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3.4 Mesures sur grands instruments

3.4.4 La ligne XPP du laser à électrons libres LCLS

“Tenha em mente que tudo que você aprende na escola é trabalho de muitas gerações. Receba essa herança, honre-a, acrescente a ela e, um dia, fielmente, deposite-a nas mãos de seus filhos. " (Albert Einstein)

“A época contemporânea nasce – convencionalmente – em 1789, com a Revolução Francesa, já que é com aquele evento crucial que caem por terra seculares equilíbrios sociais, econômicos e políticos.” Assim Franco Cambi (1999: 377) começa a definir a época contemporânea.

A contemporaneidade é um tempo de inquietudes e contradições na vida da sociedade e das pessoas: ao lado da industrialização, nasceram e cresceram os movimentos dos trabalhadores que reivindicavam seus direitos e seu lugar como cidadãos. Os trabalhadores, os operários, as classes menos favorecidas, são aquelas que, no decorrer do processo de industrialização, sofrem toda forma de exploração.

São os trabalhadores explorados e humilhados que passam a perceber a realidade e a exigir seus direitos. O povo luta, organiza-se, manifesta-se, toma partido nas decisões e reconhece sua atribuição política. “É a época dos direitos, do seu reconhecimento teórico e da sua afirmação prática” (CAMBI, 1999: 378-379).

Constitui-se no tempo das ditaduras e das democracias. As questões do mundo giram em torno dos processos econômicos, mas também na perspectiva da

52 cidadania e da cultura. Recentemente, diante das questões cruciais de nosso tempo, da preocupação com o meio ambiente. E, a partir dele, uma preocupação com a nossa própria existência e sobrevivência enquanto humanidade.

No centro dessas questões, a educação e o processo de escolarização emergem no contexto social como elemento político que se aglutina, se reelabora, se integra a diferentes modelos teóricos, a diferentes ideias e pensamentos. As novas situações conduziram o sistema educativo a permanente reflexão, experimentação e crítica. Os passos que se seguiram são condicionados a uma busca complexa e primorosa, que veio de maneira apurada instaurando-se e generalizando-se na sociedade.

O trabalho que é referencial de vida dos seres humanos vai, no decorrer do tempo, deixando de ser realizado com instrumentos e técnicas rudimentares. Antes feito de forma braçal e no meio rural, agora é cada vez mais elaborado, automatizado e realizado nos centros urbanos, nas indústrias. Exige novas técnicas, outra educação e um lugar específico. Com essas mudanças, fica evidente a necessidade de educar o povo de forma e num lugar específicos, pois, nos novos padrões da sociedade vindoura, já não era suficiente aprender no trabalho. Na nova sociedade, era preciso aprimorar o conhecimento e as técnicas que permitiriam o desenvolvimento do setor industrial e da própria humanidade, enquanto sujeitos sociais.

O sistema vigente necessitava de mão de obra preparada e os trabalhadores, por sua vez, desejam outras condições de vida e de trabalho. Assim, a educação, a escolarização, passam a ser uma necessidade para todos. Esse é um dos motivos pelos quais a educação e a escola tornam-se centrais na estrutura da sociedade contemporânea.

Em relação à escola e sua formação, cabe destacar duas questões importantes. Segundo Cambi (1999: 398) “a escola tem a marca da renovação na sua organização e vocação reformista”. Esses fundamentos, que constituem o processo de escolarização, tratam de demonstrar como, no curso da história a escola foi sendo constantemente atualizada, passando por diversas revisões em suas condutas e processos. Através de sua constante mudança a organização escolar e educacional foi

53 sendo modificada e reestruturada para atender aos apelos do mundo do trabalho e dos sujeitos.

Os aspectos relativos à sua obrigatoriedade, gratuitidade e laicidade colocaram o papel essencial da instituição escolar na contemporaneidade. Ainda, para Cabe (1999: 399) a obrigatoriedade da frequência para todos os cidadãos, pelo menos no nível de escola popular, deu destaque à ideia do sujeito cidadão: aquele que se sente parte de um Estado, reconhece suas leis, busca a defesa dos direitos e procura construir a sua vida no amplo sentido da cidadania.

Cambi (1999) refere-se ao bem-estar particular de cada um como cidadão e também ao bem estar dos outros, da coletividade. Então, essa escola mais voltada para o interesse do sujeito, da coletividade, guarda consigo, juntamente com a parte instrutiva - relativa à transmissão do saber - os aspectos formativos do processo educativo.

A obrigatoriedade e a gratuidade do ensino permitiram o acesso universal à escola: foi introduzindo nos ambientes escolares as crianças pobres e difundiu uma cultura que coloca o processo de escolarização como parte integrante da vida das crianças de modo geral e praticamente universal.

É correto dizer que a inserção maciça das crianças na escola levaria ao êxito a formação do profissional para o trabalho na questão produtiva, e, ao mesmo tempo, foi assertiva no combate ao analfabetismo, na transmissão do saber e dos bens culturais como uma maneira de garantir direitos sociais, definindo de maneira objetiva a função social da escola.

A função social da escola de instruir e formar, acolher e promover a coloca, cada vez mais, diante de muitos desafios. A escola contemporânea vivencia uma problemática bem conhecida dentro da sociedade capitalista. Cabe ao sistema educativo efetuar diretrizes que colaborem na formação para o trabalho. Por outro lado, devido à sua vocação humanística, deve pensar na potencialização da formação humana.

54 no contexto social e político. Nesse espaço, vive as contradições postas pela realidade social e pelos seres humanos que fazem a realidade.

Diante das realidades distintas, o sistema educativo precisa estar atento à formação integral do sujeito que produzirá, buscará trabalho e emprego. Sujeito que vive em sociedade, é portador de direitos fundamentais e deseja desenvolver-se como ser humano. Para tanto, a educação não pode ser somente técnica e produtivista. A escola e o processo educativo direcionado aos sujeitos precisam ter como ideia essencial a promoção do sujeito cidadão. Apontando para essa dinâmica, é realizado um trabalho com o intelecto, a racionalidade, mas também todo o processo educativo exerce efeito sobre o “espírito”, a subjetividade, a construção de atitudes e valores.

(...) no sistema da sociedade desenvolve um papel essencial e constante – formar a força de trabalho – e promover o crescimento intelectual, moral e social do indivíduo, tornando-o partícipe dos valores culturais, mergulha-o naquele “terceiro mundo” que serve para emancipá-lo da sua contingência histórica e social e introduzi-lo no “reino do espírito”. (CAMBI, 1999: 401)

Muito distante de ser um processo harmônico, fazer educação na escola é estar em contato com um jogo de forças que exige escolhas e tomada de decisões voltadas para sua permanência e evolução. O processo educativo demanda constante problematização e reflexão acerca da prática, da estrutura e dos métodos de ensino para que estes possam responder às necessidades emergentes na sociedade. Não apenas as necessidades da produção, do trabalho, mas as necessidades integrais do sujeito, que dizem respeito às suas condições sociais, aos seus valores e ao seu modo de vida.

As respostas a essas demandas precisam levar em conta que a escola tem funcionalidade formativa e social de caráter coletivo. O fortalecimento da vida coletiva, da autonomia e da emancipação tem como horizonte fundamental a educação feita para a vida e para os sujeitos.

Considerar as peculiaridades dos sujeitos, seus modos de entender e estar no mundo, reforça as certezas de uma sociedade que almeja e sente a necessidade de transformar a realidade. A busca pela sociedade igualitária é um itinerário a ser

55 percorrido continuadamente, muito mais na contemporaneidade em que nos encontramos, na busca de superar as estruturas opressoras e promover o sujeito como começo, meio e fim da educação.