D. LA MONDIALISATION, UN PROCESSUS INACHEVÉ
1. La libéralisation n’est pas absolue
O valor da vulnerabilidade econômica da comunidade São José encontrado foi de 70%, que representa um nível de vulnerabilidade muito alto (Figura 16), considerado inaceitável. Este elevado índice ocorre em virtude das limitações econômicas e revela um cenário de extrema pobreza. Ao falar de vulnerabilidade econômica, pensa-se logo na pobreza, pois aqueles com melhores condições econômicas, ou seja, os melhor remunerados na sociedade pertencem ao grupo dos “ricos”, classe alta, e de outro lado, a situação contrária, percebe-se os pobres.
Porém é preciso lembrar que a pobreza inclui vários aspectos de acordo com cada conjuntura. De acordo com Santos (2009), a pobreza, embora esteja presente em toda parte, é relativa a uma determinada sociedade, onde a única medida valida é a atual, dada pela situação do indivíduo na sociedade a qual pertence, e por isso não é apenas uma categoria econômica, mas principalmente política, pois se trata de um problema social. Problema este assolador, sobretudo, dos países subdesenvolvidos como o Brasil.
Figura 16 – Vulnerabilidade econômica Fonte – Medeiros (2016).
Para uma melhor compreensão acerca desta dimensão buscou-se investigar os indicadores com relação a emprego e renda da referida população. O indicador de situação de emprego e renda (Figura 17) mostra que os próprios entrevistados não consideram sua condição econômica satisfatória. 46,1% consideram sua situação como “ruim” e 34,5% “péssima”; regular correspondeu a 18,7% e apenas 0,7% como boa. Segundo Padoin (2010), a renda representa o que a pessoa pode consumir e quando inadequada representa a incapacidade de gerar níveis específicos de capacidades para o indivíduo em questão. Ainda segundo a autora, a liberdade dos indivíduos está ligada às oportunidades de consumir os bens e serviços disponibilizados, de modo que, quanto maior for a amplitude desse conjunto de oportunidades, maior a liberdade individual.
Figura 17 – Emprego e renda Fonte – Medeiros (2016). 70% 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 0 10 20 0,7% 18,7% 46,1% 34,5%
Este panorama mostra o sentimento e, ao mesmo tempo, a real situação de instabilidade econômica que assola estas famílias, podendo ser apreendido a partir da entrevista e do contato estabelecido durante as visitas, bem como permitiu conhecer a realidade dos residentes do bairro. Em áreas como esta é comum encontrar uma situação econômica caracterizada como linha de pobreza, pois não existem condições de custear todas as necessidades com esse valor (FERREIRA, 2007), conforme constatado no decorrer da pesquisa.
As profundas mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais da população geraram elevados índices de desigualdade social e o reflexo disso acentua as desigualdades já existentes, afetando de forma direta a renda das famílias e consequentemente suas condições de sobrevivência, “minando as expectativas de superação desse estado de pobreza, reforçando sua submissão aos serviços públicos existentes” (GOMES; PEREIRA, 2005, p. 360). O indicador renda familiar mostrou que a maioria dos entrevistados recebe um salário mínimo (32,3%) e o outro dado alarmante foi o percentual recebedor de menos de um salário mínimo mensalmente (27,5%), (Figura 18).
Figura 18 – Renda familiar mensal Fonte – Medeiros (2016).
Os dados apresentados na Figura 21 constatam a situação de pobreza das famílias, pois diante de tantas necessidades essenciais e básicas, como satisfazê-las com uma renda insuficiente? Principalmente quando se tem crianças na família. Obviamente, a situação torna- se fatigante, principalmente porque nessas áreas é comum famílias compostas por várias pessoas, dentre elas menores de idade e, assim uma renda como as apresentadas na área de pesquisa é totalmente exíguo. Quanto a isso, Ferreira (2007, p. 68) fala que o “comportamento da distribuição de renda e a dimensão de pobreza é a composição demográfica das famílias,
4,2% 14,7% 21,2% 32,3% 27,5% Três salários ou mais Dois Salários Mais de um Salário Um Salário Menos de um Salário
quanto maior o número de pessoas em uma mesma família, maior comprometimento da renda, menor condição de vida”.
O IBGE utiliza o critério do número de salários mínimos para classificação das classes sociais. Classe A (mais de15 salários mínimos), B (05 a 15 salários mínimos), C (03 a 05 salários mínimos), D (01 a 03 salários mínimos) e E (até um salário mínimo). Logo, a comunidade São José encaixa-se primordialmente nas classes E e D, ocupando assim os níveis mais inferiores das classes sociais.
Em termos da ocupação ou situação de emprego, 52,8% dos entrevistados compreendem o setor informal, isto é, atividades econômicas à margem da formalidade, sem condições regulamentadas pelo governo e considerada parte integrante da população economicamente ativa. De acordo com Ferreira (2007), a própria qualidade das ocupações e profissões também contribuem para o dimensionamento da pobreza e é importante relacionar a geração de renda, dimensão da pobreza e baixo padrão de ocupação com o baixo nível de instrução existente na população. Esta situação ocorre pelo fato da falta de oportunidades no setor formal. 27,4% dos entrevistados referem-se às pessoas que atendem às exigências do setor formal e 19,7% estão desempregadas, conforme os dados apresentados na Figura 19.
Figura 19 – Situação de emprego/ocupação Fonte – Medeiros (2016).
Aqueles que não conseguem encontrar uma posição privilegiada no mercado de trabalho facilmente ocuparão posições desprivilegiadas no interior da estrutura social, vendo-se cada vez mais impossibilitados de apropriar-se do conjunto de necessidades que lhe permitem sobreviver (PADOIN, 2010). Os moradores que se empregam no setor informal realizam atividades
27,4%
52,8%
19,7%
correspondentes à prestação de serviços nos bairros nobres vizinhos (Manaíra e João Agripino) como jardineiro, pintor, pedreiro e servente, diarista, lavadeira, dentre outros.
Até mesmo os empregos formais encontram-se nesta faixa de localização, desenvolvendo várias atividades nas residências como cozinheiras, empregados domésticos, porteiros nos condomínios, etc. O shopping Center Manaíra, localizado ao lado, também acaba sendo uma fonte de emprego para população. E ainda existem os pequenos comércios informais para os quais os moradores destinam uma pequena área de sua residência. Questionados sobre ter outra fonte de renda, além do habitual salário para complementar as necessidades básicas da família, os moradores responderam em sua maioria que não (77,5%).
Aos que confirmaram ter outra renda (22,5%), informaram em sua maioria que o valor confere apenas aos programas sociais do Governo Federal (Bolsa Família). Devido à carência da população, o mais comum é as famílias terem acesso a estes programas, dado não condizente com a informação acima e acredita-se que esta informação possa estar mascarada, porque a população tem medo de responder perguntas sobre este tema por achar que pode ser algum tipo de fiscalização e logo existe o medo de perder o benefício. Isso ocorre porque ao serem indagados sobre outra renda acreditam que o possível valor de um segundo rendimento não seria compatível para ter direito ao programa.
De modo geral fica evidente que tais circunstâncias identificadas a partir da entrevista desvelam a pobreza e a falta de perspectiva desta população, sendo uma consequência direta da vulnerabilidade social e econômica. E esta última ocorre precipuamente devido às altas limitações econômicas da população estarem associadas a carências e à falta de renda das famílias (PATRÍCIO, 2013). Outro ponto importante merecedor de destaque é a vulnerável condição econômica da família e seu grau de dependência delatar sua incapacidade de fazer frente às consequências de algum evento adverso (WILCHES-CHAUX, 1993).