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LISTE DES ANNEXES

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Bloc I : Les esters

LISTE DES ANNEXES

Depois das considerações tecidas acerca da sociedade actual e da necessidade premente de se reverter o processo de esquecimento das nossas raízes culturais profundas, importa verificar o que tem acontecido nas nossas escolas e propor algumas estratégias para alterar as coisas, sobretudo através da integração mais clara da literatura tradicional nos programas e de uma maior relevância da leitura de textos variados para se escapar ao já referido drama dos «analfabetos do audiovisual».

2.1- As mudanças na escola

Se a escola como instituição é uma realidade mais recente, não deixa de ser verdade que, desde sempre, o Homem se preocupou em legar os seus conhecimentos aos mais jovens, com a intenção de inseri-los, da melhor maneira, no grupo a que pertenciam. Os gregos eram muito preocupados com essas questões pedagógicas e, na Idade Média, a Igreja tomou a seu cargo a alfabetização. Porém, nessas épocas, aprender não estava ao alcance de todos, só os mais privilegiados podiam ter acesso aos livros e aos ensinamentos. Ao longo dos séculos XVIII e XIX, deu-se um grande desenvolvimento ao nível da educação escolar, com o crescimento de escolas e alargamento da escolaridade obrigatória. Mas a escola da vida continuou a ser, até há bem pouco tempo, aquela que mais dominava em Portugal, pois a maioria das crianças tinha de trabalhar no campo ou nas obras com os pais, não tendo tempo a “perder” com a escrita e a leitura. Foi preciso uma longa jornada para se chegar à realidade da escola para todos e, ainda nos dias de hoje, há algum debate em torno do analfabetismo e da escolaridade obrigatória.

Actualmente, os principais objectivos da instituição escolar são, sem qualquer sombra de dúvida, promover a igualdade de acesso ao saber, desenvolver a autonomia dos alunos na procura dos mais variados conhecimentos e, agora mais que nunca, familiarizar o público com as novas tecnologias, cujo peso é cada vez maior na realidade escolar e extra-escolar. Mas se, durante muito tempo, a escola foi praticamente o único transmissor de saberes, tendo como principal papel a inserção da criança na vida adulta, ensinando-a a proteger-se do mundo que a rodeia, a verdade é que, neste momento, a escola não tem conseguido cumprir a sua tarefa,

na medida em que tem contribuído para a divisão entre a criança e a sociedade. Ao fechar os jovens numa sala de aula, está a impedir-se que eles tomem contacto com o mundo à sua volta, até porque as diversas áreas de conhecimento, abordadas pela instituição, têm-se revelado demasiado isoladoras e redutoras.

Não podemos esquecer, nem por um instante, que só mais ou menos vinte por cento dos conhecimentos são adquiridos directamente dentro da sala de aula. A escola paralela, constituída pelos meios de comunicação social e pelas próprias vivências pessoais do aluno, transmite-lhe saberes que não podemos dar-nos ao luxo de ignorar por mais tempo. E a escola tem mostrado ser incapaz de deixar entrar essas novas experiências e conjugá-las com as que transmite há séculos. A burocracia crescente e o carácter repetitivo dos mecanismos da aula levam a que todo o processo de ensino/aprendizagem seja encarado como uma obrigação penosa e não com júbilo, tanto por parte dos estudantes como dos próprios docentes, sobrecarregados com papeladas.

São vários os estudiosos que partilham as nossas ideias. Por exemplo, Jacqueline Held defende veementemente que «...é preciso repensar o processo educacional. É preciso preparar a pessoa para a vida e não para o mero acumular de informações. (...) Assim, é preciso trabalhar o aluno como uma pessoa inteira, com a sua afectividade, suas percepções...» (Held, 1977: 5). E continua o desenvolvimento da sua tese, apontando a forma como educadores, professores e estudiosos em geral devem olhar para o fenómeno educativo: «É fundamental que se questione mais sobre educação. Para isso, deve-se estar mais aberto, mais inquieto, mais vivo, mais poroso (...) reflectindo sobre o nosso quotidiano pedagógico e se perguntando sobre o seu futuro.» (Held, 1977: 5). Já outro estudioso aponta que «educar para a cidadania pressupõe o desenvolvimento do espírito crítico e uma consequente tomada de atitudes reflectidas em compromissos auto e hetero assumidos. (...) Educar para a cidadania impõe como referência conteúdos potenciadores de vivências concretas.» (Praia, 1999: 89, 90).

Vemos, pois, que estes autores também acreditam que a escola não pode afastar-se do tipo de sociedade em que os jovens se inserem. Se a realidade actual é muito diferente da de há cem anos, é urgente a instituição adaptar-se, «...sob pena de não cumprir a sua missão.» (Fontes, s/d: 3). E, para isso, é necessário olhar-se com uma atenção redobrada para a especificidade das crianças actuais. Para isso, apresentamos duas citações interessantes, de Denise Escarpit e de Francesca Blockeel, que sintetizam, na perfeição, o que estamos a defender:

Uma criança não é um recipiente que se enche de ideias e de preconceitos. É um indivíduo autónomo, ainda mais autónomo do que um adulto já esclerosado pela experiência (...) Para uma criança tudo é comestível. (...) este prazer de devorar e assimilar todos os alimentos do espírito que o livro oferece na sua fantástica multiplicidade.

(Escarpit, 1999: 88)

Educar quer dizer contribuir para o desenvolvimento harmonioso de uma pessoa por meio de boas relações com o mundo em que tal pessoa vive. Assim, a educação não pode ser concebida como uma coisa estática, à margem da experiência concreta do aluno. (...) a linguagem escrita só já não basta. Isso implica alfabetizar os estudantes para que sejam capazes de julgar crítica e autonomamente a informação que lhe subministram os meios de comunicação, para que sejam capazes de evitar as suas muitas armadilhas.

(Blockeel; 2006: 39)

Vemos, em ambas as autoras, a defesa da mudança dos paradigmas educacionais, com o debate constante em torno dos meios de comunicação, da necessidade de preparar as crianças para não se deixarem enganar pelas aparências e, sobretudo, pela relevância que o livro e a leitura devem continuar a possuir na educação do futuro. Para que o aluno possa desenvolver toda a sua autonomia e o seu espírito crítico, é importante que ele seja sujeito e agente do processo de ensino-aprendizagem, isto é, que participe activamente na construção e validação dos saberes que a escola transmite e coordena. Para isso, é preciso privilegiar as vivências da própria criança ou jovem, debater o que vê e ouve fora dos muros da escola, para que a construção do seu mundo seja mais coerente e que a instituição escolar volte a ganhar o prestígio de antigamente.

Porém, a escola «...não tem conseguido impor (...) a valorização das bases culturais da identidade tradicional, o que resulta num fenómeno de perda de continuidade histórica. Daí a perda (...) de pontos de referência (...) as dificuldades em transmitir o património cultural do passado em função de uma linha de continuidade histórica...» (Parafita, 1999:31). Este ponto de vista leva-nos ao problema central, que é a já referida perda de hábitos de leitura. Dissemos anteriormente que os jovens lêem cada vez menos, apesar do grande manancial de livros à sua disposição. E apontámos também a importância da conjugação da leitura com os meios audiovisuais para um crescimento são e completo dos jovens. Ora, se fora da escolaas coisas

não têm corrido bem ao nível dos livros, que poderemos dizer do que se passa dentro da sala de aula, sobretudo na de Língua Portuguesa, mas um pouco em todas as disciplinas?

Infelizmente, grande parte dos jovens chega ao final da escolaridade obrigatória com muita falta de vocabulário e de referências culturais, devido ao desinteresse pela leitura e à desmotivação que daí advém. Está certo que o mundo moderno tem diversas solicitações que afastam os jovens do livro e, se não lhes for incutido esse gosto, nem sequer entendem que a leitura é sinónimo de alargamento dos horizontes culturais. Assim, os educadores e os professores são hoje confrontados com crianças e jovens pouco familiarizados com os livros e a leitura, de tal modo que as bases culturais dos mesmos estão em causa, levando ao já tão debatido desenraizamento da nossa juventude, cada vez menos ciente do que faz de nós uma nação. Como aponta Maria Augusta Seabra Diniz, «....na sociedade com escrita, a literatura de expressão oral perdeu a sua vitalidade, estando praticamente reduzida a objecto de pesquisa (...) Raras são as escolas que a ensinam, que a analisam, que consideram o seu valor estético.» (Diniz, 2001: 48/49).

Referimos anteriormente, a problemática da literatura tradicional, cada vez mais afastada da realidade contemporânea e pouco valorizada dentro e fora das paredes da escola, de tal modo que nos esquecemos de quem somos realmente. E se a família e a própria sociedade de consumo têm grande parte da culpa na perda da nossa tradição, a escola também não pode ser isenta de responsabilidades. É que, como todos têm tido oportunidade de ver (todos já fomos alunos, somos professores e temos filhos a estudar), a leitura é cada vez mais penosa, feita por imposição e não por gosto pessoal. Lê-se o que está nos programas, porque é essencial para transitar de ano. Ora como ensinar aos alunos que «ler bem é ficar mais tolerante e mais humilde, aceitar a diversidade, dispor-se a tolerar a diferença e a divergência.» (Machado, 2002: 100)?

«Entre televisão, cinema, música, teatro e esporte, a leitura ocupa sempre um dos dois últimos lugares, na preferência dos alunos. Entre livros e revistas, os alunos preferem as últimas. (...) As obras lidas são determinadas pelo professor, que avalia a leitura através de provas ou fichas.» (Cunha, 2003: 10). Esta citação vem reforçar a nossa ideia de que tudo concorre para a falta de hábitos de leitura e progressivo “ódio” aos livros. É que a escola impõe as suas leituras aos jovens, apresenta-lhes repetidamente as mesmas obras, ano após ano, apesar da riqueza da nossa literatura, infantil e para adultos. Não há grandes tentativas de aproximar as leituras obrigatórias dos gostos dos discentes. Muitas vezes, tal acontece mais por desconhecimento, pois os professores não têm tempo para verificar a qualidade de todos

os livros e não podem conhecer todas as novidades existentes nos mercados. Tem-se tendência a sugerir obras clássicas, cujo valor é inegável, mas que devem ser alternadas com outras obras diversificadas e interessantes para o jovem. A não ser assim, ele não saberá (e talvez nem tente) unir as pontes entre a literatura infantil e a adulta, acabando por deixar totalmente de ler.

Vemos que existem problemas educativos de difícil resolução, em que as responsabilidades devem ser divididas, e em que não existe uma solução universal / definitiva. É, desta forma, urgente que a escola encontre o seu verdadeiro lugar na sociedade do século XXI, para se transformar finalmente num lugar de mediação de saberes, em que o aluno possa ordenar e seleccionar toda a informação com que é bombardeado a todo o instante. Só assim a instituição escolar conseguirá ser uma ponte para a vida. E cabe não só ao professor como a toda a comunidade educativa pensar em soluções, em estratégias e actividades que motivem realmente os alunos, para que a aprendizagem se torne real e de qualidade, e não apenas uma questão estatística. Os desafios à nova escola são de toda a espécie, como aponta Ramon García:

Los desafíos enunciados al principio son de toda índole: la diversificación de tratamientos educativos, que se debe complementar con le integración pluricultural en la escuela; la superación de la violencia y agresividad que en otros sectores sociales no se logra; el equilibrio entre la vocación universal de la cultura y la atención a las raíces de los pueblos; y, quizá, el desafío más duro a la educación hoy, la aplicación de las nuevas tecnologías.

(García, 2001: 207)

A inovação começa pela plena integração das TIC na escola, processo que está em acção neste momento, com a instituição a ser invadida por quadros interactivos, computadores com acesso à Internet disponíveis para alunos e professores. Iniciativas como o e-escolas e o Magalhães são bastante positivas, desde que devidamente integradas no contexto real do processo de ensino-aprendizagem e nunca pondo de parte a cultura da leitura e da escrita. Os computadores devem ser bons aliados, mas nunca substituir os livros, como discutimos no primeiro capítulo. Para resolver pelo menos alguns dos problemas educacionais, é preciso que se una, mais do que nunca, a inovação com a tradição. Muitos vêem a informática como a panaceia dos problemas educativos, como aponta, mais uma vez, Pascuala Mágan, ao defender que predomina, na comunidade educativa:

...pensamiento de que las nuevas tecnologías, concretamente el ordenador en las aulas, pueden ser la panacea a todos los problemas educativos, incluso al del fomento de la lectura, caballo de batalla de todos los que nos dedicamos a la enseñanza (...) los limites de la realidad y de lo presencialmente accesible, se vuelven casa vez más virtuales y la idea de que la interacción con las nuevas tecnologías pueda abrir nuevos caminos en la Didáctica de la

Literatura con vistas a la formación plena del individuo, es evidente.

(Mágan, 2001: 177)

É verdade que as crianças estão cada vez mais ligadas à imagem e ao som, de modo que as informações dadas na escola não podem concorrer com tudo o que aprendem externamente, como já fomos apontando. Na escola, devem antes ser familiarizadas com outras formas de registo e orientadas para saberem seleccionar, interpretar e processar as informações que recebem a cada momento. É premente uma aprendizagem mais voltada para os audiovisuais, de modo a preparar os mais pequenos para os excessos e erros das mensagens aí veiculadas, explicando-lhes como ter um espírito crítico em relação ao que ouvem e vêem. Mas isso não quer dizer que, por si só, os computadores tragam milagres à educação. As palavras de Mágan soam, assim, a uma certa dose de ironia, pois pretendem exactamente provar que a informática não faz milagres, (ao contrário do que nosso Governo tem tentado insistentemente demonstrar). De facto, as novas tecnologias, quando usadas de forma controlada, podem permitir que os estudantes aprendam novas formas de fazer, de ver, de comunicar, adequadas aos tempos em que vivem. A Internet pode mesmo ser uma fonte inesgotável de recursos, para alunos, pais, educadores e outros agentes educativos. Mas, se o computador não fosse considerado só mais um elemento da aula e uma ferramenta de trabalho, aí sim criar-se-iam alunos dependentes das máquinas, restringindo a sua capacidade de pensar e de agir.

Então, «da mesma forma que importa unir as TIC à escola...» é imprescindível «...continuar a dar textos aos nossos alunos, mas com estratégias diversificadas e modernas; importa também revitalizar os contos, tanto no contexto escolar como fora dele, apostando na alternância entre tradicional e contemporâneo. É imprescindível aliar o património oral a práticas lectivas inovadoras e motivadoras...» (Gomes, 2006: 40). E, para que a aplicação das TIC na escola una realmente tradição e inovação, é preciso, antes de mais, que os próprios professores aprendam a dominar estes instrumentos, ensinando simultaneamente os alunos a comunicar, oralmente e por escrito, numa sociedade cada vez mais exigente a este nível.

O que acabámos de dizer demonstra que, para se alcançarem resultados duradouros, tem de haver uma acção concertada por parte de toda a comunidade escolar, começando pelos professores, mas incluindo pais e alunos, bem como o meio envolvente. E acreditamos, enquanto professores de Língua Portuguesa, que a mudança tem de começar dentro desta aula. É nesta disciplina que os mais jovens adquirem as suas competências comunicativas e culturais, daí a responsabilidade redobrada de uma área que é transversal a todos os saberes: para compreender e dominar as outras disciplinas, é imperativo que se conheça bem a língua materna, e o mesmo acontece para vencer profissionalmente:

Sendo a Língua Materna o elemento mediador que permite a nossa identificação, a comunicação com os outros e a descoberta e compreensão do mundo que nos rodeia, há que privilegiar o estudo da expressão oral e escrita e desenvolver hábitos de leitura. Investir nesta área é favorecer a liberdade de crescer, uma vez que a restrição da competência linguística impede a realização integral da pessoa.

(Santos, 1999: 50)

Logo, é necessário que se aposte num ensino/aprendizagem mais criativo, que ponha de parte o tradicionalismo do “Magister dixit”. Quer isto dizer que as rotinas devem ser transformadas em novas experiências, mais relevantes na construção da personalidade do aluno. Não podemos esquecer a importância das TIC, usando-as para ensinar os alunos a aceitar e manejar todas as novidades oferecidas pelos avanços científicos, bem como contrastar opiniões, ideias, crenças, que complementam a tradição com a modernidade. Mas, ao mesmo tempo, temos de ser capazes de reincorporar os livros e a leitura na escola do futuro. Defende um dos muitos autores que consultámos que, «se a aula de Português deve ser simultaneamente, um processo de aquisição e domínio do conteúdo semântico, deve ser também ponto de partida para despertar (…) a necessidade de continuar a comunicação através do domínio estético.» (Santos, 1999: 52). Além de que «si las nuevas tecnologías nos fascinan por la invención de mundos nuevos, la literatura lo ha hecho desde siempre...» (Mágan, 2001: 184).

Nestas duas citações, está bem patente a necessidade de usar textos de qualidade para prender a atenção dos alunos, com actividades pensadas para os ajudar realmente a crescer e não apenas para se atingir uma certificação no final do período ou do ano. É preciso urgentemente criar-se condições para que os jovens se revejam naquilo que lêem, mostrando- lhes que os textos podem acompanhar os seus problemas de desenvolvimento. Temos de dar-

lhes obras em «…que eles possam ler-se através delas e que aprendam assim a pôr em relação tudo que vivem com tudo o que eles encontram nos livros.» (Ferreira, 1987: 17). Além de que a frase de Mágan relança um debate iniciado por nós já na primeira parte do presente estudo e que confirma a tese central da dissertação: a relevância que a literatura teve desde os primórdios para a formação do Homem, a literatura popular.

É importante revitalizar as tipologias textuais ligadas ao povo, à nossa tradição. E, pela riqueza e variedade do nosso património cultural, muitas são as possibilidades, desde a dança, ao teatro, à culinária, entre outros. Todos reconhecem que «...o conto é uma síntese perfeita da relação entre o Homem e a Linguagem, ajudando, pois, o leitor a decifrar códigos e, simultaneamente, a construir a sua visão do mundo.» (Gomes, 2006: 34). Então, porque não valorizá-lo numa educação renovada? Dirá um leitor mais atento que o conto não é a única composição tradicional de valor. É verdade, concordamos plenamente. Mas ao falarmos deste género, o mais divulgado ao longo dos tempos, estamos indirectamente a referir todas as tipologias que têm a mesma origem, como a lenda, o mito, as lengalengas ou os provérbios. As benzeduras, orações ou receitas são menos divulgados. Contudo, mostraremos mais adiante como também permitem actividades profícuas e interessantes na sala de aula. Agora, interessa apenas reiterar que a grande maioria dos autores analisados partilha a nossa opinião, referindo que «…quando descobrimos a beleza, tornamo-nos mais exigentes e mais críticos diante do mundo. (…) A criança inventa e (re)inventa a própria vida no jogo lúdico da linguagem, articulando real e imaginário.» (Aguiar, s/d: 8).

Esta ligação tem de começar nos níveis de escola mais baixos, antes mesmo de se saber ler. Apontámos a importância da família neste processo de familiarização com os livros. E, quando chega à escola, a criança, que começa a ler, tem de encontrar textos que não empobreçam o seu mundo devido à extrema simplicidade das frases e vacuidade dos conteúdos. Segundo Maria Emília Traça, os investigadores e editores falham um pouco a este nível, dado que considera que «...o conteúdo dos livros destinados à aprendizagem da leitura é irrealista e estúpido, desencoraja a criança dum esforço inteligente, empobrecendo o seu vocabulário e subestimando as suas capacidades.» (Traça, 1992: 119). Talvez a autora assuma uma atitude um pouco drástica, porém concordamos com ela quando afirma que os textos e exercícios para quem está a aventurar-se na leitura devem divertir, é certo, mas sobretudo estimular a imaginação e a inteligência. Só assim se conseguirá que o prazer das primeiras leituras perdure até à idade adulta.

Através destes textos, pretende-se ainda que as novas gerações reconheçam a identidade do nosso povo, ao mesmo tempo que aprendem novos sentidos para a vida e constroem a sua visão do mundo, baseando-se nos ensinamentos dos antepassados. É uma forma de manter a memória, a cultura, as raízes do nosso povo. À escola, cabe, pois, «...incrementar nas crianças o apreço pelas tradições do seu povo (...) demonstrar-se não só a importância histórica e estética das tradições populares, mas também a sua importância educativa, em especial nos aspectos que o correr dos tempos não fez prescrever.» (Parafita,

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