Utilisation de Facebook en contexte universitaire
3. Analyse des résultats
3.3. Les usages communicationnels (Q3) 1. Activités communicationnelles
No segundo ponto da nossa análise, iremos centrar-nos em contos cuja temática é a do animal noivo. Quer isto dizer que, nestas histórias, um protagonista é confrontado com a necessidade de viver ou casar com um monstro, um animal ou um ser difícil de definir. É interessante notar que, nos contos escolhidos, estamos mais uma vez perante personagens principais femininas, que só depois de olharem além das aparências poderão ser felizes. Escolhemos quatro textos (dois portugueses e dois estrangeiros), numa vasta gama de possibilidades, por gosto pessoal e, também, por acreditarmos que ilustram na perfeição a tese por nós defendida.
Seguiremos os mesmos parâmetros que no tópico anterior, começando pelas categorias e dinâmica das narrativas para, depois, olharmos para os temas e símbolos mais recorrentes. E fá-lo-emos sempre com o intuito de comprovar como os medos e os monstros ajudam na aventura que é o crescimento humano.
2.1- Análise das categorias da narrativa
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Começando pelas coordenadas espaço - temporais do primeiro conto em estudo, a fórmula inicial Era uma vez reenvia para o normal início de um conto maravilhoso, permitindo a indefinição temporal que leva ao sonho e à identificação. Da mesma forma, as palavras com que o conto termina ajudam na indefinição já comentada. (cf. “...viveram felizes para sempre.”). O uso do Pretérito Perfeito mostra o rápido avanço da narrativa, mas nada nos permite situar no tempo. A única referência explícita à passagem do tempo é: “A rapariga passou dez anos a recolher as pombas”. O mesmo acontece ao nível do espaço, dado que sabemos que a acção ocorre numa aldeia, há uma breve passagem pelo cemitério e, depois, voltamo-nos para o palácio da rainha e do bicho. Nada nos permite localizar a acção, nem mesmo há recurso a adjectivos ou recursos expressivos ao serviço da descrição.
Por sua vez, o narrador é sempre ausente, embora com algumas especificações de texto para texto. Assim, no primeiro conto, além de heterodiegético é também omnisciente, pois conhece todos os pormenores da acção narrada, incluindo as conversas entre mãe e filha no cemitério. (cf. “Foi então que se lembrou do que tinha dito a sua mãe antes de morrer...”; “Casa com ele e no dia do casamento...”” “O meu marido desapareceu, transformado numa pomba branca. O que devo fazer?”). Nota-se, pela escassez de adjectivos, que esta entidade narradora conta com imparcialidade as acções, não tomando partido naquilo que narra. Não se notam preferências, embora se deduza que também ele torce pela jovem. (cf. “A madrasta, que se queria livrar da enteada, pensou mandá-la tomar conta do bicho.”; “Mas a rapariga não gostava do bicho e queria escapar àquele castigo.”; “A rapariga e o príncipe nunca mais se separaram e viveram felizes para sempre.”).
Passando, depois, ao estudo das personagens, notamos que esta sintagmática revela alguma pobreza ao nível actancial, na medida em que as personagens são poucas, contando-se apenas a rapariga, o pai, a madrasta, a rainha e o bicho/príncipe. Como é nela que se centra grande parte da história, a rapariga pode ser considerada a protagonista. É nela que se centram todos os acontecimentos e depende dela a salvação do príncipe e a sua felicidade. Nada é dito sobre a sua caracterização física ou psicológica, mas notamos pelas suas acções que é obediente, mas inteligente, perseverante e corajosa, pois arrisca a sua própria vida (cortando os pulsos) para reencontrar o esposo perdido. (cf. “E assim foi. No dia do casamento, a rapariga vestiu três vestidos...”; “Já tinha um grande pombal e decidiu então cortar os pulsos.”).
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para justificar o casamento da rapariga e do bicho. O pai é fraco e vaidoso, porque quer casar com a jovem “...mais bonita da aldeia” e permite que esta maltrate a sua filha, dando-a mesmo em casamento a um bicho para se livrar dela: “Finalmente, vou-me livrar daquela bastarda!”.
Já a rainha é a típica mãe preocupada com o bem-estar do filho. Neste caso, a inquietação é ainda maior por se tratar de um jovem diferente dos padrões da normalidade. (cf. “Foi nessa altura que a rainha decidiu casar o bicho.”). Demonstra igualmente curiosidade desmedida, dado que não segue o pedido da nora de não incomodar o jovem príncipe e leva a que este se transforme em pomba e desapareça. (cf. “Ao ouvir isto, a rainha decidiu ir ao quarto do filho para ver o que se passava.”).
Por fim, quanto ao bicho, verificamos que não é quem aparenta ser, escondendo a forma humana debaixo de um aspecto disforme. Muitas vezes, a metamorfose em bicho é resultado de uma má acção, mas, aqui, trata-se de um fardo que o príncipe carrega desde o nascimento, só sendo salvo pelo amor e perseverança da rapariga. Tem um papel pouco activo, limitando-se a esperar a acção da esposa: Tornou-se príncipe, devido ao casamento e aos conselhos da mãe da jovem e deixou de ser pomba, depois do sacrifício da amada. (cf. “...por cada vestido que tirava, pedia ao bicho que tirasse uma pele...”; “...decidiu então cortar os pulsos.”).
E quanto à acção, pouco há a dizer acerca do conto O bicho que se transformou sem Príncipe. Trata-se de uma narrativa simples, sem intrigas secundárias, como convém a um texto tradicional. Uma madrasta quer livrar-se da enteada e, para isso, envia-a para casar com um bicho, filho da rainha. Com a ajuda da mãe, já falecida, a menina compreende como desencantar o marido. Mas a curiosidade da sogra leva a que este se torne numa pomba. Só depois de quase enfrentar a morte a jovem consegue ser finalmente feliz com o amado, que era afinal um príncipe encantado.
O esquema actancial demonstra, pois, a simplicidade da narrativa, em que os actantes realizam alguns sincretismos actanciais, como podemos ver no esquema que se segue.
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(pai, madrasta, (Felicidade) (rapariga, bicho/príncipe) sogra, rapariga)
Adjuvante Sujeito Oponente
(mãe) (rapariga) (madrasta, sogra)
A rapariga é sem dúvida o sujeito da acção, concentrando também o estatuto de destinador e destinatário dos actos praticados. A madrasta e a sogra são destinadoras, na medida em que põem a história em movimento e oponentes da felicidade do casal. Mas acabam por ser igualmente adjuvantes indirectas, pois sem elas, o jovem casal não iria conhecer-se e amar-se.
2.1.2- A Menina e o Sardão
Já em A Menina e o Sardão, voltamos a encontrar o Era uma vez anteriormente apontado. Assim, entramos no mundo do faz de conta, voando para um lugar e tempo distantes, mas claramente indefinidos, para uma melhor adesão do leitor / ouvinte. A referência ao grupo nominal “um dia”, assim como a repetição da conjunção subordinativa temporal “quando” demonstram claramente a passagem do tempo, fazendo com que o tempo do discurso seja bem mais condensado que o tempo cronológico. O que interessa é chegar ao momento chave da história, veicular a mensagem intemporal. O mesmo poderá dizer-se em relação ao espaço, que alterna entre a casa familiar, o palácio do sardão e o jardim desse palácio. Se repararmos bem, nenhum dos locais é descrito minimamente, para não quebrar o encanto deste género de composição e, ao mesmo tempo, permitir o desenvolvimento da imaginação infantil. Sabemos apenas que “...encontrou um jardim muito enfeitado com uma casa enorme...”, o que serve para nos demonstrar a riqueza que rodeia o sardão, apesar do seu estado animalesco. É um indício de que ele poderá ser mais do que o que aparenta.
Também nesta sintagmática encontramos um narrador não participante e omnisciente, que narra em terceira pessoa e demonstra conhecer todos os pormenores e pensamentos na história. (cf. “O pai foi à vila...”; “...lembrou-se da rosa que a filha mais nova lhe tinha pedido.”; “Mas uma noite a menina sonhou que a sua mãe estava doente.”). Nota-se
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é também possível verificar que, de forma subtil, o narrador simpatiza com a heroína e defende as suas acções. Tal é visível, sobretudo, nas frases que se seguem: “Quando chegou a casa, a sua irmã mais velha, cheia de inveja, pediu-lhe logo que lhe emprestasse um anel...”; “Mas a outra, em vez de o devolver, emprestou-o ao namorado.”; “Então resolveu esperar mais um dia.”. É a inveja da irmã que atrasa o seu regresso, o narrador quer deixá-lo claro, ilibando a protagonista de qualquer culpa.
Somos igualmente brindados com alguma escassez ao nível das personagens, dado que estas se resumem ao pai, às duas irmãs, à jovem e ao sardão / príncipe. A rapariga tem novamente o papel central, sendo nela que se centra o desenrolar da acção. É por causa do seu pedido original que o pai se vê envolvido com o monstro e é para salvá-lo que a menina aceita ir para o palácio. (cf. “Eu quero a rosa mais bela que por lá encontrar.”; “É por isso que chorais? Não vos preocupeis que eu irei lá com muito agrado.”). Não sabemos nada da sua descrição física, e só através das suas acções percebemos que é corajosa, humilde, carinhosa e, sobretudo, sabe olhar além do aspecto físico, o que se revela decisivo para a sua felicidade.
O pai tem um papel relevante, porque é ele quem leva ao desenvolvimento da trama. Demonstra amor e preocupação com as filhas, querendo agradá-las. Aventura-se no jardim do sardão para satisfazer o pedido de uma delas. E a mãe só surge em cena para justificar a ida da jovem a casa e o desenlace da acção. As irmãs funcionam como colectividade, para mostrar a perfeição da mais nova, a terceira. A irmã mais velha torna-se opositora da felicidade, uma vez que demonstra inveja e soberba ao pedir o anel à irmã e emprestá-lo ao namorado. (cf. “...a sua irmã mais velha, cheia de inveja, pediu-lhe logo que lhe emprestasse um anel...”; “Mas a outra, em vez de o devolver, emprestou-o ao namorado.”).
Resta apenas referir o sardão, verdadeiro cavalheiro, apesar da sua forma física disforme. Em momento algum trata mal o pai da jovem e, quando esta vai para a sua casa, ele cuida dela com todo o carinho e desvelo: “Este servia a menina como se ela fosse uma rainha e não lhe faltava com nada.”. Pede-lhe para não demorar mais de três dias em casa dos pais, pois sabe que isso seria a sua perdição, mas deixa-a ir, porque a ama. É, na verdade, um príncipe encantado, à espera do verdadeiro amor para voltar à normalidade. (cf. “...não era mais o sardão, mas sim um belo príncipe.”).
No que respeita à acção, podemos quase repetir as palavras ditas anteriormente. De facto, a narrativa é fechada, com um ciclo perfeito que termina com o casamento, bem ao gosto do conto tradicional. Um homem com três filhas vê-se obrigado a entregar a filha mais
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animal, mas regressa a casa para ver a mãe. O seu atraso quase mata o bicho, mas tudo termina da melhor forma. Não há intrigas secundárias e verificamos igualmente um sincretismo actancial, como nos mostra o esquema que se segue:
Destinador Objecto Destinatário
(pai, irmã mais velha, (Felicidade) (rapariga, sardão) rapariga)
Adjuvante Sujeito Oponente
(sardão) (rapariga) (irmã mais velha)
A rapariga tem papel central, como apontámos atrás, pois é nela que se centra a peripécia, cujo objectivo é atingir a felicidade junto do sardão, que é na realidade um príncipe. E este ajuda-a na sua tarefa, devido à simpatia e amor com que a trata. Como oponente destaca-se apenas a irmã com a sua inveja.
2.1.3- A Bela e o Monstro:
No terceiro conto, as coordenadas espaço – temporais aproximam-se das analisadas anteriormente. De facto, a história inicia-se com o Era uma vez já explicitado nos outros contos. E a cercadura final “Viveram felizes pelo resto dos seus dias” confirma a indefinição temporal e o pacto realizado entre narrador e leitor / ouvinte, que entra e sai do mundo dos sonhos sem dar por isso. Sabe-se que tudo ocorreu há muito tempo, nota-se a passagem do tempo através de expressões como “Ao fim de dois anos...”; “Na manhã seguinte...”; “Os dias passaram rapidamente...”, para apontar alguns exemplos. Mas as indicações são sempre muito limitadas, o tempo do discurso condensado, para não fugir aos padrões do género conto. O mesmo acontece relativamente ao espaço, uma vez que este é bastante reduzido e indeterminado: Apenas se sabe que a acção decorre na casa do pai da Bela, no palácio do monstro e no jardim desse mesmo palácio. É referida a fortuna inicial da família, assim como as dificuldades com que passaram a viver, mostrando-nos o narrador que foram obrigados a
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desolado a grande distância da cidade.”. Conhecemos, também, a riqueza e o esplendor do castelo do Monstro, como é referido em diversas passagens textuais: “...passou por várias salas, magnificamente mobiladas.”; “Parecia não haver ninguém naquele enorme e maravilhoso palácio.”; “...os pássaros cantavam, as flores floriam e o ar era doce e agradável.” Mas nada do que é dito permite especificar em que lugar acontece a história. Trata-se de uma estratégia de universalidade, que possibilita a reactualização do conto em qualquer contexto social.
O narrador é heterodiegético e omnisciente, como em todos os contos analisados até ao momento. Não participa na acção narrada, mas conhece o íntimo das personagens, os seus desejos e sonhos mais escondidos. (cf. “Apenas a irmã mais nova alimentava algumas dúvidas sobre se iriam ser de novo tão ricos como dantes.”; “O mercador, aterrorizado por estas palavras furiosas, deixou cair a rosa fatal...”; “...apesar do seu receio, não deixou de admirar todas as maravilhosas coisas que via.”; “Bela achou o seu sonho tão interessante que não sentiu pressa nenhuma em acordar.”).
Olhando, agora, para as personagens, verificamos que Bela é, sem dúvida, a protagonista. Além de ser a única a ter nome próprio, é a mais jovem dos irmãos, caracterizando-se pela sua natureza simples, amistosa e bondosa. Vai para o castelo impelida pelo amor incondicional pelo pai, mas acaba por conseguir, com a sua doçura e devoção, transformar o monstro num lindo príncipe. É pouco caracterizada, como aliás acontece com todos os actantes deste texto, notando-se, contudo, algumas passagens reveladoras da sua fisionomia e/ou carácter: “Apenas a mais nova tentou ser corajosa e animosa. Tinha ficado tão triste como as outras (...) mas em breve recuperou a sua antiga alegria. Começou a trabalhar...”; “...mas Bela replicou, docemente...”; “...respondeu corajosamente, que estava preparada para ficar.”, entre outras.
O pai é o protótipo paternal, preocupado com o bem-estar da família e receoso de que pudesse acontecer algum mal aos filhos, sobretudo à mais nova, Bela. Quer mesmo regressar sozinho ao castelo, para poupar a jovem. Já as irmãs são o exemplo da não aceitação da condição social, na medida em que nunca se conformam com a perda da riqueza e em vez de agradecerem a Bela por, graças a ela, recuperarem parte do poder social, ainda a tratam como um estorvo, mostrando a inveja que tinham no coração. (“...as irmãs pareciam habituadas a passar sem ela, e até a achavam um estorvo.”). E os irmãos não têm qualquer relevância na
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O Monstro mostra a dicotomia entre a aparência e a essência, na medida em que parece um ser assustador mas, tanto no seu tratamento para com a Bela como nos sonhos desta, surge como é na realidade: Amável, doce e, sobretudo, lindo. Encerra uma dimensão simbólica tratada mais adiante. Para a sua caracterização contribuem afirmações como as que se seguem: “...viu um Monstro assustador.”; “...disse, num tom que lançaria o temor no coração mais corajoso, embora estivesse longe de parecer zangado...”; “...a generosidade do Monstro o fez acreditar...”; “...Bela começou a pensar que o Monstro não era tão terrível como supusera.”; “...um jovem príncipe, mais belo do que qualquer jovem que ela tivesse visto, e com uma voz que lhe foi direita ao coração...”; “...em seu lugar se encontrava o seu bem-amado príncipe!”. O uso da letra maiúscula ao nomear este ser demonstra que se trata de uma forma de o individualizar, bem como as diversas comparações contribuem para indiciar que ele não é bem o que aparenta.
Resta ainda referir a dama que aparece a Bela nos sonhos, que não é mais do que uma fada boa, cujo papel é guiar as ideias da jovem e levar a que esta consiga desfazer o feitiço de que o Monstro foi vítima. Sem esquecer a Rainha, mãe do príncipe, que surge no final para felicitar e abençoar a união. Ambas as personagens são caracterizadas da seguinte forma: “Uma delas, compreendeu Bela, era a dama majestosa que tinha visto nos seus sonhos; a outra tinha um ar tão régio, que Bela não soube a quem saudar primeiro.”. Vêm com o objectivo de coroar o final feliz.
Em a Bela e o Monstro, a acção é um pouco mais complexa que nos dois contos anteriores. De facto, se inicialmente a história se assemelha às outras (um pai com vários filhos perde a fortuna e, numa viagem, colhe uma rosa para a filha mais nova, vendo-se obrigado a prometer ao Monstro que voltaria com uma das suas filhas), quando Bela vai para o palácio, não só é bem tratada pelo animal (como nos outros contos), mas começa a ter sonhos estranhos, com um príncipe e uma bela dama que lhe dizem como agir. Desejosa de ver de novo a família, pede para voltar a casa, o que lhe é concedido com a condição de não se demorar mais de dois meses. O seu atraso quase mata o animal, o que acontecia também nas sintagmáticas anteriores, mas aqui ele não se transforma imediatamente em príncipe, tal apenas acontece depois de pedir Bela em casamento e esta aceitar. Só quando ela consegue ver que o ama além do aspecto físico ele volta a ser um homem e podem ser felizes.
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Bela, que funciona como sujeito, destinador e destinatário da acção. O pai e o Monstro são, ao mesmo tempo, adjuvantes e oponentes, pois permitem o encontro mas, ao mesmo tempo, são causadores da dor inicial da jovem. De salientar que, neste conto, não existem vilões, dado que o que interessa é perceber a importância do amor e não o percurso iniciático normal, em que é preciso vencer um dragão ou uma bruxa. Neste caso, só é preciso perder o medo da entrega, daí que o verdadeiro inimigo seja o tempo implacável.
Destinador Objecto Destinatário
(pai, Bela, Monstro) (Felicidade) (Bela e Monstro)
Adjuvante Sujeito Oponente
(Monstro, pai) (Bela) (pai, Monstro, tempo)
2.1.4- O Príncipe Rã:
Resta-nos, ainda, analisar o conto o Príncipe Rã, que partilha a mesma temática que os anteriormente estudados. E, ao nível das categorias da narrativa, as diferenças não são muito acentuadas. De facto, olhando para as coordenadas do espaço e do tempo, verificamos que a frase “...quando os desejos formulados eram satisfeitos...” reenvia para o já apontado tempo indefinido, que permite a identificação do leitor / ouvinte e a sua entrada temporária no mundo dos sonhos, da imaginação. Várias vezes se nota a passagem do tempo cronológico, com expressões como “um dia”, “na tarde seguinte”, “na noite seguinte”, entre outras, mas nunca conseguimos captar o momento exacto da ocorrência da acção.
O mesmo acontece com o espaço, que pode ser considerado uno, se pensarmos que tudo se centra no palácio do rei e no frondoso jardim em sua volta. Na verdade, destacam-se o bosque, com o lago ao centro, e o palácio, em que se circula entre a sala de jantar e o quarto da moça. (cf. “Perto do palácio real existia um grande e frondoso bosque...”; “...a princesa estava a comer o seu jantar à mesa real...”; “...pegou na rã e deitou-a aos pés da cama.”). Se repararmos, o bosque é brindado com alguma descrição, mas que apenas contribui para
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dos utensílios usados pela princesa ao jantar, verificamos que são monarcas abastados.
O narrador não participa na história que narra, contando os acontecimentos como quem conhece todos os detalhes, mesmo os pensamentos mais íntimos das personagens, mas mantendo sempre a narração em terceira pessoa. É, pois, uma entidade omnisciente e heterodiegética, como demonstram as várias passagens que apresentamos em seguida: “Era esta a sua brincadeira favorita...”; “...a princesinha compreendeu que não voltaria a ver a sua linda bola. Começou, por isso, a chorar amargamente.”; “...logo esqueceu a rã que, tristemente, regressou ao lago”; “A princesa, ainda que muito contrariada, teve de obedecer.”; “A princesa pensou que não seria capaz de dormir tendo debaixo do travesseiro um ser tão horrível, viscoso...”.
Olhando, posteriormente, para as personagens, verificamos que se mantém o que foi dito nos contos anteriores, ou seja, que existem em número reduzido, com parca ou nenhuma caracterização e funções tipificadas. De facto, contamos apenas com três actantes neste conto: o rei, a filha mais nova e a rã. Enquanto o primeiro surge como o arquétipo paternal, com conselhos importantes para as jovens gerações seguirem (cf. “Quando fazemos promessas, temos de as cumprir!”), a princesa assume-se como personagem central, em volta da qual se dá o desenvolvimento dos acontecimentos.
A jovem é apresentada directamente como sendo muito bonita, através do uso de uma