2.4 Interaction d’une paroi magnétique avec une micromacle
2.4.3 Lien avec les expériences
A partir da terceira semana de prática pedagógica na Sala dos Cristais utilizou-se algumas estratégias que tiveram como objetivo o desenvolvimento de boas relações intra e interpessoais nas crianças. É de salientar que a educadora cooperante se disponibilizou em continuar a implementar as estratégias, tanto durante o estágio, como depois deste, de modo a que as crianças continuassem a desenvolver as boas relações intra e interpessoais.
Uma das estratégias implementadas foi a aprendizagem cooperativa. Com a mesma as crianças tiveram a oportunidade de aprender e trabalhar em pequenos e grandes grupos com o objetivo de desenvolverem diversas competências sociais, como por exemplo ouvir, ajudar o outro e partilhar ideias e materiais. Segundo Lopes e Silva (2009), através desta metodologia as crianças aprendem a trabalhar cooperativamente, a partilhar responsabilidades e a desenvolver relações positivas com os restantes elementos do grupo. Fontes e Freixo (2004) mencionam, ainda, que a aprendizagem cooperativa também possibilita a aquisição de uma interdependência positiva quando cada criança toma consciência de que o seu comportamento tem influência nas aprendizagens de cada um dos membros do grupo. Assim, todas as crianças que fazem parte de um grupo trabalham em conjunto para que todos consigam atingir as aprendizagens estipuladas.
Outra estratégia utilizada foi o elogio e o reforço das boas atitudes. A implementação desta estratégia possibilitou o aumento da autoestima e permitiu que as crianças realizassem, regularmente, boas atitudes para com os outros. Morissette e Gingras (1994) acrescentam que a repetição dos comportamentos positivos está relacionada com a atenção, confiança e valorização que a criança recebe por parte do adulto da sala, permitindo assim que esta sinta necessidade de praticar essas ações de novo. Deste modo, cada vez mais, os docentes “(…) deveriam tentar fortalecer mais os comportamentos apropriados em vez de reprimir os inapropriados” (Gil, 2015, p. 160).
Para pôr em prática esta estratégia foi introduzido na sala o quadro das boas atitudes (figura 13) que surgiu com a necessidade de incutir mais no grupo a prática e o desenvolvimento dos valores e das boas atitudes e, também, fazer com que o grupo tivesse noção do que é realmente realizar uma boa atitude. O quadro das boas atitudes tinha um caderno intitulado “caderno das boas atitudes”, um saco transparente e um envelope com várias bolinhas de cor. Sempre que era posta em prática uma atitude positiva (ajudar, partilhar, emprestar, etc…), eu, a educadora cooperante ou outro adulto pertencente à sala, elogiávamos essa boa atitude, individualmente e em grande grupo. De seguida, era registada essa boa atitude
no caderno e introduzida, no saco, uma bolinha colorida como recompensa. Importa realçar que poderia ser o adulto a verificar essa boa atitude ou as próprias crianças podiam comunicá- la. Além disso, no início de cada semana eram contadas quantas bolinhas estavam no saco e apresentadas quais as boas atitudes registadas no caderno.
Figura 13: Quadro das boas atitudes.
Educar para os valores e para as emoções foi também uma estratégia implementada para colmatar a problemática encontrada. Esta surgiu da necessidade das crianças reconhecerem os diferentes valores e emoções para que consigam, mais facilmente, lidar consigo próprios e com os outros. Outro motivo prende-se com o facto do PAG ter como tema fulcral os valores e as emoções na infância
.
Algumas das formas de implementar esta estratégia passaram por criar momentos de diálogo, de comunicação não verbal, de exploração de histórias e vídeos, de jogos e, por fim, de introspeção através do boneco dos valores e das emoções.Em relação ao diálogo, este foi utilizado ao longo de toda a prática pedagógica para ajudar as crianças a construírem boas relações intra e interpessoais. Os diálogos são importantes para transmitir e partilhar ideias, sentimentos, pensamentos e valores e, além disso, são fundamentais para que o adulto compreenda o ponto de vista das crianças e para que as mesmas escutem e percebam as ideias dos adultos. Assim, segundo Sim-Sim (1998), “Conversar é uma forma extremamente cooperativa de interagir, na qual ambos os interlocutores devem respeitar um conjunto de princípios que favorecem a eficácia e o sucesso do diálogo” (p. 183). Nos momentos em grande grupo, o diálogo era utilizado para abordar diferentes valores, como por exemplo a amizade, a partilha, o respeito, a boa educação e a generosidade e para salientar as emoções que existem, assim como, as diferentes ocasiões que as fazem despertar. Alguns dos diálogos realizados em grande grupo eram acompanhados de
ilustrações que demonstravam e comprovavam as diferentes situações, para que as crianças visualizassem e, principalmente, compreendessem o que estava a ser abordado.
No que concerne à realização de exercícios de comunicação não verbal, estes passaram pela concretização de desenhos em que as crianças registavam graficamente situações relacionadas com alguns valores e com emoções positivas e negativas. Estes desenhos foram fundamentais para compreender se as crianças entenderam quais os valores e emoções que existem. Como refere Gonçalves (1991), todas as criações infantis devem ser respeitadas e encaradas com seriedade pois é através delas que as crianças expressam de forma livre e criativa diferentes sentimentos e necessidades.
Outro momento utilizado para promover a estratégia acima referida foi a exploração de histórias e de vídeos. Esta estratégia permitiu enfatizar os valores e as emoções, possibilitando a aquisição de conhecimentos sobre boas atitudes e sobre o reconhecimento e gestão das emoções. Nesta estratégia foi utilizada a história O que me faz feliz para abordar a emoção da felicidade e fazer referência a outros tipos de emoções e, ainda, foi usado o conto O Sorriso do
Boneco de Neve para enfatizar a importância de construirmos e preservarmos as relações de amizade. Além disso, as crianças visualizaram o vídeo A Rena de Nariz Encarnado sendo que este meio audiovisual foi útil para destacar diferentes comportamentos que as crianças devem ter para com os outros. Assim sendo, tanto a leitura de histórias como a visualização de vídeos são estímulos lúdicos que transmitem diferentes ideias e conhecimentos.
A realização de jogos foi outro momento que permitiu que as crianças interagissem umas com as outras possibilitando, assim, o desenvolvimento de relações positivas. De acordo com Wiertsema (1993), os jogos praticados em grupo ajudam as crianças a depositar confiança nos outros, a serem recetivas às ideias partilhadas pelos colegas e a refletirem sobre as suas atitudes e a dos outros jogadores. Neste sentido, os jogos são “(…) adequados ao desenvolvimento de comportamentos sociais” (Wiertsema, 1993, p.13). De entre os jogos realizados na prática educativa, concretizou-se o jogo da teia da amizade que serviu, principalmente, para enfatizar o valor da amizade e o jogo das emoções que surgiu com a necessidade das crianças reconhecerem, expressarem e gerirem as suas emoções para conseguirem regulá-las e, consequentemente, adquirirem um melhor comportamento. A explicação pormenorizada destes dois jogos encontra-se nas atividades realizadas durante a intervenção pedagógica na Sala dos Cristais.
Relativamente ao momento de introspeção através do boneco dos valores, este foi importante na medida em que ajudou as crianças a lidarem e a expressarem as suas emoções. A criação deste boneco foi baseada na pedagogia Waldolf, sendo esta uma abordagem
pedagógica, introduzida em Portugal no ano de 1984, baseada na filosofia de educação do filósofo Rudolf Steiner. Esta pedagogia ajuda no autoconhecimento e procura estimular o raciocínio, o equilíbrio emocional e a expressão de sentimentos. Como tal, o boneco dos valores e das emoções não tinha nome, rosto e roupa e foi confecionado através da imaginação e da criatividade das crianças. Este possibilitou o desenvolvimento de várias competências, entre as quais: aprender a conhecer a si próprio, desenvolver os seus relacionamentos sociais, cuidar do próximo, etc. Deste modo, o boneco tornou-se um companheiro e confidente pois possibilitou que cada criança conversasse e desabafasse sobre os seus anseios interiores.
Este boneco, representado na figura 14, foi confecionado com algodão e tecido macio e agradável de tocar e, por sua vez, Andrea e Alves (2001) referem que a sua textura aconchegante desperta nas crianças uma vontade de mexer, abraçar e fazer caricias, tornando- se assim um refúgio afetivo. Estas mesmas autoras mencionam que, para as crianças, principalmente as mais pequenas, um boneco torna-se um companheiro indispensável que transmite confiança e ajuda na expressão e libertação de sentimentos mais íntimos.
Figura 14: Boneco dos valores e das emoções.
Por fim, ao longo das intervenções e da rotina diária das crianças foi utilizada a estratégia de resolução e gestão de conflitos. Esta foi realizada, principalmente, através do pensamento e da reflexão, incentivando as crianças a pensarem nos seus comportamentos e a refletirem sobre os mesmos. Após esta reflexão, era solicitado às crianças envolvidas nesse conflito para conversarem e resolverem esse desentendimento. Deste modo, as conversas e o pensamento possibilitam que as crianças consigam perceber as razões dos conflitos, o que poderão fazer para resolvê-los da melhor forma e também fazê-las entender que não devem ter conflitos
verbais e físicos entre elas. É então importante que as crianças sejam participantes ativas na resolução dos seus problemas pois “Ao resolver as disputas com os colegas as crianças começam por perceber como respeitar as necessidades dos outros, ao mesmo tempo que resolvem as suas” (Hohmann & Weikart, 2003, p. 615). Além disso, Post e Hohmann (2011) mencionam que o papel do educador é fundamental para ajudar as crianças a desenvolverem e a praticarem a capacidade de resolver os seus próprios conflitos pois, através dessa atitude, as crianças treinam competências de reflexão e de comunicação, são mais intencionais nas suas ações e adquirem consciência das consequências dos seus comportamentos.