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Les troubles sphinctériens (ou incontinence)

B- Conseils aux personnes handicapées

1) Les troubles sphinctériens (ou incontinence)

O estudo dos valores do trabalho objetiva compreender as motivações das pessoas para o trabalho (PORTO; TAMAYO, 2008). Embora muitas vezes sejam confundidos com valores das organizações, os valores do trabalho apresentam diversas definições que dão ênfase a um ou mais aspectos dos valores, tais como dimensões cognitiva e motivacional, organização hierárquica ou recompensas procuradas no trabalho; mas, em todas elas, as definições focalizam o que é importante para a pessoa no trabalho (PORTO; TAMAYO, 2003).

De acordo com o que foi visto da teoria de valores básicos de Schwartz (1992), os indivíduos apresentam uma estrutura de valores ampla, que exerce uma função motivacional expressiva ao mundo social das necessidades inerentes à condição humana. Para cada aspecto da vida, como o trabalho, a religião ou a política (TAMAYO, 2005), há uma estrutura de valores específica que se relaciona à estrutura mais abrangente (SAGIE; ELIZUR, 1996). Sendo a categoria de valores específicos mais estudados, a avaliação dos valores do trabalho propicia a clarificação de diferenças interpessoais e interculturais que podem surgir quando expressos em julgamentos ou comportamentos específicos (SCHWARTZ, 1992; TAMAYO, 2007).

Até o final dos anos 1990, era possível encontrar uma variedade de publicações sobre os valores do trabalho. Apresentados em forma de estudos isolados das vertentes que abordam valores pessoais gerais, alguns autores se destacaram, conforme citados por Porto e Tamayo

(2008): (a) David Super, em 1953, que sintetizou os motivos que levam as pessoas a gostar ou não de seu trabalho, mas sem apresentar consistência, poiso autor confundiu valores do trabalho com satisfação no trabalho; (b) Samuel e Lewin-Epstein, em 1979, que apresentaram valores laborais como determinantes dos modos, meios, comportamentos e resultados que são preferíveis sobre outros; (c) Hofstede, em 1997, que definiu valores do trabalho como uma tendência geral para preferir certo estado de coisas a outro; (d) Dose, em 1997, que considerou valores laborais como padrões avaliativos relativos ao trabalho e ao contexto laboral para que o indivíduo decida entre o certo ou acesse a importância das preferências; (e) Elizur, em 1984, que analisou o conteúdo da literatura e utilizou a abordagem de facetas para propor a constituição do espaço conceitual dos valores laborais; (f) Sagie e Elizur (1996), autores relevantes nos estudos laborais, que definiram valores do trabalho como a importância conferida pelos indivíduos a certos resultados obtidos no contexto do trabalho; (g) Schwartz (1999), para quem valores laborais se referem a metas ou recompensas que as pessoas buscam por meio do trabalho; (h) Elizur e Sagie, em 1999, que adotaram a definição de valores de Schwartz, caracterizando valores do trabalho como um aspecto dos mesmos; (i) Ros, Schwartz e Surkiss (1999), que trataram valores laborais como princípios ou crenças que guiam avaliações sobre resultados e contextos do trabalho (PORTO; TAMAYO, 2003, 2008).

Um estudo merece ser detalhado. A partir da divulgação da teoria de valores de Schwartz (1992) enquanto estrutura mais abrangente dos valores, aliada às lacunas identificadas em estudos anteriores, Ros, Schwartz e Surkiss (1999) revisaram a estrutura dos valores laborais preexistentes, em especial o trabalho de Elizur (1984 apud ROS; SCHWARTZ; SURKISS, 1999), e sugeriram um modelo dinâmico e uma estrutura de valores do trabalho a partir da teoria de valores humanos básicos de Schwartz (1992). Para tanto, Ros, Schwartz e Surkiss (1999) produziram dois estudos: o primeiro visava à definição da natureza do trabalho e, por isso, os autores identificaram os valores distintivos do trabalho e postularam a estrutura de relações entre eles [de conflitos e compatibilidades, tal como a teoria de Schwartz (1992), o que foi confirmado pelos autores]. O segundo estudo ocorreu com o propósito de explorar a importância do trabalho enquanto veículo para o alcance de objetivos valorizados, isto é, inferir os tipos de metas que as pessoas acreditam atingir no trabalho (ROS; SCHWARTZ; SURKISS, 1999).

Para os autores, valores laborais são princípios ou crenças sobre comportamentos ou metas desejáveis, hierarquicamente organizados, que guiam avaliações sobre os resultados e contextos do trabalho, bem como a escolha de alternativas do trabalho. Ros, Schwartz e Surkiss (1999) identificaram a presença de tipos motivacionais de segunda ordem de

Schwartz (1992), confirmando, também, a dinâmica de conflitos e compatibilidades presente na estrutura do sistema de valores de Schwartz (1992) na estrutura de valores do trabalho. Sendo assim, o emprego da estrutura dos valores básicos mostrou-se pertinente para a compreensão da estrutura dos valores do trabalho, ficando a proposta de se testar o modelo em outras culturas.

A inserção e validação do modelo de Ros, Schwartz e Surkiss (1999) no Brasil foi realizada por Tamayo (2007), que, na oportunidade observou que uma das lacunas nesses estudos era a escassez de instrumentos de mensuração de valores do trabalho. A partir disso, ele passou a trabalhar sob duas vertentes no desenvolvimento de escalas com suas orientandas de doutorado, sendo a primeira o Inventário do Significado do Trabalho – IST (BORGES, 1996; 1999a), que visava, inicialmente, à mensuração dos valores do trabalho via atribuição do significado do trabalho para trabalhadores da camada popular, e a segunda, a Escala de Valores relativos ao Trabalho – EVT (PORTO; TAMAYO, 2003), para mensuração dos valores do trabalho em geral, mediante aplicação da teoria de Schwartz (1992) ao mundo do trabalho. Embora com propostas iniciais diferentes, a característica singular comum aos dois instrumentos é o mérito de trazer os valores de trabalho para o âmbito da teoria dos valores humanos em um instrumento de mensuração, o que, por correspondência, indica que os valores do trabalho, de fato, representam motivações subjacentes aos valores humanos, só que dentro do contexto específico do trabalho (TAMAYO, 2007).

Nesta dissertação, cumpre abordar os valores do trabalho na perspectiva de Borges (1996, 1998b, 1999a), isto é, abordar os valores do trabalho sob a perspectiva do significado do trabalho. Segundo a autora, os valores do trabalho relacionam-se ao significado do trabalho e focalizam dois temas principais, simultaneamente estudados: (a) o processo de valorização do trabalho em relação às demais esferas da vida humana ou ao conjunto geral de valores humanos; e (b) a identificação dos diversos valores do trabalho.

De acordo com Tamayo e Borges (2006), as publicações sobre o processo de valorização do trabalho frente a demais campos da vida humana consagraram o termo centralidade do trabalho, isto é, a importância do trabalho em comparação a outras esferas da vida: família, ócio, religião e comunidade, pressupondo uma hierarquia de tais entre elas. O observa que o uso do termo centralidade do trabalho destaca-se nos estudos de England e Misumi (1986), tornando-se popular após a publicação dos estudos de uma equipe multinacional de pesquisadores, a Meaning of Work Group (MOW, 1987), que se propôs a estudar o significado do trabalho em várias culturas, durante seis anos, entre 1978 e 1984. Desde então, outros pesquisadores passaram a utilizar o termo centralidade do trabalho em

seus estudos sobre valores do trabalho associados ao significado do trabalho. No Brasil, encontram-se nos trabalhos de Lundberg e Peterson (1994), Álvaro et al. (1995) e Borges- Andrade e Nogueira (2008), todos citados por Borges e Tamayo (2008), sendo estudos que mostram convergência no sentido de apontar o trabalho entre as duas esferas mais importantes da vida, alternando de importância com a família, a depender da cultura nacional (BORGES; TAMAYO, 2008). Quanto à identificação dos valores do trabalho, Borges (1998), em sua opção de estudá-los por meio do significado do trabalho, desenvolveu um modelo denominado Modelo de Atributos do Significado do Trabalho, que inclui um instrumento de mensuração do significado do trabalho baseado em atributos relativos ao próprio trabalho, em dois aspectos, o valorativo e o descritivo. A apresentação do estudo de Borges será realizada na próxima seção, que trata do significado do trabalho. Por ter sido o modelo escolhido para esta dissertação, encontra-se amplamente detalhado no item 2.2.3.

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