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CHAPITRE V Simulation de la cellule photovoltaïque silicium à hétérojonction et à

V. 5.3 LOAD ET SAVE (charger et sauvegarder)

Os novos sujeitos históricos emergem em cada parte do planeta e articulam-se a nível universal. Quem são e onde estão estes novos sujeitos históricos? São agentes que se encontram entre a população pobre dos países ricos. São grupos de povos indígenas, negros e mulheres militantes e solidários de outras classes sociais excluídas. São agentes pobres que se encontram entre as pessoas e grupos pobres dos países pobres83.

Estes novos protagonistas sociais são os que permitem

81 SUESS, Paulo (org.). Os confins..., op. cit., p. 5. 82 Ibidem, (org.). Os confins..., op. cit., p. 4-5. 83

às novas gerações falar novamente de utopia, esperança, transformação estrutural, projeto alternativo e resistência84. São pobres que cantam apesar da noite. São muitas as maneiras com que a população, excluída dos benefícios sociais, manifesta hoje sua resistência, seu julgamento e suas propostas sobre a atual conjuntura da sociedade. São muitas também as formas através das quais constrói uma sociedade alternativa não excludente.

As moradias e as organizações da população marginalizada tornam-se cada vez mais visíveis e próximas das moradias e das organizações da população que os exclui. Nas grandes cidades, como São Paulo, os empobrecidos “coroam” os centros empresariais e habitacionais das elites da cidade. Ao redor dos mesmos armam suas barracas para o mercado alternativo e para suas moradias, derrubadas periodicamente pelas intempéries e pela vontade política atrelada aos interesses das multinacionais. Protegida pelas marquises, viadutos, calçadas ou varandas das cidades, esta é a população mais temida pelo poder estabelecido. Porque nela se manifesta a força dos pobres ligada à idéia de revolução, no sentido preciso de mudança das bases de um sistema social85.

Na convivência paralela com a população economicamente estabelecida, o grupo social marginalizado

84 Cf. Ibidem, p. 463.

85 Cf. PIXLEY, Jorge e BOFF, Clodovis. Opção pelos pobres.

vai aprimorando sua difícil arte de:

- alimentar-se com os restos de comida dos fartos;

- driblar a arquitetura que lhe foi negada, morando em barracos ao lado das mesmas;

- curar as enfermidades sem direito a recorrer aos medicamentos dos laboratórios;

- aprender e ensinar, sem academias e sem remuneração;

- festejar e divertir-se, sem clubes e salões de festa elitizados;

- criar o mercado informal, sem modernizar seus meios; - comunicar-se, sem conexões globalizadas;

- partilhar, sem excluir ninguém do quintal da própria moradia.

Suas ainda frágeis organizações recebem apoio e articulação solidários de outros grupos, também frágeis, mas um pouco fortalecidos pelo caminho já percorrido e pela experiência da “travessia do deserto”. Destas organizações destaco, entre outras:

- As Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) que iniciaram, nas últimas décadas, na América Latina e Caribe, um novo jeito de ser Igreja e de se posicionar na sociedade. Atualmente, as diretrizes gerais da ação evangelizadora da Igreja no Brasil reconhecem-nas como “rica experiência eclesial, seja pela participação do laicato, seja pela criatividade pastoral, seja pelo empenho

na transformação social”86.

- As lutas e marchas dos povos indígenas por terra, território e dignidade acontecem há 500 anos, neste continente. Nelas estão embutidas não somente vitória contra o latifúndio e a reparação da injustiça, mas também um “projeto pedagógico que mostra como „produzir para viver‟ em vez de „viver para produzir”87 e como viver sem excluir.

Manifestações, como a de Chiapas (México)88, Quito (Equador)89 e a de Coroa Vermelha90, por ocasião dos 500

86 CNBB. Diretrizes gerais da ação evangelizadora no Brasil 1999-202,

doc. 61, p.166; Cf. DP 96-98; 156; 629; 640 etc.; EN 58; RMi 51. O termo CEB, consagrado por Puebla, não está retomado nos documentos mais recentes do Papa (por exemplo no “Ecclesia in America”). Não foi retomado também nos recentes documentos do CELAM. O próprio Instituto do CELAM já não tem mais, entre seus cursos, o das CEBs, nem promoveu, nos últimos 12 anos, estudo algum sobre o tema. Cf. Secretariado das CEBs para o 10º Intereclesial. CEBs: Povo de Deus, 2000 anos de caminhada – informações gerais. Carta desabafo de Pe. Marins: As CEBs já eram..., Ilhéus/Bahia, 11-15/07/00. Cf. http://www.cebs.com.br.

87 Cf. SUESS, Paulo. Como hóspedes..., op. cit., p. 464.

88 “No dia 1º de janeiro de 1994 o Exército Zapatista de libertação

(EZLN) ocupa San Cristobal de Las Casas e outras cidades de Chiapas protestando contra a incorporação do México ao Tratado de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA). O NAFTA obrigou o México a revogar a parte do artigo 27 da Constituição que protegia as terras indígenas coletivas dos ejidos”. Cf. informações atualizadas em: www.ezln.org. Ibidem, p. 463.

89 “Em 1991, Quito é ocupado por 400 indígenas aos quais, em seguida, o

governo distribuiu 1.700.000 hectares de terras. Em 15 de agosto de 1997, indígenas e campesinos exigem uma nova Constituição e provocam uma greve geral. No auge de uma crise econômica e social, em 9 de janeiro de 2000, o presidente equatoriano Jamil Mahaud propõe a dolarização. O descontentamento interno não tardou. Os indígenas, convocados pela Confederação das Nações Indígenas do Equador (Conaie), marcharam em direção à capital, Quito, apoiados por um grupo populista de coronéis do exército. Em 21 de janeiro de 2000, uma junta assume o poder executivo: o líder da organização indígena, um dos coronéis, e o presidente da Corte Suprema de Justiça. Essa junta julgava ter apoio das forças armadas. Em seguida o coronel populista é substituido por um general e este, pressionado pelos Estados Unidos, renuncia e nomeia o vice-presidente para exercer o cargo de presidente. O governo dos Estados Unidos reconhece imediatamente o novo governo do Equador. Os indígenas, que são 50% da população do Equador, se sentiram traídos”. Ibidem, p. 463-464. Cf. UCHÔA, Rodrigo. “Equatorianos ajudam a depor presidente”, Folha de São Paulo (20/2/00): 1-24.

anos de “descobrimento” do Brasil fazem nascer uma sociedade civil mundial. São expressões coletivas de resistências que unidas aos atos públicos contra as decisões de Seattle revelam que não é mais possível suportar a „realidade‟ do „Consenso de Washington‟ (1989), onde estruturas e receituário do neoliberalismo foram juramentados91.

- O movimento dos Sem-Terra é considerado, hoje, internacionalmente fenômeno inédito na história das chamadas lutas populares. É o Movimento que está despertando consciências para um olhar realmente novo do que vem a ser cidadania92. Hoje, o Movimento Sem-Terra se desdobrou em outros movimentos sociais, como o de pequenos agricultores, o das mulheres rurais, o de alguns setores do movimento sindical, a Federação dos Trabalhadores no Pará e outros sindicatos da Região Nordeste.

90 Durante as comemorações dos 500 anos de “descobrimento do Brasil” a

Polícia Militar dissolveu com violência a manifestação de protesto, organizada por índios, negros e sem terra. A repressão policial, abusiva e desproporcional, caracterizou-se pela utilização de bombas de efeito moral, espancamentos, prisões arbitrárias, impedimento de acesso de manifestantes a Santa Cruz de Cabrália e Porto Seguro e indisposições para o diálogo por parte dos comandantes da operação policial. O indígena Gildo Jorge Roberto Terena tornou-se mundialmente conhecido através dos meios de comunicação que publicaram sua caminhada de joelhos e com os braços abertos, em direção à tropa de choque da Polícia Militar baiana que atacou manifestações indígenas no dia 22 de abril de 2000, em Santa Cruz Cabrália. Veja o depoimento de Gildo, pronunciado no ato público de solidariedade e acolhida da delegação da Marcha Indígena 2000, na cidade de Rondonópolis-MT no dia 24 de abril, na praça dos Carreiros, às 17 horas. Informações em www.cimi.org.br

91 Cf. SUESS, Paulo. Como hóspedes..., op. cit., p. 463. Veja na

primeira parte desta Dissertação, o Consenso de Washington em Gênese do neoliberalismo e em Sujeitos de mudanças.

92 Cf. STEDILE, João Pedro. Terra de todos. Caros Amigos, IV/23 (junho

- As pastorais sociais articuladas com os organismos: Cáritas, Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (CERIS), Movimento de Educação de Base (MEB) e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento (IBRADES), assumem concretamente a dimensão sócio-transformadora da Igreja. Através de sua presença e serviços lúcidos, conscientes, organizados e articulados com a sociedade concretizam presença de serviço da Igreja na sociedade93.

- O movimento Consciência Negra que tem suas raízes na luta contra o racismo imposto pelos colonizadores europeus aos nativos sul-africanos, desde o século XVII.94 Esta consciência perpassa toda a África e as regiões da diáspora africana formando nova consciência ético- filosófico-teológica em oposição à segregação racial e suas conseqüências95.

Nesta realidade destaca-se atualmente, na esfera civil, a organização dos Congressos Afro-Latino-Americanos, realizados desde os anos 70 em várias localidades da América Latina, reunindo representantes dos diversos países.96 No campo eclesial, afirma Antonio Aparecido da Silva, foi determinante a nova prática expressa pelas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e a „Igreja dos

93 Cf. Setor Pastoral Social – CNBB. As pastorais sociais na virada do

milênio, p. 17-18.

94 Cf. SILVA, Antônio Aparecido. Caminhos e contextos da teologia afro-

americana. Em: SUSIN, Luiz Carlos. O mar se abriu, p. 19-20.

95 Cf. SILVA, Antônio Aparecido. Caminhos..., op. cit., p. 19-20. 96 Ibidem, p. 27.

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Pobres‟, assumida em Medellín e reafirmada em Puebla. “E, na área teológica, a progressão da teologia da libertação”97.

- Os movimentos feministas em defesa da emancipação das mulheres surgiram nos últimos duzentos anos, na América do Norte e na Europa. Hoje se estendem no mundo inteiro com um rosto caracterizado pela militância popular, pelo compromisso com as mulheres das bases, pelas empobrecidas, negras, índias e pelas prostituídas.98 Estes movimentos receberam também na América Latina e Caribe, grande impulso a partir do final da década de 1970, quando, nos estudos acadêmicos, foi introduzida a categoria analítica do gênero. Esta chave de leitura permitiu maior aprofundamento das relações sociais e de poder entre homens e mulheres em benefício da construção de uma sociedade justa, igualitária e participativa. As teologias feministas anunciam a boa nova para as mulheres e para a humanidade. Nossa dignidade feminina, nossa plenitude como ser humano, nosso corpo e nossa sexualidade, nosso cotidiano são mediações, não de desgraças culturalmente projetadas, mas de libertação integral para a nova humanidade.

- Incluo entre os movimentos, a contemporânea mobilização popular do povo brasileiro pelo plebiscito nacional sobre a dívida externa. A campanha do plebiscito

97 Ibidem, p. 27.

98 TOMITA, Luiza E. Teologia Feminista no contexto de novos paradigmas.

tornou-se uma oportunidade de mobilização do povo, uma oportunidade de conscientização e posicionamento diante da situação sócio-política e econômica da nação. Sua organização cívica reuniu “centenas de sindicatos, movimentos sociais e diversas organizações da sociedade civil”99, entre as quais se destacaram a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Central de Movimentos Populares (CMP). A estas entidades somaram-se partidos políticos, além de governos estaduais, assembléias legislativas e câmaras municipais que emprestaram seu apoio institucional à iniciativa100. É importante notar que este plebiscito “faz parte do calendário de mobilização da Campanha Internacional Jubileu 2000, iniciada pelo Vaticano, que prega o cancelamento das dívidas dos países empobrecidos”101. Em sua dimensão universal, esta campanha “reúne Igrejas cristãs, muçulmanas, afro-brasileiras e organizações não governamentais que acreditam que o desenvolvimento da humanidade exige o desendividamento dos países”102.

99 Coordenação Nacional da Campanha pelo Plebiscito da Dívida Externa.

Carta aberta ao ministro Pedro Malan. Correio da Cidadania, 26/08/00, p. 8.

100 Ibidem, p. 8. 101 Ibidem, p. 8. 102

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