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LIBRAIRIE D’OP ´ ERATEURS 61 `a optimisation de la part des outils de synth`ese de Xilinx, qui respectent

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Synth`ese de DSL

3.3. LIBRAIRIE D’OP ´ ERATEURS 61 `a optimisation de la part des outils de synth`ese de Xilinx, qui respectent

A escolha de Mensagens de Final de Ano como objeto de estudo deste trabalho teve origem na necessidade de verificar a existência de um possível modelo comum usado por todos os agentes políticos em governação, uma vez que se queria descrever algumas características linguísticas e também realizar um estudo contrastivo.

A existência de regimes políticos diferentes nos países em análise (Portugal e Brasil), o volume de intervenções e a variedade das temáticas apresentaram-se como dificuldades iniciais à seleção dos objetos empíricos. Porém, após a análise de múltiplas intervenções da prática política, verificou-se que a maioria dos Chefes de Governo realiza, tradicionalmente, uma intervenção política, no final do ano civil, dirigida a todos os cidadãos. De forma a estabelecer critérios analíticos, considerou-se a análise das Mensagens de Final de Ano, produzidas nos dois países na mesma época

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do ano, em circulação nos mesmos suportes. Respeitou-se, contudo, a variabilidade temática e as diferentes situações de produção.

Para este trabalho adotou-se a etiqueta “Mensagens de Final de Ano” (MFA) para catalogar os textos do corpus, por considerar que a sua adoção promovia a relação com as intervenções políticas realizadas no final de cada ano civil pelo responsável do governo e, por contraste, estabelecia a distinção com as “Mensagens de Ano Novo” realizadas pelo Presidente da República Portuguesa.

O macro-corpus de análise é constituído por treze Mensagens de Final de Ano, proferidas de 2008 a 2014 pelos responsáveis pelo poder executivo português e brasileiro, correspondendo em Portugal ao Primeiro-Ministro e no Brasil ao Presidente da República. As mensagens estão distribuídas por dois corpora, um referente às MFA portuguesas e outro às MFA brasileiras.

Sobre o corpus importa explicar que a razão subjacente à escolha de textos de Chefes de Governo foi a necessidade de uniformização do estudo. Os dois países em análise apresentam diferenças ao nível do sistema político, sendo no caso português uma república democrática semipresidencialista e no brasileiro uma república federal presidencialista, o que acarreta implicações ao nível das funções exercidas. Assim, em Portugal há uma separação entre o Chefe de Estado, representado pelo Presidente da República, e o Chefe de Governo, pelo Primeiro-Ministro, enquanto no Brasil estas funções se concentram numa só pessoa, ou seja, no Presidente da República.

Em virtude destes factos, optou-se por selecionar apenas as intervenções realizadas pelos Chefes de Governo, responsáveis pela gestão dos ministérios e pela coordenação das políticas públicas. Por esta razão, não serão incluídas neste trabalho as intervenções do Presidente da República português, dado que o seu papel é, sobretudo, de representante da República Portuguesa. Para além deste aspeto, verificou-se que as intervenções realizadas pelo Presidente da República Portuguesa à nação ocorrem sempre no dia 1 de janeiro, o que implica diferenças ao nível temático e estrutural. O desfasamento temporal que existiria entre textos recolhidos antes do encerramento do ano civil (caso das MFA) e depois do Ano Novo poderia dificultar o processo comparativo-contrastivo que se pretende realizar.

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O número ímpar de Mensagens de Final de ano constituiu uma dificuldade que não tinha sido antecipada quando se estabeleceu o período temporal de abrangência do estudo. O intervalo das MFA foi estabelecido para permitir uma leitura diacrónica dos ethè, incluindo assim diversos contextos sociais e políticos. Tal como esperado, registaram-se mudanças na representação do governo, existindo no macro-corpus textos produzidos por diversos intervenientes políticos, nomeadamente José Sócrates (2008-2010), Passos Coelho (2011-2014), Lula da Silva (2008-2010) e Dilma Rousseff (2011-2013). Contudo, quando se procedeu à sua definição não se previu que as mudanças ao nível da representação do governo resultassem na alteração da “tradição” associada a estas intervenções. Fala-se, particularmente, das eleições brasileiras ocorridas em 2014 que provocaram a substituição da Mensagem de Final de Ano pelo discurso de tomada de posse, razão pela qual o corpus português contém 7 mensagens e o brasileiro, 6.

Embora as mensagens que constituem o corpus sejam disponibilizadas em versão oral (televisionada) e escrita, para este trabalho apenas foi considerada a versão escrita presente nos sítios oficiais dos governos (http://www.portugal.gov.pt/ e http://www2.planalto.gov.br). Ciente do impacto das componentes não-verbal e paraverbal na prática política e em particular nos ethè dos agentes políticos, considera- se que é um aspeto a abordar num estudo futuro, dado que, por limitações temporais, não foi possível realizá-lo neste trabalho.

Relativamente à catalogação dos textos adotou-se o seguinte método: cada mensagem foi identificada pela abreviatura do país (Portugal – Pt; Brasil – Br) e pelo ano de divulgação da mensagem. No interior das mesmas numeraram-se os parágrafos, colocando o marcador §, e as frases tipográficas9, o marcador ft. Ao longo

da análise textual do Capítulo VI, serão usados estes dois códigos para localizar os elementos linguísticos nos textos. Como tal, recomenda-se a consulta das Mensagens de Final de Ano durante a leitura do capítulo acima referido.

9 Por frase tipográfica entende-se a unidade linguística dotada de sentido completo, delimitada na

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O quadro seguinte apresenta a lista dos textos que compõem o macro-corpus, num total de 13 mensagens, distribuídos pelos dois corpora menores, o português à esquerda e o brasileiro à direita.

Macro-corpus de análise

Corpus 1 Corpus 2

Data Denominação Data Denominação

25/12 MFA Pt2008 22/12 MFA Br2008 25/12 MFA Pt2009 22/12 MFA Br2009 25/12 MFA Pt2010 23/12 MFA Br2010 25/12 MFA Pt2011 23/12 MFA Br2011 25/12 MFA Pt2012 23/12 MFA Br2012 25/12 MFA Pt2013 29/12 MFA Br2013 25/12 MFA Pt2014

Quadro 1 - Distribuição do corpus

Ao longo da análise da materialidade linguística, procurar-se-á perceber como o social influencia o textual, dedicando para isso algumas secções do trabalho ao contexto socio-económico-cultural. Esta análise será de cariz misto, embora predomine a observação qualitativa. Aquela terá como objetivo proceder à identificação do ethos através (i) das marcas linguísticas que o materializam e (ii) dos segmentos textuais em que se insere. Ainda que possam parecer dissociados, estes dois níveis estão em constante interação, pois o ethos é construído no diálogo entre os dois. O esquema abaixo reproduzido procura sintetizar o que foi afirmado.

O conceito de segmento textual utilizado nesta tese foi importado de Bronckart e Bulea (2006), em especial as suas categorias segmento de orientação temática (SOT) e segmento de tratamento temático (STT). O primeiro corresponde a momentos de

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introdução ou de apresentação de um tema10 e o segundo, a momentos de abordagem

efetiva desse assunto. Para esta tese, os STT terão uma importância maior, porque é neles que se aborda verdadeiramente um tema, logo são mais extensos e mais propensos ao aparecimento de ethè.

Além destes dois tipos de segmentos, introduziu-se neste estudo um terceiro, que foi denominado de segmento emotivo (SE), para referir momentos que estimulam as emoções do destinatário, quer através da convocação de valores como a esperança, a solidariedade ou o respeito, quer pela referência a dificuldades, sofrimento, entre outros. Este segmento surgiu nas leituras preliminares realizadas e a diferença de conteúdo em relação ao demais, justificou a sua inclusão.

A relação entre os ethè e os segmentos textuais que se vai demonstrar durante a análise procura mostrar que os primeiros são coibidos pelo tema e pelo tom dos segmentos. A título de exemplo, os ethè dos segmentos de tratamento temático são mais associados ao exercício de funções (ethos competente ou agente), ao passo que os ethè presentes em segmentos emotivos tendem a ser de cariz emocional (ethos

humano ou patriota).

Em relação às categorias linguísticas usadas na análise textual, que serão descritas com mais rigor no Capítulo V, convém evidenciar que foram definidas em função de uma análise preliminar do corpus e foram importadas de diversos autores (Bronckart, 1999; Kerbrat-Orecchioni, 2002; Adam, 2008; Walton, 2008; Cunha & Cintra, 2001; Carreira, 2001). Entre elas encontram-se: índices de pessoas, tempos verbais, indicações espaciais e temporais, conectores e marcadores de discurso, sequências, modalidades, escolhas lexicais, formas de tratamento, esquemas argumentativos e figuras de estilo, entre outros.

Ao longo da descrição do processo de análise destes elementos nos textos dos

corpora vão sendo apresentados excertos das MFA, que contêm dados que auxiliam a

10 Para Adam (2008), o tema ou tópico global tem um valor semântico, pois corresponde à estrutura de

sentido de um enunciado. Conforme indica Bakhtine (1984), o tema é um conceito dinâmico e complexo, na medida em que muda consoante a situação de enunciação e o produtor e que não se observa apenas nas formas linguísticas, mas também nas não-verbais. No entender da investigadora, o tema será a unidade de sentido, o assunto, social e historicamente instanciado, que domina um ou vários enunciados. Neste sentido, quando se fala em segmentos de orientação e de tratamento temático, está-se a falar da definição e abordagem de uma unidade de sentido.

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fundamentar a escolha dos ethè. Nestes excertos procurar-se-á destacar as marcas linguísticas que se pressupõe com maior relevo para o ethos em discussão, permitindo ilustrar o nosso posicionamento.

A análise qualitativa será obtida com o apoio do software Concordance e trabalhada pela investigadora no Excel, o que permitirá obter os gráficos que constam do Capítulo VI. A decisão de incluir a análise quantitativa dos dados deveu-se ao interesse em demonstrar, por meio da quantificação, a utilização de certos dados para a construção dos ethè. Considera-se que esta análise permitirá, portanto, descrever com maior propriedade as características linguísticas de cada ethè. Para tal proceder- se-á à contabilização da frequência vocabular (número de ocorrências de cada palavra) e de algumas marcas linguísticas específicas, nomeadamente os índices de pessoas e os tempos verbais. Os resultados serão importantes, por exemplo, para identificar a polarização ao nível da pessoa (ethos individual ou coletivo) ou ao nível da função (os dados relativos aos tempos verbais podem tender para um ethos competente, com o Pretérito Perfeito Simples, ou para o ethos agente em potência, com o Futuro Imperfeito). Vale salientar que durante a apresentação da frequência vocabular serão descartados os artigos definidos e indefinidos, as preposições e as conjunções, devido à sua presença constante nos enunciados em língua portuguesa, privilegiando-se palavras com maior relevância para o ethos.

Em jeito de síntese, a metodologia adotada nesta tese será de cariz misto (qualitativo e quantitativo).

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