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Dans le document Guide to Software Licensing ULTRIX (Page 21-25)

Ana Paula de Souza, Eunice Uzeda e Vitor Reis 1

Tecnologia educacional

Para que possamos falar sobre tecnologia é útil conhecer e refletir acerca da etimologia dessa palavra: tecn(o) do grego techno – de téchné “arte ou habilidade”, que se documenta em alguns compostos formados no próprio grego (como tecnologia) e em muitos outros, introduzidos a partir do século XIX na linguagem erudita; logia – log(o) derivado do grego “palavra, estudo, tratado, conhecimento”. (CUNHA, 1982)

Ainda nesta lógica tecnológica, pode-se atribuir à máquina a vapor um papel de destaque na primeira Revolução Industrial, assim como ao computador na atual sociedade. No entanto, o computador isoladamente não pode ser considerado sinônimo de nova tecnologia. O rádio, a

televisão e o DVD, entre outros meios tecnológicos, são ainda novas tecnologias para a escola, se não puderam ser devidamente incorporados como experiências educativas. Além disso, o computador pode coexistir como tecnologia e não necessariamente substituir as anteriores.

Neste caso, podemos inferir que uma tecnologia é uma solução, dentre outras tantas possíveis, a um dado problema ou conjunto deles. Desde já, começamos a perceber que não há apenas uma única tecnologia educacional, mas tecnologias, isto é soluções resultantes do enfrentamento de problemas.

Deste modo, apresentar o tema com simplicidade recorre à frequência com que o co- nhecimento científico, produzido como resposta a um dado problema, acabe por estimular a criação de aplicações, viabilizadas através de novas tecnologias, isto é, soluções.

Tão logo, parte do princípio de que tecnologia é tudo aquilo que propicia melhoria de vida, acessibilidade ou serviço a um determinado grupo.

Para tanto, é necessário compreender os aspectos que distinguem as tecnologias em duas categorias, são elas: tecnologias independentes e dependentes.

As tecnologias independentes configuram-se por não necessitarem de fonte de energia elétrica para seu funcionamento, como exemplos temos giz, quadro, lápis, caneta, borracha, apagador, piloto, papel, livros, apostilas, dentre outros. Já as tecnologias dependentes são aquelas que só funcionam à base da própria energia elétrica ou até mesmo de um componen- te eletrônico, a exemplo de retroprojetor, computadores, mídias, software, lousa eletrônica, datashow e os demais aparatos da nova tecnologia educacional.

Ao que parece, não existe tecnologia absoluta, completa ou definitiva; sempre tem sido possível alcançar soluções cada vez melhores – no sentido de serem mais próximas da solução ideal de um problema – e esta característica central tende a permanecer.

A fim de que possamos esclarecer alguns aspectos pertinentes ao que chamamos de tec- nologia educacional, é válido ressaltar o significado de alguns conceitos que corriqueiramente são confundidos com este primeiro. Esta confusão parte do princípio de que tecnologia tende a dar suporte, por meio de seus aparatos, e não suprir as reais necessidades que a educação possa ter.

Para ilustrar mais um pouco esta abordagem, tomem como exemplo o caso dos pro- fessores, em particular os que atuam nas escolas públicas que, em alguns casos, dispõem de laboratórios de informática, e têm o desafio de desenvolver no seu dia a dia a autonomia necessária para estabelecer um vínculo entre a própria prática e as novas tecnologias, para assim contribuírem na transformação de sua ação... Começamos aqui a construir um conceito amplo e crítico para a tecnologia educacional.

Num primeiro ponto, abordaremos os meios, também chamados de mídias, que englo- bam todos os recursos materiais, mecânicos, elétricos e eletrônicos, dentre outros, que se utilizam com fins educacionais. As mídias são um dos componentes essenciais, indispensáveis à construção de um conceito melhor estruturado de tecnologia educacional.

A mídia é algo que se coloca entre, no mínimo, dois participantes da dinâmica educacio- nal: aluno-professor, aluno-aluno, professor-aluno, dentre outras possibilidades. Toda mídia, como meio que se interpõe e viabiliza a interação entre pessoas participantes de um processo educacional, não é o agente criativo; ela pode carregar mensagens em informações, mas, por si só, é incapaz de produzir conhecimento pronto para ser oferecido.

Mais recentemente, com o advento e a disseminação da informática na educação, o software passou a ocupar um lugar importante e de destaque nos processos educativos. Um software, qualquer que seja ele, também carrega uma mensagem, tal como uma publicação impressa. Na verdade é correto dizer que um software é uma publicação com características próprias, tem sua própria legislação e tudo mais que as publicações convencionais detêm, incluindo direitos autorais. Mesmo quando um software é apenas uma ferramenta e não traz ou carrega conteúdo puramente informativo, ainda assim ele reflete uma proposta e um conjunto de intenções, carrega uma mensagem.

Por sua natureza, o meio sobre o qual um software é transportado é diferente daquele de uma publicação. Enquanto uma publicação tradicionalmente vem impressa em papel, um software vem gravado em discos magnéticos, em CD laser ou DVD, dentre outras mídias. Precisamos, primeiramente, afirmar o que não é tecnologia educacional, para depois definir com maior precisão mídias e software, ampliando e reformulando conceitos. Num domínio mais preciso, operacional e amplo, este conceito deverá afetar significativamente a criação

pedagógica e a atuação docente. Para isto, não se deve deter ao domínio prático da tecnolo- gia, sem atentar para sua real funcionalidade, concomitante à prática do educador em sala, que será de fundamental importância para a compreensão dos novos conceitos acerca das adequações tecnológicas que vêm sendo instituídas. Neste mote, atentemos também para o que vem a ser mediação docente.

Para podermos compreender bem o significado da mediação, tanto na criação quanto na aplicação de uma tecnologia educacional, vamos recorrer a alguns fatos históricos. Até o final do século XIX e início do XX, as metodologias de ensino apoiavam-se essencialmente no discurso do professor A cátedra era o assento docente, uma posição de poder na hierarquia educacional. A chegada de uma nova mídia, no final do século XIX, pregada ou simplesmente pintada na parede, em tom negro ou verde, representava uma verdadeira heresia institucional e profissional.

Como o exemplo histórico pode mostrar, a simples chegada de uma mídia, como o quadro- -negro, não significou sua imediata incorporação como elemento do processo educacional. Foi preciso que alguns docentes, de início, se entusiasmassem, experimentassem e criassem novas aplicações, utilizando-se delas nas aulas para que, ao longo do tempo, a incorporação efetiva do quadro-negro se desse.

A introdução de novas tecnologias no ambiente escolar pode provocar posições diferen- tes entre os educadores. Valente (1993) apresenta três exemplos que sintetizam as possíveis reações dos professores: indiferença, ceticismo e otimismo.

Quanto à indiferença, o professor espera qual tendência que o curso da tecnologia pode tomar, para então se definir, enquanto, nas demais visões, pode-se assumir uma posição mais crítica em relação ao uso das novas tecnologias da informação na prática pedagógica. No caso dos céticos, seu primeiro argumento diz respeito à pobreza do sistema educacional brasileiro. Como falar em computadores, se falta giz nas escolas? Na visão otimista, acredita-se que, como o computador faz ou vai fazer parte do cotidiano, a escola deve preparar os alunos para lidar com esta tecnologia. Na verdade, este argumento apenas justifica a informática como disciplina, isolada e descontextualizada, conduzindo-nos à mera ação da instrução.

Para Valente (1993), computador na educação não significa aprender sobre computadores, mas sim por meio de computadores.

De fato, alterações substanciais em uma dada tecnologia educacional ocorrem na medi- da em que a incorporação efetiva de mídias acontece por ação mediada. Nesta perspectiva, a inserção de novas mídias dedicadas à educação pode trazer ressignificados conceituais e operacionais pedagógicos, pressupondo a tomada de consciência dos mediadores, contando com suas competências e habilidades para a gestão dos processos de ensino-aprendizagem.

Tecnologia educacional, portanto, é mais do que um conceito recorrente: representa, a cada momento, no tempo histórico, a complexidade dos processos pedagógicos, na esteira da tomada de decisão de seus gestores.

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