IV. RESULTATS
4. Des médecins qui se sentent en responsabilité
Ciclo UM
Este ciclo de investigação - acção foi iniciado em Setembro de 2010 e consistiu na revisão de literatura relacionada com práticas e estratégias de educação artística. Em simultâneo, a investigadora constituiu a equipa participante formada pela, professora investigadora e professor participante (AA). Seguidamente, analisou-se o problema de investigação e reafirmou-se a necessidade de o investigar, definindo-se os objectivos da investigação e materializando-se o método de investigação - acção que permitiria
reflectir e actuar sobre esse problema. O professor AA com experiência de vinte anos de trabalho lectivo, como foi já mencionado no capítulo III, mostrou-se muito interessado em fazer parte da apreciação e reflexão do estudo proposto.
62 Tabela 2 - Calendário das Actividades
Calendarização Duração Actividades Intervenientes Local
Setembro
Dia 3 de 2010 11 horas
30 minutos Reafirmação do problema de investigação Investigadora e professor participante Sala Directores de Turma (DT) da E.B. VPA Setembro Dia 6 de 2010 12.30 horas
25 minutos Redacção dos pedidos de autorização
Investigadora Sala DT da E.B. VPA
Setembro
Dia 8 de 2010 12.00 horas
90 minutos Planificação dos objectivos e actividades Investigadora e professor participante Sala DT da E.B. VPA Setembro Dia 9 de 2010 10.30 horas
90 minutos Início de preparação e análise dos recursos
Investigadora e professor participante
Sala EVT. da E.B. VPA
Setembro
Dia 10 de 2010 10.30 horas
90 minutos Recolha de imagens e fichas de trabalho
Investigadora Sala EVT da E.B. VPA
Setembro
Dia 13 de 2010 12.30 horas
45 minutos Selecção de questões sobre uma obra de arte do pintor Sudha Daniel (modelo de Feldman).
Investigadora Sala DT da E.B. VPA
Setembro
Dia 14 de 2010 12.00 horas
45 minutos Preparação da visita à galeria Guntilanis VPA
Investigadora e professor participante
Sala DT da E.B. VPA
A dificuldade em encontrar tempo para reuniões da investigadora com o professor participante AA, obrigou ambos a fazerem muito trabalho separadamente, servindo as reuniões para verificarem os materiais produzidos de forma independente e analisarem metodologias a adoptar na implementação das actividades negociadas.
Ciclo Dois
Este Ciclo teve o propósito de preparar a equipa para analisar e reflectir sobre a implementação das estratégias, recursos e actividades a desenvolver em sala de aula, tais como a visita de estudo à galeria de arte Guntilanis de VPA.
A investigadora e professor participante deram início à preparação dos materiais pedagógicos, designadamente a selecção de bibliografia e respectivas obras de arte de artistas plásticos e a planificação para a acção a desenvolver na Escola Básica de VPA.
As actividades a implementar foram pensadas de acordo com o perfil da turma seleccionada, a Turma D, do 6.º Ano. No entender da investigadora e do professor participante, esta turma foi escolhida por apresentar problemas gerais de aprendizagem, carecer de recursos a vários níveis e competências relacionadas com literacia artística, tendo apenas a escola como incentivo aos hábitos de visita a museus, galerias de arte ou outro tipo de manifestações artísticas.
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Neste ciclo, foi determinante a revisão de literatura que proporcionou um quadro teórico acerca da apreciação artística, que acabaria por explicar as perguntas chave da pesquisa, fornecendo um suporte para análise e reflexão dos dados recolhidos e gerar conclusões a partir desses dados. Foi baseada em artigos de autores como Allison (1972), Joly (2008), Chalmers, (1996), Moura, (2007), Bamford (2009) entre outros. Para reflectir sobre modelos e estratégias de apreciação da obra de arte foi fundamental a pesquisa em autores como Feldman (1982), Taylor (1988) e Parsons (1992). Este ciclo constou também de encontros informais para apresentação e aceitação do projecto, designadamente a autorização para realizar o projecto à Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas do Vale do Âncora, e entrevistas e informações aos colegas e autorização aos Encarregados de Educação para registar em audiovisuais as actividades dos alunos.
No início do ano lectivo, a professora investigadora propôs aos colegas de grupo de EVT da escola onde se implementou este projecto, a realização de actividades conducentes à abordagem da Arte Contemporânea, com o objectivo de verificar a importância dada a este conceito e ao modo como era feita essa abordagem em sala de aula. Os participantes não se constituíram objecto de estudo, mas colaborantes na reflexão de estratégias de motivação para arte contemporânea. No seu prosseguimento, foram colocadas algumas questõesque cobriam aspectos como a formação académica, motivação, recursos e dificuldades sentidas.
Tabela 3 Arte Contemporânea
Par Pedagógico FV Par Pedagógico DA
Formação Académica
Licenciatura em Comunicação e Design. Arte e Design /Bacharelato. Curso de Formação. Trabalhos Manuais
Licenciatura EVT / Mestrado Ed. Artística
Questões
Como motivam as crianças para a arte contemporânea
Inicialmente, é realizada por mim com uma breve orientação e explicação dos diferentes períodos artísticos ao longo da história da arte até à arte contemporânea. Esta explicação é feita através do recurso a imagens projectadas ou livros de arte, fazendo com que os alunos participem activamente na aula. Relativamente à arte contemporânea, esta é explicada com o recurso às obras de alguns artistas conceituados, tanto estrangeiros como nacionais. Posteriormente com escolha de um ou mais artistas plásticos contemporâneos, levo a que o aluno se coloque no papel do artista plástico e faça a sua própria obra de arte. É fundamental que no final o aluno transcreva para o papel uma pequena memória descritiva do desenrolar do seu trabalho.
Na abordagem à Arte Contemporânea, começámos pela análise do
significado da palavra
“contemporâneo”, depois passámos à observação de algumas obras de Arte referentes a períodos anteriores, até à observação de obras de arte
contemporâneas.
Para a abordagem de uma obra de Arte Contemporânea, primeiro foi escolhido o artista, e feita uma análise dos vários períodos deste.
64 Que recursos utilizam na abordagem a uma obra de arte contemporânea
Os recursos utilizados por mim à abordagem da arte contemporânea são feitos através de livros de arte, imagens digitalizadas e projectadas assim como o recurso à internet.
Os recursos utilizados foram livros com fotografias das obras e Internet. Depois de observada a obra que servia de base para o
desenvolvimento do trabalho, os alunos trabalharam o seu projecto, tendo em conta o tema escolhido.
Que dificuldades sentem
Geralmente neste período académico dos alunos, as dificuldades apresentadas pelos alunos são muitas e variadas, visto que a maior parte deles nunca tiveram um contacto com a obra de arte. São poucos os alunos que têm acesso à obra de arte, e mais os que
frequentam ou procuram visualizar algumas exposições de arte
Como reagem as crianças a uma obra de arte
contemporânea
Geralmente a criança refere quase sempre a frase: “isto até eu consigo fazer”, embora, depois de uma breve explicação acabem por reconhecer que o artista plástico não fez aquela obra em vão, principalmente quando os alunos se colocam no papel do artista. Um número muito limitado de alunos têm a sorte de alguns familiares frequentarem o mundo da arte, por gosto ou necessidade, reconhecendo que o artista plástico teve um percurso académico para chegar onde chegou.
A maioria dos alunos tem dificuldades em mudar a sua forma de
representação, prendendo-se aos desenhos estereotipados.
As respostas revelaram que os professores, um do sexo feminino e três do sexo masculino, apresentam formação académica adequada à função que exercem, possuindo, um deles, o grau de Mestre em Educação Artística.
Com base nas questões e respectivas respostas proferidas pelos pares pedagógicos de EVT, retiram-se algumas conclusões: recorrem a referências de artistas contemporâneos conceituados e à visualização das suas obras, embora seja dada ênfase ao conhecimento em detrimento da compreensão (Taylor, 1988, p.9), não permitindo aos alunos alcançar aspectos do conhecimento que brotam directamente do discernimento e compreensão, negando-lhes a possibilidade de conjecturar e especular em frente a uma obra de arte. As suas respostas reflectem uma valorização do conceito autoexpressão e do aspecto formal da obra (Wolcott, 1996; Jeffers e Parth,1996; Marques, 1998) e deixam transparecer a ausência de conhecimento de informação relacionadas com modelos de apreciação de arte ou análise de imagem.
O grupo DA revela sentir dificuldades em mudar a forma de representação dos desenhos estereotipados realizados pelos alunos. Efectivamente é um dos problemas com que os professores se deparam no início do segundo ciclo. As estratégias devem tentar colmatar esta falha, mostrando diversas possibilidades em relação ao desenho, às cores ou à distribuição dos elementos numa determinada composição, por exemplo. Cox (in Hargreaves, 1991, p.77) afirma que as crianças pequenas desfrutam com o desenho, e à medida que crescem, vão perdendo o entusiasmo e a confiança em si
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próprios, porque não adquiriram suficientes conhecimentos de técnicas de desenho, e vêem por isso, frustrados os seus esforços. Deixa claro que deve ser dada oportunidade à criança de observar, analisar e discernir o objecto que representa em todas as orientações possíveis.
No que diz respeito à apreciação de uma obra de arte, os grupos DA e FV enfatizam a biografia do artista, quando as aprendizagens, segundo Allison (1972), devem estar alicerçadas na pesquisa que o artista faz, no processo de criação e no que tenta questionar ou contestar. Neste contexto e na minha perspectiva, poder-se-á, desta forma, ampliar as referências dos alunos sobre os métodos de produção artística.
Relativamente à motivação, os pares pedagógicos não deixam transparecer a relevância da arte contemporânea no ensino da arte; parece inexistir a discussão aberta e interactiva sobre a obra de arte e a sua relação com a dinâmica da vida quotidiana e vivências dos alunos. Uma boa motivação passa por manter o interesse, o entusiasmo e proporcionar feedback adequado aos alunos, e “realizar tarefas e actividades significativas referindo-se ao valor intrínseco da tarefa e às aplicações potenciais noutras disciplinas e fora da escola “ (Boekaerts, 2002, p.12).
Ciclo Três
Neste ciclo, e de acordo com a planificação, foi implementada a intervenção curricular com a equipa e o grupo/turma seleccionado (6.º ano turma D), desenvolvida durante a segunda quinzena do mês de Setembro e o mês de Novembro de 2010.
A primeira sessão consistiu numa visita de estudo dos alunos à exposição de pintura do artista inglês Sudha Daniel (SD) (fig.6), com a participação do próprio artista, na Galeria de Arte Guntilanis de VPA. Três semanas depois da visita à Galeria de arte, a investigadora marcou um encontro com o pintor SD a fim de lhe mostrar os trabalhos artísticos dos seus alunos relacionados com a visita à Galeria, tendo os mesmos manifestado desejo de obterem o comentário do artista aos seus trabalhos. O artista concordou e, com a ajuda da supervisora desta investigação, foi feita a tradução em simultâneo dos seus comentários que se apresentarão mais à frente deste capítulo, no ciclo três. Os comentários do artista bem como a tradução para língua portuguesa foram registados em vídeoaudio por alunos que frequentam o mesmo curso de Educação Artística da ESEVC. Foram também utilizados os instrumentos de observação e fotografia pela investigadora e professor participante, respectivamente.
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O ciclo três envolveu nove aulas (de noventa minutos), sendo utilizados os instrumentos audiovisuais com regularidade para registo dos comportamentos e intervenções orais dos participantes.