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IHGB 17

Sociedades Geográficas 04

Subtotal 21

TOTAL GERAL 117

Fonte: Elaborado pelo autor.

O número total geral do quadro 4 não corresponde ao número de autores e coautores dos manuais didático relacionados no quadro 2. Isso ocorreu porque não foi possível encontrar fontes que fornecessem de forma precisa a ocupação ou a profissão de todos os autores e coautores. Também houve autores que foram classificados em dois ou mais grupos.

Foi o caso de Salvador Henrique de Albuquerque, professor e membro do IHGB e de Cândido Mendes de Almeida, professor de Geografia, sócio do IHGB e Senador. Entretanto, mesmo com essa disparidade numérica, pude observar que a maioria dos autores estiveram ligados diretamente ao ensino, com destaque para os professores. Isso indica que a formação docente ou processo de profissionalização passava pela elaboração de pontos para as aulas e de textos que seriam utilizados pelos alunos. Esses chegavam mais elaborados à publicação e à comercialização. A autoidentificação, por parte dos autores, que adjetivavam determinada disciplina, demonstra uma preocupação com o campo ou área a que se vinculavam. Assim, embora não houvesse a formação acadêmica na área de Geografia, existiam professores para ensinar essa matéria e tinham clareza do significado da disciplina. Como exemplos, Candido Mendes de Almeida, que se referiu à Geografia para explicar as razões do Atlas do Império na introdução da obra da seguinte forma:“Cultivamos em outra épocha a Geographia, occupando por espaço de 14 annos uma cadeira desta disciplina no Lycêo de nossa província natal, a do Maranhão [...]” (1868, s/p).

Afirmou Thomaz do Bom-Fim Espíndola80, ser lente catedrático de Geografia, história e cronologia do Liceu de Maceió, em 1871, na folha rosto de seu manual escolar: “Geographia Alagoana ou descripção physica, politica e historica da província das Alagoas”. Em 1877, Manoel Pereira de Moraes Pinheiro81 declarou-se professor de Geografia do ginásio pernambucano e Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro, sob pseudônimo de Estácio de Sá e Menezes, revelou ter lecionado Geografia por muitos anos em vários colégios das províncias de Minas Gerais e São Paulo, no prólogo da terceira edição do seu livro: Lições Elementares

de Geographia segundo o Methodo Gaultier82.

Essas informações permitiram concluir, ao contrário do que se deduzia, que a maioria dos manuais para o ensino de Geografia era de autores brasileiros. Principalmente, aqueles dedicados à Geografia ou à Corografia do Império. Muitos desses manuais foram produzidos pelos próprios professores que ministravam as aulas. Embora muitos autores utilizassem

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Thomaz do Bom-Fim Espíndola nasceu em 1832 e faleceu no ano de 1899, em Alagoas. Médico e professor. Foi presidente interino da Província de Alagoas, por pouquíssimo tempo em duas ocasiões, em 1867, quando era presidente da Camara Munipal da capital da Província e, em 1878, quando o cupava o cargo de 1º Vice-Presidente. Escreveu, junto com Rui Barbosa e Ulysses Machado Pereira Viana, a reforma do ensino secundário e superior, em 1882, parecer e projeto.

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Manoel Pereira de Moraes Pinheiro nasceu na Província de Pernambuco no ano de 1832. Contista, foi autor de obras didáticas, bacharel em ciências sociais e jurídicas, advogado, professor, jornalista, político, cavaleiro da Ordem da Rosa

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A primeira edição de Lições de Geografia data de 1860. Entretanto, por estar mais conservada e legível, foi utilizada a quarta edição de 1885, consta que foi aumentada e melhorada por Luiz Leopoldo Fernandes Pinheiro Junior, sobrinho do autor e continuador de sua obra. Luiz Leopoldo Fernandes Pinheiro Junior foi responsável, também, por dar continuidade, atualizando e ampliando, os manuais escolares do Dr. Joaquim Maria de Lacerda.

como referência manuais estrangeiros, não significava que existia uma adesão direta às suas ideias. O cônego Joaquim Caetano Fernandes Pinheiro (1885), ao declarar que adotava o compêndio do Abade Gaultier, enfatizou, mesmo que o método de Gaultier fosse o mais vantajoso, segundo ele, “a sua experiência” mostrava que, para atingir melhor as finalidades a que se propunha, ensinar a Geografia, era necessário realizar modificações. Ao publicar as

Lições de Geographia ele justifica no prólogo da terceira edição as alterações necessárias para

um melhor ensino no Brasil.

[...] Colocamos a Cosmografia em primeiro lugar, porque entendemos que o seu conhecimento deverá preceder a qualquer outro.

Suprimimos as noções históricas, porque assentávamos que eram elas demasiado perfunctórias para cabal lição; servindo, aliás, para sobrecarregar a memória dos alunos. [...]

Substituímos pelas recapitulações as perguntas e respostas. Outrora muito em voga, e hoje quase que totalmente desterradas das obras elementares. Pelo que diz respeito á exatidão, podemos asseverar aos leitores que consultávamos o que de melhor e mais moderno chegou ao nosso conhecimento em assuntos de Geografia, estatística, etc. [...]. (SÁ & MENEZES, 1885, s/p).

Na ausência de um compêndio para essa finalidade, o professor, a partir dos conteúdos dos exames preparatórios exigidos pelos Estatutos das Escolas Superiores ou Academias do Império, desenvolvia os pontos neles apresentados, transformando-os em textos e em livros e, posteriormente, os publicava. Esse foi o caso dos compêndios de Thomas Pompeo, Bazilio de Quaresma Torreão e de professores como Alffoso José de Oliveira83, que ao dedicar ao leitor o seu Compendio de Geographia Universal (1836), justifica que o seu objetivo em redigir o manual era para suprir a falta de um “compendio de Geografia, chronologia” e para livrar quem estudava do enfadonho método das “postillas”.

Mesmo com referência a “Postilhas”, não foi encontrado nenhum documento que se assemelhasse a tal material. Corroborando com Jeane Silva (2012), é provável que tenha sido mais utilizado nas aulas de história do que nas aulas de Geografia. Na relação de livros presente no relatório da diretoria de instrução de 1867, constam os compêndios que deveriam ser adotados:

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Geografia – compendio do Senador Padre Thomaz Pompeo de Souza Brasil – ultima edição.

Historia – manual de estudos para a preparação do Bacharelado em Letras – Historia do Brasil do Doutor Macedo.

Retórica – lições elementares de eloquência nacional por Freire de Carvalho – 6ª edição.

Análise – vida de S. Francisco Xavier, por João de Lucena – padre.

Aritmética, Álgebra, Geometria e Trigonometria – compêndio do conselheiro Ottoni.

Latim – gramática de Castro Lopes para exercícios. Gramática resumida do Padre Antonio Pereira e Novos métodos do mesmo autor.[Selectæ Latinæ Sermonis. Virgilio, Horacio, Cícero, Tito Lívio.]

Francês – gramática de Emilio Sevene.

Tradução – selecta francesa, e Charles André na parte poetica. Inglês – gramática de Constancio.

Tradução – resumo da historia de Roma pelo Dr. Goldsmith – class – Book. Filosofia – curso de filosofia por E. Barbe última edição.

Diretoria Geral da Instrução Pública no Ouro Preto 1° de outubro de 1867. Firmino Antonio de Souza Junior. Confere, Pinto de Souza. (APM-SP- 1199, doc. 6069).

De todos que constam da relação, a matéria de história é a única que indica um manual de estudo de preparação para o bacharelado. Mesmo assim, no que diz respeito à história do Brasil, há indicação do manual do Dr. Macedo, possivelmente o História do Brasil publicado para uso dos alunos do Colégio Pedro II, em 1861.

O ato de escrever era uma tarefa comum aos professores de Geografia de instituições escolares no século XIX. Esse fato pode ser comprovado através das teses que os professores elaboravam para concorrer, via concurso público, à vaga de determinada cadeira. A rigor, após a aprovação, essas teses eram publicadas. (RABELO, 1832; BUENO; BARRETO; XAVIER, 1879). Em seguida, é possível visualizar a foto 2 da contracapa de uma tese do Dr. Luiz de Oliveira Bueno.