Chapitre 2. Étude de la décomposition thermique des composés modèles à base de lanthanides
2.2. Représentativité des simulants inactifs à base de lanthanide : comparaison avec la décomposition
2.2.1. Mécanismes de décomposition thermique de l’oxalate de plutonium (III)
De 1989 até 2016, o HGPE passou por uma série de modificações. Em 2016, as diretrizes para a divisão do tempo entre os candidatos foram as impostas pela Lei 13.135 conforme citado anteriormente.
Oliveira (2005) apresenta uma categoria em sua análise dos programas do HGPE, que é o “candidato presente”. Ou seja, nos programas analisados, aparecem a imagem e voz do candidato, ora apenas a imagem e, em algumas vezes, o candidato está ausente. Nos programas dos quatro candidatos analisados em 2016, aparece a imagem do próprio candidato estabelecendo um diálogo com os eleitores. Em alguns programas, aparecem a imagem ou a voz do e, em poucos programas, o candidato esteve ausente. Isso revela que, com a redução do tempo, os programas tiveram que dar maior ênfase à imagem dos candidatos e concentrar a maior parte das falas nessas lideranças políticas até para se tornarem mais familiares ao público.
ÁUDIO
Nos anos 90, a cidade mais violenta do mundo era Medellín, na Colômbia. Para que a população tenha a extraordinária sensação de segurança que se tem hoje na cidade colombiana, foi preciso modificar a realidade das áreas mais pobres através dos espaços públicos. A boa ocupação dos espaços públicos muda mais do que a cara de uma cidade. Vamos colocar em prática ideias simples, mas que nos mantenham sempre em movimento e em sintonia com as cidades mais modernas do mundo (SIQUEIRA, HGPE, 26/09/2016).
VÍDEO
São mostradas imagens da cidade de Medellín nos anos 90. Uma cidade escura com vários homens amontoados no chão, prédios pichados, carros com vidros quebrados, pessoas com sensação de medo. Em seguida, aparece a imagem do prefeito da época, que começou um processo de transformação urbana, social, educativa e cultural da cidade e o cenário muda completamente (SIQUEIRA, HGPE, 26/09/2016).
Durante os programas do HGPE em 2016, observou-se a presença constante dos candidatos Bruno Siqueira, Margarida Salomão, Noraldino Júnior e Wilson Rezende nas propagandas como oradores dominantes. O orador dominante pode ser o próprio candidato, seu candidato a vice, algum patrono político ou líder partidário, o locutor in off ou um cantor de jingles.
Na análise de Oliveira (2005), percebe-se uma recorrência do locutor in off durante os programas do HGPE nas campanhas de 2000 na disputa pelas Prefeituras de Belo Horizonte e Salvador, que foi objeto de análise do autor. Na análise das propagandas no HGPE nas eleições municipais de Juiz de Fora em 2016, tendo em vista as mudanças nas regras eleitorais, observou-se que esses locutores in off tiveram as suas inserções muito reduzidas, aparecendo poucas vezes nos programas da candidata Margarida Salomão.
LOCUTOR IN OFF
Não dá para acreditar no futuro que aparece na TV. Nessa cidade toda arrumadinha, tudo funcionando. Ainda mais com esse governo Temer, sem voto que quer mudar a Constituição, reduzir os investimentos em serviços fundamentais e congelar os nossos direitos à moradia, saúde e educação pelos próximos 20 anos. Esse não é o futuro que você quer (SALOMÃO, 12/10/2016).
O segundo tipo de orador dominante observado durante os programas do HGPE foram os candidatos a vice-prefeito do PMDB Antonio Almas e do PSC Cláudio Dornelas, que vieram reforçar as retóricas dos candidatos Bruno Siqueira e Noraldino Júnior. Tal estratégia corrobora a hipótese de uma campanha mais personalista, a qual vem sendo tendência nas últimas eleições (MANIN, 2013).
VICE-PREFEITO
Você provavelmente acha que saúde começa na porta do hospital. Mas não, começa na prevenção da doença como a questão da hipertensão e do diabetes: são duas doenças bastante frequentes no nosso meio e que se não cuidadas adequadamente o paciente vai chegar na porta do hospital num estado muito crítico podendo ter complicações que podem levá-lo à morte (ALMAS, HGPE, 31/08/2106).
Segundo Oliveira (2005), no HGPE, cabe aos candidatos serem os protagonistas na disputa eleitoral. Nos programas eleitorais de Bruno, Margarida, Noraldino e Wilson, procurou-se explorar atributos de ordem pessoal, competência administrativa, sinceridade, experiência; ou seja, questões de âmbito administrativo, político e pessoal.
Conforme aponta Manin (1995, 2013) e Leal e Vieira (2009), o personalismo é recorrente na política, principalmente quando se vive em uma sociedade cada vez mais midiatizada. Com uma propaganda mais curta, a estratégia foi reforçar a imagem dos candidatos em detrimento da discussão de temas políticos. Além disso, procurou-se deslocar a imagem desses atores políticos com os seus partidos em função do grande desgaste das principais siglas partidárias no País, como PT, PSDB e PMDB.
Em função da ênfase personalista, em Juiz de Fora, no HGPE, com tempo escasso, houve uma superexposição dos candidatos. O prefeito Bruno Siqueira, do PMDB, procurou mostrar a sua competência administrativa em seu primeiro mandato reforçando a retórica de Figueiredo et al. (1998) de que o mundo presente estava bom e poderia ficar muito melhor. Trabalhou a imagem de bom gestor para se distanciar da imagem do político tradicional. No trecho a seguir, fica evidente a tentativa de se colocar como o líder comum, que sabe das necessidades do cidadão, principalmente os mais carentes, como aponta Schwartzenberg (1977).
Durante estes três anos e meio como prefeito, tentei olhar para cada cidadão, para aquele que precisa de uma boa estrutura de saúde perto de casa, para aquela criança que precisa de uma creche. Para aquele que precisa de dois ônibus para chegar ao trabalho, para aquele que sempre lutou pelo cuidado animal, para aqueles que só querem ser tratados como iguais. Sendo reeleito, farei muito mais por Juiz de Fora (SIQUEIRA, HGPE, 26/08/2016).
Margarida Salomão do PT procurou mostrar-se como uma mulher forte e decidida e que possuía competência administrativa para administrar Juiz de Fora assim como geriu a UFJF por dois mandatos seguidos. No HGPE, em função do desgaste do PT, procurou não mencionar a sigla e enfatizou bem a sua trajetória. Na fanpage, como é direcionada para um
público mais informado, ao contrário, ela até mostrou sua ligação com o partido e a defesa da ex-presidente Dilma, coisa que não aconteceu no HGPE na televisão.
Eu sou Margarida Salomão, deputada federal majoritária em Juiz de Fora. Eu sou mesmo é professora e fui reitora da UFJF duas vezes. Reeleita. Fui, também, a primeira mulher que teve o atrevimento de se candidatar à Prefeitura de Juiz de Fora. Muita gente até já me falou: ‘Margarida, mas você vai teimar outra vez?’ E eu digo: Vou sim! Vou, porque Juiz de Fora vale a pena (SALOMÃO, HGPE, 26/08/2016).
Noraldino Júnior (PSC) destacou sua experiência na vida pública e o fato de estar presente ao lado da população denunciando os abusos nos hospitais, os maus-tratos com os animais e o seu jeito de ser deputado estadual atuante. O candidato procurou mostrar que não estava vinculado a instituições políticas, mas que era uma liderança que construiu a sua carreira junto à população e que, se eleito prefeito, faria com que toda a sua equipe adotasse tal postura.
Eu sou Noraldino, deputado estadual e vereador de Juiz de Fora por dois mandatos consecutivos. Em toda a minha vida pública, fiz questão de estar ao lado da população, nas escolas, hospitais, ruas, vendo de perto os problemas e buscando soluções. Quero assumir um compromisso: se eleito, continuarei perto das pessoas e farei com que meus secretários tenham a mesma atitude. Assim, poderemos avaliar de perto as ações que faremos na Prefeitura (NORALDINO, HGPE, 26/08/2016).
Wilson Rezende (PSB) assumiu o compromisso de aplicar na gestão pública a experiência que adquiriu na iniciativa privada como engenheiro e empresário. Foi o candidato que usou o HGPE para se mostrar como o outsider da disputa eleitoral de Juiz de Fora, aquele que não estava vinculado à política tradicional e da mesma forma que era um candidato que tinha uma postura propositiva, e não de ataques.
Para quem nasce na roça, as coisas são mais difíceis. E aí a gente começa também a aprender as coisas da vida, ouvir as pessoas e elas aconselham a gente. Fizemos a Rezato e hoje graças a Deus conseguimos construir uma empresa de sucesso que entregou 6.100 unidades. Isso equivale a uma cidade de 35.000 pessoas dentro da nossa querida Juiz de Fora. Eu entendo que eu posso transferir essa experiência que eu consegui na iniciativa privada para a administração pública (REZENDE, HGPE, 26/08/2016).
A propaganda negativa esteve presente durante os programas do HGPE no primeiro e no segundo turnos. De acordo com Borba (2015), as mensagens negativas vêm sustentadas por evidências, informam melhor os eleitores e mostram as diferenças entre os candidatos.
No primeiro turno, os candidatos que mais atacaram foram Noraldino Júnior e Margarida Salomão. As críticas concentraram-se, principalmente, nos temas políticos saúde, educação, mobilidade urbana e segurança.
Praticamente toda família em Juiz de Fora tem pelo menos um caso para contar de dengue, de zica, de febre chicungunha. A ABRASCO – Associação Brasileira de Saúde Coletiva – menciona que a dengue é muito mais um problema da cidade do que apenas um problema de saúde. Uma explosão de dengue indica que faltam na cidade condições ambientais, ou seja, limpeza urbana para valer, uma limpeza urbana que não seja apenas cosmética, uma limpeza urbana profunda que trate dos córregos imundos, das bocas de lobo entupidas, dos entulhos jogados na rua, do lixo esperando seu recolhimento (SALOMÃO, HGPE, 05/09/2016).
Conforme afirma Borba (2015), a propaganda negativa tem muita incidência, porque pode pautar o noticiário político e dá aos candidatos uma ampla cobertura política. A questão do valor da tarifa de ônibus continuou na pauta de Margarida Salomão durante o segundo turno, cobrando da atual gestão informações sobre os custos das passagens de ônibus.
Como é que nós podemos saber se o preço da tarifa de ônibus é justo se a Prefeitura não controla os dados sobre os quais é construído o preço da tarifa. Quem dá as informações sobre custo? As próprias concessionárias. Se nós conseguirmos abrir o preço da tarifa, nós, quem sabe, conseguiremos até ter um bilhete único, que seja realmente único, que não seja único e meio (SALOMÃO, HGPE, 12/09/2016)
Borba (2015) ainda ressalta que, no segundo turno, os ataques são mais constantes, pois, os candidatos necessitam do apoio dos candidatos que perderam. Na campanha eleitoral de 2016, Margarida Salomão apostou em uma campanha mais agressiva corroborando as ideias do autor. Ela tentou desconstruir a cidade perfeita, que era mostrada nos programas do candidato Bruno Siqueira.
Tem sido dito que, em Juiz de Fora, a violência contra a mulher é abordada de forma satisfatória, eficiente, pela existência de uma Casa da Mulher. Não é verdade. A Casa da Mulher funciona nas horas em que nós não temos a grande incidência de casos de violência doméstica. A violência contra a mulher acontece particularmente à noitinha, à noite e de manhã cedo (SALOMÃO, HGPE, 14/09/2016).
O HGPE, segundo Chaves (2016), ainda é o meio mais utilizado pelos juiz- foranos para se obter informações políticas. Segundo a pesquisa do autor, 89,4% dos entrevistados revelam assistir à TV todos os dias da semana e 67% pelo menos um dia. No
entanto, a propaganda política nas redes sociais cresce a cada eleição, como será apresentado a seguir.