• Aucun résultat trouvé

Na revisão da literatura, vários estudos foram observados, abordando o tema da transição

iminente da classificação ICD-9-CM para a ICD-10-CM. No caso de Caskey et.al [44], os autores

efetuaram um estudo no sentido de explorar de que forma esta transição se podia traduzir em

ambiguidades na informação clínica. A propósito desta abordagem os autores verificaram que

52 dos códigos que constam na ICD-9-CM não possuem correspondencia para a ICD-10-CM, o

que levou a alteração apenas de 43% dos códigos na transição ICD-9-CM para a ICD-10-CM/PCS,

e portanto podem ter ocorrido perdas de informação, sobreposição de categorias e

insconsistencia da informação clínica. Com base em tal facto, os autores referem que esta

transição terá um impacto significativo tanto em estudos prospectivos como retrospetivos que

tenham por base o uso de códigos de diagnósticos.

Heslin et.al [10], revelam que as BD que incluem códigos ICD-10-CM/PCS e ICD-9-CM,

representam um desafio para as análises de tendências relacionadas às patologias, pois as

mudanças dos sistemas de classificação podem levar ao aparecimento de descontinuidades,

independentemente das mudanças reais dos cuidados de saúde.

Assim sendo, segundo Boyd et. al [42] é de extrema importância que futuramente se façam

estudos que permitam a avaliar as inconsitências nos códigos de diagnósticos e procedimentos

relativos aos internamentos.

A transição entre os sistemas de codificação referidos , pode afetar a escolha dos códigos que

determinam uma condição especifica. Chang et. al [47] referem que os investigadores devem

estar conscientes desta transição, uma vez que existem muitas imprecisões inerentes à

codificação clínica, presente nos dados administrativos, afetando susbtancialmente a área, dado

que estes dados são rotineiramente utilizados para proceder a monitorização da incidência e

prevalência de doenças. Este problema de mensuração irá ser alastrado para as avaliações

comparativas do desempenho. Os autores referem ainda que estes códigos têm diversas

aplicabilidades, e por isso é de elevada relevância monitorizar as inconsistências da codificação

ao longo do tempo. Ainda devemos estar cientes que com toda a evolução clinica e tecnológica

as revisões à codificação ICD-10-CM/PCS vão voltar a surgir, e como tal, existirão futuras

modificações dos códigos o que implica que é necessário monitorizar continuamente a precisão

dos mesmos, pois a maximização da precisão dos códigos através de estratégias de melhoria da

qualidade, pode melhorar o uso futuro dos dados para investigação e para a monitorização da

utilização dos serviços de saúde de maneira que também influencia os reembolsos dos hospitais.

Monestime et. al [39], investigaram os problemas operacionais identificados aquando da

entrada em funcionamento da versão ICD-10-CM/PCS e pós a sua implementação numa

instituição de saúde pública. Os autores descreveram ainda, que as instituições que não

possuíam adesão médica para a ICD-10-CM tiveram uma adaptação mais lenta ao nível da

especificidade exigida para a documentação, da mesma forma que descobriu que a maioria das

críticas referentes à transição estavam relacionadas a documentação clínica, e para além do

mais, o número de encontros com o paciente também aumentou desde a implementação da

versão ICD-10-CM/PCS. Constaram ainda que a especificidade abordada como sendo um dos

grandes benefícios, tem um impacto mínimo nos dados clínicos, porém também descrevem que

esta classificação permite a recolha de mais dados sobre as condições dos pacientes.

Sobre os indicadores de qualidade da AHRQ os mesmos representam um importante caso de

teste, quando falamos da conversão das suas medidas de qualidade para a versão ICD-10-

CM/PCS. Utter et. al, recolheram informações de diversos estudos que comprovam que a

introdução deste novo sistema de classificação conduziu a uma melhoria da precisão dos dados

administrativos. Posto isto, com a transição para o novo sistema, por consequência da

especificidade dos novos códigos, a AHRQ aproveitou para melhorar a validade e utilidade dos

seus indicadores nos quais estão incluídos os PQI. Para efetuarem então o processo de

conversão tal como em outros estudos, os autores utilizaram General Equivalence Mappings

(GEM) conhecidos por auxiliarem a tradução entre a versão ICD-9-CM e a ICD-10-CM/PCS. No

entanto ainda que este mapeamento seja valioso na conversão de uma grande quantidade de

códigos, não é confiável para automatizar a conversão, uma vez que não dispõem de uma

correlação direta entre os códigos de uma codificação e outra. Dessa forma os utilizadores

necessitam de avaliar a documentação clínica assim como as opções de códigos disponíveis, e

ainda devem referenciar o código de acordo com o livro de códigos da ICD-10-CM/PCS para

proceder a seleção final do código. Tendo em conta estas evidências os autores optaram então

por criar uma nova ferramenta baseada nos GEM, que permite efetuar os mapeamentos da ICD-

9-CM para a ICD-10-CM/PCS assim como o inverso, ou seja, mapear de ICD-10-CM/PCS para a

ICD-9-CM, o que geralmente permite obter resultados mais fiáveis na correspondência das

descrições dos códigos. Aqui foram comprovados alguns dos desafios inerentes a nova

codificação dado que até os médicos especialistas envolvidos no processo apresentaram

dificuldades na compreensão de determinados códigos. Porém, os autores concluíram que a

característica da especificidade influencia significativamente a validade dos seus indicadores de

qualidade, visto que o aumento da quantidade de códigos a ter em consideração para cada

indicador em determinadas ocasiões permitiu obter uma lógica dos indicadores mais

aperfeiçoada. Contudo após a conversão efetuada, ainda se sabe pouco a cerca da validade e

confiabilidade das novas versões dos indicadores de qualidade para a codificação ICD-10-

CM/PCS, em grande parte devido a estas serem recentes e pela falta de dados administrativos

hospitalares representativos e baseados nesta codificação.

No que diz respeito às tendências do desempenho hospitalar que também são abrangidas por

esta mudança, alguns autores descrevem que para alguns indicadores as mesmas não terão

impacto substancial, porém noutras medidas a transição resultará na ocorrência de

descontinuidades neste âmbito [38, 46].

Nesse sentido Stewart et. al [11], avaliaram as descontinuidades inerentes às patologias

derivadas dos códigos de diagnósticos da nova versão, assim como verificaram a ocorrência de

alterações no mapeamento de terminologia induzidas pela alteração de codificação, no âmbito

da saúde mental. Em consequência de tal estudo, os autores verificaram que as taxas referentes

a muitas categorias dos diagnósticos de saúde mental permaneceram relativamente

consistentes, ou aumentaram dois anos antes da implementação assim como diminuíram

gradualmente depois da transição. No que remete aos transtornos psicóticos, excluindo a

esquizofrenia e o transtorno esquizoafetivo, os autores revelam que a implementação resultou

num uso mais específico de determinados códigos. Portanto de um modo geral concluíram que

a relação dos códigos de diagnóstico aos termos de pesquisa específicos em ferramentas de

terminologia clínica, pode afetar o uso clínico de um modo considerável o que leva a uma

mudança na prevalência, insistindo na necessidade de efetuar uma análise de tendência e

validação da codificação regularmente após a transição ter sido efetuada.

Yoon and Chow [12] mencionam que pelo menos um terço dos códigos ICD-9-CM não

apresentam um código ICD-10-CM/PCS correspondente, e por isso umas especialidades serão

mais afetadas do que outras no contexto desta transição.

Em suma, relativamente ao impacto desta transição nas ACSC nomeadamente nos indicadores

da AHRQ não é conhecido nenhum estudo efetuado, portanto este estudo será o primeiro.