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MÉCANICIENS DE LILLE, 1858·1939

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Esta pesquisa teve como objetivo verificar como UCs promovem a edu- cação para a sustentabilidade nos seus diversos níveis organizacionais no cenário atual. Se por um lado, a UC é tida como responsável pela promoção e preparação do capital humano para o alcance das estratégias organizacio- nais, e por outro, a sustentabilidade é considerada como um dos elementos centrais destas mesmas estratégias organizacionais, espera-se que haja diá- logo de modelos e de ações conjuntas, que envolvam essas duas áreas das organizações. Entretanto, os resultados mostram um grande distanciamen- to entre elas que parece inviabilizar uma conexão adequada, indicando que essas duas áreas caminham de forma paralela, ou seja, praticamente não se encontram ou interagem.

Embora as UCs relatem que tenham conteúdos específicos de susten- tabilidade e metodologias diferenciadas como componentes de suas práti- cas educativas, nenhuma delas declarou ter algum plano de educação que indicasse a atuação específica voltada para o compromisso com a sustenta- bilidade. As ações ou metodologias equivalentes das UCs não servem como base para a elaboração de algum modelo teórico-empírico para o ensino e aprendizagem da sustentabilidade, uma vez que cada UC tende a customi- zar seu próprio modelo.

Outro resultado relevante é que não existe resistência, mas sim um desconhecimento do que significa sustentabilidade, de como ela pode ser relacionada à estratégia organizacional e ainda de como ela pode ser tradu- zida em ações do cotidiano da organização, ou seja, como a sustentabilida- de pode fazer parte da cultura. Este fato reforça a importância da educação para a sustentabilidade em todos os níveis hierárquicos, no sentido de dis- seminar o conhecimento e possibilitar sua inclusão na cultura e nas práticas organizacionais. Os gestores consideram como principal desafio para a UC, em relação a educação para a sustentabilidade, a ausência de diálogo entre as UCs e os departamentos de sustentabilidade. O conhecimento e as ações de sustentabilidade estão concentrados em seus departamentos específicos e as UCs por sua vez, ainda não assumiram seu papel na disseminação des-

ses conhecimentos. Assim, os conhecimentos sobre sustentabilidade en- contram-se muitas vezes restrito aos profissionais e aos departamentos es- pecíficos das organizações. Estes departamentos têm por responsabilidades as ações relacionadas à gestão da sustentabilidade em si, como por exemplo o atendimento à legislação específica, aos controles de riscos ambientais, às ações sociais, à elaboração dos relatórios anuais de sustentabilidade. Além disso, os departamentos de sustentabilidade também são os responsáveis pelas ações educacionais que promovam a educação da sustentabilidade internamente nas organizações e, por vezes, junto aos outros stakeholders, o que deixa a UC à margem dessas ações educacionais. Dessa forma, este aprendizado acaba sendo fragmentado e pontual pois não está diretamente relacionado à estratégia.

Infere-se então, que a sustentabilidade não faz parte das ações das UCs, há pouco conhecimento do tema por parte dos profissionais das UCs, o que pode justificar o baixo interesse nesta temática e as poucas ações encontradas. Pode-se constatar que o diálogo entre a UC e o departamen- to de Sustentabilidade é praticamente nulo. Um fato que se destaca nesta pesquisa é que uma das UCs participantes está subordinada à mesma dire- toria que o departamento de Sustentabilidade e mesmo assim, o diálogo e ações envolvendo ambos, até o momento, é inexistente. Além disso, refor- ça também a importância do ambiente externo para estimular as empresas a incorporar a sustentabilidade, como observado em outros países, levando a um maior envolvimento das UCs nesta temática.

Os resultados obtidos contradizem o pressuposto desta pesquisa, de que UC e educação para sustentabilidade podem conjuntamente contri- buir para reforçar o desempenho das organizações nos campos econômi- cos, social e ambiental e os poucos estudos relacionando ambos os temas, também não encontraram respaldo nas organizações estudadas e não há elementos que identificados poderiam alterar esta realidade num futuro próximo.

Outras questões podem ser levantadas para avançar nessa discussão, como por exemplo: seria mesmo a sustentabilidade relevante e significativa para as organizações a ponto de estar presente e influenciar suas estratégias

organizacionais? O entendimento da sustentabilidade por parte da alta ad- ministração interfere de alguma forma na priorização dessa, com relação as soluções de ensino e aprendizagem? O entendimento da sustentabilidade por parte dos profissionais das UCs pode influenciar positivamente para um novo posicionamento dela em relação à educação para sustentabili- dade? Será que alguma metodologia específica pode promover resultados mais efetivos na educação para sustentabilidade, de modo a influenciar po- sitivamente a cultura organizacional e os resultados financeiros?

Questões como essas podem orientar discussões entre os profissio- nais das Universidades Corporativas e os profissionais de sustentabilidade, promovendo debates na esfera organizacional, no sentido de encontrar no- vos caminhos a seguir no que se refere a educação para sustentabilidade. São questões relevantes que precisam de um maior número de dados pro- venientes de pesquisas empíricas, permitindo o avanço do arcabouço teóri- co e novos insights para a promoção da educação para sustentabilidade nas organizações, por meio das UCs.

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