B. D’AUTRES CARBURANTS VONT DE PLUS EN PLUS
3. Le méthane se développera s’il est davantage utilisé par les particuliers
A fonação, processo de produção vocal, se inicia com a inspiração do ar que é armazenado nos pulmões. Este ar passa pelas pregas vocais (situadas na laringe), as quais vibram e produzem um som praticamente inaudível. Este som é transformado no trato vocal e amplificado pelas cavidades de ressonância: cavidade nasal, boca, palato duro e
mole, laringe, faringe, traqueia e pulmões (DAVIDS e LATOUR, 2012, p. 66). A terminologia “máscara”, bastante usada por professores de canto e preparadores vocais, refere-se a manter a colocação vocal ideal, direcionando, imageticamente, o som para regiões de ressonância da face, como os seios frontais e as cavidades nasais (GABORIM-MOREIRA, 2015, p. 233).
Carnassale complementa as informações, explicando que:
(...) o som produzido na laringe é transformado no trato vocal através do fenômeno chamado ressonância. Uma mesma frequência de som pode assumir timbres diferentes graças à modificação do trato vocal pela ação dos articuladores (por exemplo, língua, palato, mandíbula, lábios). Cada configuração do trato vocal – posicionamento dos articuladores – proporciona ressonâncias de certas faixas sonoras que chamamos de formantes. (CARNASSALE, 1995, p. 127)
Formantes são harmônicos produzidos na vibração das pregas vocais que são amplificados. A frequência dos formantes varia conforme os ajustes realizados nas cavidades de ressonância e nos articuladores. Os formantes impactam na percepção auditiva do volume e na qualidade da emissão vocal (DAVIDS e LATOUR, 2012, p. 67). Aprimorar e controlar a ressonância possibilita ao cantor de coro e ao solista não apenas uma maior projeção vocal, mas também, uma sonoridade mais afinada, com variação de dinâmicas e nuances de expressividade e uma voz mais homogênea do registro grave ao agudo (DAVIDS e LATOUR, 2012, p. 63).
A respeito do volume de voz das crianças, é importante ressaltar que suas fisiologias vocal e corporal são diferentes do adulto e que cantar muito forte sobrecarrega algumas estruturas vocais que ainda estão em formação. É necessário desenvolver a ressonância para a saúde e expressividade artística, porém, não se pode esperar de uma criança o mesmo volume e resultado sonoro de um adulto.
Diferentemente de outros instrumentos musicais que são manipuláveis, a voz é intangível, e regentes, preparadores vocais e professores de canto se munem de diversas metáforas para ensinarem a cantar de forma apropriada e saudável. No preparo de coros, além de exploração vocais de sons do cotidiano (mosquito, carro, sirene, buzina, mastigação), alguns exercícios são utilizados para aquecer a voz, desenvolver e tornar perceptível a ressonância. Dentre eles, vibração de lábios e língua, com os fonemas [r], [tr] e [r]; sons fricativos com as consoantes fricativas sonoras [v], [z] e [Ȣ]; sons nasais
com as consoantes [ɲ], [n], [m] e [ŋ]; e as vogais que são ressonâncias orais. No português brasileiro, além de ditongos e vogais nasais, possuímos sete vogais orais a serem utilizadas neste tipo de trabalho, seguindo a ordem de ressonância da mais frontal à mais posterior.: “I” [i], “E” [e], “É” [ε], “A” [a] (cantado como [ɑ], para manter uma colocação vocal mais apropriada ao canto), “Ó” [ɔ], “O” [o] e “U” [u].
A vibração de lábios e língua tem como objetivos “mobilizar a mucosa das pregas vocais, equilibrar a coordenação pneumofonoarticulatória [respiração, fonação e articulação], reduzir o esforço fonatório e proporcionar aquecimento vocal” (VASCONCELOS, GOMES e ARAÚJO, 2016, p. 582), o que relaxa e prepara o corpo e a voz para a prática do canto.
Dentre outras funções, os sons fricativos podem reduzir tensões fonatórias, evitar ataques vocais bruscos, auxiliar na coordenação pneumofônica, no apoio respiratório e no controle do fluxo de ar (D’AVILA, CIELO e SIQUEIRA, 2010, p. 916). Além de serem utilizado no aquecimento, aumentam a resistência vocal, o que permite os cantores participarem dos ensaios sem cansaço e esforços desnecessários.
Quanto à boca chiusa, Fernandes diferencia os sons nasais citando Miller e afirmando que o [ɲ], que aparece na palavra “manhã”, “permite ao cantor a sensação frontal da ressonância no seu ponto mais alto, localizada exatamente no centro da “máscara”, atrás do nariz ou dos olhos” (FERNANDES, 2009, p. 251). O [n] costuma ser sentido na região do maxilar superior e da “máscara”, o que auxilia a colocação vocal frontal. O [m] elimina tensões da língua e do palato mole, sendo possível sentir sua ressonância nos lábios e na área dos seios nasais. Já o [ŋ], presente na palavra “manga”, ao mesmo tempo que reforça a sensação da “máscara” mantém a abertura da região nasofaríngea, trabalhando o espaço do fundo da boca e um som mais “arredondado”. Todos estes sons nasais podem ser utilizados para desenvolver a ressonância e a sonoridade que o regente deseja em cada peça do repertório. Estes sons também podem anteceder as vogais, auxiliando a colocação vocal das mesmas (FERNANDES, 2009, p. 250 e 251).
O trabalho com as vogais propicia ao coro uma sonoridade consistente e homogênea, além de uma maior inteligibilidade do texto. Cada vogal possui uma configuração diferente da língua, mandíbula e lábios (DAVIDS e LATOUR, 2012, p. 87). Costumamos cantar as vogais com os lábios mais arredondados e a boca mais aberta
verticalmente, o que difere da maneira como as falamos27. Isto acontece para que o coro possa timbrar com mais facilidade e mantenha o som mais “focado”.
Em nossos coros, tomamos como referência a proposta do maestro Henry Leck, para abordar as vogais. Nela, o [u] é cantado com os lábios bastante arredondados e o recurso de aprendizagem utilizado para que esta vogal seja melhor executada pode ser o gesto de segurar uma cesta de basquete imaginária, na frente do corpo. O [i], [e] e [ε] também são arredondados, com abertura vertical gradativa, na respectiva ordem. Colocamos os indicadores nos cantos dos lábios para auxiliar na redondeza e verticalidade destas vogais. [o], [ɔ] e [ɑ] são as vogais com a maior abertura de boca, gradativa e respectivamente, mantendo os lábios arredondados também. O gesto do [o] e do [ɔ] pode ser o de segurar uma bola de praia grande, acima da cabeça, e no [ɑ] o gesto de desenhar uma linha com o indicador, partindo da testa até o queixo, passando pelo nariz e boca (LECK, 2009, p. 24 a 28; RHEINBOLDT, 2014, p. 45 a 48). Outros gestos28 podem ser utilizados para que a colocação e sonoridade das vogais sejam melhor compreendidas e realizadas pelo coro e o regente tem total liberdade para adaptar as sugestões acima.