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First Line of Research (RL1): Novel Attachment Systems for Implant Overdentures

Sobre como acontece à relação escola-família especificamente em relação aos alunos com NEE, os resultados foram divididos em duas análises como conforme descritos abaixo:

De acordo com os dados, todos os gestores consideraram que o diálogo escola - família de todas as crianças, e especificamente a dos alunos com NEE, se dava a partir das reuniões e das conversas periódicas (APÊNDICE I, tabela 9). Ou seja, todas as escolas promoviam momentos de conversas com as famílias para repassarem o trabalho da instituição. Também os resultados permitiram fazer outra análise sobre se era possível manter um diálogo entre escola e família e como acontecia esse diálogo. De acordo com 8 gestores era possível manter um bom diálogo e orientar todas as famílias. Já 2 consideraram ter dificuldades no diálogo com as mães.

O que nós fazemos é ter um primeiro contato com a família no início do ano para explicar como é o nosso trabalho. A grande maioria dos pais tem certa ignorância. O nosso diálogo requer muita paciência. Na ficha de matrícula das crianças não diz nada sobre as deficiências do aluno (gestora da escola de cor rosa).

Procuramos manter a relação com as famílias de forma próxima e aberta, acreditando na importância desta relação para o desenvolvimento integral dos alunos. Quanto à relação com os pais da criança com necessidade especial que atendemos, construímos uma relação muito boa através do contato diário com a mãe nos momentos da entrada e da saída do aluno, além disso, sempre que necessário conversamos com a mesma para deixá-la a par do desenvolvimento da criança e de sua interação com as outras (professora da escola de cor lilás).

Os dois relatos mostram situações diferentes. O primeiro está de acordo com os 2 gestores que consideraram ter dificuldades no diálogo com a família, e o segundo mostra que a gestora descreve como acontece a relação com a família que, na opinião dela, era satisfatória. Sobre o primeiro caso, a professora se referiu ao diálogo dizendo que as famílias

tinham certa ignorância em entender o que as professoras ou gestoras explicavam. Tecendo um comentário sobre esta fala da gestora, é importante frisar que a relação que se estabelece com a família requer dos profissionais da educação conhecimento sobre o contexto sociocultural a que os pais estão submetidos, pois o discurso proferido por eles reflete as condições que vivem. Assim, o importante é que a escola assuma uma posição aberta de diálogo com os pais, no sentido de orientá-los quanto às necessidades educacionais dos filhos. Com relação à condição socioeconômica dos alunos e sua relação com a escolarização, Kappel (2005, p. 194) tece um comentário importante:

Um dos fatores que mais influenciam a escolarização das crianças é, sem dúvida, a renda familiar. A análise das taxas de escolarização, considerando as classes de renda mensal familiar per capita em salários mínimos, permite identificar uma nítida desigualdade entre as crianças de famílias com maior renda e aquelas com renda menor: à medida que aumenta a renda familiar, crescem os níveis de escolarização.

Sobre este aspecto das condições financeiras das famílias, fica clara a influência que a realidade socioeconômica dos alunos tem sobre a escolarização destas crianças. A escola, que recebe todos os alunos de forma igualitária, tem também o compromisso de criar, dentro das suas possibilidades do cargo e da realidade da escola, mecanismos e estratégias que ajudem a criança a permanecer na escola e, junto às famílias, orientar sobre a importância de os alunos estudarem, sejam eles com NEE ou não. Este trabalho de conscientização também faz parte dos desafios vividos hoje dentro da escola.

No segundo caso, que 8 gestores consideraram o relacionamento com a família satisfatório, sabe-se que a relação escola-família acontece devido às necessidades dos educandos, já que a aprendizagem deles é um fator importante que precisa ser dialogado entre pais e professores. Por isso, muitos gestores se empenham em manter uma boa relação com todos as famílias.

Também sobre a relação das famílias com a escola, se elas tiveram a oportunidade de conversar sobre o atendimento que seria dispensado aos filhos especiais, 8 mães disseram que o gestor conversou com a professora ajudando a mãe a descobrir a necessidade do filho. Já outra mãe não soube responder, e ainda outra considerou que a escola não a orientou devidamente no início do ano (APÊNDICE J, tabela 2). Sobre estes dados, entende-se que a maioria das mães tiveram a oportunidade de conversar com as professoras e gestores a respeito das crianças com NEE. Esse primeiro contato que a escola estabelece com a família se configura como imprescindível para orientar o processo de aprendizagem das crianças. Oliveira (2010, p. 177) comenta que:

Um passo inicial de trabalho integrado pode ser dado no período de adaptação e acolhimento dos novatos. Compete ao professor organizar-se para acolher a criança e sua família na creche ou pré-escola de modo que diminua a insegurança e a

ansiedade familiares nesses momentos, as quais influem na criança, prejudicando sua inserção na instituição.

Assim, o acompanhamento que é dado pela escola à família, vai influenciar diretamente na inserção da criança na vida escolar, bem como todo o seu desenvolvimento. Se a família deixa de levar o aluno para estudar, a escola também é responsável por essa situação, devendo se posicionar na tentativa de orientar a família sobre a importância de a criança frequentar a instituição de Educação Infantil.

Sobre o relacionamento das professoras com as famílias de todas as crianças, inclusive com as das com NEE, 9 docentes consideraram que a atuação delas se destacava no diálogo com as famílias, enquanto uma professora disse que o contato é limitado às reuniões (APÊNDICE H, tabela 13). Compreende-se, que a maioria dos profissionais (gestores e professoras) percebem a importância da relação entre a escola e a família, e que a participação dela é imprescindível para o bom desenvolvimento dos alunos.

Também sobre a opinião das famílias, a respeito da participação delas no desenvolvimento e escolarização dos filhos, 8 mães disseram ser através de reuniões e de conversas com a professora durante a semana enquanto 2 concordaram que o diálogo acontece somente durante as reuniões na escola (APÊNDICE J, tabela 14).

Conforme mostram os dados, a maioria das escolas mantém uma boa relação com as famílias. A Declaração de Salamanca faz a seguinte ressalva sobre como a opinião dos pais é importante para o atendimento das crianças na escola: “Os pais são parceiros privilegiados no que diz respeito às necessidades educativas especiais dos seus filhos e, na medida do possível, deve-lhes ser dada a escolha sobre o tipo de resposta educativa que pretendem para eles” (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA, 1994, p. 38).

Como se percebe, o documento explica que os pais são os principais participantes no desenvolvimento dos filhos. A escola, por sua vez, deve favorecer este diálogo, e dar oportunidade à família de saber como as crianças estão aprendendo, como está sendo feito o trabalho do professor. São, portanto, informações sobre as atividades e o desenvolvimento das crianças. Logo, a escola deverá contar com o apoio dos pais, para dar a todas as crianças as mesmas oportunidades de aprendizagem. Há, no entanto, famílias que possuem um diálogo mais aberto no sentido de falar sobre as dificuldades das crianças, mas também existem pais que evitam falar das deficiências do filho, pois receiam a discriminação e o preconceito por parte da escola. Tal atitude faz com que muitos falem pouco, ou não falem nada. Diante dessa

realidade, cabe aos gestores e professores perceberem o momento de buscar ajuda para o aluno e também orientar os pais.

A respeito dos modelos de família, os Referenciais Curriculares Nacionais para a Educação Infantil chamam a atenção para a que surgem:

Visões mais atualizadas sobre a instituição familiar propõem que se rejeite a idéia de que exista um único modelo. Enfoques teóricos mais recentes procuram entender a família como uma criação humana mutável, sujeita a determinações culturais e históricas que se constitui tanto em espaço de solidariedade, afeto e segurança como em campo de conflitos, lutas e disputa (BRASIL, 1998, p. 75-76).

Neste sentido, os professores precisam compreender que cada aluno é proveniente de realidades sociais diversas, e isso é um fator de forte influência no aprendizado das crianças. Ao educador também cabe o desafio de perceber as diferentes realidades que se revelam em sala de aula. Manter um bom diálogo com os pais também depende da observância feita pelo professor junto aos seus alunos, já que a cada dia ele conhece um pouco da realidade de cada criança durante a convivência em sala de aula.

Ainda sobre o relacionamento família-escola, a respeito da opinião dos pais das crianças com NEE acerca do relacionamento deles com as professoras, se era igual ou diferente ao mantido com os pais dos outros alunos, 8 mães disseram que o relacionamento com as professoras é igual e bom para todos, enquanto 2 concordaram que as professoras se preocupavam em conversar mais com os pais das crianças com NEE (APÊNDICE J, tabela 15). Assim, no que diz respeito ao relacionamento que a escola estabelece com a família, percebe-se que grande parte das escolas mantém um bom diálogo com as famílias, apesar das dificuldades que podem acontecer em qualquer outro diálogo, envolvendo sujeitos. Por isso, o que as escolas precisam é trabalhar para estreitar sempre este contato com os pais, no sentido de acompanhar o desenvolvimento e aprendizagem das crianças.