1. Seizing the low-carbon opportunity …
1.1 The low-carbon opportunity
A barreira motivacional foi elaborada mediante as variáveis que indicavam problemas sobre os aspectos visionários (1), administrativos (2) e individuais (3) que influenciam negativamente a participação dos atores no processo de transferência de tecnologia. Assim, a barreira motivacional foi construída a partir de seis variáveis. O Quadro 6.4 apresenta os resultados.
Para Franco; Haase (2015) as motivações são de grande relevância para moldar as condições organizacionais e estruturais, afim de desenvolver um processo de transferência de tecnologia mais eficiente. Diversos autores na literatura buscam compreender os aspectos motivacionais não só dos cientistas acadêmicos, como também das empresas e das universidades (HOYE; PRIES, 2009; GIULIANI et al, 2010; ABREU; GRINEVICH, 2013).
Quadro 6.4: Dados da avaliação das variáveis agrupadas na barreira motivacional Sentenças referentes à Barreira Motivacional
V18 Há uma grande diferença nos aspectos culturais, conhecimento, filosofia e visão entre
pesquisadores e empresas.
V19 Existe uma dificuldade dos pesquisadores no momento da formalização dos contratos.
V20 Existe uma dificuldade dos pesquisadores em conciliar o tempo para ensino, pesquisa e
interação com as empresas.
V21 Há um ambiente de incertezas e de falta de confiança em torno do pesquisador para
participação de novos projetos gerados pelas experiências negativas anteriores.
V22 Há uma falta de reconhecimento dos trabalhos de interação entre universidade-empresa.
V23 Existe uma clara manifestação de desapreço ou despeito dos colegas em relação aos
professores engajados em projetos de interação entre universidade-empresa. Dados correspondentes as opiniões dos entrevistados
Vx
Frequência Relativa
Média Moda Variância Desvio padrão 1-2 3 4-5 V18 0,056 0,417 0,528 3,7 3 0,8 0,9 V19 0,111 0,25 0,638 3,7 4 1 1 V20 0,166 0,333 0,5 3,5 3 1,4 1,2 V21 0,167 0,417 0,417 3,5 3 1,3 1,1 V22 0,084 0,444 0,472 3,5 3 0,8 0,9 V23 0,25 0,333 0,417 3,3 3 1,2 1,1
Fonte: Elaboração própria (2016).
A primeira variável que compõe o grupo barreira motivacional procurou abordar a existência de grandes diferenças, de modo geral, nos aspectos culturais, de
conhecimento e filosófico entre empresas e pesquisadores. Os resultados da (V18)
demonstram que 52,8% dos entrevistados concordam com a afirmação, de que há uma grande diferença dos atores envolvidos nesses aspectos. Apenas 5,6% dos pesquisadores discordam do que foi afirmado.
Convergindo com o resultado da pesquisa, a literatura revela que há uma visão distorcida entre pesquisadores e empresas nesses aspectos, a qual pode ser analisada por meio dos anseios nos resultados envolvendo o processo de transferência de tecnologia. Enquanto que as empresas procuram no desenvolvimento de pesquisas resolver problemas específicos e gerar riquezas, as universidades buscam nos estudos solucionar problemas de maneira geral e promover a geração e disseminação do conhecimento (COHEN et al, 2002; SEGATTO-MENDES; SBRAGIA, 2002; ABREU; GRINEVICH, 2013).
A variável (V19) apresentou moda igual a 4 e média superior a 3,7 revelando que
em relação a dificuldade na formalização dos contratos (V19), conforme o estudo, a
maioria dos coordenadores, no caso 63,8% afirmam ter problemas, enquanto que apenas uma minoria correspondente a 11,1% dizem que não. De acordo com Garnica; Torkomian (2009) alguns dos problemas contratuais encontrados são: I) a negociação do custo da parceria; II) a presença do inglês-jurídico em contratos internacionais; e III) a pouca flexibilidade na gestão do contrato.
A variável (V20), uma das mais controversas, refere-se a divisão de tarefas do
coordenador envolvendo o ensino, a pesquisa e a interação com as empresas. Tal barreira foi encontrada nos estudos de Santana; Porto (2009) e Perales (2014). Os resultados revelam que 50% dos entrevistados declaram existir uma dificuldade em conciliar as três atividades. Apenas uma pequena parte, 16,6% dizem não haver problemas.
O principal problema, de acordo com os coordenadores, reside nos afazeres administrativos (PERALES, 2014). Corroborando com o autor, Segatto-Mendes; Sbragia, (2002) afirmam que muitas tarefas são geradas pelo excesso de burocracia nas estruturas acadêmicas.
Outra questão é que para o pesquisador, sua responsabilidade no projeto deveria ser restritas apenas ao desenvolvimento da pesquisa e que diversas questões burocráticas e administrativas não deveriam ser de sua responsabilidade, e sim ficar a cargo do pessoal de apoio técnico-administrativo vinculados aos órgãos de intermediação participantes do processo.
As três últimas variáveis motivacionais referem-se as motivações individuais dos pesquisadores e tentam revelar o impacto referente a: a) experiências negativas anteriores
(V21); b) despareço dos colegas causados pelo engajamento em projetos de pesquisa (V22);
e c) a falta de reconhecimento dos trabalhos envolvendo a interação entre universidades
e empresas (V23).
Observou no estudo que as experiências negativas anteriores vivenciadas pelos pesquisadores trazem uma falta de confiança e um ambiente de incerteza no engajamento
de novos projetos (V21) para 41,7% dos entrevistados. Essa foi a mesma proporção para
os coordenadores que não concordam nem discordam da afirmação.
De acordo com Costa; Cunha (2001), muitas empresas deixam de participar do processo de cooperação devido à experiências negativas anteriores junto aos pesquisadores, alegam entre outros motivos que as universidades estão por fora da realidade e os docentes estão despreparados ou não possuem interesse. Segundo Perales
(2014) bons resultados em experiências anteriores aparecem como uma das características de satisfação na interação entre universidade e empresas.
Para alguns coordenadores, os efeitos causados pela morosidade na área jurídico- administrativa, a burocracia excessiva e o excesso de trabalho administrativo e repetitivo provocam experiências negativas nos projetos de transferência de tecnologia na UFRN.
A falta de reconhecimento dos trabalhos de interação entre universidade-empresa
(V22) foi confirmada por 47,2% dos entrevistados. Apenas 8,4% dos coordenadores
discordam da afirmação. Tal problema mantem relação direta com a orientação e rotina disseminada na instituição (D’ESTE; PATEL, 2007).
A variável (V23) confirmou que para 41,7% dos entrevistados existem uma clara
manifestação de desapreço ou desrespeito dos colegas em relação aos professores engajados em projetos de interação U-E. Para alguns coordenadores, o seu envolvimento em projetos de interação entre universidade-empresa trazem pra si uma cobrança excessiva dos membros superiores, que não se ver tão presente em relação aos docentes não envolvidos.
Em um estudo realizado numa universidade canadense, 80% da comercialização das inovações na instituição, eram de responsabilidade de somente 12% do corpo docente (HOYE; PRIES, 2009). A UFRN conta atualmente com 2.764 docentes e apenas um pequeno grupo de docentes participam do processo de transferência de tecnologia na instituição, assim não sendo tão diferente da realidade apresentada na universidade canadense. Talvez esse seja uns dos motivos para a existência da barreira.