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Mécanismes  aboutissant  à  la  rupture  de  tolérance  au  soi

2.1.     Généralités  sur  les  maladies  auto-­‐immunes

2.1.1. Mécanismes  aboutissant  à  la  rupture  de  tolérance  au  soi

A tabela anterior nos revela que a narrativa está centrada na ação de Deus. Ele age de forma absoluta, não há além dele outros atores em cena, nem mesmo outra divindade que lhe faça oposição. Das 113 flexões verbais que aparecem no texto, 49 delas descrevem uma ação direta do criador.

Este número não interessa apenas como quantidade, mas pelas implicâncias exegéticas que dele decorrem, 49 é o múltiplo de 7 por excelência (7x7=49). O que indica que ação divina está estruturada em função do número 7.

O núcleo desta referência está no uso do verbo a r "äB' (criar). Como verificamos na análise lexicográfica, este verbo, é empregado exclusivamente para descrever a ação divina. E neste texto assume a condição de elemento fundacional. Abre a perícope de forma estratégica : `# r <a '(h ' t a eîw> ~ yIm:ßV 'h ; t a eî ~ yh i_l {a / a r "äB;' t yv iÞa r EB. (no princípio Deus

criou o céu e a terra). Essa expressão indica que tempo e criação coincidem. É a

ação de Deus que inaugura a temporalidade e a espacialidade do mundo. Por isso, este verbo qualifica teologicamente toda a ação de Deus, conseqüentemente, nesta perícope, toda a obra divina é um ato criacional, pois está vinculada a este verbo. O mundo, a vida em sua origem e a história, são delineados a partir dele, é este ato divino que gera o mundo, bem como Israel e em conseqüência, a salvação: a qual é entendida pelo texto como a Aliança de Deus com o seu povo.

Observemos as 7 vezes em que a r "äB' é utilizado ao longo do texto:  v. 01: criação do mundo - a r "äB;'

 v. 21: criação dos monstros marinhos - a r "äb .YIw  v. 27: criação do ser humano - a r "’b .YIw

 v. 27: criação do ser humano - a r "äB'  v. 27: criação do ser humano - a r "äB'  v. 2,3: a obra criada - a r "îB'

 v. 2,4: o céu e a terra quando foram criados - ~ a '_r >B

A aplicação do verbo ocorre na criação do ser humano (v. 27); do todo da criação (v.1; v.2,2.3) e na criação dos monstros marinhos (v.21). Destaca-se o uso para a criação do homem, onde o verbo é aplicado por três vezes. Esta ênfase no

humano indica uma matização específica. O mundo é orientado para este ser. Este rumo define alguns aspectos da teologia do autor e manifesta outro raio de significação do verbo a r "äB'. O mundo não tem um significado apenas em si, mas está orientado, também, para um fim, que vai ser definido na relação do homem com Deus, que é o outro significado do verbo, o qual o vincula a história da salvação (Israel é criado por Deus)29.

A ação de Deus em seu fazer criacional encontra-se qualificada pelo verbo a r "äB;'. É de seu significado que os outros verbos adquirem sentido. As demais ações divinas adquirem consistência a medida que expressam este agir de Deus.

Verifiquemos agora os outros usos verbais, desde suas flexões, das quais discriminamos modo e tempo:

 12 aparições em Qal Perfeito;

 27 aparições em Qal Imperfeito Convertido;  2 aparições em Qal Perfeito Convertido;  1 aparição em Piel Particípio;

 5 aparições em Piel Imperfeito Convertido;  2 aparições em Hifil imperfeito Convertido.

O uso recorrente dos tempos verbais: perfeito e imperfeito, determina a colocação da narrativa no passado. Embora o uso do imperfeito seja maior que o perfeito, o autor utiliza-se de seqüências narrativas, onde o imperfeito está vinculado ao perfeito, ainda que o último nem sempre apareça na frase. Tal recurso é comum nas narrativas, segundo T. Lambdin, “o valor ‘perfeito’ da forma wa + imperfeito se

tornou tão comum a ponto de ser empregado até mesmo sem que um perfeito comece a seqüência”.30

Há um amplo domínio do modo Qal, mas recorre-se com certa freqüência ao modo Piel. A primeira ocorrência neste modo, descreve o espírito de Deus t p ,x ,Þr :m (planar), aqui entendida com um significado factivo, descrevendo mais uma condição do que uma ação. As demais ocorrências, neste modo, retomam o esquema narrativo temporal, sendo utilizadas no tempo imperfeito. Atentemos para os usos:

 v. 22 %r <b 'óy>w:: abençoou  v. 28 %r <b 'äy>w:: abençoou  v. 2,2 l k ;Ûy>w:: concluiu  v. 2,3 %r <b 'Ûy>w: abençoou  v. 2,3 v DEÞq ;y>w: santificou.

Em todos os casos o uso possui significado factivo, descrevendo o fato (conclusão v. 2,2), e a condição da criação resultante da ação de Deus (Gn 1, 22.28; 2,3.3).

Há duas ocorrências no modo Hifil, a saber: em Gn 1,4.7, ambas com o verbo l DEäb .Y:w: (e separou). Aqui o significado é causativo, nesta situação específica a ação divina causa a organização do cosmos intraterreno, no v. 4 a separação da luz e das trevas e no v.7 as águas de cima das águas debaixo.

O que nos chama a atenção é que a flexão dos verbos, mesmo os que não estejam no modo Qal identificam uma ação efetivamente causativa. De tal forma que tudo o que se processa no texto, está ligado diretamente a Deus.

Essa efetividade da ação, explicitada nos modos verbais, é descrita quase exclusivamente pelo tempo perfeito, de tal forma que se ressalta uma ação

concluída num tempo passado, e que se processou “uma única vez”. Enfatiza-se assim o reconhecimento de Deus como fundamento do qual procede a criação. E a temporalidade manifesta, forja uma concepção de história, uma vez que é da ação de Deus que surge o tempo. Tal preocupação temporal se explicitará posteriormente na descrição da estrutura do texto e na análise sobre a utilização de frases temporais.

A centralização da narrativa na ação em Deus é confirmada por outra porcentagem razoável dos usos verbais, os quais se vinculam diretamente a ele, pelo uso de formas verbais imperativas. Encontramos no texto 17 (dezessete) aplicações verbais no tempo imperfeito, mas com significado imperativo, seja no jussivo (16), como no coortativo (1). E mais 8 aplicações no modo imperativo propriamente dito. Verificamos esses usos no quadro subseqüente:

Gn 1, 1 – 2, 4a Análise do Verbo Texto Hebraico

3

6

9

b) haja luz,

b) haja um firmamento no meio das águas,

c) e que seja um separador entre águas e águas.

b) juntem-se as águas de debaixo dos céus num único lugar,

c) e que apareça o seco,

b) Qal Imperfeito Jussivo 3MS b/c) Qal Imperfeito Jussivo 3MS b) Nifal Imperfeito Jussivo 3MP c) Nifal Imperfeito Jussivo 3FP r Aa = yh iäy>(b

~ yIM"+h ; %At åB. [ :yq Ißr " yh iîy (b :`~ yIm")l ' ~ yIm:ß ! yBeî l yDIêb .m; yh iäywI (c

d x 'êa , ~ Aq åm'- l a , ‘~ yIm;’V 'h ; t x ;T ;Ûmi ~ yIM;øh ; Ww“Q'yI (b h v '_B'Y:h ; h a ,Þr "t ew>(c 11 b) que a terra verdeje

verdura, b) Hifil Imperfeito Jussivo 3FS

a v ,D<ê ‘# r <a '’h ' a v eÛd >T(b

14 b) que haja luzeiros no

firmamento dos céus, b) Qal Imperfeito Jussivo 3MS

~ yIm;êV 'h ; [ :yq Iår >Bi ‘t r oa om. yh iÛy>(b

20 b) fervilhem as águas um fervilhar de seres vivos; c) e os pássaros voem sobre a terra, b) Qal Imperfeito Jussivo 3MS c) Polel Imperfeito Jussivo 3MS

h Y"+x ; v p ,n<å # r <v ,Þ ~ yIM;êh ; Wc år >v .yI (b # r <a 'êh '- l [ ;@p EåA[ y> ‘@A[ w>(c

22 b) sede fecundos

c) e multiplicai-vos, b) Qal Imperativo MP c) Qal Imperativo MP

Wr åP. (b Wb ªr >W (c

d) e enchei as águas no mar, e) e os pássaros multipliquem-se sobre a terra d) Qal Imperativo MP e) Qal Imperfeito Jussivo 3MS

~ yMiêY:B; ‘~ yIM;’h ;- t a , Wa Ül .miW (d `# r <a '(B' b r ,yIï @A[ ßh 'w>(e

24 b) que a terra faça sair seres vivos, conforme sua espécie,

b) Hifil Imperfeito Jussivo 3MS

Hn"ëymil . ‘h Y"x ; v p ,n<Ü # r <a 'øh ' a c e’AT (b

26 b) façamos o ser humano conforme a nossa imagem, c) a nossa semelhança,

d) para que dominem

b) Qal Imperfeito Coortativo 3MS c) Qal Imperfeito Jussivo 3MS WnmeÞl .c ;B. ~ d "²a ' h f ,î[ ]n:) (b Wnt e_Wmd >Ki (c •WDr >yIw> (d 28 c) sede fecundos d) e multiplicai-vos, e) e enchei a terra, f) e submetei-a g) e dominai-a, c) Qal Imperativo MP d) Qal Imperativo MP e) Qal Imperativo MP f) Qal Imperativo MP g) Qal Imperativo MP Wr åP.. (c Wb ªr >W (d # r <a 'Þh '- t a , Wa Ül .miW (e h 'v u_b .k iw> (f Wd úr >W (g

No v.09 encontramos dois usos jussivos no modo Nifal, no tempo imperfeito, a saber: h v '_B'Y:h ; h a ,Þr "t ew> d x 'êa , ~ Aq åm'- l a , ‘~ yIm;’V 'h ; t x ;T ;Ûmi ~ yIM;øh ; Ww“Q'y (Juntem-se as águas de debaixo dos

céus num único lugar, e que apareça o seco). Os verbos Ww“Q'y (reunir-se) e h a ,Þr "t ew (aparecer) nesta condição, são ativos na forma, mas passivos no significado, pois os objetos dos mesmos passam a referir-se aquele que é a origem da ordem, ou seja, Deus.

No seguimento 11 b a v ,D<ê ‘# r <a '’h ' a v eÛd >T (que a terra verdeje verdura), o uso no Hifil, indica uma ação causativa, no entanto, a força motriz provém da palavra de Deus, sob o imperativo indireto. O mesmo é válido para o seguimento 24b.

Verificamos que mesmo nas orações construídas com fórmulas verbais que não expressam ação direta de Deus ele é o actante responsável causativamente pelo que se processa. Reforça-se desta forma a centralização da narrativa no criador.