3 Associations et évolution d’objets
4.2 Liens avec les autres travaux
Em uma página, é possível publicar status28, links de outros sites, fotos, vídeos já
gravados e ao vivo, notas29, adicionar um marco histórico, criar um evento, publicar histórias30,
etc. Também é possível que a página se comunique com outras páginas e usuários de perfis pessoais por meio de um chat privado. Para o estudo empírico, foi baixado todo o conteúdo que fica disponível na Linha do Tempo da Página (status, links, fotos, notas, marcos e vídeos) do Governo do Distrito Federal.
Nas páginas, essas publicações são obrigatoriamente feitas em modo público e os comentários são abertos. Isso significa que qualquer usuário cadastrado na plataforma pode ver e comentar os posts. Dessa forma, é impossível que uma página retire a possibilidade dos comentários das publicações. Os administradores podem, no entanto, moderar os comentários, apagando-os definitivamente ou ocultando-os dos demais usuários31.
É possível também aplicar um filtro de linguagem, onde palavras ou frases previamente definidas, quando comentadas nas publicações, ficam ocultadas dos usuários e disponíveis apenas aos administradores, que podem escolher se liberam o comentário ou não. Por fim, os administradores podem banir usuários de uma página, impedindo que eles tenham acesso ao conteúdo e consequentemente postem comentários em publicações. Os administradores de uma página também podem responder aos comentários usando seus perfis pessoais ou como a própria página.
O Facebook, portanto, é uma plataforma que oferece condições para as respostas do público (HAYDEN et al., 2013). “São meios pelos quais seus participantes são livres para expor crenças políticas, defender candidatos, interagir direta e indiretamente com outros internautas sobre questões políticas e debater suas opiniões por uma variedade de formatos” (CERVI, 2016, p. 68). Essa característica dá um potencial tom de pluralidade ao debate.
O comentário é apenas um dos recursos interativos disponíveis pelo Facebook. O usuário também pode curtir e compartilhar publicações de páginas e amigos. “Clicar em curtir uma publicação no Facebook é um modo fácil de dizer às pessoas que você gostou, sem deixar comentários. Assim como um comentário, o fato de você ter curtido fica visível embaixo da publicação” (FACEBOOK, 2018f). Desde 2016, o botão curtir também permite a reação em publicações a partir de outras cinco métricas: Amei, Haha, Uai, Triste, Grrr (FACEBOOK,
28 Quando apenas o recurso de texto é usado. 29 Disponível para textos longos.
30 Publicações que duram somente 24 horas.
2018g). Com o recurso de compartilhamento, o usuário replica a postagem na sua linha do tempo e para que seus amigos vejam em seus Feeds de notícias.
Os recursos de curtir (incluindo reações), comentar e compartilhar permitem ao Facebook informar aos amigos dos usuários sobre aquela reação e, consequentemente, faz com que eles vejam essas publicações. A soma dessas três ações em uma publicação é chamada pela plataforma de engajamento. Quanto mais engajamento uma publicação recebe, mais a plataforma exibe a postagem para os usuários da rede.
Esta peculiaridade da plataforma é importante em termos de accountability porque, como vimos na literatura, a disseminação e o acesso à informação são pré-condições para que os cidadãos possam cobrar e sancionar seus representantes (WARREN, 2014; BOVENS, 2007). Os administradores das páginas têm acesso às métricas de todas essas ações que foram feitas pelo público, além do alcance das publicações, medido pela quantidade de pessoas que viram aquela postagem. Nas entrevistas, percebemos que o fator “algoritmo” da plataforma é determinante na hora da definição de como apresentar o conteúdo e temas no Facebook do Governo do Distrito Federal.
Silva (2017) define algoritmo desta maneira:
Em termos práticos, algoritmos - ou o "código", como se denomina em computação - significa uma série de procedimentos programados capazes de instruir a máquina a reagir a determinados inputs de informação. Tais inputs, por sua vez, referem-se a demandas práticas codificadas que geram respostas (outputs) logicamente condizentes (SILVA, 2017, p. 31).
Com o “código” fechado a desenvolvedores, o Facebook não deixa claro como seu algoritmo funciona para mostrar ou ocultar publicações ao público. A empresa também não expõe com clareza quais são os critérios para determinar o que é colocado em primeiro lugar no feed principal do usuário. Nos fóruns para esclarecer dúvidas de anunciantes, funcionários da equipe de ajuda da plataforma explicam que, como o espaço do feed de notícias é limitado, sempre que um conteúdo é compartilhado em uma página, ele pode não ser mostrado para todas as pessoas que curtem aquele produto. “O algoritmo do Facebook utiliza alguns fatores para determinar o que é mais relevante para determinado usuário, como por exemplo se ele costuma interagir regularmente com determinado Perfil ou Página” (MARI, FACEBOOK, 2017).
Cientes dessa dinâmica da plataforma, três entrevistadas que atuam na equipe que administra a página do Facebook do GDF32 dizem, muitas vezes, se preocupar com o
funcionamento do algoritmo no momento de definir o que deve ser postado e como. Há a
preocupação em fazer publicações que gerem mais curtidas, comentários e compartilhamentos com a finalidade de serem mais vistas pela população. Elas também param de publicar conteúdos que não recebem engajamento na rede e se preocupam frequentemente com as supostas regras impostas pelo algoritmo da plataforma que podem aumentar ou reduzir o alcance das publicações (cf. Anexo 1 sobre Entrevista 1; Entrevista 2; Entrevista 3, 2018).