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Dans le document Rapport du Protecteur du citoyen (Page 26-34)

Ainda tendo em vista as divergências que existiam sobre a conceituação da flexibilidade, vários autores procuraram estruturar esses conceitos para que houvesse uma melhor compreensão por parte de todos e as futuras pesquisas pudessem ocorrer conceitualmente de forma mais homogênea.

Com as contribuições das pesquisas de diversos autores, entre os quais Slack (1987, 1993, 1999), Upton (1994, 1995), Koste (1999), Koste e Malhotra (1999), D’Souza e Willams (2000), Serrão (2001), Olhager e West (2002) e Savaris (2003), e considerando-se a natureza multidimensional da flexibilidade, pode-se estruturar a flexibilidade de manufatura em 3 níveis (UPTON, 1994), a saber:

Nível das dimensões: é a situação pela qual a flexibilidade é requerida, como por exemplo, tipo de mudança (UPTON, 1994); ou mesmo, a identificação do que tem que ser mudado (OLHAGER e WEST, 2002);

• Nível dos períodos de tempo (horizontes de tempo): é a identificação de quão freqüentemente as mudanças ou adaptações ocorrerão (OLHAGER e WEST, 2002); ou então, define a unidade de tempo usada (minuto, dia, mês e ano) e é dividido em 3 situações de tempo, segundo Carlsson (1989) e Upton (1994):

- Operacional, para as alterações em curto espaço de tempo em aspectos, como rotinas, procedimentos, padronização e equipamentos da planta de manufatura;

- Tático, para as alterações em médio espaço de tempo para aspectos, como decisões tomadas antes da implantação da planta; e

- Estratégico, para aspectos vinculados ao futuro, como tipos de produtos que serão manufaturados, onde localizar a planta da empresa e magnitude do projeto.

• Nível dos elementos da flexibilidade: que é a identificação dos caminhos de ser flexível que são necessários para uma dada dimensão de mudança e horizonte de tempo. São 4 os elementos básicos:

- Faixa: que retrata o escopo da dimensão da flexibilidade (OLHAGER e WEST,2002); ou então, pode ser representada como o número de posições ou a distância entre os extremos da faixa de mudança (UPTON, 1994). Define-se a partir desta concepção, dois novos elementos da flexibilidade, oriundos do elemento faixa, quais sejam, Número de Faixa (R-N) e Heterogeneidade de Faixa (R-H);

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- Mobilidade (M): que é a habilidade de movimentação entre as dimensões da flexibilidade (UPTON, 1994); e

- Uniformidade (U) : que é a habilidade de alterar a performance em função de Mudanças.

A figura 3.13, a seguir, retrata a flexibilidade da manufatura nos três níveis citados.

Figura 3.13 - Estrutura para análise da flexibilidade da manufatura. (Adaptado de UPTON 1994; SERRÃO, 2001; SAVARIS, 2003)

No detalhamento dos elementos da flexibilidade da figura 3.13, Serrão (2001), com base em Koste e Malhotra (1999), representa graficamente a estrutura dos elementos da flexibilidade, conforme a figura 3.14.

Figura 3.14 - Elementos da flexibilidade de manufatura. (SERRÃO, 2001)

Os estudos de Koste (1999) e Koste e Malhotra (1999) permitem que, utilizando-se os quatro elementos da flexibilidade da manufatura citados, se defina o domínio de qualquer dimensão da flexibilidade da manufatura. Para uma melhor compreensão, os autores sugerem alguns potenciais indicadores, conforme a figura 3.15, a seguir:

Figura 3.15 - Elementos da flexibilidade e potenciais indicadores. (KOSTE e MALHOTRA, 1999)

Savaris (2003) apresentou os resultados de uma pesquisa e a análise de 50 estudos publicados entre 1967 e 1997, a partir dos quais Koste e Malhotra (1999) mapearam a utilização dos quatro elementos de flexibilidade (figura 3.15), na “determinação do grau de flexibilidade das 10 mais importantes dimensões da flexibilidade, procurando identificar quais elementos eram mais utilizados, como forma de mensurar a flexibilidade” mostrados na figura 3.16. Percebe-se que determinadas dimensões não foram relacionadas com alguns elementos da flexibilidade, uma vez que os estudos foram realizados por diversos autores, em diferentes épocas, conforme o conhecimento existente e as novas descobertas.

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Figura 3.16 - Pesquisa sobre operacionalização dos elementos da flexibilidade. (KOSTE e MALHOTRA, 1999)

Slack (1993) faz duas distinções entre as flexibilidades. A primeira distinção é entre a flexibilidade de faixa e a flexibilidade de resposta; e a segunda é entre flexibilidade de sistema e flexibilidade de recursos.

Para o autor, a flexibilidade de faixa está relacionada a “quanto uma operação pode ser mudada”, e a flexibilidade de resposta está relacionada a “quão rapidamente uma operação pode ser mudada”. Isto leva a compreender que, por exemplo, a flexibilidade de mix de produtos está limitada a uma flexibilidade de faixa e outra de resposta.

A figura 3.17 mostra a relação entre os tipos de flexibilidade de sistema adotados por Slack (1993) e suas dimensões de faixa e resposta.

Figura 3.17 - As dimensões de faixa e resposta dos quatro tipos de flexibilidade de sistema. (SLACK, 1993)

Já a distinção entre flexibilidade de sistema e de recursos, segundo Slack (1993), significa a “distinção entre a forma de descrever a flexibilidade de operação como um todo

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(sua flexibilidade de sistema) e a flexibilidade dos recursos individuais que, juntos, compõem o sistema (sua flexibilidade de recursos)”. Para o autor:

• Flexibilidade de Sistema deve ser vista como a operação total como uma “caixa preta”, considerando-se 4 tipos de flexibilidade que poderiam contribuir para sua competitividade, que são:

- flexibilidade de novos produtos: habilidade de introduzir e produzir novos produtos ou modificar os existentes;

- flexibilidade de mix: habilidade de mudar a variedade dos produtos que estão sendo feitos pela operação dentro de um dado período de tempo;

- flexibilidade de volume: habilidade de mudar o nível agregado de saídas da operação; e

- flexibilidade de entrega: habilidade de mudar datas de entrega planejadas ou assumidas.

Na figura 3.17, pode-se também observar todos esses tipos de flexibilidade de sistema com seus respectivos componentes de faixa e resposta.

• Flexibilidade de Recursos significa a habilidade de mudar inerente a: tecnologia de processo; recursos humanos; e redes de suprimentos (os sistemas que fornecem e controlam a operação). As flexibilidades dos recursos da empresa devem ser desenvolvidas para se adequarem à flexibilidade do sistema que for requerida pela operação como um todo. A figura 3.5, mostrada no item 3.1 do presente trabalho, retrata isto.

O conhecimento dos elementos da flexibilidade de manufatura utilizados pelos diversos autores é necessário, tendo em vista que, no modelo a ser desenvolvido, será levantada a influência de cada elemento que compõe as flexibilidades da manufatura, mais especificamente as flexibilidades consideradas críticas.

O modelo a ser proposto nesse trabalho tomará como elementos da flexibilidade, os diversos recursos requeridos pelas flexibilidades, quais sejam: recursos humanos, tecnologia, redes de suprimento e tecnologia de informação. Assim sendo, tendo-se identificado os elementos da flexibilidade da manufatura, atinge-se outro objetivo específico do presente trabalho, já citado no Capítulo 1.

Na figura 3.18, Slack (1993) exemplifica as mais importantes características desses recursos que são requeridas pelos diferentes tipos de flexibilidade.

Recursos Flexibilidade de produto Flexibilidade de mix de produtos Flexibilidade de volume Flexibilidade de entrega Tecnologia de processo Faixa de capacidade de processo Capacidade de tecnologia de projeto Faixa de capacidade de processo Tempos de mudança de processo Escala e integração do processo Capacidade total de processo Velocidade com a qual o processo pode ser focalizado

em uma determinada faixa de produtos Capacidade total de processo Velocidade com a qual o processo pode ser focalizado

em uma determinada faixa de produtos Recursos humanos Faixa de habilidades de projeto Faixa de habilidades de processo Transferibilidade de trabalho Faixa de habilidades de processo Transferibilidade de tarefas diretas e indiretas Capacidade de hora extra Transferibilidade de mão-de-obra Capacidade de hora extra Transferibilidade de mão-de-obra Redes de suprimento Fornecimento de mão-de-obra para projeto e processo Habilidade de modificar tecnologia de processo Habilidades de gerenciamento de projeto Tempos de compra de itens Capacidade de reprogramação Habilidade de recrutar mão-de- obra nova ou temporária Habilidade de organizar e subcontratar fornecimentos Processamento de pedidos e sensibilidade de previsões Tempos de compra de itens Habilidade de recrutar mão-de- obra nova ou temporária Habilidade de reprogramar atividades

Figura 3.18 - Implicações nos recursos dos tipos de flexibilidade do sistema (SLACK, 1993)

Após o levantamento dos mais variados tipos e elementos da flexibilidade da manufatura, procede-se à apresentação da classificação dos tipos de flexibilidade na qual se procura englobar todos os interesses dos diversos autores, bem como as relações entre as mesmas.

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