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Thesis Overview

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Objetivo geral: Ampliar o repertório sobre o gênero em estudo, por meio de leitura e análise de texto.

Objetivos específicos:

 Ler a autobiografia de Patativa do Assaré10 (disponível na página 71);

 Identificar as principais características, contexto de produção e de circulação da autobiografia de Patativa do Assaré;

 Compreender as estratégias usadas pelo autor para elaboração do texto (estudo de elementos próprios da composição do gênero e de características da linguagem nele utilizada);

9 Nessa etapa, os alunos responderam oralmente.

10 A autobiografia de Patativa do Assaré foi escolhida porque os alunos já o conheciam, através dos poemas de cordel, estudados no primeiro bimestre de 2016.

 Elabora um parágrafo relatando as aprendizagens construídas sobre o gênero autobiografia.

1º encontro: 05.08.16

Tempo pedagógico: 120 minutos

Recursos: Texto xerografado (Autobiografia de Patativa do Assaré), cadernos do projeto e materiais dos alunos.

Desenvolvimento:

Mais uma vez a sala foi arrumada em semicírculo para a realização de uma roda de leitura. Aliás, essa foi a disposição adotada em praticamente todos os momentos da intervenção. Iniciei a aula solicitando os exemplares do Diário de Anne Frank que estavam emprestados. Das cinco pessoas que estavam com os livros, três pediram para renovar por mais uma semana. Esse pedido gerou protesto e confusão por parte de quem estava na lista de espera. Então, buscando ser imparcial e cumprir o combinado, decidi recolher os exemplares e acrescentar novamente na lista de espera as pessoas que queriam fazer a renovação.

Passei a refletir sobre o que estava acontecendo. Os alunos que, anteriormente, não queriam realizar as leituras solicitadas do livro didático e aproveitavam o momento da leitura para conversar, estavam motivados pelo filme para realizar determinada leitura, mas a escola dispunha de poucos exemplares.

Saí da escola decidida a comprar o referido livro para todos, incluindo poucos que não tinham manifestado o interesse em fazer parte da lista de empréstimo. A direção e os professores já tinham programado uma festa em homenagem ao dia do estudante para 11.08.16. Então planejei dar os livros de presente neste momento. Não comentei a minha intenção com eles; afinal não sabia se conseguiria os vinte e oito exemplares, referentes à quantidade de alunos que estava frequentando as aulas, para o dia da festa.

Seguimos com a proposta de roda de leitura para, retomando o conteúdo da aula anterior, na qual falamos sobre as principais características da autobiografia. Relembrei as principais características do gênero e o propósito da leitura (reforcei a informação de que cada aluno produziria sua autobiografia). Essas ações, de acordo com Solé (1998), podem auxiliar a turma a se organizar quanto à leitura a ser realizada.

Dessa forma, visando a ampliação dos conhecimentos sobre o gênero, realizamos a leitura compartilhada da autobiografia do poeta Patativa do Assaré, seguida da análise do texto, em duplas, de acordo como roteiro de perguntas. Depois fizemos a análise coletiva do texto, seguida da sistematização no quadro, observando os elementos próprios da composição do gênero, as características da linguagem nele utilizada, o seu contexto de produção e circulação.

Assim como na análise do texto anterior, iniciamos o trabalho conversando sobre a finalidade de escrita do texto. Observamos que, diferentemente, da autobiografia de Severino da Silva, a autobiografia de Patativa do Assaré havia sido publicada em um livro do próprio autor e em um blog, em sua homenagem, por se tratar de um escritor famoso.

Na sequência, analisamos o texto quanto aos aspectos estruturais, composicionais e estilísticos. Dessa forma, observamos que o referido texto também estava escrito em prosa com o predomínio de sequências narrativas centradas na vida do próprio autor, havia o uso de pronomes pessoais e possessivos na primeira pessoa, de verbos preferencialmente no Pretérito Perfeito e Imperfeito e de marcadores temporais e espaciais. Entretanto, o conteúdo temático estava centrado na família, na sua viagem ao Pará e na sua paixão pela poesia. Nesse texto, houve a quebra da linearidade, à medida em que o autor fala sobre o seu nascimento no final do texto

A intenção com essa atividade, partindo de um modelo sistematizado, não foi limitar a escrita dos alunos a um estilo, foi, sim, mobilizá-los para a etapa da escrita, através do contato com textos do próprio gênero, para que eles pudessem identificar suas principais características e usá-las como parâmetro. Geraldi (1997, p.165), me ajudou nesse entendimento ao afirmar que:

Compreender a distância que separa o texto que produzimos de outros textos produzidos por outros só torna a diferença uma forma de silenciamento quando tais textos são vistos como modelos a seguir, e não como resultados de trabalhos penosos de construção que deveriam funcionar para todos nós como horizontes e não como modelares. Repeti-los em nada os lisonjeia. Tê-los em mente pode nos ajudar a julgar a relevância de nossos textos. (GERALDI, 1997, p. 165)

A partir da análise coletiva da autobiografia de Patativa do Assaré e do relato escrito por eles sobre as aprendizagens que tinham construído sobre o gênero

autobiográfico, verifiquei que, de acordo com os conhecimentos já garantidos, poderíamos seguir para a etapa de escrita.

SEGUEM TEXTO E ROTEIRO DE PERGUNTAS UTILIZADOS NESTA ETAPA Autobiografia de Patativa do Assaré11

Eu, Antônio Gonçalves da Silva, filho de Pedro Gonçalves da Silva, e de Maria Pereira da Silva, nasci aqui, no Sítio denominado Serra de Santana, que dista três léguas da cidade de Assaré. Meu pai, agricultor muito pobre, era possuidor de uma pequena parte de terra, a qual depois de sua morte, foi dividida entre cinco filhos que ficaram, quatro homens e uma mulher. Eu sou o segundo filho. Quando completei oito anos fiquei órfão de pai e tive que trabalhar muito, ao lado de meu irmão mais velho, para sustentar os mais novos, pois ficamos em completa pobreza. Com a idade de doze anos, frequentei uma escola muito atrasada, na qual passei quatro meses, porém sem interromper muito o trabalho de agricultor.

Saí da escola lendo o segundo livro de Felisberto de Carvalho e daquele tempo para cá não frequentei mais escola nenhuma, porém sempre lidando com as letras, quando dispunha de tempo para este fim. Desde muito criança que sou apaixonado pela poesia, onde alguém lia versos, eu tinha que demorar para ouvi-lo. De treze a quatorze anos comecei a fazer versinhos que serviam de graça para os serranos, pois o sentido de tais versos era o seguinte: Brincadeiras de noite de São João, testamento do Juda, ataque aos preguiçosos, que deixavam o mato estragar os plantios das roças, etc. Com 16 anos de idade, comprei uma viola e comecei a cantar de improviso, pois naquele tempo eu já improvisava, glosando os motes que os interessados me apresentavam.

Nunca quis fazer profissão de minha musa, sempre tenho cantado, glosado e recitado, quando alguém me convida para este fim. Quando eu estava nos 20 anos de idade, o nosso parente José Alexandre Montoril, que mora no Estado do Pará, veio visitar o Assaré, que é seu torrão natal, e ouvindo falar de meus versos, veio à nossa casa e pediu a minha mãe, para que ela deixasse eu ir com ele ao Pará, prometendo

custear todas as despesas. Minha mãe, embora muito chorosa, confiou-me ao seu primo, o qual fez o que prometeu, tratando-me como se trata um próprio filho.

Chegando ao Pará, aquele parente apresentou-me a José Carvalho, filho de Crato, que era tabelião do 10 Cartório de Belém. Naquele tempo José Carvalho estava trabalhando na publicação de seu livro O Matuto Cearense e o Caboclo do Pará, o qual tem um capítulo referente a minha pessoa e o motivo da viagem ao Pará. Passei naquele Estado apenas cinco meses, durante os quais não fiz outra coisa, senão cantar ao som da viola com os cantadores que lá encontrei. De volta do Ceará, José Carvalho deu-me uma carta de recomendação, para ser entregue à Dra. Henriqueta Galeno, que recebendo a carta, acolheu-me com muita atenção em seu Salão, onde cantei os motes que me deram. Quando cheguei na Serra de Santana, continuei na mesma vida de pobre agricultor; depois casei com uma parenta e sou hoje pai de uma numerosa família, para quem trabalho na pequena parte de terra que herdei de meu pai. Não tenho tendência política, sou apenas revoltado contra as injustiças que venho notando desde que tomei algum conhecimento das coisas, provenientes talvez da política falsa, que continua fora do programa da verdadeira democracia.

Nasci a 5 de março de 1909. Perdi a vista direita, no período da dentição, em consequência da moléstia vulgarmente conhecida por Dor-d´ olhos. Desde que comecei a trabalhar na agricultura, até hoje, nunca passei um ano sem botar a minha roçazinha, só não plantei roça, no ano em que fui ao Pará.

ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá. 3. ed. Petrópolis: Vozes,1980. p.15- 16.

Também disponível em: http://blog.teatrodope.com.br/2007/07/06/autobiografia-de- patativa-do-assare/

http://usuarioweb.infonet.com.br/~direitoepoesia/caldeiraopoetico_textos.asp?identifi cacao=Patativa%20do%20Assar%E9%20:%20Autobiografia%20e%20Textos%20Po %E9ticos

ROTEIRO DE PERGUNTAS12

1. O que há em comum entre o texto de Patativa do Assaré e o de Severino da Silva, lido na aula anterior?

2. Como Patativa do Assaré se identifica no seu texto?

3. Que vivências ou experiências de vida são narrados pelo autor?

4. Na maior parte do texto, a que tempo o autor se reporta para falar de sua vida?

5. Identifique o trecho do texto em que o autor narra vivências atuais. Que tempo o autor utiliza para essa finalidade?

6. O texto de Patativa do Assaré está organizado em verso ou prosa? 7. Além de datas, que outras palavras o autor utiliza para situar os

acontecimentos no tempo?

8. Qual o objetivo de escrever uma autobiografia? Quem são seus leitores?

9. Onde foi publicado o texto de Patativa do Assaré?

10. Qual dos dois textos lhe chamou mais atenção? Por quê?

Ao final, cada aluno revelou o que aprendeu de acordo com o quadro a seguir.

Eu avaliei a etapa a partir do relato escrito pelos alunos sobre os conhecimentos construídos sobre a escrita da autobiografia, observando que poderia dar prosseguimento à sequência de aulas.

12 Roteiro de perguntas elaborado pela professora Leila.

O QUE APRENDI

Escreva o que você aprendeu sobre a autobiografia.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

No dia 11.08.16, as aulas foram suspensas, pois fizemos uma festa em homenagem aos estudantes. A festa foi planejada para acontecer no pátio, mas a direção solicitou que, antes de seu início, os professores acolhessem os alunos na sala de aula, enquanto finalizavam a arrumação do local.

Eu aproveitei a oportunidade, fui para a sala de aula e arrumei na mesa os presentes que havia comprado para eles: um exemplar do Diário de Anne Frank e uma cópia do filme Escritores da Liberdade13.

Figura 10 Exemplares do Diário de Anne Frank para presentear os alunos.

Fonte: Acervo digital da professora Leila, 2016.

Usei essa estratégia de entregar o presente na sala de aula e não durante a festa porque eu não tinha comprado presente para os alunos da outra turma. Eles já andavam enciumados, dizendo que eu gostava mais da turma da intervenção do que deles. Então não quis correr o risco de reforçar esse sentimento.

Aos poucos os alunos do TAP V foram chegando. Alguns olhavam para a mesa e sorriam; outros me perguntaram: “É presente pra gente, pró?” S.S.M.FS., ao ver que se tratava do Diário de Anne Frank, gritou: “Ôba! É aquele livro!” O livro ainda nem tinha sido entregue e a turma já estava alvoroçada.

13 Prometi a cópia do filme à aluna Ysabele no dia da leitura fílmica, mas os outros alunos disseram que queriam também; então resolvi dar para todos.

Assim que a maioria chegou, conversamos um pouco sobre a origem do dia do estudante, parabenizei-os pelo seu dia e fomos para os presentes. Os alunos fizeram a maior festa quando eu revelei que, dentro do pacote, havia também uma cópia do filme Escritores da Liberdade. Passei, então, a entregar um a um, dando um forte abraço. Foi um momento muito feliz e significativo para mim porque eu vi que eles estavam muito felizes. Há muitos anos, eu não tinha essa aproximação e envolvimento com uma turma de EJA.

Poucos minutos depois, a diretora mandou nos chamar para a festa que já estava organizada no pátio. Pedi que não comentassem nada com os alunos da outra turma, mas não adiantou. Eles estavam tão felizes que saíram da sala me abraçando e fazendo comentários como: “Esse filme foi o melhor presente da minha vida!”; “É o primeiro livro que eu ganho!”; “Professora, amei o presente!”; “Quero chegar logo em casa para assistir o filme!”

A festa transcorreu em clima de muita alegria. Havia, pelo menos, uns oito anos que eu não participava de festas com os alunos da EJA. Para mim, representou um momento de reflexão sobre a importância da afetividade na relação professor-aluno. Estava fazendo pouco mais de um mês do início do projeto e estávamos nos contagiando mutuamente.

Figura 11 Comemoração do dia do estudante.

Figura 12 Comemoração do dia do estudante.

Fonte: Acervo digital da professora Leila, 2016.

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