CADRE THÉORIQUE
2. Volet 1 : analyse du discours pédagogique officiel
2.3 Méthode d’analyse des corpus documentaires
O meio digital proporciona aos jornalistas explorarem ao máximo as potencialidades da web para criar peças de qualidade. Elas podem ser mais versáteis ao usar elementos
29
multimídia para aproximar o leitor e criar novos canais de comunicação. A multimidialidade e a interatividade elevam o nível do jornalismo como uma narrativa e ajudam a fortalecer a autenticidade de uma reportagem (Lassila-Merisalo, 2014, p. 10).
As potencialidades e possibilidades de convergência de linguagens na web atingem o ápice na forma da grande reportagem multimídia (Longhi, 2014, p. 900). Como define Ureta, esse gênero típico do ciberjornalismo emprega três características que o diferencia e o distancia do modelo tradicional dos veículos impressos: “el empleo de otra narrativa de carácter hipertextual, su cualidad para albergar otras narrativas y la capacidad de conjugar todas ellas para componer un único discurso” (op. cit., p. 79).
A reportagem multimídia é um gênero que se constrói a partir dos modelos narrativos, do hipertexto e de outras mídias, e cria uma imersão que facilita a compreensão dos fatos e a interpretação do mundo (Canavilhas e Baccin, op. cit., p. 23). Por isso, ela também supõe uma renovação nas dimensões semânticas e sintáticas. A primeira incentiva e permite que novos temas sejam tratados e explorados. A segunda acompanha a construção discursiva, que transita pelo mundo hipertextual, distanciando-se ainda mais das características até então vigentes (Ureta, op. cit., p. 79).
De acordo com Ureta, devido a mais possibilidades de vinculação entre os discursos, a reportagem na web se converte em um macrogênero que contém outros genêros, como as reportagens de atualidade, entrevistas, notícias, infográficos e crônicas.
Esta mixtura genérica convierte al reportaje hipermedia en una especie de ‘género contenedor’ con múltiples tipos de discursos, todos ellos dirigidos al desarrollo del tema en profundidad. Esto es precisamente lo que fomenta su creatividad, convertida en una de sus máximas bazas, pues esta mezcla es posible en prensa, radio y televisión, pero en un grado mucho menor (Ureta, 2009, p. 83).
Salaverría (2014, p. 40) alerta que a reportagem multimídia precisa ser construída de uma forma que seja atrativa e intelegível para o público. Para tal, os elementos, como texto, som, imagem e vídeo, devem estar interligados e coordenados para que o produto final seja harmonioso.
30
proporciona, o texto continua a ser o principal elemento da narrativa. Ele cumpre o papel de contextualização e documentação em sua excelência e oferece o conteúdo mais racional e interpretativo dentro da reportagem. “É a coluna vertebral que sustenta e estrutura as peças informativas multimédia” (Salaverría, ibid., p. 33).
Mais que levar a narrativa jornalística a um outro nível, Lassila-Merisalo (2014, p. 5) observa que os princípios fundamentais do jornalismo precisam estar presentes, como a obrigação de retratar a realidade e trabalhar com a verdade. A partir desse pressuposto, o jornalista pode aproveitar as ferramentas que tem à disposição na web para construir um material com autenticidade.
Ela se constrói com base na experimentação e na quebra de paradigmas. Quando o jornalismo mergulhou no ciberespaço, acreditava-se que se tornaria não só um repetidor do papel, mas que pelas características físicas, como tela do computador e posteriormente dispositivos móveis, seria um produtor de conteúdos curtos. Hoje, porém, fica claro que o ambiente digital também acomoda narrativas mais longas e especialmente moldadas para leitura em telas eletrônicas, grandes, nos computadores, ou pequenas, nos dispositivos móveis (Lassila-Merisalo, ibid., p. 1).
Esse embate se dá pelo fato de que ciberjornalismo se valeu por muito tempo do potencial da hipertextualidade, fragmentando o conteúdo e o distribuindo por meio de links. Nos últimos anos, o chamado longform, ou longo formato, “tomou seu lugar na web tanto em artigos, como em formatos noticiosos hipermidiáticos, tais como a grande reportagem multimídia”, independentemente se em sites específicos ou nas versões eletrônicas de veículos tradicionais (Longhi e Winques, 2015, p. 111).
O jornalismo longform sugere pelo próprio nome que seja em formato de leitura longa. Entretanto, não há um critério bem definido de quão longa uma narrativa precisa ser para ser colocada nesse compartimento. A quantidade de palavras normalmente é usada como parâmetro para definir um texto ou reportagem longform. Longhi (2014, p. 19) tende a usar a régua das 4.000 palavras mínimas para matérias e 10 mil palavras para grandes reportagens. Um dos principais agregadores de textos desse estilo, o sítio Longform, recomenda que tenham pelo menos 2.000 palavras (Jacobson, Marino e Gutsche, 2016, p. 528). O Longform reúne mais de 10 mil textos que atendem a esse parâmetro,
31
publicados em 410 veículos (Longform).
Fischer (2013) transita na contramão da quantificação de palavras. Para a autora, longform significa “more than just a lot of words” e tem a ver com reportagem de profundidade que vai além do padrão diário e/ou que a narrativa seja atraente, geralmente com elementos multimídia para enriquecer o material.
Para Longhi e Winques, o jornalismo de longo formato é uma reconfiguração e uma remodelação da reportagem, sinalizando “um resgate da qualidade, apuração e contextualização já conhecidos do jornalismo impresso, especialmente consagrados pela reportagem” (2015, p. 118). Wolf e Godulla (2016, p. 200) falam de uma mudança de foco no ciberjornalismo, antes pautado apenas pela velocidade e agora concentrado em narrativas digitais longas.
Os textos mais longos pressupõem não apenas apuração e contextualização, mas especialmente aprofundamento do tema escolhido para a reportagem. Por isso, o longo também se refere ao tempo despendido em “apurar, redigir, editar e então apresentar ao leitor” e propõe “uma leitura mais lenta e um leitor disposto a dedicar tempo para a mesma” (Longhi e Winques, op. cit., p. 113).
Como resultado, a reportagem longform apresenta um texto longo, centralizado, vertical e com a leitura controlada na barra de rolagem. Adicionam-se ainda imagens estáticas em conjunto com vídeos, áudios e gráficos. Estabelece-se, assim, um tipo de narrativa “própria e específica do ciberjornalismo e uma renovação e revigoração das formas expressivas do ciberjornalismo” (Longhi, 2015, p. 12). É um contraste frente à fragmentação textual em produtos multimídia anteriores, que se baseavam na navegação hipertextual e não vertical (Longhi, 2014, p. 914).
A consolidação desse gênero ocorreu após a publicação de Snow Fall, uma reportagem longform produzida pelo The New York Times em 2012. O trabalho, que combina texto de aproximadamente 18 mil palavras com elementos multimídia, como imagens, vídeos, áudios, gráficos interativos e breves biografias, descreve uma tragédia causada por uma avalanche de neve no estado norte-americano de Washington no mesmo ano. Ao Snow Fall somaram-se outros exemplos logo em seguida, como The long strange trip of Dock
32
Ellis, da ESPN, em 2012, e NSA Files Decoded, do The Guardian, em 2013 (Longhi e Winques, 2015, p. 118).
De acordo com Longhi e Winques, são nesses exemplos que o texto longform encontra no “webjornalismo e na grande reportagem multimídia um terreno fértil para consolidar suas características relativas às diferentes formas de apresentar as narrativas longas”, independentemente se são jornalísticas, de ficção ou não ficção. Além disso, as autoras afirmam que esse tipo de reportagem está em expansão no mercado, trazendo novas oportunidades de negócios e estratégias profissionais (ibid., p. 124).
33