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Loopholes from the perspective of DIQKD

3. Loopholes in Bell experiments and DIQKD 18

3.2. Loopholes from the perspective of DIQKD

O termo ‘ecodesenvolvimento’ foi expresso pela primeira vez em 1973, por Maurice Strong, Secretário-Geral da Conferência de Estocolmo, em 1972, para definir um modelo de desenvolvimento ecologicamente orientado, proposto pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, de acordo com Leis apud Carmargo (2002), embora Ignacy Sachs tenha formulado os princípios básicos desta nova visão de desenvolvimento, segundo Brüseke, apud Carmago (2002).

As expressões ‘ecodesenvolvimento’ e ‘desenvolvimento sustentável’ são usada freqüentemente, por Sachs (1993), como sinônimo. Segundo o autor, a expressão ecodesenvolvimento continua a ser bastante usada em diversos países europeus, latino- americanos e asiáticos, tanto por pesquisadores, quanto por governos.

O conceito de ecodesenvolvimento é uma “construção voltada para a ação e baseada na ecologia cultural”, estabelece Sachs (1986, p.46). Consiste, segundo o autor, em um estilo de desenvolvimento endógeno e autoconfiante, voltado para as particularidades de cada região, buscando soluções específicas para problemas também específicos, considerando-se, para isso, os dados ecológicos e culturais, as necessidades do presente e do futuro.

Nesse sentido, não há uma única estratégia de desenvolvimento. É necessário pesquisar a criação de futuros alternativos. Um dos pilares do ecodesenvolvimento está apoiado na capacidade das sociedades humanas de identificar seus problemas, e de lhes dar soluções originais, mesmo que se inspirando em experiências alheias. O objetivo é conseguir um equilíbrio durável entre o homem e a natureza.

O ecodesenvolvimento foi concebido para ser um estilo de desenvolvimento particularmente adaptado às regiões rurais do Terceiro Mundo, o que não significa que não

possa se estender às cidades.

Para Sachs (1986), o ecodesenvolvimento pressupõe um alinhamento de pensamento e de atitudes, em âmbito individual e coletivo, com o paradigma ecológico. Reflexões avaliativas sobre padrões de consumo e estilos de vida adotados pela sociedade, bem como os caminhos trilhados pela ciência, devem ser estimuladas para que mudanças de valores nos indivíduos e nas organizações sejam realidade, sem os quais o ecodesenvolvimento dificilmente poderá ser implementado sem distorções. Esse alinhamento também se refere à conscientização de que as ações locais devem se preocupar com os respectivos impactos ao longo prazo, não só em âmbito local, mas global.

Souza (1999) considera que a questão do desenvolvimento é ampla, e deve ser compreendida como um processo de superação e de conquista de condições culturais, sociais, tecnológicas, econômicas, político-institucionais e espaço territoriais, que proporcionem maior felicidade individual e coletiva.

Três princípios norteadores para desenvolver o ecoplanejamento são indicados por Sachs (1986). O primeiro deles refere-se à prudência ecológica, que considera a gestão prudente do uso de recursos naturais, renováveis e não-renováveis, buscando novas formas de simbiose entre homem e natureza, o uso prudente do espaço e a preocupação efetiva com o equilíbrio climático. O segundo princípio trata da igualdade social, que deve considerar principalmente a solidariedade sincrônica com os indivíduos contemporâneos ou com a geração atual, e a solidariedade diacrônica, para com as futuras gerações. MauriceStrong,apud Sachs (1993),

secretário da Organização das Nações Unidas – ONU, na Eco-92, em seu discurso de encerramento, afirma que “a Conferência está convencida de que, se quisermos salvar a Terra para as gerações futuras, teremos também de preservar as atuais”. O terceiro princípio diz respeito à eficácia econômica, que implica em realizar mudanças institucionais necessárias para que seja propiciado o ecodesenvolvimento.

Almeida (1999) comenta que o conceito de ecodesenvolvimento envolve vários fatores importantes como a ética, a estética, enquanto conteúdo, aplicabilidade prática, política e qualitativa, enquanto construção sócio-comunitária e integradoras de objetivos econômicos sociais e ecológicos.

O planejamento sustentável, ou ecoplanejamento, estabelece Sachs (1986, 1993), deve abranger cinco dimensões de sustentabilidade (figura 5), quais sejam: a cultural, a ecológica, a econômica, a espacial, a social.

Figura 5: Dimensões de sustentabilidade do ecodesenvolvimento Fonte: Baseado em SACHS, 1993.

A dimensão cultural compreende respeito e valorização das diversas culturas, em suas mais variadas expressões como a artística, as crenças, as tecnologias, entre outras.

A dimensão ecológica compreende proteção e recuperação da natureza bem como integração humana no meio ambiente, abrangendo questões como o limite de consumo de combustíveis fósseis, a redução do volume de resíduos e de poluição, a ampliação da capacidade de carga do planeta, a promoção da autolimitação no consumo de materiais, a definição de normas para uma proteção ambiental adequada e a intensificação da pesquisa

Econômica E EEssspppaaaccciiiaaallliiidddaaadddeee C CCuuullltttuuurrraaa E EEcccooolllooogggiiiaaa E EEcccooonnnooommmiiiaaa S SSuuusssttteeennntttaaabbbiiillliiidddaaadddeee S SSoooccciiieeedddaaadddeee

para a obtenção de tecnologias de menos impactos e mais eficientes.

A dimensão econômica tem como meta alocar e gerenciar com mais eficiência os recursos, bem como o fluxo constante de investimentos privados e públicos. A eficiência econômica deve ser avaliada em termos sociais, e não apenas por meio do critério da rentabilidade empresarial de caráter microeconômico.

A dimensão espacial refere-se à obtenção de uma configuração rural-urbana mais equilibrada, e a uma melhor distribuição territorial dos assentamentos humanos e das atividades econômicas.

A dimensão social, por fim, objetiva construir uma civilização com maior eqüidade na distribuição de bens e de rendas, reduzindo o abismo entre os padrões de vida dos pobres e os dos ricos.

O sucesso desse modelo de desenvolvimento, segundo Sachs (1986), dependerá do

conhecimento do meio, que abrange culturas (preocupação com a qualidade das relações

humanas, o respeito à diversidade de culturas), ecossistemas (com gestão racional dos recursos naturais, evitando desperdício, depredação, esgotamento, maximizando sua utilização) e desenvolvimento de ecotécnicas (através das quais podem ser compatibilizados os objetivos econômicos, sociais e ecológicos). Dependerá também da participação social, que implica na educação formal e informal para conhecimento e conscientização ética dos indivíduos, seus padrões de consumo e estilos de vida; e da definição do novo nível de

desenvolvimento econômico estabelecido democraticamente em decorrência destas

mudanças. A participação institucional é importante para promover as mudanças nos padrões de desenvolvimento, centrando sua ação sobre a eficácia alocativa, no sentido social do termo, rejeitando o crescimento desigual e atacando as raízes da exclusão social, sem deixar de usar os mecanismos da economia com predominância do mercado, considerando, para tanto, as organizações governamentais e as não-governamentais.

O grande mérito do ecodesenvolvimento, segundo Lago & Pádua, apud Camargo (2002) está em deslocar o aspecto quantitativo do desenvolvimento, ou seja, crescer ou não crescer, para a discussão do como crescer, ou seja, para uma concepção mais qualitativa da questão. O maior desafio do ecodesenvolvimento, para Sachs (1986, p.67), na verdade, consiste “na identificação e satisfação, em base sustentável, das necessidades genuínas de cada pessoa e de toda a população, respeitando-se a sua diversidade e potencialidade criativa de mudança”. Para Alphandéry et. al.(1992), o associativismo privilegiam a expressão cidadã, as atividades locais, e a gestão direta dos conflitos. Essas associações podem ser explicitadas através da gestão comunitária: cooperativas, sindicatos, partidos políticos, organizações não governamentais que adotam causas específicas ou generalistas do mundo ecológico, nas suas mais variadas vertentes. Benevides (1999) considera que, questões como autonomia da coletividade local para gerir seus destinos, identificar suas necessidades e planejar ações sustentáveis, assim como a valorização da cultura local, seus padrões de vida e de consumo, podem ser mecanismos de sustentabilidade do desenvolvimento, e de profilaxia contra choques interculturais perniciosos à população local.

O ecoplanejamento, como conceitua Sachs (1986), pressupõe a participação social na elaboração de estratégias para o desenvolvimento sustentável de uma localidade, porém não há caminhos previamente definidos, visto que a valorização da cultura e a experiência local são requisitos básicos para que se possa, realmente, atender às necessidades de uma determinada localidade.

Barbieri (1996) comenta que, na opinião dos especialistas do Instituto Mundial de Observações dos Estados Unidos, só uma revolução no estilo de vida e no sistema de valores poderá salvar a Terra.

Como possíveis campos de aplicação das estratégias do ecodesenvolvimento, Sachs (1986) apresenta a alimentação, envolvendo os sistemas de produção agrícola; a habitação,

englobando estilos de habitações ecológicas e planos estruturais urbanos; o consumo de energia, visando novos usos, eliminação dos desperdícios, buscando a suficiência energética; a industrialização dos recursos renováveis, de forma a aproveitar recursos vegetais como matéria-prima; a conservação dos recursos naturais, aproveitando o trabalho humano para conservação de solos, água e vegetação; e a adoção de técnicas de prestação de serviços sociais.

Tiezzi (1988) também aponta algumas ações em direção à sustentabilidade, como as fazendas energéticas, que podem ser alternativas viáveis para contribuir com o aumento da qualidade de vida e trabalho, na área agrícola, através do uso de recursos renováveis para produção de energia, pelo aumento do rendimento e qualificação do sistema agrícola, como a recuperação de novas fontes alimentícias não convencionais; como o reaproveitamento de subprodutos para uso energético ou como fertilizante; como a utilização de técnicas naturais; como a maximização da produção de energia através de recursos renováveis (energia solar, biogás, biomassa, vento, energia hidráulica de pequena escala, geotermia).

Assim, para tornar o desenvolvimento sustentável uma realidade objetiva, deve-se somar, ao conceito, ferramentas e modelos de gestão que possibilitem uma instrumentalização do setor empresarial, para gerir o capitalismo verde.

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