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O fiasco econômico que prevaleceu nos anos de 1981, 1982 e 1983, só é definitivamente superado quando se inaugura uma nova fase da vida política brasileira, com o fim do Regime Militar iniciado com o golpe de 1964 e o nascimento de uma assim chamada Nova República em 1985. Com efeito, esse ano acabou se caracterizando como uma espécie de divisor de águas na condução da política econômica, visto que, durante o período de 1981-84 a economia brasileira submeteu-se ao ajuste estrutural imposto pelo FMI.

Nessa etapa, conforme já foi salientado, as autoridades econômicas tiveram como objetivo primeiro da sua política econômica a geração de expressivos saldos na balança comercial que garantissem a transferência de recursos aos credores externos; tudo mais, inclusive o reordenamento da economia, com o controle das contas públicas e da inflação, ficando subordinado a essa meta maior (SOUZA; EMBIRUSSU, 1996).

Como se sabe, esse novo governo marcou sua presença na história econômica do Brasil através da elaboração e implantação do chamado Plano Cruzado , que inaugurou, formalmente, a Era dos Planos de Estabilização , promovendo, por assim dizer, uma verdadeira revolução na forma de tentar controlar o fenômeno inflacionário brasileiro através de uma medida completamente inusitada que era o congelamento de todos os preços da economia.

Em 1985, com a posse de Francisco Dornelles no Ministério da Fazenda, ocorreu uma mudança de ênfase na condução do crescimento econômico, pois se passou a observar uma substancial melhora no desempenho do setor industrial, fato esse que indicava uma incipiente recuperação do investimento na economia brasileira. Ainda em 1985, no mês de outubro, em

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Tal política, a bem da verdade, já estava presente na vida dos trabalhadores brasileiros, há muitos anos, precisamente a partir do início do regime militar. Isso fica muito claro, por exemplo, quando são observados os valores do salário mínimo no período de 1965 a 1974. De acordo com o DIEESE (2005), durante esse intervalo de tempo, o salário mínimo passou a corresponder, na média anual, a apenas 69,0% do poder aquisitivo da época em que foi instaurado, em 1940, pelo então presidente Getúlio Vargas.

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função dos insucessos de Dornelles em controlar o processo inflacionário mesmo utilizando uma política econômica que combinava um diagnóstico monetarista sobre as origens do déficit público, e seus efeitos sobre a inflação, e uma política salarial mais generosa , toma posse uma nova equipe econômica, dessa vez chefiada por Dílson Funaro, cuja maior realização foi, indubitavelmente, a implantação do plano de estabilização econômica conhecido como Plano Cruzado em 27/02/86 que marca o início da chamada era dos planos de estabilização na vida da economia nacional.

Esse foi um momento em que se rompeu com a visão de que para se controlar a inflação era preciso contrair a demanda agregada. Isso fica muito claro quando se lê uma das passagens do discurso proferido pelo então ministro da Fazenda, na oportunidade em que anuncia as principais diretrizes do Plano Cruzado:

[...] a Nova República herdou um país ferido por anos de recessão e desemprego. Recebeu uma economia governada pela dívida externa e tutelada pelo estrangeiro, as finanças públicas em estado calamitoso e a inflação fora de controle. Era preciso, em primeiro lugar, recuperar o crescimento, reativar o emprego, estimular o aumento do salário real comprimido pelo arrocho de muitos anos. Era preciso despertar a economia brasileira e movimentar suas forças poderosas (PLANO DE ESTABILIZAÇÃO ECONÔMICA, 1986, p. 114).

A razão de ser dessa postura se deveu ao novo entendimento que se passou a ter em relação ao fenômeno inflacionário brasileiro. A visão que norteou a formulação do Plano Cruzado estava referendada na concepção inercialista da inflação, segundo a qual a memória do passado era a razão maior da inflação brasileira. Desse modo, a inflação até então prevalecente na economia brasileira era determinada pela inflação passada, isso se dando, evidentemente, em um ambiente onde não se verificava a existência de choques nem do lado da demanda nem da oferta (LOPES, 1985; RESENDE, 1985a; RESENDE, 1985b).

De posse dessa interpretação geral e munidos de mais algumas hipóteses em relação ao comportamento dos preços internos, os inercialistas concluíam que o conflito distributivo decorrente da inflação não se potencializava na sua aceleração. Assim, na avaliação dos novos articuladores da política econômica, um programa efetivo, de combate à inflação brasileira, teria que vislumbrar não apenas a geração de choques deflacionários, como até então vinha sendo pensado, mas, sobretudo a implantação de políticas que atuassem diretamente sobre a tendência inflacionaria. Eles enfatizavam o caráter inercial da tendência inflacionaria. Isto quer dizer que, na ausência de choques inflacionários, a inflação corrente era determinada pela inflação passada, independentemente do estado das expectativas.

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A despeito das boas intenções dos condutores da economia, no sentido de equacionar o problema da inflação e ao mesmo tempo reativar os níveis de crescimento nacional, pouco tempo depois de lançado o Plano Cruzado por volta do mês de julho de 1986 as apurações dos principais indicadores da economia brasileira sinalizavam a necessidade de correção dos rumos da política econômica do referido Plano. Tanto foi assim que já no dia 24 de julho, o governo Sarney anunciou o Cruzadinho , o qual se caracterizou como sendo um insuficiente pacote fiscal elaborado na intenção de desaquecer o consumo, com vistas a manter a inflação em níveis baixos.

Diga-se de passagem, essa foi a forma encontrada por esse governo para assegurar a sua vitória nas eleições que se avizinhavam no dia 15 de novembro de 1986. A partir desse instante fica muito claro que o Plano Cruzado passou a ser utilizado, de forma explícita, como instrumento eleitoral, o que acabou por desestruturar os seus alicerces.

Prova maior disso é encontrada no fato de que passados poucos dias das eleições, na qual o governo assegurou uma expressiva vitória, foi anunciado o Plano Cruzado II. Este novo pacote continha, entre as suas principais medidas, o reajuste de alguns preços públicos e o aumento dos impostos indiretos. Um de seus impactos mais diretos e imediatos foi a ocorrência de um choque inflacionário, pois os aumentos de preços acima relatados configuraram-se, em verdade, como uma espécie de válvula de escape que deu vazão a toda a inflação reprimida que havia e que era derivada do inevitável desalinhamento de preços provocado pelo congelamento imposto pelo governo.

Nessas novas circunstâncias, conforme relatam Souza e Embirussu (1996), o processo de deterioração da conjuntura econômica agravou-se ainda mais, assim que os consumidores perceberam que o poder aquisitivo dos seus salários havia decrescido, desencadeando, por conseguinte, demandas no sentido da elevação dos mesmos. Conseqüentemente, teve lugar um processo de reajustamento dos preços, em função do crescimento dos custos em todos os setores da economia.

Esses autores informam ainda que a partir desse momento, a economia nacional passou a conviver com um novo processo de aceleração dos preços, contexto que provocou a substituição da equipe econômica que era chefiada por Dílson Funaro. No seu lugar assume Bresser Pereira, o qual iria editar, ainda no ano de 1987, um novo Plano chamado de Novo Plano Cruzado ou Plano Bresser que, como o próprio nome sugere, repetiu, fundamentalmente, a mesma experiência aplicada durante o Plano Cruzado.

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Passados cerca de dois anos, em 1989, assistiu-se a uma nova tentativa de congelamento de preços; desta feita um claro remendo , para que o país não chegasse à hiperinflação antes da posse do novo Presidente da República, Fernando Collor de Melo, em março de 1990.

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