4. Les thèses de l'antihumanisme 1. Le contexte
4.2. Les textes
Para realizar o registro dos processos vividos nessa pesquisa-ação, utilizo como principal instrumento o Diário de Itinerância da pesquisadora, que segundo Barbier (2007, p. 132) é um “[...] bloco de apontamento no qual cada um anota o que sente, o que pensa, o que medita, o que poetiza, o que retém de uma teoria, de uma conversa, o que constrói para dar sentido à sua vida [...]”. Na pesquisa de mestrado, posteriormente transformada em livro (LEMES, 2012), o diário de itinerância também é utilizado e contribui com questões fundamentais que somente a memória, com o passar do tempo, não consegue se recordar. No mestrado, fiz o entrecruzamento da base material do diário de itinerância, o meu olhar, com a base material das entrevistas realizadas com os sujeitos da pesquisa. Essa também é a pretensão do doutorado.
16Texto disponível em:
https://www.facebook.com/BrumEliane/photos/a.480750498675063.1073741824.157764497640333/796 20897108020/?type=3&theater . Acesso: 22 out 2016
A escrita do diário é exigente. Primeiro, pela rotina de escrita quase diária, e, segundo, pela busca permanente de transformar vivências em palavras escritas. Como a escrita pode expressar a totalidade vivida? Procuro desenvolver nessa investigação o que Barbier denomina de: “[...] entrar numa relação de totalidade com o outro tomado em sua existência dinâmica. [...] a audição, o tato, o gosto, a visão, o paladar, são desenvolvidos na escuta sensível.” (BARBIER, 2007, p. 98). Barbier ainda indica a elaboração de três Diários de Itinerância: o rascunho, o elaborado e o comentado (BARBIER, 2007, p. 138- 142).
No caso desta pesquisa, identifico como diário-rascunho o manuscrito que faço em um bloco de anotações. Barbier descreve esse diário rascunho como “a parte mais íntima do diário de itinerância”, anotações e flashes de pensamento que me vêm no momento da experiência. O diário-elaborado é a escrita em que “eu estou em contato imaginário com um leitor virtual. Eu escrevo para mim e para outrem”. Considero que esse texto, já mais elaborado, é produzido quando digito no computador o relato da semana, já pensando no meu interlocutor, bem como na exposição do material. O diário-
comentado é a socialização dessa escrita e escuta de seus comentários pelos partícipes da
pesquisa. No caso desta investigação, o diário-comentado produz-se nos encontros semanais do Genpex/FE/UnB, nos Fóruns semanais do Movimento Popular do Paranoá- Itapoã e nas mensagens compartilhadas por meio eletrônico. A partir dessa socialização, novas elaborações são realizadas. Movimento de libertação-exasperação.
No segundo semestre de 2016, proponho ao grupo de estudantes-pesquisadores da UnB a elaboração de um Diário de Itinerância coletivo: “Nada impede evidentemente que o diário de itinerância se socialize ainda mais e se torne um diário de itinerância coletivo, isto é, redigido por um grupo ou subgrupo. [...] representa o caderno de inteligência do grupo em direção à realização de seus objetivos” (BARBIER, 2007, p. 143).
O primeiro exercício do Genpex/FE/UnB de produção do Diário de Itinerância coletivo ocorre em agosto de 2016. A proposta consiste em realizar as relatorias coletivamente. Com a utilização do Google Drive, aplicativo da rede social Google, cria- se um documento de texto que é compartilhado e editado virtualmente por várias pessoas. Registramos diariamente a avaliação dos acontecimentos vividos. A proposta dessa escrita coletiva e diária é ter, ao final de cada semestre, uma base material do grupo, que já explicite as significações dos estudantes-pesquisadores da UnB do processo vivido.
Base material que pode ser utilizada por todos os estudantes-pesquisadores em seus trabalhos finais de conclusão de curso, dissertações e teses. No período de 2015 a 2018, são elaborados dois Diários de Itinerância coletivos, um, no segundo semestre de 2016 e, o outro, no primeiro semestre de 2017. A elaboração do diário coletivo é um convite, não é uma atividade obrigatória.
Como minha primeira base material, tenho os Diários de Itinerância individuais que somam 524 páginas: primeiro semestre de 2015 (87 páginas); segundo semestre de 2015 (58 páginas); segundo semestre de 2016 (123 páginas); primeiro semestre de 2017(130 páginas, volume 1 e volume 2 ); segundo semestre de 2017 (126 páginas). Os Diários de Itinerância coletivos são escritos em dois semestres, totalizando 86 páginas, sendo um Diário coletivo no segundo de 2016 (40 páginas) e outro no primeiro de 2017 (46 páginas).
Além dos Diários de Itinerância individuais e coletivos, aplico, no segundo semestre de 2015, um questionário-diagnóstico que contribui para a construção do perfil dos sujeitos educandos e educandas que fazem parte do 1º Segmento17 do Ensino Fundamental da EJA da Escola Classe.
Figura 3 Formulário-diagnóstico do perfil dos educandos e educandas, 2015
17 No Distrito Federal, o 1º Segmento do Ensino Fundamental da Educação de Jovens, Adultos e Idosos Trabalhadores é composto por quatro etapas, de 1ª a 4ª, e corresponde aos cinco primeiros anos do Ensino Fundamental Infantil; o 2º segmento do Ensino Fundamental da EJA também tem quatro etapas, de 5ª a 8ª; e, finalmente, o 3º Segmento corresponde ao Ensino Médio e tem três etapas, de 1ª a 3ª. Nos três Segmentos, cada etapa corresponde a um semestre letivo.
Fonte: Formulário elaborado pelo coletivo de estudantes-pesquisadores do Genpex. Diário de Itinerância, 2º/2015, página 17.
Esse questionário-diagnóstico de 2015, Figura 03, é preenchido, como parte da roda de diálogo, pelos próprios educandos, no laboratório de informática, e contribui para caracterização dos sujeitos e o planejamento das atividades subsequentes. Cerca de 100 estudantes da EJAIT digitam esse diagnóstico. No Anexo 1 da Tese, apresento um formulário preenchido. Os demais encontram-se nos meus arquivos pessoais. No segundo semestre de 2017, um novo questionário-diagnóstico é elaborado e preenchido como parte da pesquisa de mestrado de Karla Nascimento Cruz18. Do ponto de vista do perfil dos educandos e das educandas, o material de 2015 e o de 2017 possuem resultados muito semelhantes. Por isso, opto, na minha investigação, por continuar analisando os dados de 2015.
Por fim, no segundo semestre de 2017, realizo 11 (onze) entrevistas individuais e uma entrevista coletiva, totalizando 12 entrevistas, todas semi-estruturadas, com algumas perguntas elaboradas e outras abertas, sempre procurando um tom de descontração e cumplicidade com o entrevistado e a entrevistada. Realizo três entrevistas com educandos(as) da Rede Pública, quatro entrevistas com educadores(as) da Rede Pública, quatro com educadores(as) e dirigentes do Movimento Popular do Paranoá- Itapoã e uma entrevista coletiva com estudantes-pesquisadores da UnB. Participam da entrevista coletiva da UnB seis estudantes-pesquisadores, sendo dois da pós-graduação e quatro da graduação.
Cada roteiro de entrevista tem suas especificidades, mas procura contemplar, em linhas gerais, a história de vida do sujeito, suas especificidades e sua significação da relação que ocorre desde 2015 entre Escola, Movimento Popular e Universidade. Destaco a seguir o roteiro, Figura 04, elaborado para a conversa com os educandos e as educandas.
Figura 4 Roteiro de Entrevistas com Educandos e Educandas
18 Karla Nascimento Cruz é estudante-pesquisadora do Genpex/FE/UnB que desenvolve sua dissertação de mestrado na Escola Classe, tendo como objeto a prática de inclusão digital que ocorre desde 2015, a partir da parceria entre Escola Classe, Universidade e Movimento Popular do Paranoá-Itapoã.
Fonte: Roteiro de entrevista elaborado pela pesquisadora, no segundo semestre de 2017.
Com esse roteiro, entrevisto duas educandas, Dona Isabel e Sra. Patrícia, e um educando, Sr. Edmar. Sra. Patrícia (nome fictício) solicita, no termo de consentimento, o anonimato, por isso não a descreveremos. Dona Isabel é uma educanda comunicativa e afetuosa que sempre nos acolhe com seu sorriso largo e abraço apertado. É paraibana de origem. Tem dois filhos. Aposentada como doméstica. Teve um companheiro que foi um anjo em sua vida. Depois que ele faleceu, seu mundo acabou. É muito difícil reerguer, diz ela. Volta a estudar para se reerguer. Não é fácil voltar. Tem o incentivo da alfabetizadora popular. Considera que é uma graça de Deus estar viva e, hoje, estudando. Em 2017, está cursando a segunda etapa do Primeiro Segmento. Está conosco desde o início da roda de diálogo. Anteriormente à vinda para a Escola Pública, participa de uma turma de alfabetização do Movimento Popular do Paranoá-Itápoã.
Sr. Edmar é um educando guerreiro e persistente. Com uma história de vida de muita garra e trabalho, chega à Brasília. É do Piauí. Antes de chegar em Brasília, sofre um grave acidente. Sobrevive. Ninguém acredita, pois o acidente é muito grave. Vem em busca de melhores condições de vida para sua família. Encontra trabalho. Sente-se bem remunerado e traz a família. Tem três filhos, que são sua vida. Como profissional, faz de tudo um pouco. Está sempre disposto a trabalhar. Não quer largar os estudos, quer
avançar. Em 2017, está cursando a segunda etapa do Primeiro Segmento. Está conosco desde o inicio da roda de diálogo. Antes da Escola Pública, também participa de uma turma de alfabetização do Movimento Popular do Paranoá-Itápoã.
O roteiro com os educadores da Rede Pública, Figura 05, possui a mesma linha de raciocínio: história de vida, relação com o Movimento Popular e avaliação do trabalho desenvolvido desde 2015, com algumas especificidades relacionadas à práxis docente, tais como a história de formação inicial e continuada na Educação de Jovens, Adultos e Idosos Trabalhadores.
Figura 5 Roteiro de Entrevistas com Educadores da Rede Pública
Fonte: Roteiro de entrevista elaborado pela pesquisadora, no segundo semestre de 2017.
Os educadores da Rede entrevistados são: Humberto, Ivana, Francinete e Joselice.
Professor Humberto nunca imaginou ser professor. Terminou faculdade em Sistema de Informação. Fez complementação em matemática. Teve um concurso para contrato na Secretaria de Educação e passou. Sua primeira formação, matemática, é para atuar no 2º segmento. Depois, fez Pedagogia. Foi um divisor de águas. Segundo professor Humberto, escutou algo de seus alunos que o marcou muito: “Você não escolheu ser professor, você nasceu para ser professor”. Antes de escolher ser somente professor, tinha uma rotina desgastante, mas quando entrava em sala de aula o seu universo mudava. Considera muito gratificante a profissão docente. Tomou gosto. Em 2008, foi contrato temporário. Em 2010, fez concurso de 20h EJA e foi chamado somente em 2013 (março de 2013). Em 2013, fez o concurso para 40h na Rede Pública e passou. Tudo no Paranoá. Terminou em 2013 a Pedagogia e fez concurso assim que sua primeira filha nasceu. Fez para matemática e fez para Pedagogia, as provas eram em turnos distintos. Não achava
que passaria em Pedagogia, mas passou. Hoje, ele agradece até os seus fracassos. Diz que se não tivesse passado por isso, hoje não teria a família que tem.
Professora Ivana é de São Gonçalo, Rio de Janeiro. Com 14 anos fez inscrição para cursar o curso de Magistério e gosta do mundo da educação. Logo em seguida, trabalha em uma escola de educação infantil; sempre teve que trabalhar e estudar. Inicialmente fica quatro anos em uma creche. Começa a faculdade no Rio de Janeiro e termina em Brasília. Em Brasília, também trabalha inicialmente em uma creche. Depois, passa no concurso público para trabalhar com o Ensino Fundamental em Águas Lindas de Goiás, município que fica a 51 km de Brasília. Em Águas Lindas, trabalha 40 horas semanais com crianças. Com uma amiga professora de Águas Lindas, descobre o contrato temporário de 20h para atuar com a Educação de Jovens, Adultos e Idosos Trabalhadores. Decide tentar e consegue. Fica apaixonada pela EJA e, se pudesse, trabalhava somente nessa modalidade.
Professora Francinete é concursada da Rede Pública. É formada em Pedagogia. Chega à Educação de Jovens, Adultos e Idosos Trabalhadores por meio de sua participação no Movimento Popular, período em que as turmas estão sendo financiadas pelo Programa do DF Alfabetizado. Fica dois anos como coordenadora das turmas de alfabetização do Movimento Popular e passa no concurso da Secretaria de Educação do DF. Depois de um ano na secretaria, é convidada pela direção da Escola Classe para assumir o cargo de supervisão noturna, visto que os educandos que estão na EJA são educandos egressos do Movimento Popular, todos que ela já conhece. Nasce no Maranhão e chega em Brasília com sete anos de idade. Inicialmente, mora no Gama, com seus pais e mais cinco irmãos pequenos. A vinda para o Paranoá decorre do sonho de melhoria de vida dos pais. Passando dificuldades no Gama, resolvem tentar a moradia no Paranoá, período da fixação, década de 1980.
Professora Joselice chega ao Paranoá em 1977. É baiana. Em 1977, a família já está toda aqui em Brasília. Vem para conseguir uma vida melhor. Começa trabalhando como caixa de padaria, depois no supermercado, em seguida em uma creche. Trabalha 10 anos em uma creche, com crianças de dois a cinco anos. Monta uma escola em casa, mas não dá certo. É assessora da administração do Paranoá no período de 2011 a 2014. Atua como educadora social e como professora de contrato temporário na Rede Pública. Conhece o Movimento Popular do Paranoá em 1989 e faz o curso de formação para alfabetizadora popular. Começa a dar aulas de alfabetização de adultos quando ainda está
no Ensino Médio. Depois faz Magistério e Pedagogia para poder se engajar mais. Em 2002, pega a sua primeira turma de Educação de Jovens, Adultos e Idosos Trabalhadores da Rede Pública. Isso é muito positivo, porque pega na Rede Pública a mesma turma que está acompanhando na alfabetização de adultos. Em 2015, volta para a Escola Classe como professora temporária 20 horas semanais da Educação de Jovens, Adultos e Idosos Trabalhadores. Reconhece a forma diferente do Movimento Popular trabalhar. Sobre essa forma diferente, esclarece “[...] tem aquela roda de conversa, perguntar de onde veio, o que eles fazem, onde moram, o que gostam, uma história de vida de cada um, e a partir daí a gente pega aquela amizade, aquele entrosamento de até se convidar para tomar café, ou então na casa; a gente pega uma amizade muito grande”.
O próximo bloco de entrevista, é com as lideranças e educadoras populares. A intenção também é resgatar a história de vida dessas educadoras, suas singularidades, bem como a significação que possuem da relação Universidade, Movimento Popular e Escola Classe, conforme roteiro, Figura 06, a seguir:
Figura 6 Roteiro de Entrevista com educadores e lideranças do Movimento Popular
Fonte: Roteiro de entrevista elaborado pela pesquisadora, no segundo semestre de 2017.
Realizo quatro entrevistas com educadoras e lideranças populares: Leila, Vilma, Sandra e Lourdes. Leila é uma das grandes lideranças do Movimento Popular do Paranoá.
É professora da Rede Pública de Ensino, atuando como coordenadora pedagógica em uma escola do diurno. Possui graduação em Licenciatura Plena em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes de Brasília (1991). É mestre em Educação pela Universidade de Brasília (2007) e, desde 2017, doutoranda em Educação pela Universidade de Goiás na linha de pesquisa Educação, Trabalho e Movimentos Sociais. Sua participação no Movimento Popular do Paranoá inicia-se ainda na infância. Histórias que nascem imbricadas e tecidas. Não há como distingui-las, pois, nascem juntas.
Vilma é alfabetizadora e coordenadora da educação popular. Nasce na Bahia, em Coribe. Veio de lá bebê, com dois anos. Mora, inicialmente, no Gama e, com 8 anos, vem para o Paranoá. Não participa diretamente da fixação do Paranoá na década de 1980. Quando criança, a história que conhece do Paranoá é diferente da história que descobre com o Centro de Cultura e Desenvolvimento do Paranoá – Cedep. Formada em licenciatura plena em História. Tem sua primeira experiência com o Cedep, a partir de uma formação política e do curso de informática oferecido pela instituição. Sua experiência com alfabetização inicia-se com um programa do governo, o Alfasol. Alguns anos depois, aproxima-se das turmas ofertadas pelo Movimento Popular. Gosta da metodologia do Cedep, pois ensina que seus alunos têm voz, têm direito e têm poder. Isso é muito importante, porque, segundo Vilma, somos silenciados durante todo o processo de educação.
Sandra é alfabetizadora popular. É filha de pioneiros do Paranoá, Sra. Badia e Sr. Sivaldo. É a quarta de cinco irmãos. A única mulher, os outros todos homens. Tem um padrastro, Sr. José Ramos, que é muito importante em sua vida. Conheceu toda a luta do Paranoá. Lembra-se de sua mãe indo lavar roupa no Lago Paranoá. Colocava umas tendazinhas no chão para as crianças brincarem. As crianças amavam aquele cheiro de natureza, aquela imensidão de água do lago. Ainda bem jovem, engravida e tem duas filhas. Hoje, uma, com 29, e, outra, com 30 anos. Já tem três netos. Entre 1989 e 1990, sobe para o Paranoá atual; anteriormente mora no Paranoá Velho. Lembra-se da luta pelo lote e de como as condições de vida daquela época são precárias. Trabalha duro e em muitos lugares para conseguir se manter. A educação surge em sua vida ainda na infância. Desde cedo, sente: vou ser professora. Decide estudar e fazer faculdade de Pedagogia. Tem orgulho de dizer que seu Trabalho de Conclusão de Curso - TCC é um resgate da história educacional do Paranoá, um resgate crítico. Para realizar o TCC, busca “dona
Lourdes”, do Centro de Cultura e Desenvolvimento do Paranoá - Cedep e, a partir daí, começa a se envolver com o Movimento Popular do Paranoá-Itapoã.
Lourdes é uma das grandes lideranças histórias do Movimento Popular do Paranoá-Itapoã. É mineira de Paracatu, cidade distante 250 km de Brasília. Vem para o Distrito Federal com a família, em busca de melhores condições de vida. Participa de todo o processo de embate para a fixação do Paranoá na década de 1980. Ainda hoje, continua com a vitalidade e o compromisso de vida com sua comunidade. Lourdes é, para mim, um grande exemplo de mulher, profissional, liderança comunitária. Pela melhoria de vida da população do Paranoá e, hoje, também do Itapoã, dá seu sangue. Com mais de 30 anos de atuação no Movimento Popular, continua com a mesma gana e garra em busca de transformação social. A história de vida de Lourdes é contada com mais detalhes e aprofundamentos em Reis (2011, p. 11-68). É uma pessoa maravilhosa e inspiradora.
Por fim, realizo, com os estudantes-pesquisadores da UnB, uma entrevista coletiva, por compreender que os aprofundamentos com esses sujeitos podem ser realizados em grupo, como um encontro avaliativo do trabalho. O roteiro da entrevista, Figura 07, procura aprofundar a especificidade e o olhar desses sujeitos que estão na Universidade e decidem caminhar com o Genpex/FE/UnB.
Figura 7 Roteiro de entrevista com estudantes-pesquisadores da UnB
Fonte: Roteiro de entrevista elaborado pela pesquisadora, no segundo semestre de 2017.
Dos estudantes-pesquisadores da UnB que participam dessa entrevista coletiva, três pedem o anonimato: Violeta (nome fictício), Margarida (nome fictício) e Flor (nome fictício). Os demais são: Carlos, Cláudio e Ana. Ressalto que todos têm uma participação com muito comprometimento no Genpex/FE/UnB.
Carlos é estudante-pesquisador da UnB, graduando de Pedagogia, sua segunda licenciatura. A primeira é em Letras. Carlos está no Genpex/FE/UnB desde o segundo semestre de 2016. Participa ativamente do trabalho. Em 2018, é selecionado para cursar o Mestrado em Educação, também na Escola Classe, como parte da trajetória que vem desenvolvendo. Cláudio é estudante-pesquisador da UnB, desde 2017, mestrando em Educação pelo Genpex/FE/UnB. Insere-se no curso de Pedagogia, vindo transferido da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp. A Pedagogia é sua terceira graduação, sendo as outras História e Direito. Conhece o Genpex/FE/UnB no primeiro semestre de 2016. Realiza seu trabalho final de curso na Escola Classe, investigando a repercussão das atividades para a vida do sujeito idoso. Por fim, Ana é estudante-pesquisadora da UnB, graduada em Pedagogia. Está no Genpex/FE/UnB desde 2013. Realiza seu trabalho
final de curso na Escola Classe, investigando o uso do computador, a partir da experiência de diálogo entre a Educação de Jovens e Adultos e a Educação Popular, que acontece desde 2015.
São 11 entrevistas individuais e uma coletiva, acordadas e realizadas. Transcrevo duas entrevistas e, para as demais, peço ajuda a uma instituição de transcrição de áudio, decisão que tomo para que não haja sobrecarga de trabalho neste processo. As transcrições das entrevistas totalizam 327 páginas. Por isso, no Anexo 2 da Tese, socializo apenas uma das entrevistas. As demais encontram-se nos meus arquivos pessoais. Ao todo, somando as páginas dos Diários de Itinerância (524) e as entrevistas (327), tenho um total de 851 páginas em papel A4, digitadas, para análise. Essas 851 páginas desvelam minha experiência, intenções, pretensões, resultados dos quatro anos de trabalho.