsal do novo papel de gatekeeper do jornalista: o papel de ‘sensekeeper’.”

É deste modo que o jornalismo aprofunda o seu estatuto enquanto recurso para a cidadania. Na medida em que as pessoas se relacionem em termos discursivos com todo este processo, sob a óptica de uma discussão pública orientada para o bem co- mum, ganha evidência a sua ligação à ideia de jornalismo público. É um facto que grande parte dos ideais do jornalismo público se afiguram irrealistas – as competên- cias dos cidadãos para uma participação jornalisticamente relevante ou para debater assuntos públicos variam muito, por exemplo. Contudo, nesta óptica, o ponto crítico acaba por ser outro, e relaciona-se com a motivação das pessoas para participarem em discussões públicas e, dessa forma, contribuírem para um jornalismo com uma maior amplitude de vozes.

Sublinhe-se a diferença importante entre este modelo e as soluções apresentadas pelos defensores da ciberdemocracia (fóruns electrónicos, esferas públicas digitais), que, no limite, tornariam a própria ideia de jornalismo anacrónica e desnecessária, e não se apresentaram como alternativas credíveis para um modelo democrático deli- berativo. As suas falhas são essencialmente de dois tipos: 1. a ausência – na ver- dade, desdém – nas suas perspectivas de qualquer conexão com as bases institucio- nais dos sistemas de comunicação políticos e 2. o determinismo tecnológico presente na crença de que se um discurso pode emergir, ele emergirá (Rosenberry, 2005:70). É hoje claro que as expectativas de uma cidadania activa numa agora digital têm que ser consideradas de forma cautelosa, e que muitas das perspectivas apresentadas referiam-se mais ao potencial da Internet do que à sua realidade empírica.

Tomando na devida conta este sinal de aviso, as questões que importa colocar, neste contexto, são muito precisas: a partir de que conjunto de usos é que o jorna- lismo interactivo permitirá alcançar os principais objectivos inspiradores das ideias de jornalismo público? Sendo sabido que o potencial das conexões electrónicas para o incremento da democracia tem vindo a ser estudado com grande ênfase, em que medida as práticas específicas de jornalismo online desempenham, sob a perspectiva do jornalismo público, um papel na democracia? Se os desafios e as oportunidades criadas pelo desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação no jornalismo

são evidentes, importa esclarecer como podem ser operacionalizadas, isto é, que usos poderão ser concretizados a partir destas oportunidades.

Tomando em consideração os objectivos do jornalismo público e as práticas de jornalismo interactivo, importa conceber um conjunto de princípios gerais que pos- sam servir de modelo orientador da sua implementação e, numa fase posterior, da sua avaliação. Assim, como contributo para esse objectivo, sugerimos neste texto a exis- tência e o uso de funcionalidades direccionadas para 1) o estabelecimento de laços com a comunidade (através da listagem dos emails gerais e dos emails do autor de cada artigo); 2) para o envolvimento dos indivíduos enquanto cidadãos (concedendo- lhes acesso a elementos que permitam a própria validação da informação); ou 3) para facilitar a deliberação pública (através da promoção do acesso a espaços online de discussão).

Uma avaliação do uso destes recursos deverá, por sua vez, considerar em que medida os dispositivos interactivos nos sites informativos a) colocam a autoridade institucional perante as vozes dos cidadãos (confrontam vozes oficiais com vozes dos cidadãos); b) criam espaços de interacção entre cidadãos e poder político, ou outros poderes; c) combinam vozes institucionais com a voz dos cidadãos; e d) apresentam informação de interesse público, promovendo funções de vigilância e de escrutínio.

Documents relatifs