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Library Routines

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Chapter 10 Library Routines

Com objetivo de melhor conhecer as maricultoras associadas à AMBAP, foi feito um levantamento do perfil socioeconômico, considerando os seguintes aspectos: território onde residem, idade, escolaridade, estado civil, se têm filhos, quantidade de pessoas que reside sob o mesmo teto, tipo de imóvel que residem, renda familiar e fontes dessa renda e outras ocupações que porventura exerçam.

Observou-se que a maioria das maricultoras são mulheres de mais de 50 anos de idade, casadas, com filhos e com nível de escolaridade do ensino fundamental, que ganham até um salário mínimo oriundo de outras atividades além da maricultura, sendo as principais fontes de renda os benefícios sociais e aposentadoria.

A maioria dessas mulheres, conforme observa-se no Quadro 3, reside da área do Centro e do Conjunto Alto das Dunas de Pitangui, e são as que residem mais próximo da sede da associação, que está situada no Alto das Dunas.

Associada Território onde reside Faixa etária Escolaridade Nível Completo?

1 Centro 40 a 44 anos Médio Sim

2 Alto das dunas Acima dos 50 anos Fundamental Não 3 Coqueirinho Acima dos 50 anos Fundamental Não

4 Centro Acima dos 50 anos Fundamental Sim

5 Alto das dunas 30 a 34 anos Superior Sim

6 Centro Acima dos 50 anos Fundamental Sim

7 Matinha Acima dos 50 anos Médio Sim

Quadro 3: Território onde reside, idade e escolaridade de cada associada Fonte: Dados da Pesquisa, 2018.

Dada a pequena extensão territorial da comunidade, mesmo aquelas que moram nas localidades mais distantes, quais sejam uma em Coqueirinho e outra na Matinha, não têm dificuldades para se deslocar à sede onde são realizados os encontros semanais da associação.

Figura 29: Visão aérea da Praia de Pitangui Fonte: Google Earth, 2018.

Nota: Localização dos territórios acrescidas pelo autor.

No que diz respeito à idade das associadas, a pesquisa demonstrou que não há nenhuma menor de idade e a maior frequência aponta para a faixa etária acima dos 50 anos. Apenas duas das entrevistadas estão em faixas diferentes, uma na faixa dos 30 aos 34 e outra na dos 40 aos 44 anos. Esse resultado pode indicar um mero desconhecimento por parte das jovens da possibilidade de ingressar nesse EES ou mesmo o desinteresse em fazer parte da associação, em situação análoga ao quadro de desmotivação para a permanência na atividade agrícola na sucessão hereditária rural, evidenciada na região sul do país (ABRAMOVAY et al., 1998; SILVESTRO et al., 2001).

Quanto à escolaridade, apenas uma das entrevistadas revelou possuir nível Superior (Aquicultura), das demais, duas possuem nível médio completo, duas possuem nível fundamental completo e as duas últimas possuem fundamental incompleto.

Observou-se quanto ao estado civil que somente uma das entrevistadas na pesquisa é solteira, sendo as demais casadas ou estão vivendo sob união estável, como mostra o Quadro 4.

Associada Estado civil Filhos Residem sob

mesmo teto Tipo de moradia Possui? Quantos?

1 Casada/União estável Sim 2 4 a 5 pessoas Casa própria 2 Casada/União estável Sim 2 4 a 5 pessoas Casa própria 3 Casada/União estável Sim 7 4 a 5 pessoas Casa própria 4 Casada/União estável Sim 2 2 a 3 pessoas Casa própria 5 Solteira Sim 3 6 a 7 pessoas Casa compartilhada 6 Casada/União estável Sim 1 2 a 3 pessoas Casa alugada 7 Casada/União estável Sim 3 4 a 5 pessoas Casa própria

Quadro 4: Estado civil, quantidade de filhos e de pessoas que residem sob o mesmo teto e tipo de moradia de cada associada

Fonte: Dados da Pesquisa, 2018.

Todas as respondentes revelaram que são mães de família, uma possui apenas um filho, três possuem dois filhos, duas possuem três filhos e somente uma possui sete filhos. Quanto ao tipo de moradia, cinco delas residem em casa própria, somente uma mora de aluguel e uma reside em casa compartilhada, a mesma que afirmou que moram de seis a sete pessoas em sua residência. A maioria delas, quatro das sete, alega conviver com mais três ou quatro pessoas sob seu teto, as outras duas convivem com mais uma ou duas pessoas.

No quesito renda familiar, os dados coletados e organizados no Quadro 5 revelaram que cinco das sete entrevistadas possuem renda familiar mensal não superior a um salário mínimo vigente no país (R$ 954,00), e as outras duas têm renda que vão de dois a três salários, ilustrando as desigualdades sociais existentes no país e que se destaca no nordeste brasileiro, considerado economicamente uma das regiões mais carentes se for levado em consideração o aspecto renda (RIBEIRO; BARBOSA, 2006).

Associada Renda familiar Fontes de renda Atividades extras Exerce? Quais? 1 Até um salário mínimo AMBAP, benefícios sociais Sim Limpeza 2 Até um salário mínimo AMBAP, benefícios sociais Sim Alimentos 3 Até um salário mínimo AMBAP, trabalho informal Sim Limpeza 4 De 2 a 3 salários mínimos AMBAP, aposentadoria Não -

5 Até um salário mínimo AMBAP, benefícios sociais Não - 6 De 2 a 3 salários mínimos AMBAP, aposentadoria Não -

7 Até um salário mínimo AMBAP Sim Alimentos

Quadro 5: Renda familiar, fontes de renda e outras atividades exercidas pelas associadas, para complementar a renda familiar

Ainda tratando dos aspectos socioeconômicos, os dados permitiram ainda discriminar as principais fontes da renda das entrevistadas. Nesse quesito, as associadas tinham a possibilidade de listar mais de uma fonte, caso existisse. Para todas, a quantia obtida através das atividades econômico-solidárias desempenhadas na AMBAP, que gera por produção cerca de R$ 300,00 para cada uma das maricultoras, constitui uma parcela da renda familiar, aos quais são somados a aposentadoria ou algum outro benefício concedido pelo governo. Os dados também demonstraram que nenhuma delas possui negócio próprio ou trabalha formalmente de carteira assinada.

O último aspecto socioeconômico verificado diz respeito às atividades complementares que porventura possam ser exercidas pelas associadas, a fim de complementar sua renda e contribuir para o sustento familiar. Os resultados mostraram que quatro delas exercem atividades complementares. Essas atividades incluem a produção caseira e comercialização de alimentos, como “dindim” e guaraná do Amazonas, e a realização de faxina em casas de famílias.

Tais resultados confirmam a observação de Singer (2001) acerca das dificuldades econômicas decorrentes da falta de oportunidade de participar do processo de produção social que, dentre as carências não resolvidas pelo sistema econômico dominante, faz com que muitos dependam de transferências públicas, privadas ou mesmo do exercício de trabalhos que quase não exigem capital ou qualificação profissional, como, por exemplo, serviços domésticos remunerados e a venda de produtos ou serviços.

4.4 AS MUDANÇAS NA TRAJETÓRIA DE VIDA DAS MARICULTORAS,

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