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D.2 grsecurity

D.2.3 Détection

3.6 Classification des ensembles d’interactions

As mudanças dos anos 90 trazem outros componentes que podem representar uma oportunidade para os autônomos: mudança dos empregos do setor público para o setor privado, incentivo à microempresa, redução do tamanho do Estado.

A principal delas, com um significado especial para os autônomos, é mudança na estrutura ocupacional. São várias as evidências. Pode ser observado, por exemplo, que,

por meio do incentivo dos governos à formação de microempresas, está crescendo cada vez mais a área de prestação de serviços, de serviços temporários, de serviços em tempo parcial, muitas vezes montados na própria casa do profissional13.

No Brasil, essa tendência não foi ainda devidamente analisada pelos que se preocupam com o futuro dos profissionais. Faltam estudos que mostrem o esforço do SEBRAE no incentivo à microempresa e a situação das firmas de prestação de serviço, na área de Biblioteconomia ou similares existentes.

Desemprego e aposentadoria são outros fatores econômicos e sociais que explicam a trajetória do novo profissional. O desemprego é explicado pela diminuição do tamanho das organizações ou cortes no orçamento.

No histórico dos profissionais norte-americanos, o fator desemprego é apontado por vários autores, quando se referem à história do agente da informação, no Estado da Califórnia14. Com problemas financeiros, o governo realizou vários cortes, incluindo,

principalmente, os bibliotecários. Porém, como a região concentra uma grande área industrial, a demanda por informações continuou e os bibliotecários desempregados se organizaram para atendê-la

Ainda sobre o histórico desses profissionais, nos Estados Unidos, Broughton et al. (1991) apontam outros fatores que explicam o surgimento do agente da informação. São eles: a legislação sobre liberdade de informação que despertou o interesse na informação pública; corte de despesas nos anos 70, em razão da "Guerra dos Sete Dias" que teve, como consequência, o fechamento de serviço de informação por parte das empresas e o declínio das bibliotecas, com o corte de orçamento. Citam, também, a filosofia "hippie", nos anos 70, responsável pelo desejo de liberdade, que motivou muitos

13 São vários os relatos de profissionais que começaram nessa base. Schlachter (1985) conta que começou

trabalhando em casa, utilizando a família como apoio administrativo. Anderson ( 1988) mostra as vantagens e desvantagens de trabalhar em casa. Horner (1984) conta que utilizava as horas do almoço para fazer os contatos com seus clientes. Em outros relatos, a questão do tempo parcial, do conflito de interesses entre dois empregos e as questões éticas são discutidas por Dodd (1976), Wamer (1987), Bjorner (1991).

14A história do desemprego dos bibliotecários da Califórnia ( Maranjian & Boss,1980 ) ilustra bem o problema

que os profissionais da área de Biblioteconomia, do setor público, enfrentam: cortes de orçamento, redução de pessoal, dificuldade de contratação pelo fato do serviço bibliotecário não ser considerado serviço essencial.

profissionais a terem seu próprio negócio15. Na Inglaterra, as autoras apontam o incentivo

do governo para criação da pequena e microempresa.

Em relação ao mercado, os autores mostram que, nos Estados Unidos, a disposição de pagar pelo serviço foi um dos grandes incentivos para o agente da informação16 e que

as bibliotecas, mesmo enfrentando dificuldades financeiras, não quiseram abrir mão da tradição de não cobrar pela informação. Eles apontam que, com essa atitude, a biblioteca perdeu o monopólio da informação. O agente da informação entrou em cena, para cobrir as falhas.

DeGennaro (1987) procura suavizar a situação das bibliotecas, afirmando que o profissional fornece serviço especial para clientela, também especial e que não é atendida pelas bibliotecas.

Na Inglaterra não aconteceu o mesmo. As bibliotecas públicas daquele país ofereciam excelentes serviços e se tornaram concorrentes do agente da informação.

No Brasil, além de poucos, entre os relatos que se preocuparam em identificar a nova ocupação e em explicar essa nova tendência, não surgiu um trabalho que analisasse as tendências atuais e as consequências para o profissional.

A primeira evidência sobre a preocupação em desvendar esse novo segmento é encontrada no trabalho de Vieira (1983) que relata o resultado de uma série de debates, realizados em um seminário sobre os novos rumos da Biblioteconomia. O seminário envolveu profissionais de Biblioteconomia e alunos da Escola de Biblioteconomia da UFMG. Vieira mostra que, ao fina! das discussões, os alunos indicaram a necessidade de incluir o mercado de trabalho para autônomos como opção viável para seu futuro profissional.

15 Maranjian & Boss (1980) contam que muitos dos que iniciaram seus negócios na Baía de São

Francisco, no final dos anos 60 e início dos nos anos 70, eram membros fundadores do movimento "Revoiting Librarian".

16 Hirsh (1975) em seu artigo" Info for pay is better" de 1975, respondendo a um artigo de DeGennaro sobre

cobranças de taxas por serviços bibliotecários, afirma que os information brokers não competem com bibliotecas que têm excelentes serviços. As pessoas que estão dispostas a pagar o fazem porque precisam de respostas rápidas e esperam melhor atendimento daquele que teriam numa biblioteca que não cobra taxa pelo serviço.

Dois estudos exploratórios foram realizados no Distrito Federal, utilizando a técnica de entrevista (Maia, 1986 e Pinheiro et al. 1987). Foram levantados alguns indícios sobre a situação do autônomo no Distrito Federal.

Maia (1986) identificou profissionais envolvidos com serviços de informação não convencionais e levantou as áreas de atuação e Pinheiro et al (1987) entrevistaram 25 autônomos da mesma área .1 8

Em trabalho mais recente, Paiva (1990) conceitua o agente de informação, (information broker), e explora as perspectivas para essa nova carreira19 dentro do contexto

brasileiro. Procura mostrar o desenvolvimento da profissão, citando os componentes da sociedade da informação e apresenta a tese da desinstitucionalização.

Em 1993, o IBICT mantinha uma lista de 20 integrantes, sob o titulo "Empresas de Consultoria de Informação e Arquivo". Duas das firmas listadas, as firmas mineiras "Documentar e "Critéria" são exemplos desse tipo de prestação de serviço, conhecidos pelos bibliotecários por sua atuação em congressos e eventos similares, que tem reunido a classe de bibliotecários. Em Brasília, "Walda Antunes Consultoria, Bibliotecas, Arquivos e Representações» tem se destacado na área de treinamento para concursos e organização de coleções. O Estado de São Paulo está representado pelas firmas "BIBLION - Consultoria Tratamento Técnico da Informação", "COLLECTA" e outras. A

lista traz, ainda, firmas do Rio de Janeiro, Curitiba, Goiânia e Vitória, demonstrando que a atividade está sendo praticada, no Brasil, em grandes centros20 .

17Os consultores foram incluídos na amostra desse estudo.

18 Detalhes sobre a pesquisa exploratória das autoras estão na parte desse trabalho sobre pesquisas. 1 9Quanto à questão terminológica, Paiva utiliza o termo "agente informação" e identifica como uma nova

carreira ressaltando que entende por carreira, uma nova atividade dentro da profissão do bibliotecário, Maia utiliza a expressão "atividades não convencionais" e Pinheiro et al. utiliza "bibliotecário autônomo".

20 Alguns Conselhos Regionais de Biblioteconomia (região Sul Sudeste) mantêm listas das firmas

cadastradas, a saber: São Paulo - 24 firmas, Minas Gerais - seis firmas e Paraná - duas firmas; Santa Catarina duas firmas; Rio Grande do Sul - três firmas e Espírito Santo - duas firmas. O projeto de lei do

Senado Federal (em fase de aprovação) sobre a regulamentação da profissão do bibliotecário vai obrigar o cadastramento das firmas de prestação de serviço nos Conselhos de Biblioteconomia.

2.2 O profissional

A seguir são discutidas as particularidades do profissional independente, como surgiu esse profissional no exterior e a situação no Brasil. Foram separados os trabalhos encontrados na literatura em geral dos que relatam levantamentos (surveys) realizados com esses profissionais. Serão examinados os seguintes aspectos: histórico, terminologia, motivos, atividades e clientes potenciais. Os estudos realizados com profissionais institucionalizados estão relacionados após esse item.