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Literatura do Nordeste

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C. Contexto literário brasileiro

2. Literatura do Nordeste

Em 15 de novembro de 1989, ocorreram as primeiras eleições diretas para a presidência da República. Houve mais de vinte candidatos, entre os quais Ulysses Guimaraes (PMDB), Leonel Brizola (PDT), Mário Covas (Partido da Social-Democracia Brasileira, o PSDB, criado em 1988 por uma ala do PMDB, descontente com a diluição programática e a falta de vertebração deste partido) e Paulo Maluf (PDS). Segundo um novo dispositivo constitucional, o vencedor teria que alcançar maioria absoluta. Se isso não fosse possível, haveria um segundo turno com os dois mais votados. De acordo com Daniel Aarão Reis, para surpresa geral, chegaram à frente no primeiro turno dois outsiders: Fernando Collor de Mello, do Partido da Reconstrução Nacional, com 22,6 milhões de votos, 28% do total, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, em coligação com o PSB e o PCdoB, com 11,6 milhões de votos, ou 16% do total. O resultado, na visão do autor, exprimia o desgaste não apenas de José Sarney, mas de todos os que dominavam o jogo político institucional desde fins dos anos 1970259.

Ainda de acordo com Aarão Reis, Collor, jovem, bom de verbo e de voto, empolgava as massas populares e seduzia as elites, a quem convencia pelo passado (jovem líder da Arena), pelas alianças políticas, pela posição social (proprietário de terras e de meios de comunicação) e, sobretudo, pelas propostas de abrir o país para o mercado internacional e enfraquecer o Estado regulador e intervencionista. Lula, por sua vez, era também um grande comunicador, com forte apelo popular, sobretudo entre os sindicatos que haviam protagonizado os

258 A opção de abordar as eleições presidenciais aqui e não no Capítulo IV – quando são analisados os processos

eleitorais nos quais os pecebistas se empenharam – se deu pelo fato de que em 1989 as discussões sobre a participação do PCB no pleito, a candidatura de Roberto Freire no primeiro turno e o apoio ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva no segundo, partiram da Direção Nacional para os estados ao contrário dos processos estaduais e municipais de 1982, 1985, 1986, 1988 e 1990, quando coube às Direções Estaduais estabelecer os seus objetivos e, quando foi o caso, formar coligações.

259 AARÃO REIS, Daniel. “A vida política” In: AARÃO REIS, Daniel (org.) História do Brasil Nação, vol. 5.

movimentos dos anos 1980. Seu programa comprometia-se com um conjunto de reformas radicais: a anulação da dívida externa, uma reforma agrária radical e a mudança das bases do modelo de desenvolvimento fundamentado nas desigualdades sociais260. Em síntese, para o autor, os dois, de formas diferentes, vocalizavam a frustração, o protesto e a esperança de dias melhores.

Neste contexto, o PCB também lançou um candidato à disputa presidencial: o recifense Roberto Freire, deputado federal constituinte eleito em 1986. Mas os desafios enfrentados pelo Partido naquele momento não se resumiam apenas aos obstáculos de uma campanha política de grande alcance. Segundo Fabricio Pereira da Silva, no final dos anos 1980, nem os pecebistas mais otimistas conseguiam negar algo que já poderia ter sido diagnosticado há um bom tempo: o PCB passava por uma crise sem precedentes, em grande parte vivida pelos socialistas de todo o mundo, mas que no caso daquele partido se manifestava de forma própria – e especialmente intensa261. Ainda de acordo com Silva:

Membros do “núcleo dirigente”, que haviam se dedicado a relativizá-la ou a negá-la abertamente, se viram obrigados a reconhecer dramaticamente que o partido corria graves riscos. É o que se depreende da seguinte declaração de Roberto Freire no princípio de 1989: “A noção de crise é muito cara aos marxistas. É a famosa tese de que nas crises surgem as situações mais avançadas: ‘a crise como parteira da história’. Essa crise, no entanto, pode não ser a parteira, mas talvez possa vir a ser nosso coveiro. É a crise não só do PCB, mas dos PCs no mundo inclusive dos que estão no poder.” Propunha-se uma “renovação” do partido, entretanto ainda não havia chegado o momento em que sua “essência” (o marxismo como doutrina, a forma leninista de partido, nome e símbolos) seria negada: “A questão do centralismo, compreendido como a adesão voluntária e disciplinada a um centro dirigente, é fundamental para qualquer partido. Para atuar na sociedade é fundamental uma ação coordenada e eficaz, e um membro de um partido revolucionário deve ser fiel a esse compromisso”262.

A divisão do partido, cujos sintomas começavam a aparecer, enxergou na campanha presidencial de Freire um fator unificador em relação aos que defendiam o apoio ao candidato do PMDB (numa reiterada opção pela “frente democrática”) ou ao candidato do PT (na prática seria a opção pela “frente de esquerda”). A candidatura própria de Freire poderia inspirar naquele momento o conjunto dos pecebistas a tentar superar as suas diferenças.

Paulo Moraes Taffarelo afirma que a justificativa oficial da candidatura própria se baseava em dois argumentos principais: o primeiro direcionado aos defensores da “frente

260 Ibidem, p. 113.

261 SILVA, Fabrício Pereira. Utopia dividida: crise e extinção do PCB (1979-1992). Op. cit., p. 129. 262 Idem.

democrática”; o outro aos defensores da “frente de esquerda”. Constatava-se, por um lado, que a transição havia se encerrado, e que não se poderia reproduzir ad infinitum uma política adequada ao período de transição, mas que, agora, se mostrava defasada. Por outro lado, denunciava-se que a frente organizada pelo PT (com a exclusão do PDT e do recém-fundado Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB – dissidência do PMDB) tinha como condição a hegemonia daquele partido sobre seus demais integrantes (PSB e PCdoB). Uma vez mais vinha também à tona o argumento da dubiedade na relação do PT com o socialismo: o partido oscilaria entre um “ultra-esquerdismo dogmático” e um “distributivismo fundado na pequena propriedade”, enquanto o PCB defenderia claramente o socialismo, àquele momento com viés democrático e pluralista. Por fim, havia um outro argumento endereçado a ambos os setores em disputa: o partido não negava sua vocação “aliancista”, já que a eleição em dois turnos permitia que o primeiro se prestasse à apresentação da face própria do PCB à sociedade, enquanto no segundo seriam realizadas as alianças cabíveis263.

Em Alagoas, além do empenho dos pecebistas na campanha, um fato a ser observado é a atenção que a imprensa deu ao pleito, um efeito, talvez, do significado da primeira eleição presidencial direta em quase três décadas. Como já mencionado, Collor era herdeiro das Organizações Arnon de Mello, empresa responsável pelo jornal Gazeta de Alagoas. Dito isto, as outras candidaturas não tiveram quase nenhuma cobertura por parte da Gazeta, ao passo que o Jornal de Alagoas se tornou o canal através do qual os pecebistas alagoanos puderam expor as ações de campanha realizadas.

No final de janeiro, o Jornal de Alagoas informou que, por enquanto, o roteiro dos presidenciáveis não passaria pelo estado. Além de Collor, nenhum candidato planejava vir a Alagoas antes do início da campanha. O número de eleitores do estado e a própria candidatura de Collor aumentavam este desinteresse eleitoral. A exceção ficava por conta de Roberto Freire, que poderia participar da conferência do PCB em Maceió, no final de fevereiro264. Na mesma edição, o periódico apontou que o PCB era até aquele momento, o único partido de esquerda disposto a disputar isoladamente o primeiro turno das eleições presidenciais. Uma pitada de anticomunismo pode ser verificada quando o articulista afirma que se outros objetivos não tivessem, os pecebistas poderiam “ganhar espaços na imprensa e melhorar a imagem do partido com os brasileiros”265.

263 TAFFARELO, Paulo Moraes. A crise orgânica do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e o declínio do “socialismo real”. Op. cit., p. 107.

264 “De fora” In: Jornal de Alagoas. Maceió, 31/01/1989, s/p. 265 “Sozinho” In: Jornal de Alagoas. Maceió, 31/01/1989 s/p.

Durante a Conferência Estadual Extraordinária realizada em Maceió, em fevereiro, Freitas Neto foi eleito o novo presidente estadual do Partido, enquanto Majella foi escolhido como presidente da direção municipal de Maceió. Além da escolha da nova direção partidária, a Conferência Extraordinária tomou importantes decisões para a vida dos comunistas alagoanos, que analisaram três documentos apresentados para discussão pela direção estadual. Eduardo Simões, presidente do PCB da Bahia, foi representante do Comitê Central na Conferência, tendo feito uma rápida palestra e trazido os informes da direção nacional do partido, entre eles, as articulações para a campanha do deputado Roberto Freire a presidente da República.

Os 62 eleitos delegados para a Conferência decidiram que a nova direção estadual passaria a ser integrada por oito pessoas, sendo cinco titulares e três suplentes. Depois dessa decisão, aconteceu a eleição onde, além de Freitas Neto, estavam Anivaldo Miranda, Orlando Falcão, Cícero Péricles e Dênis Agra, estando na suplência Isaac Romão e Paulo Roberto de Oliveira, de Delmiro Gouveia, além de um representante do diretório de Colônia de Leopoldina. Já na municipal de Maceió, foi eleita uma direção de 10 membros, sendo sete titulares e três suplentes. O secretariado era composto por Geraldo Majella, Antônio Sapucaia e Rubens Jambo, também fazendo parte como titulares Roberval Tenório, Valter Policarpo, Ricardo Ramalho e José Lopes de Carvalho Júnior. Os suplentes da municipal de Maceió eram Elaine Moraes, Ivaldo Souza Filho e Régis Cavalcante.

Além do fortalecimento do partido em Maceió, a primeira reunião da nova direção regional do PCB definiu um plano de atuação para toda a Alagoas, visando a ampliação de diretórios em mais municípios. Outra decisão foi a criação de diversas comissões, entre elas a de Educação, que iria realizar cursos de formação, tanto em Maceió como em cidades do interior. Na semana seguinte, a mobilização do PCB era para o lançamento da candidatura a presidente da República do deputado Roberto Freire266.

O ato de lançamento teve a sua programação definida para os dias 8 e 9 de março, e, segundo informação de Freitas Neto, consistiria de encontros na seção local da OAB, com sindicalistas ligados à CUT e à CGT e contatos com representantes das classes empresariais do estado267. Em abril, Majella concedeu uma entrevista ao Jornal de Alagoas, criticando a candidatura do PT, a qual se pautaria pelo “equívoco de se manter em bases falsas de avaliação do quadro político nacional, como a polarização entre esquerda e direita”268. Continuou

266 “Comunistas elegem uma nova direção em Alagoas” In: Jornal de Alagoas. Maceió, 02/03/1989, s/p. 267 “Em campanha” In: Voz da Unidade. São Paulo, nº 435, 03/03/1989 a 09/03/1989, p. 5.

afirmando, “o segundo equívoco dos petistas é o de trabalhar politicamente com a exclusão. Os candidatos a presidente da República Mário Covas e Leonel Brizola pertencem ao campo da esquerda, é bem verdade que não são marxistas, mas suas bases e orientação são na perspectiva da esquerda e do socialismo”269.

Salientou Majella que o PCB estava com uma candidatura a presidente que, no campo da esquerda, era a mais avançada, pois Roberto Freire era o único que tinha se definido mais claramente pelo socialismo como alternativa de regime social e econômico para o Brasil. Concluiu que “a conquista das eleições diretas é um avanço muito importante para a consolidação da democracia em nosso país e principalmente a eleição em dois turnos, pois esta forma de eleição deixa os partidos políticos mais soltos para defenderem os seus programas e aprofundarem o debate político na sociedade brasileira”270.

A partir de junho, o Jornal de Alagoas abre um espaço quase que diário para a cobertura da campanha dos presidenciáveis. Nesse mês, o candidato a vice-presidente na chapa de Freire, o médico e pesquisador da área de saúde Sérgio Arouca, foi confirmado para participar da inauguração do comitê local de campanha do candidato comunista, em declaração dada por Anivaldo Miranda que, naquele momento, desempenhava a função de presidente interino do Partido.

Além da articulação política, Arouca procuraria manter contatos com as comunidades universitária, científica e com os médicos alagoanos, setores com os quais tinha maior identificação profissional. Ao jornal, Anivaldo Miranda afirmou que com a inauguração do Comitê, a campanha de Freire e Arouca ganharia um novo impulso em Alagoas. “Atualmente nós temos nos preocupado prioritariamente com a arrecadação de fundos, através de vendas de bônus, camisetas e adesivos, mas com a abertura do comitê, poderemos ampliar este trabalho”271.

A vinda de Arouca, confirmada para os dias 19 e 20 de junho, seria amplamente trabalhada nos meios de comunicação. Sua participação já estava confirmada em um programa de TV e cinco de rádios. “Nós também vamos aproveitar a vinda de Arouca para lançar a campanha no interior do Estado. Com o debate que ser realizará segunda-feira, em Arapiraca, o PCB será o primeiro partido a discutir a sucessão no Interior”, disse Cícero Péricles272.

269 Idem.

270 Idem.

271 “Sérgio Arouca, o vice do PCB, chega a Maceió dia 16” In: Jornal de Alagoas. Maceió, 07/06/1989, s/p. 272 “Arouca em Alagoas para fortalecer candidatura do PCB” In: Jornal de Alagoas. Maceió, 16/06/1989, s/p.

Em terras alagoanas, Arouca afirmou nas suas entrevistas que a candidatura do PCB não seria retirada para apoiar outro nome, a não ser que toda a esquerda sentasse na mesa, sem candidatura, para discutir uma proposta unificada. Arouca avaliou ainda que a colocação de Fernando Collor nas pesquisas refletia a insatisfação do povo contra tudo o que se apresentava, e disse que Collor era um candidato “imaginário”, não merecendo confiança nem na direita. Através dessa eleição, ele acreditava que o País definiria se sairia da crise ou entraria para a fila dos miseráveis273.

Em agosto, o dirigente nacional do PCB José Ferreira da Silva – o Frei Chico – irmão de Lula, esteve em Maceió em ato de campanha da candidatura Freire. À imprensa local, disse acreditar numa junção de partidos de esquerdas com o PMDB na campanha para a sucessão de Sarney. Explicou que já era militante do PCB antes de Lula fundar o PT, razão pela qual não apoiava a candidatura do irmão274. Frei Chico salientou durante um encontro com lideranças sindicais que “ainda nessa campanha eleitoral, haverá um momento em que as forças políticas que apoiam as candidaturas de Lula, Brizola, Covas, Roberto Freire e setores do PMDB, estarão trabalhando juntas”275.

Ele respondeu afirmativamente quando questionado sobre o fato de haver algum constrangimento por ser irmão de Lula e estar fazendo campanha para Roberto Freire. Asseverou, contudo, que “as questões partidárias são maiores que as pessoais”. Mas disse que tanto Lula como Roberto Freire eram candidatos sérios e reafirmou a fé numa união das esquerdas, ainda que no segundo turno da eleição presidencial.

Na avaliação de Frei Chico, a candidatura comunista era muito importante para o partido na medida em que divulgava o socialismo e desmanchava a ideia de anticomunismo que ainda assustava parte do eleitorado do País. Ele trabalhava como assessor de sindicatos e achava que o movimento sindical como um todo não estava engajado em nenhuma candidatura presidencial, a não ser nas áreas onde era forte a atuação do PT, que carregava a candidatura de Lula. “Grande parte dos sindicatos conserva os vícios corporativistas e tem como mais importante a negociação do acordo salarial”,276 condenou.

Também em agosto, o Jornal de Alagoas noticiou que o PCB via com preocupação uma proposta de greve geral apresentada por setores da Central Única dos Trabalhadores. Ainda em Maceió, Frei Chico afirmou que a ideia surgiu da avaliação equivocada de alguns setores – com

273 “Arouca acha que a esquerda pode manter a união” In: Jornal de Alagoas. Maceió, 20/06/1989, s/p. 274 “[Irmão?] de Lula faz campanha para Freire” In: Jornal de Alagoas. Maceió, 10/08/1989, s/p. 275 “Frei Chico destaca união das esquerdas” In: Jornal de Alagoas. Maceió, 10/08/1989, s/p. 276 Idem.

uma palavra de ordem dessa natureza, a burguesia se assustaria. Segundo ele, havia uma parcela do sindicalismo que se assustava com a perspectiva da greve geral e começou a trabalhar contra ela.

Ele disse que as centrais do país não vinham cumprindo o papel de organizadoras do movimento sindical brasileiro, que continuava órfão de um ordenamento possível com uma central representativa. Ele afirmou que havia setores do PCB ligados à CUT e a CGT em vários estados, mas o projeto do partido passava pela formação de uma central única, como era o caso em outros países. “Só existe a divisão porque somos atrasados na forma de organização”277, ao mesmo tempo em que considerava que a nova Constituição trouxera mecanismos para viabilizar essa organização. A formação de uma central única não implicava necessariamente na unidade do pensamento sindical, e dentro de um organismo dessa natureza poderiam conviver e disputar diversas tendências.

Analisando o processo eleitoral de 1989 em Alagoas, Cícero Péricles de Carvalho apontou que o crescimento da candidatura de Collor a nível nacional, firmada na imagem de governador “moderno” e “moralizador”, ajudado, e muito, pela eficiente utilização da televisão como meio de comunicação e assumindo o amplo sentimento de rejeição ao governo Sarney, repercutiu em Alagoas, estreitando, por conseguinte, o espaço de outras candidaturas, principalmente as mais progressistas no espectro político nacional278.

Aliado a isso, uma eficiente máquina eleitoral foi concretizada pela aliança entre o governo estadual, liderado pelo vice-governador Moacir Andrade – o qual assumira a chefia do governo do estado após a renúncia de Collor – e os chefes políticos que controlavam os colégios eleitorais de quase todos os municípios do interior. Esta aliança buscou apoio no articulado discurso de Collor contra Sarney, trabalhando com a perspectiva de que sua eleição poderia trazer enormes benefícios para Alagoas, então marginalizado pelo governo federal. Segundo Carvalho, esta estratégia permitiu potencializar o sentimento bairrista que, alimentado por uma bem estruturada máquina de propaganda, resultou numa vitória esmagadora de Collor em Alagoas.

Terminado o primeiro turno, em sua edição de número 472, a Voz da Unidade publicou a deliberação dos pecebistas de apoiar o candidato do PT no segundo turno, defendendo a presença das forças democráticas progressistas no futuro governo. A Direção Nacional do PCB decidiu apoiar Lula contra o candidato vencedor do primeiro turno, Fernando Collor. A decisão

277 “PCB preocupado com possibilidade de nova paralisação” In: Jornal de Alagoas. Maceió, 11/08/1989, s/p.

278 CARVALHO, Cícero Péricles. Alagoas 1980-1992: A esquerda em crise. Maceió:

foi tomada logo após a Convenção Nacional de registro definitivo, que elegeu o novo diretório no plenário da Câmara de Deputados, em Brasília. Na oportunidade, a proposta de apoio a Lula foi apresentada pela Comissão Executiva Nacional. Juntamente com uma breve avaliação da campanha eleitoral dos comunistas e do quadro político formado para o segundo turno, foi lançada a proposta de formação de uma nova esquerda, capaz de aglutinar os que defendiam uma alternativa socialista renovada para o Brasil. A resolução política foi aprovada em bloco por unanimidade do plenário, mas a explicitação do apoio a Lula teve três votos contrários, com o argumento de que era preciso aguardar o resultado oficial e a negociação de um programa mínimo entre o candidato do PT e as demais forças do campo democrático e progressista279.

Quadro 2 - Número de votos para presidente em Alagoas – 1º Turno280

Candidatos a presidente da República

Votos no estado Votos em Maceió

Fernando Collor PRN

554.612 111.389

Luís Inácio Lula da Silva

PT 76.227 23.342 Mário Covas PSDB 67.240 31.590 Leonel Brizola PDT 63.071 18.564 Ulisses Guimarães PMDB 9.138 2.648 Roberto Freire PCB 5.674 1.508

Com o título “A campanha eleitoral, o segundo turno e a nova esquerda”, a resolução política do Diretório Nacional do PCB aprovada em 19 de novembro constatava que a campanha eleitoral para a Presidência da República, desenvolvida num clima de amplas liberdades e com grande participação da sociedade, tinha representado extraordinária experiência democrática; nunca, no País, o debate político, a confrontação de ideias e propostas,

279 “PCB apoia Lula no segundo turno” In: Voz da Unidade. São Paulo, nº 472, 23/11/1989 a 29/11/1989, p. 3. 280 TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL DE ALAGOAS. Resultado das eleições para presidente. Maceió:

o comício e as diferentes e múltiplas formas de arregimentação eleitoral, isto é, o exercício concreto de direitos básicos da cidadania, havia mobilizado tantos milhões de brasileiros de todas as regiões e classes sociais281.

Os resultados do primeiro turno constituíam rica manifestação de pluralismo e das demandas econômicas, sociais e políticas por parte da população. E a disputa do segundo turno, que já havia começado a ser travada, renovaria e ampliaria a mobilização de toda a sociedade, fator essencial de pressão democrática pela solução dos graves problemas nacionais e da

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