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c- Liste des personnes à risque

Com o propósito de responder à primeira subpergunta da pesquisa, se as tarefas realizadas extraclasse, no ambiente virtual, são conducentes do desenvolvimento da autonomia do aluno, a sexta pergunta do questionário indagou aos alunos- participantes se a presença da professora, dando instruções, teria ajudado na execução das tarefas on-line, ou se eles conseguiram realizar as tarefas por conta própria, seguindo apenas as instruções fornecidas. A maioria dos alunos-participantes apontou a expectativa de ter a professora presente durante as tarefas para tirar dúvidas. Tal expectativa pode estar relacionada com o anseio dos alunos em obter um feedback imediato, ou seja, eles esperam ter suas dúvidas imediatamente solucionadas ou receber a correção da tarefa logo após a sua submissão. Para ilustrar a demanda da presença da professora, destacamos as seguintes respostas dadas, mesmo depois de os participantes terem feito as tarefas sozinhos de forma bem- sucedida.

<P. 11, Q. 1> Consegui fazer por conta própria, mas, para alunos que têm um pouco de dificuldade, com certeza ajudaria.

<P. 9, Q. 1> Eu consegui fazer seguindo as instruções, porém acho importante a presença da professora, caso ocorram maiores dificuldades e não consiga resolver por meio dos recursos on-line.

<P. 14, Entrevista, Grupo Ex 2> Ficaria... Fica um pouco mais fácil quando tem ajuda de um professor, mas esses fundamentos que a internet já te dava... O que a própria internet oferecia pra te ajudar a fazer os exercícios, fazia com que os exercícios não ficassem tão difíceis.

Como as três tarefas propostas envolviam um tipo de busca em diferentes sites na internet (de notícias, de compras e de relacionamentos) supomos que muitos alunos- participantes tenham desenvolvido estratégias e habilidades por meio do uso da internet. Porém, o aluno P. 17 também destacou as limitações dos recursos on-line para os alunos que ainda não tem prática no uso e que têm um conhecimento básico da L2, ao mesmo tempo em que reforça a importância da presença da professora.

<P. 17, Entrevista, Grupo Ex. 2> Melhor com a presença da professora, claro... A gente não gastaria tanto tempo pesquisando. Muitas coisas que eu pesquisava, não era aquilo que a gente queria, aí tinha... às palavras mesmo do texto. Algumas coisas eu sabia, no caso, eu perguntei várias vezes à senhora, mas a senhora não podia ajudar de forma ativa, dificultou um pouco, mas nada que não dê pra fazer.

É interessante perceber que a demanda pela presença do professor durante as tarefas on-line foi observada, mesmo com a tarefa sendo executada de forma bem-sucedida, o que demonstra, teoricamente, uma relativa independência do papel do professor. No entanto, a dependência reportada se explica, em parte, por se tratar do ensino de uma língua estrangeira, que possui características próprias, o que pode ser uma barreira a mais para a maioria dos alunos-participantes, que tem um nível de inglês básico. Além da insegurança linguística em L2, provavelmente em virtude da pouca experiência em estudos de uma língua estrangeira, a demanda por feedback imediato parece estar relacionada com um paradigma de aprendizagem centrada no professor. Embora a internet disponibilizasse uma série de ferramentas com as quais os alunos poderiam buscar sozinhos o conhecimento almejado, alguns relataram que sentiram

a falta do professor durante a execução das tarefas. Já o aluno P. 19 revelou um conhecimento da ferramenta usada na tarefa e, tendo consciência da limitação da ferramenta, demonstrou o anseio da presença da professora, para que sua tarefa fosse validada.

<P. 19, Q. 1> Acredito que com a ajuda da professora meu desempenho seria maior, porque o Google translate às vezes traduz ao ‘pé da letra’ e nem sempre dá o significado equivalente.

Por meio da análise dos relatos anteriores, podemos inferir que tais alunos, apesar de terem conseguido solucionar os obstáculos provenientes dessa modalidade de metodologia híbrida, por conta própria, ainda depositam no professor alguma responsabilidade por sua aprendizagem. É possível considerar que essa dependência tenha sua raiz no sistema conteudista de ensino, ainda praticado no Brasil, centrado no professor, tido como um transmissor de cultura e que exige uma atitude receptiva dos alunos. Além de receptiva, a aprendizagem de cunho conteudista é mecânica e a retenção do material ensinado é garantida por meio da repetição de exercícios sistemáticos e recapitulação dos conteúdos ensinados. A avaliação se dá por verificações de médio prazo, com provas escritas e orais, e o reforço é negativo, com aulas de recuperação somente no final do ano letivo e classificações dos alunos (SAVIANI, 1991).

Quanto à questão do papel do professor ante o letramento digital, Tapscott (1999 apud XAVIER, 2005) aponta a mudança de paradigmas, tanto do professor como fonte central do saber e do aprendizado, quanto da pedagogia, em sua forma verticalizada e estática, sem deixar de mencionar a mudança de paradigma do próprio aprendiz, que passa a ter uma atuação mais ativa e articulada. Isso se deve principalmente ao leque de opções que se abre com as TICs, tanto para o professor quanto para o aprendiz. A figura tradicional do professor, como referência central na sala de aula, relativiza-se, perdendo peso como principal fomentador de conhecimento, com os alunos passando a ter mais autonomia e reduzindo a dependência em relação a essa figura de professor. Isso ocorre na medida em que os limites da sala de aula se ampliam, unindo-se à internet com toda a sua incalculável riqueza de informações e

fontes disponíveis de conhecimento. A quantidade transformando-se em qualidade potencializa o aprendizado. O professor passa, então, segundo Tapscott (1999, apud XAVIER, 2005, p. 137) a ter um papel de “[...] pesquisador, articulador do saber, gestor de aprendizagens, consultor que sugere e motivador da aprendizagem pela descoberta”.

Talvez a falta de aulas presenciais, com essa nova forma de mediação do professor, sobre o uso correto das ferramentas existentes na internet tenha contribuído também para essa dependência no professor, observada nos relatos dos alunos. Assim, o desenvolvimento de mais autonomia por parte do aluno é um processo gradual que no caso do inglês, ainda exige alguma mediação por parte do professor. Podemos pensar na execução de algumas tarefas com o uso de ferramentas on-line, com acompanhamento do professor, promovendo, gradualmente, a ampliação do conhecimento da L2, sem assumir uma postura autoritária, ajudando na formação dos alunos, como sujeitos construtores de seu conhecimento, assim como de indivíduos autônomos.

De fato, esta é uma das propostas e objetivos deste estudo. Gradativamente, os alunos passariam a executar as tarefas de forma autônoma e segura. Podemos constatar essa procura pela autonomia em vários momentos durante a execução das tarefas, conforme consta no diário da professora-pesquisadora, nos questionários e entrevistas. Como exemplo de atitudes autônomas, de acordo com as anotações que constam no diário da pesquisa, durante a segunda e a terceira tarefas, alguns alunos perguntaram se poderiam usar a ferramenta da primeira tarefa da qual eles haviam mais gostado. Abaixo, o trecho do diário.

Durante a segunda atividade, em que o aluno tinha que usar o site pt.bab.la como recurso de dicionário, um aluno perguntou se ele poderia usar o Google Tradutor em vez de pt.bab.la. Isso mostrou uma certa indepedência do aluno para fazer a atividade prevista (DIÁRIO DA PROFESSORA- PESQUISADORA, 2-4-2014).

Essa atitude dos alunos-participantes é tida como evidência de um senso crítico e de procura por uma maior autonomia, pois conseguiram perceber, por conta própria, formas e estratégias de realizar as tarefas que mais lhe eram convenientes.

Em suma, podemos identificar nessa seção a importância de se desenvolver a autonomia no aprendiz, de forma contínua. A introdução de práticas de uso de ferramentas on-line, bem como de práticas de letramento multimodal deve ser propiciada pelo professor, levando o aprendiz a uma reflexão de suas experiências e de seu processo de trabalho e, assim, a um estado de prontidão para assumir, de forma autônoma, seu processo de aprendizagem. Observamos, pelas respostas dos alunos-participantes e por meio da execução das tarefas, uma sinalização positiva para a direção de um ensino mais centrado no aluno, para que a abordagem híbrida seja implementada de forma efetiva.

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