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Limitation de contrôle de puissance imparfait

Le contrôle des puissances de transmission dans le système

3.3 Limitation de contrôle de puissance imparfait

Podemos considerar que a sociedade mineira foi originada pela ação dos bandeirantes desbravadores, guardadas as proporções da matriz Tupi11 e da lusitanidade.12 Apesar de a sociedade mineira ter sido construída, também, com a utilização do escravo africano, a escravidão em Minas Gerais tinha uma gerência menos tirana que em outros estados. De acordo com Luna (1980), a atividade da mineração do ouro permitia aos cativos relativa liberdade de ação e maior oportunidade socioeconômica, quando comparada às outras economias coloniais. Também em função dessa atividade, somando-se as dificuldades de transporte à distância em relação às outras áreas produtivas da colônia e dos pontos de embarque, a elevada concentração nas zonas produtivas e o desenvolvimento rápido de alguns núcleos urbanos, é que foram implantadas inúmeras e variadas atividades na região. Sendo assim, a capitania de Minas Gerais viveu uma fase de esplendor como, provavelmente, nenhuma outra capitania brasileira teve oportunidade de usufruir. Nesse sentido, existiam nos núcleos urbanos indivíduos dedicados tanto ao artesanato como à prestação dos mais variados serviços. Era, portanto, nessa época, uma sociedade mais desenvolvida que a sociedade paulista.13

Foi também em Minas Gerais, que se originaram as primeiras expressões de nacionalidade e justiça que, conforme Soares (2001), eram sustentadas pelos motins e revoltas do século XVIII, com reivindicações pelos direitos, já com um maior investimento no sentimento de cidadania. A autora também considera que a circulação do ouro e de diamantes levava, em seu bojo, a circulação de idéias, suscitando rebeliões que hoje são reconhecidas como sementes da nossa

11 De acordo com Ribeiro (2005) a expressão matriz Tupi diz respeito aos grupos indígenas (principalmente do

tronco Tupi) encontrados no litoral brasileiro pelos portugueses quando chegaram ao Brasil.

12 Também de acordo com Ribeiro (2005), lusitanidade diz respeito aos invasores que estabeleceram, com a sua

presença, uma vasta e vetusta civilização urbana e classista.

independência nacional e de nosso acesso à modernidade. Podemos citar a Inconfidência Mineira como exemplo de um desses motins. Outros autores, como Cortez et al. (2004) destacam, na história de Minas Gerais, uma forte influência na intenção de formação do Brasil como nação.

Ainda sustentados por Soares (2001) podemos apresentar outra influência marcante sobre o povo mineiro, causada pela chegada do cristão-novo14 em nossa terra. Guardadas nas montanhas de Minas, existem muitas marcas dos cristãos-novos e de seus descendentes, expressas no que se chama hoje de conservadorismo mineiro, política mineira ao pé do ouvido, pão-durismo mineiro, humor mineiro, desconfiança mineira, o apego à justiça, a superação de obstáculos, enfim toda a “mineirice” que se identifica muito com os judeus portugueses dos séculos XVI, XVII e XVIII.

Popularmente, diz-se que o mineiro é fechado como sua terra. Esse fechamento pode ser reconhecido como uma sobriedade que se evidencia no modo de falar de comer e de vestir do povo mineiro.

Nas décadas de 30 e 40 do século XX, consolida-se a denominada tradicional família mineira. Autores como Arruda (1999) e R. Soares (2001) conceituam a família mineira, considerando o aspecto patriarcal trazido dos portugueses.15 Com as grandes fazendas de café, a educação dos jovens mineiros da classe dominante consistia numa formação européia. Neste modelo, o homem era preparado para atuar como administrador dos negócios da família ou para escolher entre a medicina e a magistratura. A mulher era educada para gerenciar a casa e se responsabilizar pela educação dos filhos, onde o curso adequado era o denominado curso Normal.

14 Cristão-novo era uma denominação dada aos judeus que se convertiam ao catolicismo. Para R. Soares (2001)

o cristão-novo se sentia em permanente transgressão, não era católico nem judeu, praticava um dualismo religioso, exteriormente era cristão e em casa praticava ritos judaicos.

15 Para Arruda (1999) o conceito da tradicional família mineira estaria ligado aos aspectos patriarcais e na defesa

das mulheres dos aventureiros que se estabeleciam no solo das Minas. Esses aventureiros eram os imigrantes portugueses que trouxeram do Portugal agrário, de aldeias pequenas e pobres, sem qualquer mediação com a vida urbana, valores tradicionais de festas em louvor a santos, do culto à vida doméstica e do apego ao patriarcalismo, implantando-os em terras mineiras. Para Soares (2001) quando se fala da tradicional família mineira associa-se logo a idéia a uma atitude ultraconservadora. A autora considera que o sistema patriarcal,

Eram as famosas normalistas, sendo importante ressaltar que o termo normalista representava aquela que estudava regras de convivência cidadã.

Os filhos das classes mais pobres eram orientados para o trabalho de manutenção e produção e, quando recebiam educação, ela se concentrava na formação técnica e rural. Essa situação de pouco acesso ao ensino e à formação permaneceu por quase todo o século XX, pois as políticas públicas demoraram a desenvolver um programa de massificação e democratização da educação.

O final da década de 30 do século XX também foi marcado pela quebra da bolsa de New York, provocando uma grande transformação na economia brasileira, que anteriormente concentrava-se na monocultura do café e se viu obrigada a ingressar no mundo industrial. O começo da industrialização selvagem encontrou terreno mais propício em São Paulo,16 pois Minas Gerais era humanista e erudita demais para absorver de pronto esse tipo de economia.

Mas, apesar de suas reservas, a sociedade mineira começa a receber as indústrias de base (siderúrgicas e metalúrgicas) e com elas se inicia o processo de miscigenação, provocado pela inclusão de uma mão-de-obra de formação técnica, mas pouco humanista. Essa mão-de-obra mais técnica, oriunda de outras regiões do Brasil e de países estrangeiros, chegou a Minas Gerais carregada de outros valores, de outras culturas, que provocaram transformações na sociedade mineira.

Estas transformações foram intensificadas com a Segunda Guerra Mundial, com o aumento de imigrantes europeus e a chegada dos imigrantes orientais.

Na seqüência de uma época de grandes transformações para o Brasil, o mineiro Gustavo Capanema assume o Ministério da Educação (1937-1945). Entre suas ações mais marcantes estão: a implantação do Instituto Nacional do Livro, a criação do serviço de proteção histórico e artístico nacional e a reforma ortográfica da língua portuguesa. Também foi ele o responsável pela vinda, para o Brasil, de Le Corbusier, mentor de Oscar Niemeyer, Burle Marx e Guignard.17 Seu chefe de

16 Mota (2003), quando faz uma abordagem da evolução histórica do estado de São Paulo, referencia a

industrialização como a responsável pelo grande impacto que transformou esse estado em uma grande e rica potência brasileira.

gabinete era Carlos Drumonnd de Andrade, o que nos faz considerar que se tratou de um Ministério envolvido com as artes, as letras e a formação cidadã.

Marcada por políticos de personalidade forte como Juscelino Kubitschek, a sociedade mineira foi consolidando uma imagem de tradicionalismo e formação humanista, características que ainda persistem, apesar de em menor escala em função do grande movimento transformador da segunda metade do século XX, a globalização.

Sendo assim, podemos retratar o mineiro como um povo apegado em suas tradições, que talvez sejam preservadas por suas montanhas, embaladas por seus poetas de idéias libertadoras, sustentadas por seus políticos visionários, mas, principalmente, mantida pelo antigo costume de contar histórias.

Para que possamos avançar no entendimento dos sujeitos que fazem parte da sociedade brasileira e mineira, temos que abordar os conceitos e sentidos dos valores que sustentam essa sociedade, além do já mencionado fenômeno da globalização.

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