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A Unidade Didática (UD) representa um bloco de matéria presente no plano anual, ou seja, cada UD corresponde à especificação de cada matéria de ensino presente no plano a longo prazo. Segundo Bento (1987, p. 60), “a duração de cada unidade depende do volume e da dificuldade das tarefas de ensino e aprendizagem, de princípios psicopedagógicos e didático- metodológicos, acerca da organização e estruturação do processo pedagógico, do estado de desenvolvimento da personalidade dos alunos.” Para Januário (1984), a UD reporta-se ao conjunto de caraterísticas que podem emprestar coerência ao planeamento, facilitar o ensino dos professores e a aprendizagem dos alunos.
Nas palavras de Bento (1987, pp. 60-63), “O planeamento a este nível procura garantir, sobretudo, a sequência lógico-específica e metodológica da matéria, e organizar as atividades do professor e dos alunos por meio de regulação e orientação da ação pedagógica, endereçando-se às diferentes aulas um contributo visível e sensível para o desenvolvimento dos alunos. (…). A preparação da aula apoia-se no planeamento a longo prazo.”. Aqui é necessário ter em conta “a matéria, os prossupostos dos alunos e as condições de ensino, bem como os dados fornecidos pela análise das etapas anteriores,
na preparação da aula tem lugar uma precisão dos seus objetivos (…); é planificado o seu decurso metodológico e temporal”.
O mesmo autor afirma que “O conteúdo e a estrutura do plano de cada unidade são determinados pelos objetivos, pelas indicações acerca da matéria e pelas linhas metodológicas do programa e do plano anual.” (p. 60). Assim, se no plano anual foram enumeradas as modalidades que pretendia abordar ao longo do ano letivo, nas UD houve uma maior preocupação em especificar os conteúdos que iria lecionar. De referir, que nesta fase tive algumas dificuldades na seleção dos conteúdos a lecionar.
A conceção das UD constituiu-se como um instrumento de trabalho excelente e um ótimo guião para o desenvolvimento do processo de ensino- aprendizagem. De facto, neste ano de estágio a elaboração das UD enriqueceram e desenvolveram a minha capacidade de conceção e de planeamento. Estas foram também um guia fundamental para a minha intervenção enquanto professor estagiário, porquanto no momento da realização do ensino já estavam bem delineados os objetivos a atingir, os conteúdos a abordar e sequências a seguir, bem como as estratégias a aplicar, os recursos a utilizar e o tipo de avaliação a considerar.
Isto de planear uma UD não era algo de novo para mim, pois este tipo de plano já tinha sido amplamente trabalhado aquando da minha formação. Ao contrário do plano anual, eu já tinha um conhecimento sólido acerca do que era uma UD. Ainda assim, nenhuma das que realizara antes do estágio tinha sido realmente aplicada, pelo que esta era a primeira vez que iria passar por um processo de aplicação aliado à reflexão e, possivelmente, de reformulação. Por isso, à partida, eu considerava, que ainda teria de aprender muito acerca do modo de elaborar este instrumento. Durante o ano de estágio evoluí na sua elaboração, designadamente com as orientações da professora orientadora. Se no primeiro ano de mestrado o exigido foi estudar tudo ao detalhe, no sentido de percebemos cada módulo, resultando cada UD num documento muito extenso, nesta fase da minha formação o plano das UD teve que passar a ser um documento prático, devidamente sintetizado, isto é, contemplando o essencial para que a sua consulta pudesse ser rápida e fácil. As UD do primeiro período começaram por ser documentos extensos, como acontecera no ano anterior pelo que nessa altura a perceção que tinha é que eram
documentos pouco práticos, porquanto demorava muito tempo à procura das informações necessárias ao planeamento de uma aula. Gradualmente, a professora orientadora foi-me ensinando a concentrar as diversas informações. Deste modo, os UD passaram a ser documentos úteis, bem orientados e fáceis de consultar.
De salientar que todas as UD tiveram que ser alteradas devido a condições climatéricas. Na verdade, como refere Bento (1987, p. 122), nenhuma outra disciplina é tão dependente do clima e do tempo como a Educação Física. O autor ilustra deste modo a influência que as condições climatéricas exercem sobre o ensino, nomeadamente ao nível do planeamento e da realização. Outro aspeto que também conduziu a alterações foi a ocorrência de exames intermédios que colidiram com o horário da minha turma, colocando em causa os objetivos delineados para estas matérias. Contudo, as UD foram minimamente cumpridas, com uma avaliação diagnóstica para determinar o nível de desempenho da turma, com a exercitação dos conteúdos definidos e uma avaliação sumativa para cada matéria de ensino.
Cada UD estava dividida, na sua aplicação, em três domínios: psicomotor, sócio afetivos e cognitivo. Para estes domínios, foram traçados objetivos transversais e específicos de cada modalidade (módulo 5), alguns deles já foram falados no ponto anterior, no plano anual.
Concentrando-me nas habilidades motoras, ou seja nos conteúdos técnicos e táticos das modalidades, as decisões passaram primeiro pela análise dos resultados da AD, em contraponto com as propostas do PNEF e os conhecimentos adquiridos na formação anterior. Raramente pude ir ao encontro das propostas do PNEF para o 11º ano, o que não me surpreendeu, visto que já me tinham alertado, no primeiro ano deste mestrado, para o desajustamento dos conteúdos propostos pelos programas e as reais capacidades dos alunos. Por esta razão, os docentes da FADEUP, de algumas didáticas, facultaram apoios teóricos que me facilitaram a tarefa de estruturação e sequência de abordagem dos conteúdos. Cheguei mesmo, na minha formação, a realizar trabalhos de crítica ao PNEF (badmínton) que me auxiliaram nesta etapa.
meus alunos. Em termos gerais refira-se que o planeamento relativo às várias modalidades abordadas foi cumprido, embora alguma com maior facilidade que outra, não só pelo número de aulas, como também pelo domínio dos conteúdos e pela motivação da turma para determinadas matérias de ensino.