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No que se refere à sua estrutura, há quatro unidades que compõem o LD, dentre elas: No mundo da fantasia; Crianças; Descobrindo quem sou eu; Verde adoro ver-te. Nas quais, cada uma subdivide-se em três capítulos. Há uma composição que totaliza duzentas e setenta e duas (272) páginas. A seguir, algumas imagens foram utilizadas para apresentar como o livro dispõe de sua estrutura em unidades, capítulos e suas respectivas sessões. Isso é feito para proporcionar uma visão ampliada do livro analisado, levando também em consideração como são trabalhadas a leitura, a oralidade, a escrita e o reconhecimento linguístico.

Figura 4 - Capa do LD

Figura 5 – Sumário: Unidades 1 e 2 do LD

Fonte: Cereja e Magalhães (2015). Figura 6 – Sumário: Unidade 3 do LD

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Figura 7 – Sumário – Unidade 4 do LD

Fonte: Cereja e Magalhães (2015).

Diante do apresentado, a pesquisa é centralizada no conteúdo abordado na Unidade I – No mundo da fantasia, capítulo II – Pato aqui, pato acolá, da página 39 a 50. Isso porque essas páginas tratam das Variedades Linguísticas, da norma- padrão, da variação linguística e preconceito social e dos tipos de variação linguística.

É possível perceber que o LD destina pouquíssimas páginas para o trabalho com a variação linguística. Nessas páginas, observamos uma grande importância no trabalho com a gramática e com os gêneros textuais.

Figura 8 - Apresentação do Capítulo 2 do LD

Fonte: Cereja e Magalhães (2015).

Na introdução do capítulo 2, temos o título, conforme a Figura 8 apresenta, A língua em foco acompanhada do subtítulo; As Variedades Linguísticas, que aborda a variação linguística. De início, através do gênero textual tirinha de Fernando Gonsales, encontra-se três personagens que realizam uma discussão. Seguidamente, há uma atividade interpretativa, conforme Figura 9, na qual alguma questões são propostas, objetivando a interpretação textual do aluno dentro do pequeno texto.

Figura 9 - A língua em foco / As variedades linguísticas

Fonte: Cereja e Magalhães (2015, p. 39).

Quanto à variação linguística, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN (BRASIL, 1997), a LP, no Brasil, apresenta muitas variedades

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dialetais. Isso pode ser identificado nas pessoas pela forma que falam por conta de fatores geográficos e sociais. Porém, há muitos preconceitos decorrentes do valor social relativo que é atribuído aos diferentes modos de falar. Por exemplo, há quem considere as variedades linguísticas de menor prestígio como inferiores ou erradas. Para a Base Nacional Comum Curricular (2018, p.89), faz-se necessário reconhecer a língua como meio de construção de identidades de seus usuários e onde habitam, compreendendo a língua como um fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos nos quais é utilizada.

Com base no questionário, apresentado na Figura 10, a questões apresentadas orientam a interpretação e compreensão do texto, asim como a inferência do leitor quanto à ideia de distinção na utilização da língua portuguesa. Por fim, na qaurta questão, há uma interação entre o discente e o docente a partir da reflexão quanto ao modo de falar “certo ou errado”. Diante disso, algumas questões são levantadas sobre o modo de falar e de que forma isso influencia na construção pessoal de um sejeito. Para tanto, pensando nas consequências advindas de situações que ocorrem preconceito linguístico.

Figura 10 – Questões apresentadas

A partir disso, compreende-se que o objetivo da atividade é apenas de chamar atenção para o “certo” e “errado”, deixando de lado a explicação que poderia ser feita explanar o porquê do papagaio ter esse modo de falar, observado através da troca do L pelo R.

Partindo dessa reflexão, percebe-se que se faz necessário a concepção da Variação Histórica. Para tal, o professor deve estar preparado e possuir um conhecimento prévio da HLP. Dessa maneira, compreender que a língua não é imutável. Ela pode sofrer variações com tempo por contas de influências do contexto histórico e social em conformidade à época. Assim como, explicitar o processo de troca do L pelo R. esse processo é chamado de Rotacismo e pode ocorrer em diversas regiões.

Em seguida, os autores apresentam a conceituação de Variedades Linguísticas. De acordo com Cereja e Cochar (2015, p. 40), “as variedades linguísticas são as variações que uma língua apresenta em razão das condições sociais, culturais e regionais nas quais é utilizada”. Diante disso, os autores realizam uma explicitação sobre o tema abordado. A língua está sempre em constante mudança, tendo por influência alguns fatores como: o tempo, região, condições de grau de monitoramento, escolaridade, classe social e cultura. Esse poderia ser um ponto positivo, pois leva o leitor a ser pesquisador e verificar melhor de que forma essas variações acontecem detalhadamente. Para tanto, o leitor também tem a possibilidade de compreender essas variações a partir de experiências de mundo. Consequentemente, realizando essa compreensão dentro do texto trabalhado.

Mais adiante, na página 42, conforme a Figura 11 apresenta, os autores abordam os tipos de variação linguística. Percebe-se que eles chamam atenção para as diferenças de região, de escolaridade e classe social, oralidade e escrita, a formalidade e informalidade e a gíria. Observa-se que, a partir da tirinha, isso não é suficiente para a compreensão do tema abordado. Diante disso, o docente necessita buscar outras fontes para exemplificar e explicitar melhor a temática. Além disso, para melhor assimilar o conteúdo, o docente deve estar preparado com base em outras pesquisas.

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Figura 11 – Tipos de variação linguística

Fonte: Fonte: Cereja e Magalhães (2015, p. 42).

A partir do exposto, percebe-se que as atividades apresentadas não são suficientes para compreensão de algunas conteúdos abordados no LD. Além disso, não realizam um abordagem contextualizada de alguns fatores históricos que influenciaram na variação da língua como: a origem da LP, sua chegada ao Brasil e quais suas mudanças após isso. Apesar do LD ser praticamente utilizado como único material para o ensinoaprendizagem, se faz necessário a busca em outras fontes. Isso porque el não é suficiente para tratar da resolução de algumas questões que possam surgir no percurso de sua utilização. Não apenas no ensino da variação histórica, como a variação linguísitica e, consequentemente, outros conteúdos abordados.

A partir dessa reflexão, observamos que há uma preocupação das atividades analisadas em rotular o que seria certo ou errado na LP. Isso é compreendido, principalmente, na maneira de trabalhar com alguns gêneros textuais. Esses são empregados apenas como forma de leitura interpretativa, não abordando suficientemente os conteúdos da variação linguística. Dito isso, para preencher as

entrelinhas, outras fontes de pesquisas devem utilizadas. Para isso, propomos algumas sugestões que podem ser trabalhadas em sala de aula.

O conteúdo pode ser trabalhado em quatro momentos. No primeiro, apresenta-se o contexto HLP, levando em consideração sua origem a partir do Latim. Seguidamente, no segundo momento, demonstra-se a formação do português de Portugal e sua chegada ao Brasil. No terceiro momento, aborda-se os conteúdos apresentados no LD com base nos conhecimentos até então compreendidos. Para o quarto momento, pode-se utiliza da seguinte atividade a partir da leitura interpretativa de uma crônica de Carlos Drummond de Andrade (1979, p. 1411- 1413):

MODOS DE XINGAR – BILTRE!- O que? – Biltre! Sacripanta!

– Traduz isso para o português.

– Traduzo coisa nenhuma. Além do mais, charro! Onagro!

Parei para escutar. As palavras jorravam de um Ford de bigode. Quem as proferia era um senhor idoso, terno escuro, fisionomia respeitável, alterada pela indignação. Quem as recebia era um garotão de camisa esporte, dentes clarinhos emergindo da floresta capilar, no interior de um fusca. Desses casos de toda hora: o fusca bateu no Ford. Discussão. Bate-boca. O velho usava o repertório de xingamento de seu tempo e de sua condição: professor, quem sabe? Leitor de Camilo Castelo Branco. Os velhos xingamento. Pessoas havia que se recusavam a usar o trivial das ruas e botequins, e iam pedir a Rui Barbosa, aos mestres da língua, expressões que castigassem fortemente o adversário. Esse material seleto vinha esmaltar artigos de polêmica (polemizava-se muito, nos jornais do começo do século), discursos políticos (nos intervalos de estado de sítio, é lógico) e um pouco os incidentes de calçada.

Vocabulário:

Biltre 1. Que é dado a praticar vilezas; CANALHA; INFAME 2. Indivíduo vil, desprezível

Sacripanta 1. Pessoa desonesta, desprezível, m. que sacripanta: “… não se vai ver mais um qualquer chefe encomendar para as eleições as turmas de sacripantes…” (Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas)

Charro 1. Diz-se do que é desprovido de qualquer finura, refinamento; BRONCO; GROSSEIRO; RUDE; TOSCO.

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Onagro 1. Jumento selvagem (Equus onager), nativo dos desertos da Ásia. 2. Mil. Antiga máquina de guerra, us. por gregos e romanos, para lançar projéteis de pedra 3. Burro, jumento.

Após a leitura da crônica, deve-se analisar o estranhamento resultante da utilização de alguns vocábulos que não são mais empregados atualmente. Essa atividade objetiva compreender a variação de alguns vocábulos com o decorrer do tempo. Para tanto, é preciso recorrer aos conhecimentos apreendidos com a apresentação da contextualização histórica da LP e, consequentemente, interagir na situação dos quais os discentes passam a ser pesquisadores. Para isso, algumas perguntas podem ser realizadas, como a identificação de vocábulos que são desconhecidos em seu léxico.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir da análise do LD, podemos observar um enriquecimento de conhecimentos advindo dos estudos da origem da língua latina, passando pela chegada dos romanos à PI. Esses estudos promovem uma discussão acerca das variações linguísticas que surgiram ao longo do tempo nessa língua, modificando-a. Além disso, tratamos da chegada dos portugueses ao Brasil e como a LP foi estabelecida. Assim, realizamos algumas considerações com relação à abordagem da variação HLP. Consequentemente, percebeu-se a existência de algumas lacunas que podem ser compreendidas a partir da concepção da variação histórica com base na HLP. Conhecimento esse apreendido com os estudos do Latim, das mudanças da língua no decorrer do tempo, da chegada de Portugal ao Brasil e da utilização do LD como fonte para o ensino da LP.

Diante disso, observa-se que se faz necessário a busca por outras fontes para o ensinoapredizagem, uma vez que a abordagem apresentada pelo LD é limitada. A partir dessas outras fontes, pode-se realizar a discussão sobre as variações da língua com o decorrer do tempo. Variações, essas, percebidas em qualquer situação do nosso cotidiano. Nesse contexto, o docente, enquanto pesquisador, precisa estar sempre realizando estudos em fontes que vão além do LD. Dessa forma, desenvolvendo novas metodologias de ensinoaprendizagem e promovendo uma melhor concepção no ensino da LP. Para tanto, algumas propostas de atividades podem ser utilizadas, levando em consideração a abordagem dos gêneros textuais com o objetivo de compreender o tema abordado e não apenas a leitura interpretativa. Além disso, não realizar um trabalho apenas para rotular o que é certo ou errado na LP, mas reconhecer as mudanças que uma língua pode apresentar.

Este trabalho não está concluído. Diante disso, a pesquisa pode ser continuada a partir da análise da abordagem da 2° conjugação do verbo no livro didático do 6° ano de Língua Portuguesa. Dessa forma, esperamos que este trabalho possa contribuir tanto para o âmbito acadêmico quanto para a sala de aula.

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REFERÊNCIAS

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ASSIS, M. C. de. História da Língua Portuguesa. João Pessoa: Editora Universitária UFPB, 2011. Disponível em:

<http://biblioteca.virtual.ufpb.br/files/histaria_da_langua_portuguesa_1360184313.pdf >. Acesso em: 27 set. 2019.

BAGNO, M. Gramática Histórica do latim ao português brasileiro. Brasília: Universidade de Brasília, 2007.

BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1997, p. 26.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: Educação é a Base. Brasília: MEC/Secretaria de Educação Básica, 2018.

COUTINHO, I. S. Gramática histórica. 7. ed. Rio de Janeiro: Livro Técnico, 1976. OTA, Ivete Aparecida da Silva. O livro didático de língua portuguesa no Brasil. Paraná, Brasil. Universidade Federal do Paraná. Educar em Revista, núm. 35, 2009, pp. 211-221.

Dans le document L’Enseignement Supérieur en France (Page 84-91)