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PARTIE I : SYNTHESE BIBLIOGRAPHIQUE

I.3.3. Mécanique de rupture du béton confiné sous compression axiale

O conceito de alma das Testemunhas de Jeová é o mesmo dos adventistas do sétimo dia. Em sua obra, Estudo Perspicaz das Escrituras, seus teólogos consideram-na como “a pessoa, o animal ou a vida que a pessoa ou o animal usufrui”.264 Mais adiante, na mesma página, afirma ser a alma, como

substância incorpórea e invisível, imortal, doutrina pagã; depois, continua dizendo que o termo, tanto no hebraico como no grego, refere-se “àquilo que é material, tangível, visível e mortal”.

Como os adventistas do sétimo dia, a organização, também, nega a sobrevivência da alma à morte.265 Os adeptos da Torre de Vigia acreditam que tudo termina na morte. Declaram estar

em estado de inconsciência todos os mortos, bons e ruins. Apenas as pessoas bondosas serão ressuscitadas por Jeová.266

A Torre de Vigia não considera seus adeptos filhos de Deus e nem Jesus como seu media- dor. A salvação é um alvo a ser cumprido.267 Somente os “cristãos ungidos”, na linguagem das

Testemunhas de Jeová, são os 144.000, com direito ao céu. Ela ensina, ainda, que as demais Testemunhas de Jeová não pertencem a Cristo e que o único caminho para a salvação é a sua organização religiosa: a Sociedade Torre de Vigia. 268

269 The Watchtower, maio de 1881, p. 224. 270 PENTON, Apocalypse Delayed, p. 24.

271 Vida Eterna - Na Liberdade dos Filhos de Deus, p. 363, 364, § 39. Cf. A Sentinela, 1º de março de 1988, p. 12; mas,

o livro Seja Deus Verdadeiro, edição de 1949, afirma que essa data foi 1931, p. 296, § 11; a edição de 1955 eliminou a data, p. 292, § 11.

272 A Sentinela, 1º de maio de 2007, p. 31. 273 Poderá Viver..., p. 83, § 7.

Segundo Russell, apenas as pessoas consagradas que se dedicavam totalmente a Deus faziam parte do grupo da “noiva”, os 144.000.269 Em maio de 1881, ele afirmou estarem abertas

as portas, mas que poderiam se fechar a qualquer momento a partir de 2 de outubro daquele ano.270 Rutherford alterou essa doutrina, dando-lhe a forma seguida pelas Testemunhas de Jeová,

quando apresentou o seu discurso no Congresso de Washington D. C., realizado em 1935, ofici- alizando a doutrina da grande multidão. 271

Assim, as Testemunhas de Jeová pregam de casa em casa uma religião cujo ensino não as qualifica como “filhos de Deus” e nem com esperança celestial. Elas devem contentar-se em herdar a Terra, em pertencer à “classe da grande multidão”.

A organização mudou essa doutrina: para pertencer à classe dos ungidos não é mais neces- sário ter nascido antes de 1935 nem esperar que um deles se desvie para dar lugar a outro. Qualquer Testemunha de Jeová pode tornar-se um deles.272

O Corpo Governante defende a mesma doutrina de Russell com a qual ele se insurgiu contra as igrejas: nega o inferno ardente. Afirma que a palavra hebraica sheol e a grega hades, usadas para “inferno”, na Bíblia, indicam a sepultura comum da humanidade. Por isso, ensina ser o inferno um estado e não um lugar. Hoje, a Torre de Vigia ensina ser o inferno a própria sepultura e que o lugar de suplício eterno, onde os ímpios serão atormentados para sempre, não existe: “O Seol e o Hades não se referem a um lugar de tormento, mas à sepultura comum da humanidade”.273

1 GRUSS, Apostles of Denial, p. 191; Los Testigos.., p. 257. 2 Los Testigos..., p. 258.

3 Ibidem, p. 258.

4 “Toda a Escritura...”, p. 323, § 9.

5 GRUSS, Apostles..., p. 194. O movimento Cristadelfiano, palavra grega que significa “irmão de Cristo”, foi fundado

por John Thomas (1805-1871), e recebeu esse nome em 1864. Os cristadelfianos negam a Trindade, a personalidade do Espírito Santo, a doutrina do sofrimento eterno (Apostles..., p. 194). Sua cristologia é a mesma das Testemunhas de Jeová e opõe-se à ortodoxia cristã. (MATHER, George A. & NICHOLS, Larry A. Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo. São Paulo: Editora Vida, 200. p. 105). A revista Consolation, edição de 8 de novembro de 1944, p. 26, refere-se a Benjamin Wilson como cristadelfiano, mas no livro Los Testigos..., p. 258, afirma simplesmente que ele nunca se associou à Torre de Vigia, omitindo, assim, sua procedência religiosa.

TERCEIRA PARTE

A TRADUÇÃO DO NOVO MUNDO DAS ESCRITURAS SAGRADAS

A avaliação, aqui, na terceira parte, tem por objetivo apresentar as primeiras edições da Bíblia adotadas pela organização, mostrar a origem, as peculiaridades da TNM e discutir a erudi- ção de seus tradutores nas línguas originais da Bíblia.

1 A PRODUÇÃO DA TNM

Em 1884, Russell conseguiu os estatutos para publicar a Bíblia. Ele publicou algumas versões conhecidas, mas se deu ao trabalho de publicá-las com notas explicativas no rodapé ou com apêndices, na tentativa de fundamentar suas crenças e práticas. Desde a fundação da Socie- dade Torre de Vigia até a década de 1960, mais de 70 versões da Bíblia, em inglês e em outras línguas, foram usadas de maneira eclética para expor suas doutrinas.1

A Bíblia de Rotherham e a Holman Linear Bible. Em 1896, a Sociedade Torre de Vigia adquiriu do britânico Joseph Rotherham o direito de impressão de sua tradução do Novo Testamento.2 Em 1901,

a organização fez um arranjo na impressão de 5.000 exemplares da Holman Linear Bible, da Bíblia inteira, usando como notas marginais e explanatórias os comentários de cada versículo dos cinco primei- ros volumes de Estudos das Escrituras,3 as “publicações da Sociedade de 1895 até 1901”.4

The Emphatic Diaglott. Em 1892, a Sociedade Torre de Vigia adquiriu os diretos autorais do Novo Testamento interlinear grego e inglês, denominado em inglês The Emphatic Diaglott (O Dia-

glotão Enfático), publicado em 1864 por Benjamin Wilson, um estudioso de Gênova, Illinois, EUA, sem formação acadêmica e membro de um grupo religioso conhecido como cristadelfianismo.5 A

6 “Toda a Escritura...”, p. 323, § 10; 323, § 12.

7 METZGER, M. Bruce: “Is an ancestor of the New World Translation”. In: “The Jehovah’s Witnesses and Jesus

Christ” - Theology Today, (abril de 1953). P. 67.

8 O texto grego do Diaglotão é a edição de J. J. Griesbach, edição de 1806 (GRUSS, Apostles..., p. 195, 196). 9 Los Testigos…, p. 258.

10 Em inglês: “and a god was the Word”.

11 O termo “DEUS”, na segunda cláusula, aparece com todas as letras maiúsculas; entretanto, o mesmo termo na terceira

cláusula, somente a primeira letra.

12 WILSON, Benjamin. The Emphatic Diaglott. New York, USA: Watchtower Bible and Tract Society of New York,

Inc., 1942. p. 106. Nota de rodapé de Mateus 25.46. Cf. Raciocínios à Base das Escrituras, p. 193; “Seja Deus Verdadeiro”, edição de 1949, p. 33; edição de 1955, p. 31.

13 “Toda a Escritura”, p. 315, § 11, edição de 1966. A edição de 1990 amputou os “Estudos das Escrituras” (p. 323, § 11).

organização endossou e publicou essa obra, mas a impressão só aconteceu em 1926, pois durante 30 anos o serviço de impressão de Bíblias foi terceirizado, a edição do texto de Benjamin Wilson foi a primeira impressão de um texto bíblico em sua própria gráfica.6 Bruce M. Metzger, num

artigo publicado em Theology Today, em 1953, chamou O Diaglotão de “um ancestral da Tradu-

ção do Novo Mundo”.7

Essa obra de Benjamin Wilson é um Novo Testamento interlinear grego e inglês.8 Vem, abaixo

de cada palavra grega, seu significado em inglês e a tradução para a língua inglesa, na marginal do texto grego. A Sociedade Torre de Vigia interessou-se por ela porque “esta tradução enfática tinha alguns detalhes notáveis que contribuíam a um melhor entendimento da verdade”.9 Esses “detalhes

notáveis” são as crenças comuns da organização com o cristadelfiasnismo, além da idéia da “presença invisível”. Ele apresenta o Senhor Jesus, em João 1.1, como “um deus”, traduz nas entrelinhas: “e a Palavra era um deus”,10 na margem aparece a tradução: “No princípio era o LOGOS, e o LOGOS

estava com DEUS, e o LOGOS era Deus”.11 Ainda hoje, a Sociedade Torre de Vigia cita Benjamin

Wilson como erudito usando como base de autoridade em exegese e em assuntos teológicos.12

Edição dos Estudantes da Bíblia. Em 1907, a Sociedade Torre de Vigia publicou uma Bíblia baseada na Versão Autorizada, com notas marginais, denominada Edição dos Estudantes

da Bíblia. Essa obra foi lançada com um apêndice, sendo ampliada mais tarde, e publicada como livro separado sob o título Manual dos Instrutores Bereanos da Bíblia, com mais de 550 páginas. Uma concordância temática com lentes russelitas, com uma parte especial para explicar e para consubstanciar suas crenças:

A primeira parte continha breves comentários sobre muitos versículos da Bíblia, com referências à Sentinela e aos compêndios da Sociedade, Estudos das Escrituras (em inglês). A segunda parte abrangia coleções de textos bíblicos sobre diversos assuntos doutrinais, “para ajudar os Estudantes da Bíblia, especialmente nas suas apresentações da verdade a outros”.13

14 “Toda a Escritura...”, p. 323, § 12. 15 Proclamadores..., p. 607.

16 “Toda a Escritura...”, p. 323, § 14. 17 Proclamadores..., loc. cit.

18 Ibidem, p. 607, 608.

19 The Watchtower, 15 de setembro de 1950, p. 315: “Announced to these eight fellow directors the existence of a ‘New

World Bible Translation Committee’ and that it had completed a translation of the Christian Greek Scriptures”.

Similar ao atual livro Raciocínios à Base das Escrituras. A terceira parte era um índice dos tópicos ali apresentados e a quarta, dedicada a explicações de “textos difíceis”.

A Versão Autorizada e a Versão Normal Americana. A organização comprou da A. J. Holman Company, de Filadélfia, Pensivânia, em 1942, as chapas da Bíblia inteira de The King

James Version (A Versão do Rei Tiago), a mais tradicional versão da Bíblia inglesa, também conhecida como A Versão Autorizada. Foi a primeira edição da Bíblia completa impressa na própria Sociedade Torre de Vigia.14 Sua edição foi publicada com novos títulos nas seções bíbli-

cas, de acordo com a doutrina das Testemunhas de Jeová e acrescida, segundo eles, de uma concordância preparada por seus teólogos “para expor falsidades religiosas”.15

Dois anos depois, a Sociedade comprou o uso das chapas da Bíblia completa da American

Standard Version (Versão Americana Normal), edição de 1901, para imprimir na sua própria gráfica. Seu interesse nessa versão era a presença do nome “Jeová” em mais de 6.000 lugares no Antigo Testamento.16