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Então, na perpectiva discutida até agora neste trabalho, torna-se necessário propor uma metodologia de planejamento das aulas de física que contemple esses referenciais teóricos e suas teorias.

Nesse contexto teórico é que propomos as sequências de ensino investigativas (SEIs), isto é, sequências de atividades (aulas) abrangendo um tópico do programa escolar em que cada atividade é planejada, do ponto de vista do material e das interações didáticas, visando proporcionar aos alunos: condições de trazer seus conhecimentos prévios para iniciar os novos, terem ideias próprias e poder discuti-las com seus colegas e com o professor passando do conhecimento espontâneo ao científico e adquirindo condições de entenderem conhecimentos já estruturados por gerações anteriores (CARVALHO, 2013, p.9).

Segundo Carvalho (2013), uma sequencia de ensino investigativa deve seguir algumas etapas fundamentais:

1°- Ter um problema experimental ou teórico contextualizado que fará a introdução do conteúdo desejado e oferecerá condições para que os alunos pensem e trabalhem com as variáveis relevantes, levantem e testem suas hipóteses. O problema deverá estar ao nível intelectual dos alunos, deverá ser um fator motivador e principalmente deverá oferecer condições dos mesmos testarem suas concepções alternativas.

64 Não é necessário que o problema seja experimental, podendo, portanto, ser um problema teórico no qual os alunos trabalhem com textos, artigos. Entretanto, o problema deve seguir uma sequência de etapas, visando dar oportunidade aos alunos de levantarem e testarem suas hipóteses, passarem da ação manipulativa à intelectual estruturando seu pensamento e apresentarem argumentações discutidas com seus colegas e com o professor.

2°- Após a resolução do problema será necessária uma sistematização do conhecimento. Essa sistematização poderá ser feita em grupo ou individualmente com um texto, um questionário ou com uma conversa. Será durante essa etapa que os alunos poderão novamente discutir seus resultados, comparando o que fizeram e o que pensaram ao resolver o problema. Isso poderá ser feito com relato em formas de texto, resolução de questões ou em uma conversa com o professor, individual ou em grupo. O objetivo é levar o aluno a repensar no que ele fez. Nesta etapa o professor poderá e deverá intervir com perguntas do tipo "o que você fez para alcançar os resultados?", "como você(s) conseguiu resolver o problema?”.

É nessa etapa que os alunos vão mostrando, por meio de relato (escrito ou falado), o que fizeram, as hipóteses que deram certo e como foram testadas. Essas ações intelectuais levarão ao início do desenvolvimento de atitudes científicas como o levantamento de dados e a construção de evidências.

Durante a tentativa de explicarem o que fizeram e o por que a estrátegia ultilizada deu certo, os alunos utilizarão explicações causais, e essas explicações levarão à procura de uma palavra, um conceito que explique o fenômeno. É nessa etapa que há possibilidade de ampliação do vocabulário dos alunos. Será o início do aprender a falar ciência (CARVALHO, 2013).

3°- Uma terceira etapa importante é a que promove a contextualização do co- nhecimento no dia a dia dos alunos. Neste momento eles perceberão o grau de importância da atividade investigativa que desenvolveram. Se o problema foi contextualizado, levando em conta o nível e o meio onde os alunos estão inseridos, essa etapa ficará muito facilitada.

65 3.4.1 Postura do professor e do aluno em uma SEI

É evidente que em uma proposta de ensino por investigação, o professor e o aluno, devem assumir uma postura diferente da que é adotada no ensino tradicional. Algumas características básicas são tratadas a seguir.

Em uma metodologia de ensino baseada na investigação, como, por exemplo, em uma SEI, o professor deve ter um comportamento de guia e não de transmissor do conhecimento. E ele não deve, de maneira nenhuma durante a realização da atividade – que não precisa ser necessariamente experimental – dar respostas às dúvidas e questionamentos dos alunos. È evidente que o professor continua na obrigação de criar e organizar os problemas e as situações nas quais ocorrerão as atividades investigativas.

O professor deve estar preparado para ir "guiando" o aluno com questionamentos, a fim de que ele, por conta própria, alcance a resposta. O papel do professor é muito importante neste tipo de atividade, e não é fácil. Por isso ele deve, no seu planejamento, tentar prever quais tipos de questionamentos podem aparecer durante a atividade e deve ter conhecimento das concepções alternativas do grupo de alunos com o qual ele vai trabalhar.

[...] o que deseja é que o professor deixe de ser apenas conferencista e que estimule a pesquisa e o esforço, ao invés de se contentar com a transmissão de soluções já prontas (PIAGET, 1977 apud MOREIRA, 1999, p. 105).

Uma estratégia, que foi realizada neste trabalho e que teve bons resultados foi, antes da realização da SEI, fazer o levantamento das concepções alternativas dos alunos através da aplicação de um questionário. A partir deste levantamento foi realizado o planejamento da atividade (AZEVEDO, 2006).

Assim sendo, como afirma Azevedo (2006):

[...] o professor que se propuser a fazer de sua atividade didática uma atividade investigativa deve tornar-se um professor questionador, que argumente, saiba conduzir perguntas, estimular, propor desafios, ou seja, passa de simples expositor a orientador do processo de ensino (AZEVEDO, 2006, p.25).

66 O aluno deve, durante a realização da SEI, estar engajado na resolução do problema, refletir, levantar hipóteses, testar essas hipóteses, discutir suas ideias com o grupo e participar de todas as etapas da atividade. Ele deve deixar de ser apenas um observador das aulas, muitas vezes expositivas, passando a ser um protagonista em vez de um mero observador, precisando argumentar, pensar, agir, interferir, questionar, fazer parte da construção de seu conhecimento.

3.4.1.1 Alguns cuidados a serem tomados na realização das atividades investigativas

Existem algumas dificuldades que podem surgir ao se introduzir este tipo de atividade em salas de aulas nas quais os alunos que estão acostumados com o conteúdo trabalhado de forma tradicional, em que o professor é o centro da aula. Por isso, conhecer essas dificuldades é fundamental para que o professor que está disposto a trabalhar com as SEIs possa ajudar seus alunos a ultrapassá-las.

Um das dificuldades é a quebra da rotina dos alunos que estão acostumados com aulas simplesmente expositivas. Alguns alunos que têm bom rendimento em aulas tradicionais podem apresentar baixo rendimento em uma fase inicial (LOUGHRAN, BERRY e MULHALL, 2006, apud AZEVEDO, 2006). Os alunos podem reagir contra esse tipo de atividade, já que precisarão assumir a responsabilidade do seu próprio aprendizado. Porém, ao longo do tempo, a maioria dos alunos tende a gostar e até a preferir essa estratégia didática.

Outra dificuldade que pode aparecer é o tempo. Os estudantes precisam de um tempo para pensar em, testarem, discutirem e resolverem o problema. Contudo, se houver um grande prolongamento do tempo pode haver perda no engajamento de realizar a tarefa. Nesse caso, o professor, enquanto orientador da atividade, deve estar atento e levantar mais questionamentos para aqueles grupos que demonstrarem mais dificuldade. Essa postura, vivenciada pelo autor desta pesquisa, ajudou a manter os grupos trabalhando juntos, além disso, quando um grupo chega à solução do problema os outros imediatamente aplicam a mesma estratégia e chegam ao resultado esperado.

67 Outro aspecto a se considerar é o nível de dificuldade no qual o problema é apresentado. Ele precisa ser acessível aos alunos, estar dentro do seu contexto social, fazer referência a suas concepções alternativas, ser claro e de fácil entendimento. Caso contrário, pode-se promover um sentimento de frustração e a desmotivação dos alunos pela atividade (Azevedo, 2006).

Partindo-se do que foi apresentado até agora, serão apresentada, a seguir, as metodologias utilizadas na realização da pesquisa e nas análises dos dados coletados.

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4 METODOLOGIA

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