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3.2 - Les limites :

Dans le document FACULTÉS DE MÉDECINE (Page 56-76)

Nascida a 11 de outubro de 1971, a entrevistada encontrava-se a trabalhar como responsável de desenvolvimento e dinamização numa empresa de seguros havia 8 anos, sendo que as últimas etapas do seu percurso profissional estavam relacionadas com a função de técnica de formação.

66 Licenciada em Gestão de Empresas Turísticas, escolheu complementar o seu percurso com uma pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos devido a questões profissionais, uma vez que trabalhou num departamento de recursos humanos. Relembrou que a pós-graduação em Gestão de Recursos Humanos lhe trouxe mais- valias para a função que desempenhava, principalmente pelas unidades curriculares que frequentou nomeadamente no que concerne ao recrutamento e à formação. Afirmou que desenvolveu competências na medida em que foi abordado todo o processo de formação e que esse facto lhe permitiu absorver conhecimentos essenciais para a sua função.

No âmbito profissional, a entrevistada já frequentou algumas ações de formação que, na maioria, foram sugeridas pelo empregador. No entanto, referiu que a pós- graduação que fez e mais umas três ações de formação foram frequentadas por vontade própria. No geral, afirmou que participava em ações de formação como formanda entre quatro ou cinco vezes por ano.

As razões que a levavam a participar em ações de formação eram muitas. Destacou o desenvolvimento contínuo, profissional, pessoal, a reciclagem e a reflexão acerca de alguns temas que dominava. Todavia, sentia necessidade de recuperar e de trazer competências e conhecimento para a empresa, mantendo-se atualizada e desta forma, contribuir positivamente para o desenvolvimento interno da empresa.

Como exemplo, a entrevistada decidiu escolher uma ação de formação em que tinha participado havia pouco tempo acerca do Retorno sobre Investimento (pirâmide de ROI). Afirmou que desconhecia alguns conhecimentos que obteve, essencialmente a pirâmide de ROI, as suas etapas e de que maneira se adaptavam à empresa.

Após a presença em algumas ações de formação, notou que havia sempre mudanças na atividade profissional, nomeadamente quando aplicava na prática o que aprendeu, uma vez que as ações de formação permitiam aprender e trazer para a empresa novos conhecimentos, transformar e melhorar práticas, tornar mais eficazes e “alargar os horizontes”:

“Muitas vezes nós conseguimos trazer para dentro da empresa aquilo que aprendemos lá fora e transformar as nossas práticas e melhorar processos, agilizar processos, torná-los mais eficazes e mais rápidos, acrescentar valor, melhorar os já existentes, no mínimo, ficar com os horizontes mais alargados.” (anexo 6)

67 Acrescentou ainda que a partilha de saberes com pessoas que trabalham noutras empresas e com outros processos permitia-lhe também enriquecer a própria ação de formação, dado que se discutiam outros pontos de vista.

Apesar das várias presenças em ações de formação, houve uma que a entrevistada gostou particularmente. Nesta ação de formação abordou-se a conciliação da vida pessoal com a profissional, na procura do equilíbrio entre essas duas partes. O tema foi destacado pelas aprendizagens que lhe trouxe e pela aplicabilidade. No entanto, referiu que o formador também tinha que ser um bom formador para que a ação de formação fosse um sucesso, assim como os conteúdos que tinham de ser adequados e as metodologias que permitiam cativar os formandos.

Em relação ao seu trabalho, apesar da formação ser apenas uma das áreas a que se dedicava, a entrevistada fez questão de explicar qual o seu trabalho nesta área. Começou pelo acolhimento de novos trabalhadores, dado que era necessário lecionar formação de acolhimento, ou seja, dar a conhecer a empresa seguradora, nomeadamente indicadores financeiros, organogramas, as várias áreas e as suas funções. De seguida, tinha a seu cargo o plano de formação de toda a empresa, desde a definição do plano de acordo com as necessidades de formação e o seu acompanhamento, garantindo que o plano era executado e levado a “bom porto”. Posto isto, era também igualmente necessário acompanhar e monitorizar os formandos em contexto de trabalho, de maneira a perceber se a formação foi útil ou não, através da avaliação da eficácia da formação.

Para a entrevistada, um dia típico de trabalho começava pela organização do dia. Ao longo de quinze minutos organizava o seu trabalho para o resto do dia, tendo em vista cumprir os objetivos a que se propunha. Disse que as tarefas que executa eram muito diversificadas. Quando se tratava de formação, as tarefas incluíam, normalmente, pedir propostas para uma determinada ação de formação e contactar formadores externos. Nestes casos, solicitava pelo menos três propostas, analisava-as e enviava convocatórias aos interessados. A entrevistada tinha também tarefas ligadas a projetos de recursos humanos, como a dinamização de eventos que incluíam a pesquisa de locais e de todo o processo de solicitar propostas para organizar ações de responsabilidade social.

A entrevistada tinha tarefas partilhadas com a equipa e com a chefia, enquanto realizava individualmente outras. No que toca às tarefas partilhadas, existiam, por

68 exemplo, ações de formação que tinham de ser organizadas em conjunto com algum colega. Para tal, havia reuniões mensais. A equipa reunia-se com a chefia, registando-se uma “gestão muito próxima diariamente”. Segundo a entrevistada, estas tarefas partilhadas permitiam enriquecê-la devido à opinião dos colegas, enquanto dava a sua opinião e respeitava os vários pontos de vista. Considerou assim que esta partilha era enriquecedora e ajudava-a a pensar sobre cada assunto. Já em relação às tarefas que realizava individualmente, a entrevistada tratava essencialmente da organização de eventos e implementação de algumas ações de formação, sendo que a maior parte das tarefas foram consideradas pontuais.

Quando questionada acerca de situações ou problemas inesperados, deu de imediato um exemplo que aconteceu enquanto estava a preparar uma reunião com todos os trabalhadores. Quando se preparava para avançar, 10 minutos antes de iniciar, houve uma falha informática. Relembrou que nessa circunstância aprendeu a manter a calma, uma vez que entrar em pânico deixava as pessoas sem a posse das faculdades mentais necessárias, o que não ajudava a resolver a situação. Neste caso, contara com a equipa de informática para resolver o problema e a entrevistada acompanhou de perto a situação para perceber que tipo de falha tinha acontecido.

No que toca ao hábito de refletir no seu dia-a-dia, a entrevistada referiu que demorava a desligar-se dos acontecimentos da empresa. Por isso, costumava refletir sempre acerca do que tinha sido feito e sobre aquilo que tinha de fazer logo pela manhã, se por algum motivo não conseguiu completar as tarefas que tinha previsto no dia anterior:

“Eu reflito sempre sobre aquilo que foi feito e sobre aquilo que terei de fazer logo de manhã seguinte se, por algum motivo, deixei alguma coisa por complementar. É nisso que vou sempre a pensar.” (anexo 6)

Desde que era técnica de formação, houve vários projetos que a marcaram, mas nota que as ações de formação bem-sucedidas que liderava eram sempre as mais marcantes, até pelo reconhecimento dos seus colegas e chefes, sendo celebradas como sucessos pela equipa.

Relativamente a colegas ou chefes que tenham sido igualmente marcantes, a entrevistada indicou um chefe que se destacou pela capacidade de trabalho, pelos

69 conhecimentos que possuía e a capacidade de trabalho. O que aprendeu com ele foi muito importante para o seu desenvolvimento profissional.

Enquanto técnica de formação, a entrevistada descreveu-se como sendo uma pessoa prática, que tenta sempre melhorar. Denominou-se como “perfecionista”. Nesse sentido, referiu como balanço geral que as ações de formação que frequentou trouxeram-lhe aprendizagens que se foram acumulando e complementando, o que permitia-lhe enriquecer e validar o seu trabalho.

Em relação ao contexto de trabalho, a entrevistada referiu que este a ajudou a se formar tanto profissionalmente como pessoalmente, uma vez que o ambiente de trabalho favoreceu um desenvolvimento constante pela partilha que existia entre colegas e que a reflexão diária permitia-lhe a oportunidade de melhoria no dia seguinte:

“Como pessoa, acredito que também me ajudou a moldar, não foi só em contexto de trabalho porque nós temos 3 pilares, o social, o profissional e o familiar” (anexo 6)

Dificilmente acreditava que a aprendizagem pudesse refletir-se negativamente. Acreditava que era mesmo através das experiências negativas que conseguia aprender e melhorar. No entanto, notou que as aprendizagens não tiveram nenhum efeito negativo no seu crescimento enquanto pessoa e enquanto profissional.

Por fim, a entrevistada referiu que ainda tinha muito para aprender. Salientou ainda que as empresas conseguiam obter as melhores tecnologias, mas o que realmente as distinguia eram as pessoas. Portanto, acreditava que iria aprender até ao fim da vida.

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