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A.1 OS Level

4.1 Liste des ports utilisés par Samba

Como já mencionado acima, entre os 10 (dez) trabalhos analisados neste capítulo, apenas em 03 (três) deles os(as) autores(as) realizaram uma apropriação de geração – 02 (dois) apropriados como conceito (MELO, 2003; CHENET, 2007) e 01 (um) apropriado como termo (MAZON, 2012). Nosso objetivo com este tópico é apresentar como esses(as) autores(as) utilizaram tais conceitos e termo em seus estudos. Passemos então a analisá-los.

Em seu trabalho Melo (2003), ao tratar da categoria de estudo que situa o conceito de geração, o faz a partir dos trabalhos de Jean-François Sirinelli e de José Ortega y Gasset. Para tanto, se vale da definição de geração manifestada por aquele autor que compreende ser uma tarefa complexa tentar responder à questão se a geração é um padrão – no sentido do metro padrão – que permite dividir o tempo como a década ou o século. Compreende que a década e o século são “produtos da cultura”, portanto são dados relativos, pois dependem de como se divide o tempo em uma dada civilização. Já a geração seria o reflexo da inserção do indivíduo na profundidade histórica. Nas palavras de Melo (2003, p. 6)

a questão proposta por Sirinelli, em vez de fornecer um conceito pronto, acabado, introduz uma reflexão de extrema pertinência, ao colocar o papel da cultura mediando o que poderia se conceituar como geração. E mais, a sua reflexão nos leva a pensar o sujeito representante de determinada geração como um sujeito com um sentimento de pertencimento a uma faixa etária com forte identidade diferencial.

Ortega y Gasset, em seu texto La Idea de las generaciones, de 1923, “defendeu que as pessoas nascidas em um mesmo tempo partilham a mesma „sensibilidade vital‟ que se opõe às gerações anteriores e mais recentes e que define sua „missão histórica‟” (FEIXA; LECCARDI, 2010, p. 196).

é necessário desnaturalizar o conceito de geração para evitar a confusão com a Biologia e Genealogia. O conceito de geração [...] vai muito além desse determinismo biológico; sustenta-se na vivência única e intransferível de cada sujeito, contextualizada historicamente e construída no interjogo das relações sociais.

A autora elege três mulheres, professoras, de diferentes períodos (décadas de 1950, 1970 e 1990) buscando compreender como se processa a composição identitária de mulheres que se tornaram professoras e entende as mesmas como pertencentes a diferentes gerações, com histórias individuais entrelaçadas à história coletiva, com uma “sensibilidade vital” própria e que define sua “missão histórica”.

Um aspecto importante de ser problematizado diz respeito aos intervalos de ingresso dessas professoras na carreira docente, ou seja, aproximadamente de vinte em vinte anos. No entanto, a autora não esclarece em seu estudo o motivo de ter constituído o corpus de seu trabalho com professoras de tais períodos. Gostaria ainda de levantar uma questão que, aparentemente foi desconsiderada pela autora ao falar dos papeis esperados das mulheres e das identidades femininas nas diferentes décadas analisadas. Melo (2003) procede a uma generalização, ou seja, a autora deixa entender em seu trabalho que todas as mulheres, daquela década, teriam as mesmas identidades e não leva em conta questões tais como: culturas próprias de cada lugar do país; o local de residência, se em uma grande, média ou pequena cidade ou ainda no meio rural; questões étnicas, apenas para citar algumas.

Por sua vez, Chenet (2007) defende em seu trabalho a necessidade e importância de se compreender como ocorreram os processos formativos de professores(as) nos diferentes períodos. Para a autora,

falar de trajetórias docentes de pessoas que optaram pelo exercício da docência como opção de trabalho é validar práticas sociais presentes em espaços muitas vezes desconhecidos, dentro da própria categoria docente e pelos alunos em formação inicial (CHENET, 2007, P. 31 – 32).

Chenet (2007) faz um levantamento de trabalhos que empregam o conceito geração e identifica diferentes abordagens sobre o mesmo, entre as quais: as que envolvem o grupo familiar; as que consideram características biológicas ligadas a aspectos de idade cronológica; as que tratam das relações intergeracionais; as que abordam a questão da geração literária entre outras. Também discute brevemente diferentes

pensadores que formularam reflexões sobre a temática, tais como Karl Mannheim, José Ortega y Gasset e Manuel Jacinto Sarmento e não adota particularmente um dos autores, mas busca nos mesmos os elementos que entende importantes para a formulação de seu conceito de geração. Assim se refere Chenet (2007, p. 33):

O conceito de geração que abordei nesta pesquisa não está ligado a caracteres biológicos e/ou familiares, tem sim um cunho histórico-social, datado em determinado período cronológico. A compreensão que [perpassou] esse trabalho com enfoque nas gerações de professores [teve] como base um determinado período de tempo e espaço, momentos culturais, políticos, profissionais singulares e inseridos em espaços sociais coletivos. A geração refere-se a um grupo de pessoas que em período datado e localizado viveram experiências semelhantes (grifos nossos).

É muito forte no trabalho da autora a ideia de geração como um grupo de pessoas (independente da idade) que viveram experiências semelhantes em uma mesma época e local, como constituidor de uma geração.

Por fim, Mazon (2012) ao tratar dos(as) professores(as) de Matemática e sua relação com as tecnologias no desenvolvimento de seu trabalho em sala de aula, emprega as formulações teóricas de Irene Cardoso, Marco Aurélio Nogueira, Eline Kullock e Don Tapscott que classificam os indivíduos nascidos a partir de 1925, associando aspectos cronológicos – data de nascimento – com suas características – comportamento que se adequaria à sua geração, de acordo com o contexto histórico-social que cresceram -, em cinco gerações (Veteranos, Baby Boomers, X, Y e Z). É importante ressaltar que tais autores(as) levam em conta a questão tecnologia, especialmente a digital, na classificação dos indivíduos em uma determinada geração, conforme em Mazon (2012):

a) Gerações pré era digital:

 Veteranos – geração de indivíduos que nasceram entre 1925 e 1945 e que viveram na época da II Grande Guerra Mundial, momento de muitas crises econômicas. Tem como principais características serem rígidos; conservadores; presos ao tradicionalismo; patriotas e respeitadores das regras. Presenciaram o surgimento e a evolução das tecnologias da informação e comunicação anos após seu nascimento.

Baby Boomers – geração que inclui indivíduos que nasceram após a II Grande Guerra Mundial até, aproximadamente, 1965, momento marcado por

grandes revoluções sociais. Entre as principais características dos sujeitos nascidos nesse período estão lutarem por seus direitos e objetivos; serem contestadores; passivos ao adquirir informações; recebem informações sempre com a mesma lógica, do início ao fim; incomodam-se com a variedade ou meio de fazer algo. Entre as tecnologias mais utilizadas estão os computadores digitais.

b) Geração de migrantes digitais:

 Geração X – geração formada por indivíduos nascidos, aproximadamente, entre os anos de 1965 e 1981 e que, por isso, viveu grandes mudanças culturais graças aos movimentos das décadas de 1960 e 1970. Entre as principais características está a liberdade de expressão sexual e tem nas calculadoras digitais e nos computadores pessoais as tecnologias mais utilizadas.

c) Gerações pós era digital:

 Geração Y – geração (nos Estados Unidos) composta por indivíduos nascidos entre 1981 e 1990 e conhecida por geração Internet ou geração dos Nativos Digitais. Tem como principais características a liberdade de escolha e expressão; a customização; o escrutínio; a integridade; a colaboração; o entretenimento; a velocidade; a inovação; o gosto pelo feedback; serem multitarefas; antenados à tecnologia; conhecedores da lógica de funcionamento de instrumentos tecnológicos; ágeis ao tomar decisões; tem dificuldade de concentração, organização e em ouvir coisas negativas a seu respeito e facilidade de frustrarem-se. Entre as tecnologias mais utilizadas estão a multimídia, a rede de computadores, a Internet aberta e os computadores são utilizados como meio de comunicação.

 Geração Z – formada por pessoas nascidas a partir de 1991 e formada pelos Nativos Digitais. Entre as principais influências estão a preocupação com o meio ambiente e suas características são muito semelhantes às da geração Y, porém ainda não tão bem definidas. Estão crescendo sob forte influência das mídias digitais, com computadores móveis, Internet rápida, telefones celulares, computadores, IPods e videogames, televisores e vídeos em alta

definição e convergência de mídias. Também é conhecida como geração

zapear.

Mazon (2012) em vários momentos de seu trabalho apresenta discussões mostrando que compreende que as datas e características de cada geração apresentadas pelos(as) autores(as) utilizados(as) e acima brevemente explanadas sejam “relativizadas”, tendo em vista que compreende serem elas uma espécie de tipos ideais e que, dependendo do contexto (de países, por exemplo) elas sofreriam alterações.

Passemos agora a conversar sobre os trabalhos que compõem nosso corpus de análise nesse capítulo e que cujos(as) autores(as) não empregam explicitamente uma fundamentação teórica sobre o conceito geração então utilizado em seus estudos.

2.2.2.2.2 Trabalhos que empregam implicitamente uma concepção de gerações

Os trabalhos de Souza (2002), Magrone (2004), Sousa et al. (2004), Barletto (2007), Cardoso (2007), Santos (2010) e Sá (2012) utilizam-se da ideia de geração para aproximarem-se e discutirem seus respectivos objetos de investigação. Contudo, tais autores(as), apesar da relevância de tal noção em seus trabalhos, não a tomam como conceito e não deixam claro a qual teórico ou concepção a mesma se refere.

Mesmo correndo o risco de nos equivocarmos, ao estudarmos tais trabalhos entendemos que os mesmos podem ser organizados, quanto a concepção de geração que está implícita, em três grupos: a) um grupo que tem forte relação com a concepção positivista de geração, pautada nos estudos de Auguste Comte; b) um

segundo grupo cujos trabalhos aproximam-se da concepção histórico-romântica postulada por Wilhelm Dilthey e; c) um terceiro e último grupo cujos trabalhos apresentam uma concepção genealógica ou de filiação, trabalhada por Antonio Gramsci.

a) A concepção positivista de gerações de Auguste Comte

Entre os trabalhos analisados e que entendemos empregar uma concepção positivista de geração estão os estudos de Sousa et al. (2004) e Santos (2010). A visão positivista, proposta por Auguste Comte, apresenta uma concepção de tempo mecânica e exteriorizada, que se esforça “[...] para identificar um tempo quantitativo e objetivamente mensurável como critério para o progresso linear” (FEIXA; LECCARDI, 2010, p. 187). Nesse sentido, com seu trabalho, Comte responde a uma questão muito cara para a visão positivista de geração: quanto tempo tem uma geração?

Baseando-se no postulado sobre progresso e sucessão das gerações, Comte definiu uma geração como tendo a duração de 30 (trinta) anos. O mesmo chega a essa conclusão afirmando que “[...] o ritmo pode ser calculado simplesmente pela medição do tempo médio necessário para que uma geração seja substituída – na vida pública – por uma nova” (FEIXA; LECCARDI, 2010, p. 187).

É muito forte a ideia de continuidade no pensamento comteano. Dessa forma, o progresso seria resultado do entrelaçamento (equilibrado) entre as mudanças produzidas pelas novas gerações e a estabilidade mantida pelas gerações mais velhas. Há uma “biologização” do tempo social nessa visão. Segundo Feixa e Leccardi (2010, p. 187), “de modo semelhante ao organismo humano, também o

organismo social é sujeito ao desgaste. Mas, para este, as „partes‟ podem ser facilmente substituídas: as novas gerações tomarão o lugar das antigas”.

É importante frisar que Comte, ao tratar do processo de continuidade, fala de um equilíbrio entre as mudanças geradas pelas novas gerações e a estabilidade mantida pelas gerações mais velhas (como já exposto acima). Assim, de acordo com essa concepção, podemos afirmar que uma geração, “ao tomar o lugar das antigas”, não será só repetição, mas também não será só inovação. Comte propõe, assim, uma lei geral sobre o ritmo da história, onde “leis biológicas, relacionadas com a duração média da vida e da sucessão das gerações” são “a base da „objetividade‟ do ritmo” (FEIXA; LECCARDI, 2010, p. 188).

Ao analisarmos o estudo de Sousa et al. (2004), notamos que os(as) autores(as) concluem que “[...] as representações sociais que reconstroem a memória de professores sobre a escola do passado, indicam que há certa distinção entre o grupo de professores dependendo de sua faixa etária”. Tomando por base tal categoria, os(as) autores(as) afirmam que professores(as) mais novos(as) tendem a ver a escola do passado como mais autoritária que os(as) professores(as) mais velhos(as).

Também Santos (2010) em seu trabalho, em que pese as argumentações sobre as marcas das gerações que os(as) entrevistados(as) pertencem, não deixa claro, por exemplo, quais são essas marcas históricas, sociais, culturais, que distinguem um grupo de pessoas de outro, para que sejam assim considerados uma geração. A autora baseia-se também, fortemente, no critério temporal (uma data – diferentes décadas) para afirmar que pessoas de décadas diferentes pertencem a gerações diferentes, demonstrando um entendimento uniformista e homogeneizador de que todas as pessoas dos períodos considerados fariam parte de uma mesma geração.

b) A concepção histórico-romântica de gerações de Wilhelm Dilthey

Os trabalhos que empregam a concepção histórico-romântica são os de Magrone (2004), Cardoso (2007) e Sá (2012). Mas em que consiste tal concepção? Dilthey recusou radicalmente a visão matemática e quantitativa do tempo das gerações proposta por Comte. Para ele, eram os aspectos qualitativos e não quantitativos que deveriam ser considerados. De acordo com Feixa e Leccardi (2010, p. 188) “nesta perspectiva, o que mais importa é a qualidade dos vínculos que os indivíduos das gerações mantêm em conjunto”, exigindo “a análise do tempo da experiência medido exclusivamente em termos qualitativos” (idem, ibidem, p. 188).

Ainda para Dilthey, a sucessão das gerações não é importante e as mesmas são definidas “[...] em termos de relações de contemporaneidade e consistem num conjunto de pessoas sujeitas em seus anos de maleabilidade máxima a influências históricas comuns” (FEIXA; LECCARDI, 2010, p. 188), sejam elas intelectuais, sociais ou políticas. Para Dilthey, a formação de uma geração deveria ser baseada em uma temporalidade concreta, ou seja, constituída “[...] de acontecimentos e experiências compartilhadas”. Em síntese, são “[...] as experiências históricas que delimitam o pertencimento a uma geração, porque se fundam na existência humana” (idem, ibidem, p.188).

Assim, ao analisarmos o estudo de Magrone (2004), podemos observar que o pesquisador toma como sujeitos(as) colaboradores(as) professores(as) que ingressaram na rede municipal da cidade do Rio de Janeiro nos anos 1950 e nos anos 1980-90, considerando-os(as) como pertencentes a duas diferentes gerações. Conforme o próprio autor “a pesquisa consistiu na aplicação de um questionário tipo

survey em duas gerações de professores/as” (idem, ibidem, p. 4. Grifos nossos).

Gostaria de ressaltar que o autor não menciona em seu trabalho a utilização do critério data de nascimento na seleção dos(as) sujeitos(as) de cada década. Assim, há uma possibilidade de que estejam sendo consideradas pertencentes a uma mesma geração pessoas com faixas etárias diferentes. Para Magrone (2004), foi o

momento histórico vivido por cada grupo de professores(as) na cidade do Rio de Janeiro, em cada uma das décadas que o levou a defini-los(as) como membros de cada uma das gerações selecionadas para seu estudo.

Também Cardoso (2007) em seu trabalho, ao discutir sobre os processos de formação de normalistas em uma escola do Rio de Janeiro, toma os anos de 1963 – 1965 como ponto de referência e estabelece um coorte (a turma que se formou no ano de 1965) e analisa os processos de elaboração identitárias das mesmas considerando as relações estabelecidas com a política e com a própria profissão no momento em que se instalava o Regime Militar no país.

Por fim, para conhecer sobre a formação de professores de história e os anos iniciais de ingresso na profissão, Sá (2012) realizou entrevistas com vinte e dois(duas) professores(as) formados(as) nos anos de 1970 e 2000 (onze de cada período). A pesquisadora toma intencionalmente os(as) sujeitos(as) formados(as) em contextos sociais e políticos distintos no Brasil (em um intervalo de 30 anos) para fazer um estudo comparativo entre os(as) mesmos(as).

c) A concepção genealógica ou de filiação de gerações de Antonio Gramsci

Por sua vez, os estudos que empregam a concepção genealógica de Gramsci são os trabalhos de Souza (2002) e Barletto (2007). Esta concepção também é construída através da referência do tempo, contudo possui frouxa relação com a cronologia. Nessa concepção, o conceito de consciência geracional assume grande importância, segundo Feixa e Leccardi (2010, p. 192), pois:

a) “[...] permite que o tempo biográfico e o tempo social sejam interligados [...]”;

b) “[...] permite que a dimensão da reflexividade seja introduzida na análise da dinâmica geracional e nos processos de mudança social [...]”;

c) permite que os sujeitos situem-se em um “[...] quadro histórico com base na consciência de que existe um passado e um futuro que se prolongam para além de sua própria experiência [...]” e;

d) promove “[...] um contato profundo com o tempo da vida – uma dimensão crucial que é a base para o processamento da experiência [...]”.

Conforme salientam Feixa e Leccardi (2010, p. 194 - 195), a genealogia “[...] representa uma dimensão que pode ser chamada de „personificada‟, isso em função da conexão física que se deve à descendência” (grifos dos autores), gerando diferentes relações dos sujeitos com seus corpos e com seus códigos simbólicos. A idéia de genealogia deve se entendida como continuidade na mudança. Como ilustração, tomamos de empréstimo um exemplo dado por Feixa e Leccardi (2010, p. 194), sobre as gerações de mulheres de uma família:

as gerações de avós e mães personificam uma época em que suas filhas não viveram; mais tarde exploram os limites de suas identidades comparando seu próprio tempo biográfico com o de outras gerações de mulheres. Ademais, a memória familiar, das quais avós e mães são guardiãs, permite que as filhas avaliem o caminho percorrido pelas gerações de mulheres imediatamente anterior à delas, bem como medir a distância ainda existente e a ser coberta.

Além de uma relação de filiação na visão genealógica (avô/avó, pai/mãe, filho/filha), há também outra possibilidade de análise que é a do grau de filiação (primeira geração, segunda geração, terceira geração e assim por diante, de imigrantes, de pensadores, entre outros, por exemplo).

Em seu estudo, Barletto (2007) trabalha com uma relação de filiação na visão genealógica. Assim, a autora, ao tratar dos processos de formação de pedagogas na UFV, traz à tona a partir das narrativas das entrevistadas, uma “linhagem”, uma “genética do feminino” onde as mesmas analisam suas trajetórias no “fluxo das gerações” (FEIXA; LECCARDI, 2010) das mulheres das famílias, inscrevendo sua história em uma história mais ampla.

Por sua vez, o trabalho de Souza (2002), toma para análise o grau de filiação, discutindo duas gerações de intelectuais brasileiros ligados à USP: Fernando de

Azevedo, como representante da primeira geração (1925 – 1940) e Florestan Fernandes, como representante da segunda geração (1940 – 1960).

Essa nossa busca e diálogo com tantos(as) e diferentes autores(as) não teve a pretensão de esgotar o assunto (e nem poderia) considerando-se a complexidade do mesmo, mas de nos colocar a par das discussões até então empreendidas para que, a partir das mesmas, pudéssemos avançar no processo de construção do conhecimento sobre a questão. Continuaremos nossa conversa, tratando no próximo capítulo, da concepção teórica sobre geração que adotamos como referencial em nosso estudo.

PARTE II

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