Sommaire des constructeurs de JButton
B. Mécanisme des exceptions
Ao iniciarmos esta subseção, pensamos, antes de tudo, que durante o processo de composição de qualquer gênero de discurso, uma variável precisa ser levada em conta: o suporte: meio (físico ou virtual) por onde se produz, circula e se recebe (e também por onde se interpreta) um gênero que tem o propósito comunicativo de informar.
Charaudeau (2015a, p. 105), teórico da Semiolinguística, argumenta que “todo dispositivo formata a mensagem e, com isso, contribui para lhe conferir sentidos”. Sob essa ótica, levantamos as seguintes questões:
a) O suporte (físico ou virtual) interfere na produção, circulação e recepção de um gênero jornalístico?
b) Sabendo que a notícia é produzida tanto para circular em mídia impressa quanto em mídia digital, perguntamos: as circunstâncias materiais (no dispositivo) servem de base para a modificação da estrutura interna composicional de um gênero (CHARAUDEAU, 2015a)?
c) O dispositivo cênico (o suporte) da internet, é um meio favorável à transmissão do discurso informativo?
Com base nestas discussões, admitimos que há uma íntima relação do gênero do discurso com o seu suporte, apesar de que isso ainda é uma questão a ser estudada, com aprofundamento temático, dentro da Linguística, suscitando muitas controvérsias e muitos questionamentos espinhosos entre os analistas de gêneros.
Por isso, com base em autores como Marcuschi (2008) e Bonini (2011a), assim como Charaudeau (2015a), queremos, aqui, pontuar alguns julgamentos pertinentes sobre o suporte (ou as circunstâncias materiais do dispositivo, como aponta a teoria Semiolinguística), uma condição sine qua non para a ocorrência da composição do gênero. O suporte é, de fato, um elemento importante para que o gênero possa circular na sociedade, “um locus físico com formato específico que serve de base ou ambiente de fixação do gênero materializado como texto”, assim pensa Marcuschi (2008, p. 174).
Para ele, essa variável (o suporte) comporta três aspectos no que tange à sua condição específica: é um lugar (físico ou virtual), apresenta-se como um formato que tem especificidade e serve como base para fixar e mostrar o texto. Neste caso, pode ser de dois tipos: os “convencionais”, os que foram elaborados tendo em vista a sua função de portar ou fixar o texto e os “incidentais”, os que operam como suportes ocasionais ou mesmo eventuais.
Com base nesta nomenclatura apontada por Marcuschi (2008), podemos classificar a internet, por onde veicula ou circula a notícia jornalística do G1, como um suporte “convencionalmente midiático”.
Com base neste considerações, admitimos que o suporte midiático se torna, antes de mais nada, um meio (físico e virtual) indispensável para que um organismo de informação como o Portal do G1 possa veicular suas notícias e transportar discursivamente seus conteúdos informativos, difundindo, assim, seus enunciados (os textos) materializados na esfera jornalística.
Pelo pressuposto, entendemos que a webnotícia, mediante as condições de produção e de recepção e com base nas restrições do contrato de informação midiático (CHARAUDEAU, 2015a) a que se vincula o gênero, é bastante diversificada daquela produzida em suporte impresso, embora possuam a mesma finalidade comunicativa.
Sendo assim, as circunstâncias materiais previstas (as condições do dispositivo) no contrato de comunicação, que constituem os dados externos, interferem, pois, diretamente nas condições discursivas de produção da notícia jornalística. Isto é, uma mesma notícia publicada em um jornal impresso não tem, necessariamente, as mesmas condições impostas pela web. Tudo depende da escolha discursiva do enunciador. Tudo depende do dispositivo (o quadro topológico da troca linguageira): “Em que ambiente se inscreve o ato de comunicação? Que lugares físicos são ocupados pelos parceiros? Que canal de transmissão é utilizado?” (CHARAUDEAU, 2015a, p. 70).
Ao consideramos a situação de comunicação em que se forma a estrutura composicional do gênero, diremos que, com o espaço midiático, as propriedades textuais e hipertextuais da notícia são alteradas, uma vez que a configuração eletrônica do portal (o layout) passa por um processo de transformação.
De igual modo, as condições de produção e de recepção do gênero também se alteram quando a notícia, por exemplo, migra de um suporte impresso para a mídia digital. Com isso, as práticas discursivas ligadas à composição de gêneros emergentes na web, com certeza, sofrem impacto, já que, sob a interface do hipertexto, o layout da webnotícia do G1 se reconfigura a partir da fusão de textos de modalidade pluricódica, a exemplo do infográfico.
Diante disso, concordamos com Koch (2006, p. 61) quando ela argumenta que “a diferença com relação ao hipertexto eletrônico está na apenas no suporte e na forma e rapidez do acessamento.” É justamente esse suporte midiático, a internet, que proporciona as condições de produção imediatas e suscetíveis ao processo de composição da webnotícia do G1.
Por ser um gênero híbrido e polifônico, a webnotícia agrega, em sua constituição interna, muitos elementos multissemióticos que (re)constroem sentidos e fazem com que o gênero atinja seu propósito discursivo e estabeleça significativamente a situação comunicativa entre os sujeitos, pois a notícia se apoia na prática dialógica entre autor/leitor e veicula fatos legitimados nas vozes que aparecem no texto, uma vez que o “estudo das vozes permite compreender o diálogo entre os sujeitos que confrontam nesse espaço interlocutivo.” (CUNHA, 2010, p. 179).
No próximo capítulo, colocamo-nos à discussão sobre a construção da materialidade semiológica do infográfico, ao mesmo tempo que destacamos a imagem como produtora de sentidos. Com seus aspectos discursivos, o infográfico possibilita melhor configuração textual da webnotícia do G1 e maior investimento da matéria jornalística.
4 COMBINANDO FORMAS-SENTIDOS: A CONSTRUÇÃO DA MATERIALIDADE