A. Programme fonctionnel des espaces – CdEE
3.8 Locaux du personnel d’exploitation
No paradigma da Modernidade, o planeta Terra é tratado como uma matéria que só tem valor enquanto há produção, ou seja, move-se, portanto, fundamentado na premissa do cálculo de resultado utilitarista. Esse paradigma, que está alicerçado no crescimento exagerado, não é sustentável. Capra (1991, p. 20) versou que o método científico que lhe é condizente é
[...] a única abordagem válida do conhecimento; a concepção do universo como um sistema mecânico composto de unidades materiais elementares; a concepção da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência; e a crença do progresso material ilimitado, a ser alcançado através do crescimento econômico e tecnológico.
Essas abordagens estão profundamente limitadas e necessitam de uma revisão geral, esses valores não podem prosperar, pois o crescimento econômico e tecnológico desprovidos de responsabilidade ambiental gera o descaso com os recursos naturais.
A modernidade apresenta infinitas possibilidades para o desenvolvimento. Isso parece ser evidente. No entanto, todo o desenvolvimento proveniente da
urbanização e industrialização tornou-se contraditório à medida que não foi acompanhado da responsabilidade ecológica.
Santos (2003, p. 336), ao se referir a essa falta de sintonia entre desenvolvimento voltado apenas para o lado econômico, assim se expressou:
O desenvolvimento social é medido essencialmente pelo crescimento econômico; o crescimento econômico é contínuo e assenta na industrialização e no desenvolvimento ecológico virtualmente infinito; é total a descontinuidade entre a natureza e a sociedade, a natureza é matéria, valorizável apenas enquanto condição de produção; a produção que garante a continuidade da transformação social assenta na propriedade privada e especialmente na sociedade privada dos bens de produção, a qual justifica que o controle sobre a força de trabalho não tenha de estar sujeito a regras democráticas.
Diante do acima exposto, percebe-se que o paradigma capitalista da sociedade atual consiste, basicamente, em explorar ao máximo a natureza para alcançar as metas do mercado.
Reimer (2010, p. 94) também analisou o atual modelo produtivo sob a ótica da preservação ambiental e alertou sobre a importância de repensá-lo em outros moldes. Eis o seu pensamento:
A terra é uma grandeza a ser dominada e explorada em favor dos seres humanos. Esse enunciado, na verdade, necessita de uma completa re-visão e deveria ser expresso nos seguintes termos: a terra é a casa comum de
todos os seres vivos e do próprio Deus e cada qual tem responsabilidades de cuidado. Repensar e (re)viver estes conceitos é um grande desafio, que
deve ser levado a cabo por todo um conjunto de ramificações transdisciplinares ligadas à educação ambiental. As religiões, a fé, a espiritualidade também devem dar a sua contribuição e pode-se dizer que têm (ainda) muito a dar.
O autor é de opinião que uma das principais contribuições das religiões reside na redescoberta de elementos “[...] de sabedoria e espiritualidade no sentido da percepção das multiformes ligações e necessidades de religação do ser humano com a criação e com o próprio Criador” (REIMER, 2010, p. 94).
Apesar de ainda estar imerso no paradigma moderno de produção capitalista, traços de um novo paradigma se fazem notar. Uma consciência coletiva dá sinais do seu surgimento. As pessoas começam a se preocupar com a preservação do meio ambiente. Nasce dessa forma, um novo contexto social e econômico, em que organizações e empresas produtivas e de serviços apresentam um agir “ético” e
voltado à preservação do meio ambiente, cujos reflexos atingem a sua imagem institucional no mercado.
A necessidade de preservar o meio ambiente transforma e influencia os negócios. Atualmente, as organizações que estiverem integradas às questões ambientais e ecológicas possuem, certamente, significativas vantagens competitivas. Isto se dá porque as pessoas, hoje em dia, valorizam e estão dispostas a pagar mais por um produto que não agrida o meio ambiente.
Na esteira dessa argumentação, Tachizawa (2009) acredita nas estratégias de negócios focadas na responsabilidade social e econômica, na preservação ambiental, conforme se verifica na sua afirmação abaixo:
Dados obtidos no dia-a-dia evidenciam que a tendência de preservação ambiental e ecológica por parte das organizações deve continuar de forma permanente e definitiva; os resultados econômicos passam a depender cada vez mais de decisões empresariais que levem em conta que: (a) não há conflito entre lucratividade e a questão ambiental; (b) o movimento ambientalista cresce em escala mundial; (c) clientes e comunidade em geral passam a valorizar cada vez mais a proteção do meio ambiente; (d) a demanda e, portanto, o faturamento das empresas passam a sofrer cada vez mais pressões e a depender diretamente do comportamento de consumidores que enfatiza suas preferências para produtos e organizações ecologicamente corretos (TACHIZAWA, 2009, p. 5-6).
Nesse concerto, seria louvável que as organizações e empresas conjugassem o desenvolvimento econômico com a proteção ambiental, de modo a favorecer a qualidade de vida da atual e futuras gerações.
A esse respeito, Abreu (2013, p. 41) manifestou que apenas a conscientização e a cobrança social quanto às necessidades de mudança na postura organizacional não são suficientes,
[...] diante da dimensão dos interesses corporativos do capital dominante envolvido no complexo sistema financeiro mundial. Isto acontece devido à diversidade de interesses e compromissos entre nações que visam atender suas necessidades internas e atingir a hegemonia econômica que as qualifiquem como “potências”. Cabe ao poder público e as corporações estabelecerem limites e responsabilidades aos atores responsáveis pela dinâmica produtiva, a fim de que se possa viabilizar e incorporar em sua missão o cumprimento dos compromissos relacionados à preservação do meio ambiente e às suas responsabilidades para com a sociedade.
Mudar essa realidade é algo complicado. Um conjunto de ramificações transdisciplinares em diálogo contínuo faz-se primordial. Isto posto, os ensinamentos
e a sabedoria contidos nos textos bíblicos aliados à educação ambiental podem influenciar na formação do novo paradigma.
Reimer (2006), ao se referir a essa mudança de modelo, explicitou que o atual paradigma experimenta um processo de transição. A propósito, transcreve-se trecho do seu pensamento:
O conceito paradigma designa toda uma constelação de opiniões, valores e métodos, etc., compartilhados pelos membros de uma sociedade, fundando um sistema disciplinar mediante o qual esta sociedade se orienta a si mesma e organiza o conjunto de suas relações. Trata-se, pois, de uma maneira organizada, sistemática e coerente de o ser humano se relacionar consigo mesmo e com tudo o que está à sua volta; trata-se de modelos e padrões de apreciação, de explicação e de ação sobre a realidade circundante. Nos últimos tempos, tem-se afirmado de forma cada vez mais intensa que a humanidade vive uma transição de paradigma (REIMER, 2006, p. 10-11).
O modelo capitalista de produção atual dá mostras de que é insustentável, caso não se tenha como ponto basilar o cuidado com o meio ambiente. Como se sabe, a busca do lucro a qualquer custo se move na contramão do respeito à natureza, além de não ser referência para a justiça social e para o Direito Ambiental. O crescimento desmedido pode causar danos irreversíveis ao meio ambiente, por isso, é conveniente que a humanidade mude seus hábitos. Agir com prevenção e precaução, pensar diferente e buscar novos modelos societários é a questão que se impõe.
O despontar de um paradigma ecológico é fundamental. É o assunto a ser tratado a seguir.