Chapitre 1 : Introduction
III. Les ARNs non-codants
III.1 Les micro-ARNs
III.1.3 Mécanismes de répression
Analisando a tabela 2, foi constatado que nos séculos XVI e XVII, Francesco Lucio (em 1521, 1524 e 1535), Gulielmi Philandri Castilionii (em 1544) e Claude Perrault (em 1637 e 1684), acreditavam que a obra de Vitrúvio foi dedicada para Augusto e escrita na época de Augusto. Mais tarde, estudiosos como Willian Newton (em 1771), James Newton (em 1791) e Victor Mortet (em 1902), defenderam a proposta de que a obra foi dedicada para Tito e escrita na mesma época. Essa conclusão teve como base a interpretação das notas na edição de Claude Perrault.
Com essa discussão sobre Augusto ou Tito, de acordo com o analisado, constatamos que no século XIX outras propostas surgiram. Como é o caso de C. F. L. Schultz que em 1836 afirmou que a obra não foi escrita por Vitrúvio, mas por Gerbert d’Aurillac, que viveu entre 950 e 1003 da nossa era. Otto Schultz, filho de C. F. L. Schultz, também sustentava a tese de que os Dez Livros de Arquitetura não foi escrito por Vitrúvio. Otto Schultz atribuiu a composição dos Dez Livros de Arquitetura para um autor do século IV. Com uma proposta mais ousada, Johan Louis Ussing, em 1896, afirmou que a obra foi dedicada para Augusto, porém escrita por um copilador de Varrão, no século III.
Mesmo com tantas opiniões adversas, a proposta que considerava que os Dez Livros foram dedicados para Augusto ainda persistia. Eugène Tardieu e Ambroise Coussun Fils afirmaram em 1837 que a obra vitruviana foi dedicada para Júlio César e Augusto, sendo escrita na época de Augusto. Nesse mesmo período, além de Tardieu e Fils, outros autores compartilhavam ideias parecidas. Elimar Klebs, Paul Von Rohden e Hermann Dessau (em 1874), Alfred Terquem (em 1885), Krohn (em 1897) e Degering (em 1900), acreditavam que a obra foi dedicada somente para Augusto e escrita na época desse imperador.
Alguns estudiosos chegaram a estipular uma data exata da redação da obra vitruviana. Por exemplo, Don Joseph Ortiz y Sanzm afirmou em 1787 que a obra foi publicada no ano 736 de Roma, ou seja, em 17 a.e.c454. Além de Don Joseph Ortiz y Sanz, os estudiosos Krohn e Degering tentaram estabelecer uma data mais próxima, apresentando
454 Como visto na nota 431, utilizamos a subtração do ano 753 para ajustarmos com a era comum. Essa
proposta está em concordância com a afirmação apresentada por Ortiz y Sanz, quando nos coloca que “y habiendo muerto Octavia el año 741 de Roma, segun la cronología Sigoniana, once ó doce antes del nacimiento de Christo” (Ortiz y Sanz, Los diez libros de archîtectura de M. Vitruvio Polión, 21). Assim sendo, 741 menos 753 resulta no ano 12 a.e.c. Com o exposto, se para Ortiz y Sanz, Vitrúvio publicou sua obra no ano 736 de Roma, temos que: 736 menos 753 é igual a 17 a.e.c.
que a finalização da obra de Vitrúvio ocorreu no ano 32 a.e.c, prefaciada entre agosto de 29 a.e.c. e janeiro de 27 a.e.c.
Através dessa análise, até o século XIX, percebemos um debate aberto, com diversas propostas referentes à dedicatória realizada por Vitrúvio e a época em que redigiu os Dez Livros de Arquitetura. Porém, foi através de Victor Mortet, em 1902, que a discussão sobre para quem Vitrúvio dedicou sua obra ganhou mais força. O debate girava em torno da época de Tito ou Augusto. Todas as demais propostas, ocorridas durante o século XIX, foram praticamente ignoradas. Enquanto Mortet afirmava que a dedicatória foi para Tito, o estudioso vitruviano Morgan, em 1905, refutava essa proposta e atribuia a dedicatória e época da composição da obra para Augusto.
Apesar do impasse entre Mortet e Morgan, podemos afirmar que o século XIX foi decisivo para o fim do debate. Diversos outros estudiosos e tradutores como, por exemplo, Berl. Phil. Woch, em 1907, Sontheimer, em 1908, Auguste Choisy, com seus dois volumes em 1909 e 1910, Marcel-Auguste Dieulafoy, em 1910, Albert A. Howard, em 1914, Frank Granger, em 1931, Francesco Pellati, em 1944, André Dalmas, em 1965, Jean Soubiran, em 1969, Romano, em 1987, Baldwin, em 1990, Philippe Fleury, em 1990, Eduardo Tuffani, em 1993 e Indra Kagis McEwen, em 2000, concordam que os Dez Livros de Arquitetura escritos por Vitrúvio foram dedicados para Augusto e redigido nessa mesma época.
Constatamos ainda que, após Don Joseph Ortiz y Sanz, muitos estudiosos vitruvianos dedicaram seu tempo para encontrar uma data exata da redação dos Dez Livros de Vitrúvio. Assim, para esses estudiosos, não bastava apenas um período, mas uma data específica da redação da obra. Estudiosos como Berl. Phil. Woch, Sontheimer, Krohn e Degering compartilhavam da mesma ideia de que a obra foi finalizada em 32 a.e.c. e prefaciada entre agosto de 29 a.e.c. e janeiro de 27 a.e.c.
Para Auguste Choisy, a obra foi escrita quando o império foi criado, ou seja, em 27 a.e.c. Datas próximas a essa também foram propostas, como apontam os estudos de Romano, Baldwin, Philippe Fleury, Eduardo Tuffani e Indra Kagis McEwen.
Percebe-se, então, que após o século XVIII, através de Don Joseph Ortiz y Sanz, alguns estudiosos do século XIX e XX buscavam datas mais próximas para redação da obra vitruviana.
No presente século, vemos uma concordância entre os estudiosos. Para muitos, Vitrúvio viveu no século I a.e.c. Como afirma Júlio César Vitorino, em 2004, “a ‘questão
vitruviana’ parece agora definitivamente superada e, sem discordâncias, admite-se a existência histórica de Vitrúvio no I século a.C.”455. Sabemos que estipular o século I a.e.c. para existência de Vitrúvio pode ser considerado um grande período, porém, acreditamos que existe certa prudência quando apresentada essa data. Fato ocorrido na dissertação de Marcos Calil, publicada em 2008. Mas, em uma proposta mais ousada, entre outros, Maciel, em 2006, defende a ideia que a redação dos Dez Livros foi realizada entre 35 a 25 a.e.c. e a entrega do tratado ocorreu até 20 a.e.c.
Dessa forma, podemos chegar a conclusão, mesmo que ainda superficial, que Vitrúvio viveu no século I a.e.c, mais próximo do governo de Augusto.
No próximo capítulo, analisaremos o livro 9, tendo como objetivo encontrar conteúdos de Astronomia descritos por Vitrúvio, que possam nos auxiliar na determinação do ano que Vitrúvio redigiu sua obra.
CAPÍTULO 3
3. VITRÚVIO: ANÁLISE DO NONO LIVRO
Analisamos no capítulo 2, de acordo com os estudos realizados por diversos estudiosos, a época em que Vitrúvio viveu e redigiu os seus Dez Livros de Arquitetura. Chegamos a uma conclusão, mesmo que superficial, que Vitrúvio viveu no século I a.e.c, mais próximo do governo de César Augusto.
Nesse capítulo, analisaremos o livro 9 de Vitrúvio, que descreve conteúdos de Astronomia. Durante nossa análise coletaremos dados para verificar no próximo capítulo se esses conteúdos indicam quando Vitrúvio redigiu sua obra.
Além disso, aproveitaremos para apresentar um resumo do nono livro vitruviano e uma comparação da primeira edição impressa de Sulpicio, publicada em 1486, com a recente edição portuguesa de Maciel, publicada em 2006. Dessa análise comparativa, apresentamos ao leitor o início e o término de cada verso e o capítulo, de acordo com Maciel, aplicados na edição de Sulpicio. Com isso, verificaremos que o início e o fim de alguns capítulos diferem em determinados pontos para ambas as edições. Porém, apesar dessas diferenças, como comprovaremos, isso não compromete a proximidade textual com a edição de Sulpicio, proporcionando, assim, a confiabilidade do livro 9 da edição de Maciel.