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Amélia 17 anos 1º ano (Agrupamento de

Escolas de Valadares)

Graduação em Ciência da Educação

Daiana 18 anos 1º ano

Escola de Francelos (Agrupamento de Escolas de Valadares)

Graduação em Ciência da Educação

Rafaela 23 anos 1º ano

Escola Campolinho I (Agrupamento de Escolas de Valadares)

Graduação em Ciência da Educação

Fonte: Dados da pesquisa (2018).

Assim, partindo de uma análise qualitativa das informações mencionadas, observamos que a primeira professora brasileira entrevistada foi Valéria15, que possui 12 anos de

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Quando foi entrevistada, Valéria estava lecionando em uma turma de 4º ano, porém quando realizamos observações de suas práticas curriculares, ela passou a lecionar em uma turma de 5º ano.

experiência na docência, sendo 10 deles na mesma escola em que atua no momento. Ela, portanto, permaneceu na mesma instituição desde que assumiu o concurso em 2007, instituição esta localizada na área urbana da cidade. Anteriormente, havia trabalhado como professora contratada do município de Caruaru por 2 anos em uma escola do campo, em uma turma multisseriada. Importante salientar sua identificação com turmas de 5º ano, preferindo atuar nesse nível de escolaridade

A segunda professora entrevistada foi Estephane, que, até o momento de realização da pesquisa, possuía 9 anos de experiência na docência (sendo concursada desde 2011) e atuava na mesma escola que Valéria, embora fosse professora do 2º ano do ensino fundamental. Anteriormente, havia atuado em escolas privadas em turmas de educação infantil por um período de 3 anos e 6 meses. Nessa direção, Estephane considerava que possuía maior identificação com turmas da educação infantil, tendo feito sua pesquisa de mestrado sobre esse nível de ensino e atuado como professora e coordenadora da educação infantil nos anos anteriores. Atualmente, está realizando um doutoramento em Educação e atua como professora substituta do Centro de Educação da UFPE.

A terceira professora entrevistada foi Luisa, que possuía 6 anos e 6 meses de experiência, tendo trabalhado 5 meses em uma escola privada no município de Brejo da Madre de Deus até assumir o concurso em Caruaru no ano de 2011, assim como Estephane. Desde que assumiu o concurso, Luisa só trabalhou em escolas do campo no município de Caruaru, tendo atuado em duas escolas do distrito de Itaúna até chegar na escola onde atua há aproximadamente 5 anos, no distrito de Riacho Doce. Até o início de 2018, Luisa estava exercendo a docência em uma turma de 1º ano do ensino fundamental, bem como em uma turma de educação infantil em Brejo da Madre de Deus, onde é concursada desde 2013. Entretanto, no segundo semestre de 2018, Luisa se afastou das salas de aula devido a uma gravidez de risco.

No quadro de caracterização das professoras brasileiras, também foi possível perceber que todas elas possuíam cursos a nível de pós-graduação, o que marcou seus discursos falados e praticados. Dessa maneira, compreendemos que ―toda posição de sujeito é assim organizada no âmbito de uma estrutura discursiva essencialmente instável, já que está sujeita a práticas articulatórias as quais, de pontos diferentes de partida, a subvertem e a transformam‖ (LACLAU, 1983, p. 4).

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Reafirmamos que os nomes dos participantes da pesquisa foram substituídos por nomes fictícios para preservar a identidade dos mesmos.

Isso implica dizer que as professoras ocupavam múltiplas posições que se articulavam e foram responsáveis pelas produções discursivas das mesmas, contudo, a articulação entre essas posições não foi definida de uma vez por todas. Assim, se uma professora saísse da escola da área urbana e fosse atuar em uma escola do campo, ou se saísse do ensino fundamental e fosse atuar em turmas da educação infantil, essas mudanças provocariam instabilidade nas práticas articulatórias construídas anteriormente entre as múltiplas posições de sujeito, o que afetaria sua produção discursiva. Desse modo, foi necessário considerar em nossa análise o nível de formação das professoras, entendendo que essas posições se inscreveram na instabilidade e puderam produzir outras práticas articulatórias que subverteram as que, até então, haviam sido produzidas.

Quanto às professoras portuguesas, se faz necessário inicialmente explicitar que no sistema organizacional português as escolas de diferentes níveis de escolaridade são agrupadas de acordo com a região a que pertencem. Dessa maneira, todas as professoras entrevistadas em Portugal, que atuavam no 1º Ciclo da educação básica, eram pertencentes ao mesmo agrupamento de escolas, embora fossem de escolas diferentes.

Assim, nossa primeira entrevistada, nomeada de Amélia, possuía 17 anos de experiência na docência, fazendo parte do Agrupamento de Escolas de Valadares desde 2006. Além de ser professora do 1º ano, ela atuava como coordenadora das professoras dos 1º anos do 1º Ciclo de todas as escolas do Agrupamento de Escolas de Valadares. Já nossa segunda entrevistada, nomeada de Daiana, possuía 18 anos de docência, com vínculo efetivo há 15 anos. Essa professora passou a atuar no Agrupamento de Escolas de Valadares há 9 anos, tendo ensinado em duas escolas do agrupamento. Nossa terceira entrevistada, dentre as professoras portuguesas, foi por nós chamada de Rafaela, e possuía 23 anos de experiência na docência, onde desses estava há 9 na mesma escola do agrupamento já referido.

Diante dessa caracterização, é importante fazer uma ressalva: todas as professoras entrevistadas da educação básica de Portugal estavam atuando no 1º ano, mas isso não foi coincidência. Ao delimitarmos como critério de seleção que as professoras precisariam estar vivenciando o Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular, acabamos por delimitar também o ano da atuação dessas professoras, uma vez que enquanto regime de experimentação o projeto só estava sendo implementado no primeiro ano de cada ciclo.

Se faz necessário dizer ainda que todas as entrevistas, tanto as realizadas em Portugal quanto as realizadas no Brasil, foram feitas em condições diferentes, o que também consideramos ser um fator que pode influenciar nos dizeres produzidos pelas professoras. Assim, a entrevista com Valéria foi realizada na sala dos professores na escola em que atuava,

enquanto as entrevistas com Estephane e Luisa foram realizadas em suas respectivas residências. Já todas as professoras portuguesas tiveram suas entrevistas realizadas em uma das escolas do Agrupamento de Escolas de Valadares. Ressaltamos, também, que o local das entrevistas foram escolhidos pelas professoras e correspondiam às suas necessidades pessoais. Assim, concluímos este capítulo, em que realizamos um ―giro discursivo‖ (ARAÚJO, 2015) pelas conceituações da Teoria do Discurso, apontando para as potencialidades dessa perspectiva teórica-metodológica para compreender as práticas curriculares e demonstrando como seu aparato conceitual poderia contribuir para a análise das ações articulatórias produzidas por professores, em suas práticas curriculares, entre as demandas dos referenciais legais, suas demandas pessoais e as do coletivo da escola. Também nos esforçamos em apontar as potencialidades da Teoria do Discurso em evidenciar as possibilidades dos professores de, na falha estrutural, produzirem outras formas de praticar o currículo a partir da constituição da prática coletiva. Diante disso, discutimos, a seguir, a construção social e histórica dos sentidos de currículo e da prática curricular, trazendo a TD para a compreensão do fechamento contingente desses sentidos.

3 CONSTRUÇÃO SOCIAL E HISTÓRICA DE SENTIDOS DE CURRÍCULO E DE