Se uma das missões da Escola é a aprendizagem, nada mais lógico do que tornar cada vez mais eficiente esse ato de aprender.
Moreira (2005:77-78) lembra-nos que à séculos se procura uma explicação sobre o modo como os seres humanos aprendem e que fatores influenciam nessa aprendizagem. Pergunta-se se o que somos é produto somente da nossa herança biológica ou se também existe a influência do meio social no nosso ritmo e desenvolvimento como indivíduo.
Hoje já sabemos que o que nos tornamos é resultado da nossa genética e da influência do meio em que vivemos.
Moreira (2005:77-78) afirma que:
" Los seres humanos, a diferencia de las demás especies animales y biológicas, tenemos la potencialidad de adquirir información y, en última instancia,
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conocimiento a través de representaciones de la experiencia, o si se prefiere, a através de experiencias indirectas o reconstruidas artificialmente de la realidad".
Ainda Moreira (2005:63) sobre a aprendizagem humana afirma que "hemos descubierto que las nuevas tecnologías de la información facilitan y potencian de forma espectacular el aprendizeje humano y conseguientemente incrementan la eficacia de los procesos de enseñanza".
Descoberto o fato das TIC facilitarem e potenciarem a aprendizagem, compete-nos esclarecer, porém, que não é tão simples assim, não basta integrar as TIC, é preciso fazê-lo de uma maneira correta e de modo a garantir realmente a eficiência da aprendizagem. Gomes, Escola & Loureiro (2013:177) corroboram com esta ideia porque " a qualidade educativa não depende diretamente da tecnologia empregue, mas do método de ensino sob o qual se integra o uso da tecnologia, assim como das atividades de aprendizagem que realizam os alunos com a mesma".
Utilizadas de modo correto trazem muitos benefícios. Gomes et al. (2013:177) citam:
"A tecnologia informática permite manipular, armazenar, distribuir e recuperar informação com grande facilidade, rapidez e quantidade. Face às limitações e dificuldade de acesso à informação que nos colocam os livros […] (que têm que estar disponíveis fisicamente na sala de aula para poderem ser utilizados pelo aluno)".
Se as TIC utilizadas de maneira correta trazem benefícios para a aprendizagem, resta saber como se adquire o discernimento para esse uso. Os autores consultados vêm esse papel como sendo da educação, da Escola.
Gomes et al (2013:175-177) referenciam que:
"A aposta numa educação com os meios e para os meios deverá constituir a chave a partir da qual mais facilmente as instituições educativas poderão responder aos desafios contemporâneos da sociedade do conhecimento. […] a alfabetização na cultura digital supõe aprender a utilizar os aparelhos, o software relacionado com os mesmos e o desenvolvimento de competências ou habilidades cognitivas relacionadas com a obtenção, compreensão e elaboração de informação. […] a escola deve qualificar as crianças e jovens como usuários cultos e críticos do conhecimento e das formas expressivas atualmente vigentes nos meios impressos, audiovisuais e informáticos".
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"Em termos educativos a questão central será saber o que se propõe fazer a escola perante este descomunal acervo de informação. Se for sua intenção disponibilizar, à imagem dos outros media, mais informações estará condenada a tornar-se obsoleta e irrelevante. (Postman, 2003:61) Parece-nos, no entanto, que caberá à escola inventar novos caminhos, novas responsabilidades, novas competências que respondam às demandas da nascente sociedade".
Lagarto (2007:8) concordando afirma que "compete, e é obrigação da Escola e da comunidade educativa local, ter uma atitude pró-activa no sentido da incorporação da novas práticas conducentes à utilização criteriosa das novas ferramentas".
Para Silva (2007:171)
" É, pois, necessário equacionar e repensar o papel da escola, que tem de investir em duas frentes distintas. A primeira […] preparar os alunos, futuros cidadãos, para a manipulação das TIC. A segunda tem a ver com o fato de as TIC apresentarem características e potencialidades que a escola não pode ignorar, pois constituem-se como meios de informação de fácil e rápido acesso, para além de apresentarem a vantagem da actualização permanente".
Sabemos, porém, que a integração das TIC nas Escolas não é tarefa fácil. Para Lagarto (2007:9-12), afim de solucionar problemas, algumas áreas devem ser tratadas com cuidado: a logística, a formação dos professores, a liderança na Escola e as mudanças nas abordagens pedagógicas sobre currículos existentes.
Sobre logística ele considera que "a Escola de hoje e do futuro não se pode compadecer de falta de equipamento adequado. Para além disso, deverá utilizá-lo de forma racional e garantir a sua operacionalidade e substituição regular, de forma continuada". Acrescenta também que embora não considere os equipamentos a parte mais importante, reconhece que sem eles nada é possível fazer. Na formação de professores alega, que de modo geral, um número significativo de professores não tem competências informáticas suficientes para utilizá-las com conforto na Escola e que por isso o autor (2007:9-12)diz que:
" A formação deve ser assim uma preocupação dos decisores políticos e das comunidades educativas — privilegiar a formação na área das TIC para todos os professores e eventualmente, torná-la obrigatória para todos aqueles que não detêm essas competências, deve ser considerada uma opção estratégica. Mas como já foi referido, está formação terá de ter uma abordagem integrada — formação em TIC e para a didática das TIC".
Quanto à liderança na Escola menciona que o papel da gestão é crucial no desenvolvimento de qualquer política e que "apenas um forte empenho de quem gere, na
46 motivação e na clareza dos objetivos pode conduzir ao sucesso projectos de apropriação de novas ferramentas e tecnologias".
Por fim, em relação às mudanças nas abordagens pedagógicas confirma que são poucos os materiais existentes e isso significa que " há que incluir nos currículos existentes componentes adicionais onde algum trabalho se possa fazer com o auxílio de ferramentas informáticas".
Para finalizar esse tópico, uma citação de Lagarto (2007:13), que está intimamente ligada ao assunto e ainda usa uma linguagem informática que completa perfeitamente o conjunto.
" Provavelmente, teremos de utilizar alguns «cavalos de Tróia» — professores motivados — que, por processos de modelação, contaminem os seus colegas com os vírus da utilização pedagógica das TIC, de modo a tornar eficaz e de um único sentido este processo de infecção generalizada da Escola pela Sociedade da Informação".