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Para o levantamento das informações, foi necessária a elaboração de um instrumento de coleta de dados e seleção de técnicas de análise das respostas, como descritas a seguir.

3.3.1 Técnica e procedimentos de coleta

Como procedimento de coleta de dados foi escolhido o questionário. Este instrumento é constituído por uma série de perguntas, que foram respondidas por correspondência eletrônica (MARCONI; LAKATOS, 2011). O instrumento atingiu o objetivo de coletar dados suficientes para oferecer respostas aos objetivos e problema de pesquisa.

3.3.2 Elaboração de instrumento de coleta de dados

Antes da elaboração do questionário, a pesquisadora utilizou o instrumento de entrevista informal, que consiste em um encontro entre dois profissionais, no qual um deles tem a finalidade de obter informações a respeito de determinado assunto (MARCONI; LAKATOS, 2011). Foram realizadas e gravadas, cinco entrevistas pela pesquisadora que atua na área de design de interiores. O diálogo foi baseado em indagações a respeito da relação entre cliente-projeto-profissional, sem qualquer estrutura determinada anteriormente.

3.3.3 Roteiro do questionário

O questionário foi elaborado e reelaborado com a ajuda do orientador de modo que as perguntas fossem objetivas e atingissem as finalidades pré-

determinadas. Quanto às perguntas e respostas, foi considerado “o que se sabe sobre percepção, estereótipos, mecanismos de defesa, liderança e etc ” (AUGRAS, 1974, p. 143 apud MARCONI; LAKATOS, 2011, p. 87).

Foram elaboradas vinte e uma perguntas, sendo vinte fechadas de múltipla escolha, entre elas treze com uma alternativa possível, sete com possibilidade de mais de uma resposta. E uma pergunta aberta, com o intuito de obter opiniões próprias e livres sobre o conceito de sustentabilidade.

As perguntas foram agrupadas da seguinte forma:

a) Sustentabilidade e descartabilidade - uma sobre formação em sustentabilidade; duas investigam sobre reaproveitamento de móveis existentes; uma sobre o uso de produtos certificados; uma que busca o prazo médio de renovação dos projetos; uma questão aberta sobre a noção de sustentabilidade; duas indagam sobre o descarte do projeto inicial em detrimento de um novo realizado pelo próprio profissional ou por outro; e uma sobre responsabilidade social e ambiental.

b) Relação cliente-projeto-profissional - quatro investigam a postura dos profissionais em relação à sua personalidade10; duas questionam sobre

a observação da satisfação do cliente; duas que investigam abordagens feitas aos clientes; uma observa os fatores que mudam as necessidades e alteram os projetos; uma sobre aspectos priorizados nos projetos. c) Perguntas complementares para situar os respondentes – uma sobre a

formação acadêmica; e uma sobre a respectiva atuação profissional. Esta classificação das perguntas está relacionada ao objetivo do trabalho que é estabelecer relações entre sustentabilidade e duração dos projetos de ambientes, por meio das percepções dos profissionais de design de interiores. Conforme Lobach (2001), o profissional de design é responsável em materializar a ideia do cliente em um projeto no qual se concilia estética e funcionalidade. Segundo Meneghetti (2003), a arquitetura consiste em programar o espaço para uma função que deve ser materializada em objeto, resultado da racionalização da intuição no espaço e no tempo.

10 Essa palavra aqui é compreendida como os aspectos visíveis que compõem “o caráter individual e moral de uma pessoa, segundo a percepção alheia”, imagem, características que distinguem essa pessoa (HOUAISS, 2004).

Estendendo esta responsabilidade, para a produção em design de interiores, tão importante como a forma e a função, é a sua sustentabilidade (MANZINI; VEZZOLI, 2011; PAPANEK, 1995; KANG; GUERIN, 2009).

Foram explorados na questão nove, o desenvolvimento dos projetos e a priorização que o profissional dá para estética, função, tipos de materiais e processos e ou produtos com características sustentáveis. A questão do uso de produtos resultantes do modismo, ou seja, da tendência do mercado, podem ser frutos de programas para o consumo e descarte, por meio da obsolescência estética ou tecnológica programada (PAPANEK, 1984).

Para Mancuso (2012) o elemento mais respeitável no cotidiano do designer de interiores é o próprio cliente. A neutralidade do designer é questionável, mas ela pode ser uma atitude, um recurso de mediação na relação cliente-projeto- profissional.

Papanek (1995) reitera o caráter mediador do designer e enfatiza a necessidade da participação do cliente usuário nos projetos de design, colocando-os também como seus próprios designers. Cada espaço, cada objeto deve estar em sintonia com seu habitante, para que dessa harmonia resulte satisfação em retomar a si mesmo (MENEGHETTI, 2003).

Nas questões cinco, dez e onze foram exploradas as relações cliente- projeto-profissional, a partir da ênfase dada as questões pessoais, atitudes, comportamentos e representatividade de mundo.

Mancuso (2012) considera primordial a troca de informações entre profissional e cliente, por meio de três canais simultaneamente, o visual, o auditivo e o cinestésico que corresponde ao movimento corporal. Estas ideias estão presentes nas perguntas catorze e quinze que abordam a percepção de satisfação ou insatisfação nas relações cliente-projeto-profissional.

O tema da sustentabilidade e do descarte aparece nas questões seis, seis ponto um e sete. Ele aborda a preocupação dos profissionais com o descarte do mobiliário existente, seja por meio de demolição, flexibilidade, adaptações necessárias, otimização do tempo de duração de projetos, e dos produtos adquiridos (MANZINI; VEZZOLI, 2011; MOXON 2010; KAZAZIAN, 2005).

A utilização de materiais certificados e o custo (pergunta oito) são considerados de pouco valor tanto para as empresas fornecedoras, quanto por parte dos clientes. Para estudar a influência da formação acadêmica no desempenho da

profissão foram feitas três perguntas sobre os cursos de pós-graduação e abordagem da sustentabilidade, responsabilidade ambiental e social.

O questionário passou por vários testes de verificação de entendimento dos conteúdos. Para a obtenção dos objetivos propostos pelo instrumento, é de grande importância os pré-testes: 1) do questionário; 2) do delineamento da amostra; 3) da coleta de dados e 4) da análise.

No pré – teste propriamente dito, o questionário foi aplicado para dez respondentes do grupo de estudo. Além de testar o questionário de autoaplicação, em que o respondente pode responder quando quiser e levar o tempo necessário para tanto, outras quatro entrevistas, baseadas em conversas informais, foram realizadas para detectar dubiedades, falta de clareza, dúvidas e principalmente levantar categorias de resposta que não haviam sido imaginadas.

Após esta etapa, a pesquisadora adequou a forma e o conteúdo do questionário alterou questões que apresentavam dúvidas no seu conteúdo. Depois o releu como se estivesse na posição do respondente.

O pré-teste do delineamento da amostra foi necessário para avaliar as dificuldades encontradas ao selecioná-la. Para o levantamento dos dados e do tamanho da população relacionada ao presente estudo, a pesquisadora procurou o Núcleo Paranaense de Decoração. Por meio desta instituição, foi possível chegar ao tamanho da população alvo formada por arquitetos e designers que atualmente trabalham na área de projetos de interiores. A contribuição desta instituição se limitou ao fornecimento da configuração da população, ou seja, uma lista com os nomes e seus respectivos contatos eletrônicos e telefônicos.

No que diz respeito ao pré-teste da análise estatística, foi possível verificar se perguntas não foram respondidas, se as respostas apresentavam-se muito restritas ou inadequadas, se opções de respostas nunca foram escolhidas pelos testados e a frequência com que a alternativa “outros” foi assinalada denotando que as alternativas oferecidas não são exaustivas.

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