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Une médiation culturelle pour tous : vers l’accessibilité du site

3. Optimiser la communication web : les spécificités du musée

3.1. Une médiation culturelle pour tous : vers l’accessibilité du site

Necessário se afigura interrogarmo-nos agora sobre o nível estético alcançado por estes trabalhos.

Fazendo o balanço da grande exposição de 1928, lamentava um crítico que o pintor não houvesse beneficiado, no decurso de uma carreira longa e errante, da oportunidade de decorar uma grande superfície onde o pincel tivesse podido correr alegremente, oferecendo completa liberdade aos opulentos recursos da sua fantasia00". A

observação, visando o carácter último dos desenhos, pequenas (na grande maioria) pinturas e cadernos de estampas, é certeira; e posteriormente, como sublinhámos, a descoberta e valorização de amplas obras decorativas nos interiores domésticos, sobretudo da Inglaterra e Polónia, confirmaria tal justeza.

Trata-se aí, contudo, principalmente de enobrecer áreas de mais fixa determinação prévia, sobreporias e zonas de parede no intervalo dos vãos, ainda que neste caso se suspendam por vezes grandes composições em painel. Ora em Portugal foi possível revelar-se um outro Jean Pillement: o muralista de imaginação mais activa que nunca, numa ambição de espaço quase irrefreável.

0 sucesso junto do público, multiplicando as encomendas, mais jusifica que admitamos algum desequilíbrio qualitativo da produção, em similitude com o que, de certo modo, se detecta na abundantíssima e paralela obra de cavalete. Mas de momento, mantendo-nos fiéis à selecção do objecto que terá maior significado soeio-cultural, incidiremos a referida pergunta apenas sobre as decorações de tema exótico.

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SalSo Nobre

do Palácio de Seteais (Pormenor)

Algumas limitações se deparam a um aprofundamento da análise estilística. Em Seteais a execução foi alheia, seguindo embora a concepção do lionês - e nada há a estranhar nisso. Sabe-se, com efeito, que muita da intensa actividade de Jean Pillement no domínio da ornamentação de residências, um pouco por toda a vasta Europa que palmilhou, não resistiu até aos nossos dias; mas aparecem em exposições'"0' e não faltam em museus e biblotecas os seus projectos

para encargos dessa natureza"'". E na moradia de GiIdemeester, se bem que por Interposta mão, é a marca inconfundível da sua personalidade que brilha no cenário perfeito: a variedade espantosa da inspiração jamais é

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abandonada ao acaso, o virtuosismo da linha curva obedece ao prazer da composição requintada, a minúcia da factura e a delicadeza dos matizes estimulam o jogo ultrarrealista.

Quanto à sala de jantar do Palácio Sabugosa, se as dimensões são mais íntimas, a mesma extrema facilidade espraia-se agora em exuberancies brasílicas; um equilíbrio seguro dos elementos mais diversos constrói a harmonia, esse encanto gracioso mas não inquietador do sossego doméstico. Já não é bem ao sonho que se apela, antes à lembrança de gestas familiares cujas lonjuras e novidades algo devem tributar à estabilidade integradora do solar; afinal, como outros feitos, bélicos e literários, que as diferentes gerações ali foram deixando, sob o olhar rigoroso dos retratos de Seiscentos. A elegância é, porém, inquestionável, ainda que se deva atender a que ca. 1908 o decorador António Francisco Baeta'"2' procedeu a restauros nos frescos

da casan,s>.

Por maioria de razão, particularmente conviria centrar o comentário sobre as obras que consideramos pioneiras dentro desta série. E se escasseiam elementos para avançar mais um tanto em relação à pintura de Benfica, no que concerne à do pavilhão do Marquês de Marialva dispomos, todavia, de valiosas opiniões que remontam ao esplendor da sua recente execução.

Marc-Marie de Bombelles, embaixador de Sua Majestade Cristianíssima, encantar-se-ia, em Janeiro de 1787, com cette superbe

pièce, que achava ainda du genre le plus noble et le plus agréable1"**.

Espírito fino, observador minucioso e recto (veja-se a sua simpatia pela vida de sociedade da Feitoria Britânica, que lhe valeu problemas com a

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colónia dos compatriotas), manteve durante quatro décadas um "Diário" inteligente, apenas destinado a uso próprio ou da família"1*'. Isso lhe

confere um tom de grande sinceridade que o elege como fonte inestimável.

Três anos e meio depois, encontramos curiosamente a mesma elevada adjectivação — superb saloon - em outro dos mais cultos e isentos estrangeiros que nos estudaram'"6': o irlandês James Cavanagh

Murphy, arquitecto, arqueólogo e teorizador do neogót ico'"7', apaixonado

da Batalha e do país em geral que lhe ficou a dever três importantes livros'"8'.

Mas é inegavelmente a apreciação de William Beckford que importa sobremaneira realçar. Desde a publicação, em 1834, as "Portuguese Letters" vêm sendo recurso constante de quem pretende conhecer a época de D. Maria I, Nem sempre, porém, se pratica a cuidadosa exegese que a rica e complexa personalidade deste autor recomenda.

Numa perspectiva genérica, dever-se-á notar:

a) que quando chegou a Lisboa, pelo final de Março de 1787, Beckford não ignorava totalmente a língua portuguesa. Havia iniciado o seu estudo por volta dos dezoito anos com o intuito de aceder à leitura de certas obras que a sua paixão pelo Oriente exigia'"". E começou mesmo a praticá-la com progressivos resu Itados"20', a ponto de, na

visita de 27 de Agosto ao Convento de Mafra, deixar espantado o frade guardião que se lhe dirigia por gestos"2" ou, mês e meio mais tarde,

ser capaz de entender e se divertir com a representação de uma farsa no teatro da Rua dos Condes"22'.

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-se a exactidão topográfica das descrições e a fidelidade na narração dos factos""'.

Mais restritamente e no que toca ao nosso particular objecto de estudo:

c) lembrar-se-ão as relações muito íntimas com a família Marialva e os sonhos acalentados por D. Diogo Vi to de casar a filha, D. Henriqueta, com o riquíssimo viúvo inglês ou, em alternativa, uma das filhas deste com o ainda adolescente e futuro Marquês, D. Pedro'12*',

d) e, acima de tudo, destacar-se-á a rara preparação de Beckford no domínio das artes. Educado pelo aguareiista Alexander Cozens e pelo arquitecto William Chambers; herdeiro de uma valiosa pinacoteca que enriqueceu criteriosamente (aquisição de obras de Rafael, Rubens e Claude Lorrain, mas sendo também um dos primeiros a tnteressar-se por primitivos italianos e por contemporâneos como Richard Wilson, Gainsborough, Girtin, Bonington); autor, aos vinte anos, de uma sátira ao realismo das escolas flamenga e holandesa e à falta de conhecimentos de alguns coleccionadores britânicos""'; retratado por Romney e por Reynolds; cliente de Turner, de Benjamin West e de James Wyatt que lhe fez Fonthill Abbey; patrono dos pintores John Martin, William Blake e, sobretudo, de John Robert Cozens; exigente amador de desenhos e gravuras, de encadernações preciosas, de requintado mobiliário — não é fácil resumir as suas múltiplas relações com a vida artística, todavia especialmente marcantes no apoio aos pintores pré-românticos e no entusiasmo pelos revivalismos gótico e, depois, grego, bem como pelo

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Ora foi esta a personalidade que, perante a pintura de Piltement em S. Pedro, além de exprimir, como vimos, admiração de pormenor pelo tratamento dado às nuvens do tecto, achava no seu todo o pavilhão

elegantly décorât eo*1*7' e ali se sentia bem, rodeado por aquele gay,

fantastic scenery1'"'.