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LEXIQUE - HIZTEGIA

Dans le document FAUNE ET FLORE REMARQUABLES (Page 27-30)

Uma vez exploradas as características das webreportagens, cabe tentar pensá-las através dos gêneros jornalísticos dos quais vimos que a reportagem tradicional faz parte. Na ocasião, buscaremos localizar essa prática contemporânea nesse cenário dos gêneros, relacionando as características de cada um deles – as quais julgamos que podem e poderão ser parcialmente

identificadas – na prática efetiva. Esse processo se configurará como uma tentativa de encontrarmos aspectos que aproximam as webreportagens da prática e da conceituação tradicional, que, eventualmente, as transpassarão e influenciarão em seu desenvolvimento, norteando esse rumo e permitindo com que indiquemos um provável percurso.

De tal maneira, iniciaremos esse estudo aproximando-nos da relação com o gênero interpretativo. Tal gênero, como visto, respalda um jornalismo no qual se tem a presença de um aprofundamento dos fatos, a exploração e apresentação dos seus antecedentes – sejam temporais, espaciais ou casuais –, a contextualização daquilo que está sendo relatado e também a humanização da(s) história(s). Todos esses aspectos já eram explorados pelos outros meios, em especial, pelo impresso. Logo, o que nos cabe então é identificar – ou até mesmo sugerir – como esses detalhes podem ser encontrados em uma eventual webreportagem.

Particularidades como a sua essência digital e a sua presença na Web faz com que ela atinja um patamar informacional o qual não podia ser experienciado anteriormente, permitindo que esses detalhes do gênero informativo sejam utilizados em modos e em níveis diferenciados. O aprofundamento dos fatos, a exploração dos antecedentes e a contextualização podem ser feitos através da ligação por links – direta ou indireta – de documentos e materiais – dispostos nos mais diversos tipos midiáticos: imagem, som, texto, etc. - no corpo dessa reportagem. Como quer Luiz Beltrão, eles podem se constituir de "históricos, depoimentos, dados estatísticos, documentário fotográfico, outras ilustrações, enquadramentos ideológicos, prognósticos" (1976, p.55). A sua vez, esses conteúdos podem estar presentes na Web – seja em site próprio ou em sítios externos – ou em arquivos físicos – sejam eles públicos, da instituição jornalística ou até mesmo pessoais. Isso não é um problema, tendo em vista que toda essa informação, se não está, será digitalizada – disposta em bytes – e poderá ser facilmente compartilhada – de forma integral, caso esse seja o desejo – com os usuários, através da Web, o que não seria praticável em outras oportunidades históricas. Destacamos que essa aproximação do usuário com a fonte e até mesmo com os dados e conteúdos crus não é muito praticada, mas se faz como uma possibilidade exclusiva do meio. Desse modo, o que se pode dizer é que é possível explorar esse traço de maneira "infinita", dependendo particularmente da capacidade – e da criatividade – dos produtores – e também dos usuários, em um determinado nível – de empregá-los.

Segundo Edvaldo Pereira Lima (2004), o gênero interpretativo é capaz de fornecer a compreensão a fundo das situações que transcorrem no mundo contemporâneo, e isso se dá pela "grande reportagem". Essa marca pode ser explorada de forma ainda mais contundente

no âmbito da Web, pois a webreportagem toma para si outras especificidades e novas capacidades, aumentando peças e elementos que poderão ser utilizados na construção das "margens de interpretação" (GOMIS, 1991, p.111 apud SEIXAS, 2009, p.68) da atualidade. Essas "margens" serão expandidas no momento em que se utilizam conteúdos diferenciados em meios distintos, oferecendo um material não só mais completo no sentido de sua quantidade informacional, mas também em termos qualitativos, ou seja, possibilidades sensoriais e sígnicas, gerando uma experiência distinta nos momentos de interpretação.

Concomitantemente, essa atualidade torna-se cada vez mais complexa, já que despontam informações acerca do tema abordado em um ritmo não verificado antigamente. A partir disso, Gerson Moreira Lima (2002, p.88) sustenta que esse gênero é capaz de apresentar os fatos de uma situação de modo a construir entendimentos válidos dessa realidade, tecendo entre os fatos ligações que permitem que se derive interpretações distintas. Assim, as webreportagens, dotadas dos diversificados elementos que são oferecidos em seu corpo, ampliam a capacidade de julgamento do usuário, pois, utilizando-se desses elementos, pode- se apresentar diferentes ângulos e pontos de vista sobre uma mesma questão, permitindo aos produtores capacidades que se sobrepõem à tradicional técnica de se valer somente de relatos de personagens vinculados a certa força atuante no fato. Nesse sentido, a questão da estrutura da webreportagem irá se identificar como um adicional nas possibilidades dessa capacidade e também atuará na capacidade de verificação imediata por parte do usuário sobre em que ponto da questão ele se encontra. Logo, pode-se considerar que esse esforço em uma webreportagem se configura na determinação do(s) sentido(s) de um acontecimento, pois assim se é capaz de enquadrar os agentes e as questões que nele atuam.

Há de se destacar que as webreportagens não necessariamente irão recorrer a uma troca dos objetos e assuntos abordados em seu foco jornalístico – elas até podem expandir o alcance de assuntos, devido à capacidade de utilização de conteúdos que não eram anteriormente passíveis de se cobrir. No entanto, elas tendem a seguir a mesma premissa das reportagens: irão expandir e detalhar assuntos socialmente impactantes e de interesse público. Logo, a realização desse material não trata de buscar novas perspectivas jornalísticas, mas visa complexificar as dimensões dos processos informativos, fornecendo novas noções e visões desse processo, fortalecendo assim a faceta interpretativa.

Desse modo, podemos apontar que a webreportagem pode se constituir, por excelência, como a sintetização contemporânea da tradicional "grande reportagem" do gênero interpretativo, a qual é defendida por Edvaldo Pereira Lima (2002) como a forma de se

fornecer a compreensão aprofundada de uma certa realidade.

No que concerne à humanização dos fatos e das histórias narradas, esta se faz uma concepção importante do gênero interpretativo, importância que é igualmente compartilhada com o gênero literário. As webreportagens podem permitir que essa humanização se torne ainda mais sensorial e complexa, encaminhando-se para um lado que incentive a interpretação do que está sendo relatado, seja por um viés racional (objetivo) ou emocional (subjetivo). Isso irá depender, obviamente, da intenção dos produtores de um determinado conteúdo e da concepção desse trabalho. A humanização nesses moldes, inclusive, pode aproximar ou até mesmo integrar e aproximar o usuário no universo noticiado. Em termos práticos, essa humanização do material pode ser realizada convencionalmente – através da descrição e narração textual; pela apresentação documental de uma fotográfica ou vídeo – ou de forma diferenciada – somando e coordenando conteúdos dos diversos meios: realizando a descrição textual com o som ambiente do local; aliando fotos a dados objetivos do que aconteceu na situação; apresentando o vídeo de uma entrevista com o over4 dos comentários do repórter – e isso poderá ser um aspecto que a enquadrará em um dos gêneros específicos. Podemos afirmar que quanto mais subjetiva for essa humanização mais a webreportagem se aproximará do gênero literário, porém essa "classificação" não depende exclusivamente desse dado, sendo necessário analisar caso a caso para chegarmos a um veredicto.

Cabe, no momento, realizar uma aproximação com gênero literário especificamente. Vimos que esse gênero propõe uma abordagem menos formalizada por parte dos produtores, permitindo que sua realização possa ser baseada em paradigmas jornalísticos com um viés mais experimental, configurando-o como um caminho distinto da abordagem pragmática das notícias, que se relacionam à objetividade jornalística. Em tal prática pretende-se que o repórter esteja imerso na realidade na qual vai trabalhar, para que possa abordar o assunto por um aspecto mais autoral – que consecutivamente será mais subjetivo –, conferindo, a partir do acréscimo no vocabulário, da distinção na estrutura narrativa e também no aprofundamento do conteúdo, um estilo próprio ao material, assemelhando-o a uma produção literária.

Como estudado, essa é uma atividade que já vem sendo realizada desde a década de 60, com a expansão do New Journalism. De todo modo, o que percebemos é que tal produção se encontra distante do escopo temático do jornalismo, mesmo no ambiente digital, incluindo aí a Web. E, justamente, pretendemos apontar que, através das possibilidades oferecidas pelo meio, torna-se possível realizar tal trabalho de maneira distinta, conferindo a essa prática tão 4 Nota em over: Se trata da narração sonora (voz) do repórter acerca do que está sendo mostrado no conteúdo

particular elementos que podem torná-la uma experiência narrativa ainda mais imersiva, potencializando o alcance jornalístico do seu material. Particularmente, esse é o aspecto que desejamos explorar: a imersão. Julgamos que a premissa de ter o repórter imerso em um determinado tema para que seja produzido um material especial é algo que pode ser, em termos tecnológicos e profissionais, estendido ao panorama do usuário, que irá usufruir do material. Acreditamos que essa capacidade de imersão dos usuários no acontecimento é configurada como, quiça, a possibilidade mais admirável ao se produzir um material jornalístico literário para o meio digital. Os usuários imersos poderão desfrutar de toda a capacidade "literária" que os produtores dos materiais poderão oferecer, que será configurada segundo a diversidade na utilização e organização dos elementos midiáticos na construção narrativa. A capacidade do usuário de navegar nesse material da forma que ele quer, pelo tempo que desejar, também contribuirá em tal traço.

O aspecto da humanização da história também obterá um grande ganho nessa faceta da imersão. Construindo um determinado ambiente em que acontece o assunto ou fato abordado, torna-se possível oferecer detalhes e signos que podem suscitar emoções e sensorialidades dos usuários, as quais não podiam ser aferidas em outras situações e em práticas de outros meios, aproximando-os do âmago dos conteúdos. Desse modo, os produtores podem subjetivar – ou mesmo objetivar – os cenários, as cenas e os fatos relatados, além de poderem oferecer as sensações que foram vivenciadas pelo(s) repórter(es), que tradicionalmente eram descritas no formato de um texto virtuoso, e agora podem ser distribuídas em outros formatos. Dessa forma, o significado do que está sendo veiculado é composto por camadas informacionais, passando a disseminar outras significações acerca do mesmo conteúdo. O que apontamos é que o "literário" não se encontra mais preso à arte textual, mas pode ser estendido e trabalhado em outros formatos, alcançando outras sensorialidades, multiplicando as possibilidades de se realizar um relato que pode ser capaz de incentivar construções experimentais por ambas as partes. Faz-se necessário, no entanto, que essa imersão não seja construída em um molde que gerará uma "ambiência perdida", ou seja, deve-se atentar na utilização de uma estrutura (que construa) narrativa(s) bem planejada(s) e executada(s). Ainda temos que, no gênero referido, a informação pode ser veiculada em modelos que a tornam um conteúdo que se insere no âmbito do entretenimento. Isso faz com que os diversos meios da Web possam ser aproveitados para aproximar ainda mais essa relação entre informação e entretenimento. Logo, é possível divulgar determinado conteúdo composto de ambos os aspectos em formações e construções de entretenimento distintas das verificadas em

outros meios. Por exemplo, pode-se apresentar uma música que foi símbolo do momento histórico relatado, enquanto é explicada a situação – ou apresentada a entrevista – de um personagem que o viveu, conciliando os dois lados desse jornalismo. As possibilidades, outra vez, estão nas mãos dos produtores, que serão incumbidos das tarefas de conciliar e estabelecer os limites e as relações a serem trabalhadas.

Uma vez demonstradas as nossas considerações, insistimos em esclarecer que tal percurso tratou de apresentar caminhos e construir relações com as perspectivas de estudos tradicionais da área acadêmica do jornalismo. Sublinhamos que elas não são apontamentos definitivos. Em realidade, essas são considerações iniciais, por meio das quais pretendemos vislumbrar sua validade e aplicabilidade no momento em que nos debruçarmos no estudo efetivo dos exemplares de webreportagens escolhidos. Seguiremos agora por outro rumo, distanciando-nos dos estudos dos gêneros jornalísticos e passando para a definição de alguns princípios e particularidades das linguagens digitais. Será o momento em que discursaremos sobre os conceitos de multimídia, hipermídia e intermídia, aplicados efetivamente como formas de se pensar – e de se realizar – os diversos conteúdos digitais.

4. MULTIMÍDIA, HIPERMÍDIA, INTERMÍDIA E UNIMÍDIA: FORMAS DE SE

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